Sol de Inverno

António Joaquim de Castro Feijó · Capítulo 31 de 56

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Sol de Inverno

Entre Pinheiros e Cyprestes

 

A meus sobrinhos, Salvato e Ruy

ENTRE PINHEIROS E CYPRESTES

 

Entre pinheiros e cyprestes

Fundi em lagrimas os olhos…

Onde estaes vós, almas celestes,

Que entre pinheiros e cyprestes

Em vão procuram os meus olhos?

Na terra fria aqui descansam

Os corações que tanto amei…

Mas os meus braços não alcançam

Na terra fria em que descansam

Os corações que tanto amei.

As vezes ponho o ouvido attento

A ver se os ouço ainda bater…

Mas só me fala a voz do vento,

Sempre que ponho o ouvido attento

A ver se os ouço ainda bater…

Elles que sempre e a toda a hora

Tão nobremente palpitaram…

E já nem sombra resta agora D'elles que sempre e a toda a hora

Tão nobremente palpitaram!

Mas todo o amor, toda a bondade,

Que em vida as almas enobrece,

Torna a ser luz na immensidade,

Irradiação d'amor, bondade,

Que em vida as almas enobrece…

E nessa luz, a alma que chora

D'um brilho augusto se illumina,

Como uma esprança ou uma aurora,

Em cuja luz, a alma que chora

D'um brilho augusto se illumina…

E ao nosso olhar, d'entre cyprestes,

Estrellas novas apparecem…

Sois vós talvez, almas celestes,

D'entre pinheiros e cyprestes,

Essas estrellas que apparecem…