Sol de Inverno

António Joaquim de Castro Feijó · Capítulo 43 de 56

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Sol de Inverno

Cleopatra

 

A José Coelho da Motta Prego

CLEOPATRA

 

Como a concha de nácar luminoso.

Em que Venus surgiu, risonha e nua,

A Galera vogava ao sol radioso

Com a graça d'um Cysne que fluctua.

Soltas ao vento as velas de brocado,

Ao som das Lyras, sobre o rio immenso,

Dos remos d'oiro e de marfim sulcado,

O destino do Mundo ia suspenso!

Como nuvens correndo, as horas passam; Já se divisa o porto; o sol declina,

E emquanto as velas, marinheiros, cassam, Ella que um sonho de poder domina,

Deante do espelho, a reflectir, perscruta

Do seu corpo a belleza profanada,

Como o rufião nocturno, antes da lucta,

Examinando a lamina da espada!