Sol de Inverno

António Joaquim de Castro Feijó · Capítulo 52 de 56

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Sol de Inverno

Fim

Chorando o perdido, desfeito casal…

Tão funda era a mágoa, tão grande o seu mal,

Que o peito sentindo de dor estalar,

—De dor e d'angustia começa a cantar!

E canta com tanta ternura e paixão,

Que a Vida lhe foge naquella canção.

As aves despertam; calaram-se as fontes; Nas hastes tremiam as urzes dos montes;

A Lua escutava; detinha-se a Aurora,

E as vagas gemiam no vento que chora…

Na terra, no espaço, nos astros, no ceu,

Mais alta harmonia ninguem concebeu;

E os Deuses recebem, ouvindo-a, a chorar, A alma do Cysne que expira a cantar…

Desde esse momento, no Olympo onde entraram, Em honra dos Cysnes que tanto se amaram,

Das almas que foram leaes e sinceras,

Se Venus se mostra, surgindo da bruma, São elles que tiram, nas altas espheras,

A concha de nácar, cercada de espuma…

 

FIM