Sol de Inverno
II Dyptico
II
DYPTICO
EU E TU
DYPTICO
I
M. ***
Perguntas d'onde vem a timidez estranha, Este quasi terror com que te fallo e escuto, Como se a sombra hostil d'uma grande montanha, Que se erguesse entre nós, me cobrisse de luto.
Ignoras a razão d'este absurdo respeito
Com que te beijo a mão, que estendes complacente, —Fria do ardor que tens concentrado no peito, Que mão fria é signal de coração ardente.
E admiras-te de ver que os olhos baixo, e tremo, —Se passas como um sol de planetas cercado— Sem dar mostras sequer d'esse orgulho supremo De quem se sente eleito entre todos, e amado!
Não podes conceber que uma paixão tão alta Se vista de recato ou de pudor mesquinho…