Sol de Inverno
Moiro e Christã
A Antonio de Barbosa de Mendonça
Abou-el Hassan, Ali, fils d'Abdalla,
Elzagouni, raconte ce qui suit…
Ebu-Abi-Hadglat, Divan Oriental.
MOIRO E CHRISTÃ
O pobre moiro enamorou-se
D'Ely, môça christã, sendo filho do Emir… Tamanha dor sentiu, que o misero exilou-se, Como se alguem podesse á propria dor fugir!
Longe, na terra alheia, abrasa-lhe a memoria A imagem da mulher que a vida lhe prendeu, Vendo-a morta, a sorrir sob um nimbo de gloria, Mas no esplendor de um ceu que nem mesmo era o seu…
Por sua vez, Ely nunca pôde esquecê-lo, E nesse immenso amor, com presagios de agoiro, Sentia-se morrer, como um lirio no gêlo,
Sem o doce luar dos seus olhos de moiro…
Mas no instante supremo, ambos crentes, temendo Que a Morte os separasse, em tão oppostos ceus, Elle invocou Jesus, cheio de fé, morrendo; E a christã murmurou: «Allah! só tu és Deus!»