Sol de Inverno

António Joaquim de Castro Feijó · Capítulo 22 de 56

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Sol de Inverno

Capítulo II

Mas, se é sincero, o Amor só a occultas se exalta, Faz-se tanto maior quanto é discreto o ninho.

E tudo o que tu crês fingida gravidade

É uma intima oblação, pois nas almas piedosas O Verdadeiro Amor é feito de humildade: Sobre o annel nupcial não ha pedras preciosas.

 

II

EU E TU

 

Dois! Eu e Tu, num ser indissoluvel! Como Brasa e carvão, scentelha e lume, oceano e areia, Aspiram a formar um todo,—em cada assomo A nossa aspiração mais violenta se ateia…

Como a onda e o vento, a lua e a noute, o orvalho e a selva —O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noute, Ou o orvalho inundando as verduras da relva— Cheio de ti, meu ser d'effluvios impregnou-te!

Como o lilaz e a terra onde nasce e floresce, O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo, O vinho e a sêde, o vinho onde tudo se esquece, —Nós dois, d'amor enchendo a noute do degrêdo,

Como partes d'um todo, em amplexos supremos Fundindo os corações no ardor que nos inflamma, Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos, Como se eu fôsse o lume e tu fôsses a chamma…