Vida e Morte
16. Carine
ELA ME LEVOU ao côm odo que m e apontara com o o escritório de Carine. Parou do lado de fora da porta por um instante. — Entrem — convidou Carine lá de dentro.
Edy the abriu a porta de um côm odo de pé-direito alto com j anelas longas que ocupavam toda a altura das paredes. Havia estantes até o teto em todos os lados, com m ais livros do que eu j á vira fora de um a biblioteca. Carine estava sentada atrás de um a enorm e m esa, colocando um m arcador nas páginas de um livro que segurava. A sala era com o sem pre im aginei que seria um gabinete de reitor de universidade, só que Carine parecia j ovem dem ais para o papel.
Saber tudo pelo que ela passou, depois de ter assistido na m inha im aginação, m esm o tendo noção de que m inha im aginação não era suficiente e que tudo devia ter sido bem pior do que visualizei, acabou m e fazendo olhar para ela de um j eito diferente.
— O que posso fazer por vocês? — perguntou ela com um sorriso, levantando-se. — Eu queria m ostrar a Beau um pouco da nossa história — disse Edy the. — Bom , da sua história, na verdade.
— Não queríam os incom odá-la — falei, m e desculpando. — De form a algum a — disse ela para m im . E, para Edy the: — Por onde vai com eçar?
— Pelo cocheiro — respondeu Edy the. Ela m e girou para ficarm os de frente para a porta pela qual tínham os entrado.
Aquela parede era diferente das outras. Em vez de ter um a estante, era abarrotada de dezenas e dezenas de quadros em oldurados. Eram todos de tam anhos e estilos diferentes, alguns m onocrom áticos e opacos, outros de cores vibrantes. Procurei algum a lógica, algum a coisa que todos tivessem em com um , m as não consegui encontrar ligação.
Edy the m e puxou para o canto esquerdo, colocou as m ãos nos m eus braços e m e posicionou diante de um dos quadros. Meu coração reagiu da form a que sem pre reagia quando ela tocava em m im , m esm o do j eito m ais casual. Era m ais constrangedor sabendo que Carine tam bém era capaz de ouvir. O quadro que ela queria que eu visse era um a pequena tela quadrada em um a m oldura de m adeira sim ples; não se destacava entre as peças m aiores e m ais brilhantes. Pintada em tons de sépia, retratava um a pequena cidade cheia de telhados escarpados. Um rio largo enchia o fundo, atravessado por um a ponte coberta de estruturas que pareciam pequenas catedrais. — Londres nos anos 1650 — disse Edy the.
— A Londres da m inha j uventude — acrescentou Carine, a pouca distância de nós. Eu levei um pequeno susto; não havia ouvido sua aproxim ação. Edy the segurou m inha m ão e apertou de leve.
— Você pode contar a história? — pediu Edy the. Eu m e virei para ver a reação de Carine.
Ela encontrou m eu olhar e sorriu.
— Eu contaria, m as estou um pouco atrasada. O hospital ligou esta m anhã. O Dr. Snow tirou o dia de licença. Mas Beau não vai perder nada. — Ela sorriu para Edy the agora. — Você conhece as histórias tão bem quanto eu. Era um a estranha associação a ser assim ilada, a rotina de um a m édica de cidade pequena no m eio de um a discussão do com eço de sua vida na Londres do século XVII.
Tam bém era inquietante perceber que ela só devia estar falando em voz alta para que eu pudesse ouvir.
Com outro sorriso caloroso, Carine saiu da sala. Olhei a pequena tela da cidade natal dela por um longo m om ento. — O que aconteceu depois? — perguntei, de novo. — Quando ela percebeu o que havia lhe ocorrido?
Ela m e fez andar m eio passo, com os olhos em um a paisagem m aior. Foi toda pintada em cores de outono e m ostrava um a cam pina vazia em um a floresta som bria, com o pico de um a m ontanha negra à distância. — Quando ela entendeu no que tinha se transform ado — disse Edy the, em voz baixa —, entrou em desespero… e se rebelou. Tentou destruir a si m esm a. Mas não é tão fácil fazer isso.
— Com o? — Eu não queria dizer isso em voz alta, m as a palavra saiu devido a m eu choque.
Edy the deu de om bros.
— Ela pulou de grandes alturas. Tentou se afogar no m ar. Mas era j ovem na nova vida, e m uito forte. É incrível que tenha conseguido resistir… a se alim entar… enquanto ainda era tão nova. O instinto é m ais forte nesse período, controla tudo. Mas ela sentia tanta repulsa de si m esm a que teve forças para tentar se m atar de inanição.
— Isso é possível? — perguntei, baixinho.
— Não, há poucas m aneiras de nos m atar.
Abri a boca para perguntar, m as antes disso ela falou. — Então ela ficou com m uita sede e por fim enfraqueceu. Afastou-se o m áxim o que pôde dos hum anos, reconhecendo que sua força de vontade tam bém se enfraquecia. Durante m eses, vagou à noite, procurando os lugares m ais solitários, abom inando a si m esm a.
“Num a noite, um bando de cervos passou por seu esconderij o. Ela estava tão louca de sede que atacou sem pensar. Sua força voltou, e ela percebeu que havia um a alternativa a ser a m onstra vil que tem ia. Já não tinha com ido carne de veado na vida anterior? Nos m eses seguintes, nasceu sua nova filosofia. Ela podia existir sem ser um dem ônio. Ela se reencontrou. “Com eçou a fazer m elhor uso de seu tem po. Ela sem pre foi inteligente, ansiosa por aprender. Agora, tinha um tem po ilim itado diante de si. Estudava à noite, planej ava durante o dia. Nadou até a França e…” — Ela nadou até a França?
— As pessoas atravessam o canal a nado o tem po todo, Beau — lem brou-m e ela, pacientem ente.
— Acho que é verdade. Só pareceu engraçado no contexto. Continue. — Nadar é fácil para nós…
— Tudo é fácil para vocês — provoquei. Ela esperou com as sobrancelhas erguidas.
— Desculpe. Não vou interrom per de novo, eu prom eto. Ela deu um sorriso som brio e term inou a frase. — Porque, tecnicam ente, não precisam os respirar. — Vocês…
— Não, não, você prom eteu. — Ela riu, colocando o dedo de leve sobre m eus lábios. — Quer ouvir a história ou não?
— Você não pode j ogar um a coisa dessas em m im e depois esperar que eu não diga nada — m urm urei, contra o dedo dela.
Ela levantou a m ão e colocou no m eu pescoço. A velocidade do m eu coração reagiu, m as eu ignorei.
— Você não precisa respirar? — perguntei. — Não, não é necessário. É só um hábito. — Ela deu de om bros. — Quanto tem po você pode ficar… sem respirar? — Indefinidam ente, im agino; não sei. É um tanto desconfortável… ficar sem o olfato.
— Um tanto desconfortável — repeti.
Eu não estava prestando atenção à m inha própria expressão, m as algum a coisa nela a deixou m ais séria. Ela baixou a m ão até a lateral do corpo e ela ficou im óvel, observando m eu rosto. O silêncio se prolongou. Suas feições viraram pedra.
— Que foi? — sussurrei, tocando seu rosto congelado. O rosto dela voltou à vida, e ela deu um sorrisinho fraco. — Sei que, a certa altura, algo que direi a você ou algo que você verá será dem ais. E você vai fugir de m im , aos gritos. — O sorriso sum iu. — Não vou im pedi-lo quando acontecer. Quero que aconteça, porque quero que você fique em segurança. E, no entanto, quero ficar com você. É im possível conciliar os dois desej os… — Ela hesitou e ficou olhando m eu rosto. — Não vou fugir para lugar nenhum — prom eti. — Verem os — disse ela, sorrindo novam ente.
Eu franzi a testa.
— Voltando à história: Carine estava nadando para a França. Ela parou, voltando para sua história. Por reflexo, seus olhos passaram a outro quadro, o m ais colorido de todos, o de m oldura m ais ornam entada e o m aior; tinha duas vezes a largura da porta ao lado da qual pendia. A tela transbordava de figuras de cores vivas em m antos rodopiantes, em volta de pilares longos e em sacadas de m árm ore. Eu não sabia se representavam a m itologia grega, ou se os personagens que flutuavam nas nuvens do alto deviam ser bíblicos. — Carine nadou para a França e continuou pela Europa, nas universidades de lá. À noite estudava m úsica, ciências, m edicina… e descobriu sua vocação, sua penitência, isto é, salvar vidas hum anas. — Sua expressão tornou-se reverente. — Não consigo descrever adequadam ente a luta; Carine levou dois séculos de esforço torturante para aperfeiçoar o autocontrole. Agora, ela é im une inclusive ao cheiro de sangue hum ano e é capaz de fazer o trabalho que am a sem nenhum sofrim ento. Ela encontra m uita paz lá, no hospital… Edy the olhou ao longe por um longo m om ento. De repente, pareceu se lem brar da história. Bateu o dedo na tela enorm e diante de nós. — Ela estava estudando na Itália quando descobriu os outros lá. Eram m uito m ais civilizados e m ais instruídos do que os espectros dos esgotos de Londres. Ela apontou para um grupo com parativam ente sereno de figuras pintadas na sacada m ais alta, olhando calm am ente para o tum ulto abaixo. Exam inei o grupo com cuidado e percebi, com um riso de sobressalto, que reconheci a m ulher de cabelo dourado m ais para o lado.
— Solim ena foi m uito inspirado pelos am igos de Carine. Em geral, os pintava com o deuses. — Edy the riu. — Sulpicia, Marcus e Athenodora — disse ela, indicando os outros três. — Os patronos noturnos das artes. A prim eira m ulher e o hom em tinham cabelo preto, a segunda m ulher era pálida e loura. Todos usavam roupas m uito coloridas, enquanto Carine estava pintada de branco.
— E aquela? — perguntei, apontando para um a garota pequena e com um com cabelo e roupas castanho-claros. Estava de j oelhos, agarrada às saias da outra m ulher, a que tinha cachos pretos elaborados.
— Mele — disse ela. — Um a… serva, acho que podem os cham ar assim . A ladrazinha de Sulpicia.
— O que aconteceu com eles? — perguntei alto, a ponta do m eu dedo pairando a um centím etro das figuras na tela.
— Ainda estão lá. — Ela deu de om bros. — Com o sem pre, por m ilênios. Carine ficou com eles apenas por um breve tem po, só algum as décadas. Ela adm irava sua civilidade, seu refinam ento, m as eles insistiam em tentar curar sua aversão à sua fonte natural de alimento, com o diziam . Tentaram convencê-la, e ela tentou persuadi-los, sem proveito algum . Carine acabou decidindo tentar o Novo Mundo. Sonhava encontrar outros iguais a ela. Estava m uito solitária, sabe. “Não encontrou ninguém por um bom tem po. Mas, à m edida que os m onstros se tornavam tem a de contos de fadas, ela descobriu que podia interagir com hum anos alheios com o se fosse um deles. Com eçou a trabalhar com o enferm eira; em bora seu aprendizado e habilidade fossem m aiores do que dos cirurgiões da época, com o m ulher, ela não podia ser aceita no papel. Fazia o que podia para salvar pacientes de m édicos m enos capazes quando ninguém estava olhando. Mas, em bora trabalhasse com hum anos, a com panhia pela qual ansiava lhe escapava; ela não podia se arriscar à fam iliaridade. “Quando a epidem ia de gripe atacou, ela trabalhava à noite em um hospital de Chicago. Revirava na m ente um a ideia havia m uitos anos, e quase decidira agir: com o não conseguia encontrar um a com panhia, criaria um a. Ela não sabia direito que partes da sua transform ação eram necessárias e quais foram por prazer do criador sádico, então ficou hesitante. E relutava em roubar a vida de alguém com o a sua fora roubada. Foi nesse contexto m ental que ela m e encontrou. Não havia esperanças para m im ; fui largada em um a enferm aria com os m oribundos. Ela tinha cuidado dos m eus pais e sabia que eu estava só. Decidiu tentar…”
Sua voz, agora quase um sussurro, falhou. Ela olhou sem ver as j anelas altas. Perguntei-m e que im agens lhe enchiam a m ente agora, as lem branças de Carine ou as suas próprias. Esperei.
Ela se virou para m im com um sorriso delicado. — E assim , voltam os ao presente.
— Então sem pre ficou com Carine?
— Quase sem pre.
Ela segurou m inha m ão de novo e m e puxou para o corredor. Olhei para trás, para os quadros que não conseguia m ais ver, perguntando-m e se um dia ouviria as outras histórias.
Ela não disse m ais nada enquanto andávam os pelo corredor, então eu perguntei: — Quase?
Edy the suspirou, repuxou os lábios e olhou para m im com o canto de olho. — Você não quer responder isso, quer? — indaguei. — Não foi m inha m elhor época.
Com eçam os a subir outro lance de escadas.
— Você pode m e contar qualquer coisa.
Ela parou quando chegam os ao topo da escada e olhou nos m eus olhos por alguns segundos.
— Acho que devo isso a você. Você precisa saber quem eu sou. Tive a sensação de que o que ela estava dizendo agora tinha ligação direta com o que dissera antes, sobre eu sair correndo e gritando. Recom pus o rosto e m e preparei com cuidado.
Ela respirou fundo.
— Tive um ataque típico de rebeldia adolescente, uns dez anos depois que eu… nasci… fui criada, com o quiser cham ar. Não concordava com a vida de abstinência de Carine e m e ressentia dela por restringir m eu apetite. Então… m e afastei para ficar sozinha por algum tem po.
— É m esm o? — Isso não m e chocou com o ela achava que chocaria. Só m e deixou m ais curioso.
— Isso não lhe dá repulsa?
— Não.
— E por que não?
— Acho que… parece lógico.
Ela soltou um a risada intensa e saiu m e puxando de novo, por um corredor parecido com o de baixo, andando devagar.
— Desde a época do m eu novo nascim ento, tive a vantagem de saber o que todos em volta de m im pensavam , tanto hum anos com o não hum anos. Foi por isso que precisei de dez anos para desafiar Carine. Eu conseguia ler sua sinceridade total, entender exatam ente por que vivia daquela m aneira. “Precisei de poucos anos para voltar para Carine e m e com prom eter novam ente com seu m odo de viver. Pensei que estaria isenta da… depressão… que acom panha a consciência. Com o eu sabia dos pensam entos das m inhas presas, podia descartar os inocentes e perseguir som ente os m aus. Se eu seguisse um assassino por um a viela escura, onde ele atacaria um a j ovem , e a salvasse, certam ente eu não seria tão horrível.”
Tentei im aginar o que ela descreveu. Com o ela estaria ao sair silenciosa e pálida das som bras? O que o assassino pensaria quando a visse, perfeita, linda, m ais do que hum ana? Perceberia que deveria sentir m edo? — Mas, à m edida que o tem po passava, com ecei a ver o m onstro em m eus olhos. Não podia escapar da dívida de tantas vidas hum anas roubadas, m esm o sendo j ustificado. E voltei para Carine e Earnest. Eles m e receberam de volta com o a filha pródiga. Era m ais do que eu m erecia. Param os diante da últim a porta do corredor.
— Meu quarto — disse ela, abrindo-a e m e puxando para dentro. O quarto dava para o sul, com um a j anela de parede inteira, com o o salão em baixo. Toda a parte dos fundos da casa devia ser de vidro. A vista do quarto dava para o rio largo e sinuoso, que concluí que devia ser o Sol Duc, e para o outro lado da floresta intocada até a cadeia de m ontanhas Oly m pic. As m ontanhas ficavam m uito m ais perto do que eu achava. A parede oeste era com pletam ente coberta de prateleiras de CDs. O quarto era m ais bem abastecido do que um a loj a de m úsica. No canto havia um aparelho de som sofisticado, do tipo que eu tinha m edo de tocar porque tinha certeza de que quebraria algum a coisa. Não havia cam a, só um grande sofá de couro preto. O chão era coberto de um tapete dourado grosso, e as paredes eram forradas com um tecido pesado num tom um pouco m ais escuro. — Acústica boa? — deduzi.
Ela riu e concordou.
Pegou um controle rem oto e ligou o aparelho de som . Estava baixo, m as o j azz suave dava a im pressão de que a banda estava no quarto conosco. Fui olhar a estonteante coleção de m úsica.
— Com o organiza tudo? — perguntei, incapaz de encontrar um a ordem nos títulos.
— Hm m m , por ano, e depois por preferência pessoal dentro dessa categoria — disse ela, distraída.
Eu m e virei, e ela estava olhando para m im com um a expressão que não consegui identificar.
— Que foi?
— Eu estava preparada para sentir… alívio. Você, sabendo de tudo, sem que eu precise guardar segredos. Mas não esperava sentir m ais do que isso. Gosto disso. Me faz… feliz. — Ela deu de om bros e sorriu. — Que bom — falei, sorrindo tam bém . Estava com m edo de que ela se arrependesse de m e contar aquelas coisas. Era bom saber que não era o caso. Mas então, enquanto seus olhos dissecavam m inha expressão, o sorriso desapareceu e sua testa se enrugou.
— Você ainda está esperando que eu fuj a aos gritos, não é? — perguntei. Ela assentiu, lutando contra um sorriso.
— Odeio rom per sua bolha, m as você não é tão assustadora quanto pensa. Não consigo im aginar sentir m edo de você — falei, casualm ente. Ela ergueu as sobrancelhas, e um sorriso lento com eçou a se espalhar em seu rosto.
— Você não devia ter dito isso — disse ela.
E ela rosnou, um som baixo do fundo da garganta, que não pareceu nada hum ano. Seu sorriso cresceu até virar um a exibição de dentes. Seu corpo m udou, ela ficou m eio agachada, as costas esticadas e curvadas, com o um felino prestes a atacar.
— Hã… Edy the?
Eu não a vi atacar, foi rápido dem ais. Não consegui nem entender o que estava acontecendo. Por m eio segundo, fiquei no ar, e o quarto girou ao m eu redor, ficando de cabeça para baixo e voltando para a posição norm al. Não senti o pouso, m as de repente eu estava de costas no sofá preto e Edy the estava em cim a de m im , com os j oelhos nos m eus quadris e as m ãos dos dois lados da m inha cabeça, de form a que eu não conseguisse m e m exer. Os dentes à m ostra estavam a centím etros do m eu rosto. Ela fez outro barulho baixo que era algo entre um rosnado e um ronronar.
— Uau — sussurrei.
— O que você estava dizendo? — perguntou ela. — Hã, que você é um m onstro m uito, m uito apavorante? Ela sorriu.
— Bem m elhor.
— E que estou com pletam ente apaixonado por você. O rosto dela se suavizou, os olhos se arregalaram e as defesas despencaram de novo.
— Beau — sussurrou ela.
— Podem os entrar? — perguntou um a voz suave no corredor. Eu m e encolhi e teria batido com a testa na de Edy the se ela não fosse tão m ais rápida do que eu. Em outra fração de segundo, ela m e puxou para que eu ficasse sentado no sofá com ela ao m eu lado, as pernas sobre as m inhas. Archie estava na porta, com Jessam ine atrás, no corredor. Meu pescoço com eçou a ficar verm elho, m as Edy the estava totalm ente relaxada. — Entrem — disse ela para Archie.
Archie pareceu não ter reparado que estávam os fazendo algum a coisa de incom um . Andou até o m eio do quarto e se sentou no chão com um m ovim ento tão gracioso que foi m eio surreal. Jessam ine ficou na porta e, ao contrário de Archie, parecia m eio chocada. Ficou olhando para o rosto de Edy the, e eu m e perguntei que sensação captava no quarto.
— Parecia que você estava alm oçando o Beau — disse Archie —, e viem os ver se podíam os dividir.
Eu enrij eci até ver Edy the sorrir, em bora não conseguisse saber se por causa do com entário de Archie ou da m inha reação.
— Desculpe — respondeu ela, passando um braço possessivo pelo m eu pescoço. — Não estou a fim de dividir.
Archie deu de om bros.
— Tudo bem .
— Na verdade — disse Jessam ine, dando um passo hesitante para dentro do quarto —, Archie disse que vai haver um a tem pestade esta noite, e Eleanor quer j ogar bola. Está dentro?
As palavras eram bem com uns, m as o contexto m e confundiu. No entanto, parecia que Archie era um pouco m ais confiável do que o m eteorologista. Os olhos de Edy the se ilum inaram , m as ela hesitou. — É claro que deve trazer Beau — disse Archie. Pensei ter visto Jessam ine lançar um olhar rápido para ele.
— Quer ir? — perguntou Edy the. Sua expressão estava tão ansiosa que eu teria concordado com qualquer coisa.
— Claro. Hã, aonde vam os?
— Precisam os esperar os trovões para j ogar bola. Você verá por quê — prom eteu ela.
— Devo levar um guarda-chuva?
Todos riram alto.
— Deve? — perguntou Jessam ine a Archie.
— Não. — Archie pareceu seguro. — A tem pestade vai cair na cidade. Vai estar seco o bastante na clareira.
— Que bom — disse Jessam ine, e o entusiasm o na voz dela foi contagiante, naturalm ente. Eu m e vi ansioso com a ideia, apesar de nem saber qual era. — Vam os ligar para Carine e ver se ela está dentro — disse Archie, se levantando em outro m ovim ento fluido que tive que ficar olhando. — Com o se você não soubesse — brincou Jessam ine, e eles saíram . — E então… o que vam os j ogar? — perguntei. — Você vai assistir — esclareceu Edy the. — Nós vam os j ogar beisebol. Olhei para ela com ceticism o.
— Vam piros gostam de beisebol?
Ela sorriu para m im .
— É o típico passatem po am ericano.