Sol de Inverno
A Cidade do Sonho
Ao Visconde de Pindella
A CIDADE DO SONHO
Soffres e choras? Vem commigo! Vou mostrar-te O caminho que leva á Cidade do Sonho… De tão alta que está, vê-se de toda a parte, Mas o ingreme trajecto é florido e risonho.
Vae por entre rosaes, sinuoso e macio,
Como o caminho chão d'uma aldeia ao luar, Todo branco a luzir numa noite de estio,
Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.
Se o teu animo soffre amarguras na vida, Deves emprehender essa jornada louca;
O Sonho é para nós a Terra Promettida:
Em beijos o maná chove na nossa boca…
Vistos d'essa eminencia, o mundo e as suas sombras, Tingem-se no esplendor d'um perpetuo arrebol; O mais esteril chão tapeta-se de alfombras, Não ha nuvens no ceu, nunca se põe o sol.
Nella mora encantada a Ventura perfeita
Que no mundo jámais nos é dado sentir…
E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita, A propria Dor começa a cantar e a sorrir!
Que importa o despertar? Esse instante divino Como recordação indelevel persiste;
E neste amargo exílio, através do destino, Ventura sem pesar só na memória existe…