Sol de Inverno

António Joaquim de Castro Feijó · Capítulo 41 de 56

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Sol de Inverno

O Amor e o Tempo

 

 

(CHRISTOPULOS)

O AMOR E O TEMPO

 

Pela montanha alcantilada

Todos quatro em alegre companhia,

O Amor, o Tempo, a minha Amada

E eu subiamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante

Já se viam indicios de cansaço;

O Amor passava-nos adeante

E o Tempo accelerava o passo.

—«Amor! Amor! mais de vagar!

Não corras tanto assim, que tão ligeira

Não pode com certeza caminhar

A minha doce companheira!»

Subito, o Amor e o Tempo, combinados,

Abrem as asas trémulas ao vento…

—«Porque voaes assim tão apressados? Onde vos dirigis?»—Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:

—«Tende paciencia, amigos meus!

Eu sempre tive este costume

De fugir com o Tempo… Adeus! Adeus!»