Sol de Inverno

António Joaquim de Castro Feijó · Capítulo 21 de 56

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Sol de Inverno

II Dyptico

II

DYPTICO

 

EU E TU

DYPTICO

 

I

M. ***

 

Perguntas d'onde vem a timidez estranha, Este quasi terror com que te fallo e escuto, Como se a sombra hostil d'uma grande montanha, Que se erguesse entre nós, me cobrisse de luto.

Ignoras a razão d'este absurdo respeito

Com que te beijo a mão, que estendes complacente, —Fria do ardor que tens concentrado no peito, Que mão fria é signal de coração ardente.

E admiras-te de ver que os olhos baixo, e tremo, —Se passas como um sol de planetas cercado— Sem dar mostras sequer d'esse orgulho supremo De quem se sente eleito entre todos, e amado!

Não podes conceber que uma paixão tão alta Se vista de recato ou de pudor mesquinho…