Sol de Inverno

António Joaquim de Castro Feijó · Capítulo 6 de 56

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Sol de Inverno

Capítulo V

A critica inscreveu o nome de Antonio Feijó no rol dos parnasianos portuguezes.

Não discutamos essas classificações d'escolas, que nem sempre são precisas, nem fundamentaes. Se o parnasianismo se caracteriza, de facto, pelo rigoroso cuidado da forma, pelo culto da belleza verbal, das linhas marmoreas da phrase, do seu corte lapidar, da riqueza das rimas, da euphonia dos rythmos, do poder evocativo das imagens,—Feijó pode chamar-se, com acerto, um parnasiano. A miudo elle repetia o preceito de mestre Theo: Ce qui n'est pas bien fait, n'est pas fait. Mas o que elle foi, na verdade, sem contestação e fundiariamente, foi um lyrico, na mais ampla plenitude da designação.

Toda a sua obra é dominada por essa nota emotiva, por esse accento de viva sensibilidade que constituem a essencia do lyrismo. O amor, o eterno amor, o enlevo da belleza, as torturas da paixão, as suaves melancholias, os tedios enervantes, as graças preciosas da galanteria,—são a substancia psychica da sua poesia.

Essas emoções sabia elle cristalisal-as n'uma forma requintadamente perfeita e na maior variedade de tons e de estructura estrophica. Ha poetas que se fixam n'um metro, ou pouco mais, e quasi não variam de tonalidade. O verso de Feijó é ricamente polymorpho e a escala dos seus tons muito extensa. A sua versificação tem amplitude e largueza; mas, tem, egualmente, elegancia, frescura e graça. Esculpe poderosamente o alexandrino, mas torneia delicadamente a redondilha menor e modela, com arte, as mais extranhas formas da estrophe composita.