Sol de Inverno

António Joaquim de Castro Feijó · Capítulo 15 de 56

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Sol de Inverno

A Cidade do Sonho

 

 

Ao Visconde de Pindella

A CIDADE DO SONHO

 

Soffres e choras? Vem commigo! Vou mostrar-te O caminho que leva á Cidade do Sonho… De tão alta que está, vê-se de toda a parte, Mas o ingreme trajecto é florido e risonho.

Vae por entre rosaes, sinuoso e macio,

Como o caminho chão d'uma aldeia ao luar, Todo branco a luzir numa noite de estio,

Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.

Se o teu animo soffre amarguras na vida, Deves emprehender essa jornada louca;

O Sonho é para nós a Terra Promettida:

Em beijos o maná chove na nossa boca…

Vistos d'essa eminencia, o mundo e as suas sombras, Tingem-se no esplendor d'um perpetuo arrebol; O mais esteril chão tapeta-se de alfombras, Não ha nuvens no ceu, nunca se põe o sol.

Nella mora encantada a Ventura perfeita

Que no mundo jámais nos é dado sentir…

E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita, A propria Dor começa a cantar e a sorrir!

Que importa o despertar? Esse instante divino Como recordação indelevel persiste;

E neste amargo exílio, através do destino, Ventura sem pesar só na memória existe…