Vida e Morte
2. Livro Aberto
O DIA SEGUINTE foi m elhor… e pior.
Foi m elhor porque ainda não estava chovendo, apesar de as nuvens estarem densas e pretas. Foi m ais fácil porque eu sabia o que esperar do m eu dia. McKay la veio se sentar com igo na aula de inglês e m e acom panhou até a aula seguinte, com a Erica Clube de Xadrez olhando de cara feia o tem po todo; isso foi m eio lisonj eiro. As pessoas não ficaram m e encarando tanto com o no dia anterior. No alm oço, fiquei com um grupo grande que incluía McKay la, Erica, Jerem y, Allen e várias outras pessoas de cuj os nom es e rostos agora eu m e lem brava. Com ecei a sentir que estava boiando na água, e não m e afogando nela.
Foi pior porque eu estava cansado; ainda não tinha conseguido dorm ir com a chuva caindo na casa. Foi pior porque a Sra. Varner cham ou m eu nom e na aula de trigonom etria quando não levantei a m ão, e acabei dando a resposta errada. Foi lam entável porque tive que j ogar vôlei e, na única vez que não m e abaixei para escapar da bola, acertei dois colegas de equipe na cabeça com um a j ogada ruim . E foi pior porque Edy the Cullen não foi à escola. Durante toda a m anhã, tentei não pensar no alm oço, sem querer m e lem brar dos olhares cheios de ódio. Parte de m im queria confrontá-la e exigir que m e dissesse qual era o problem a. Enquanto estava deitado insone na cam a, cheguei a im aginar o que diria. Mas eu m e conhecia bem dem ais para pensar que realm ente teria coragem de fazer isso. Talvez se ela não fosse tão linda. Mas, quando entrei no refeitório com Jerem y, tentando evitar que m eus olhos vasculhassem o lugar à procura dela e fracassando com pletam ente, vi que seus quatro irm ãos adotivos estavam sentados j untos à m esm a m esa, e ela não estava com eles.
McKay la nos interceptou e nos conduziu à m esa dela. Jerem y pareceu em polgado pela atenção, e os am igos dele logo se j untaram a nós. Tentei prestar atenção nas conversas ao m eu redor, m as continuei pouco à vontade, esperando a chegada de Edy the. Eu esperava que ela sim plesm ente m e ignorasse quando chegasse e provasse que eu estava fazendo tem pestade em copo de água. Ela não apareceu, e fui ficando cada vez m ais tenso. Segui para a aula de biologia m ais confiante quando, lá pelo final do alm oço, ela ainda não tinha aparecido. McKay la, que estava com eçando a parecer estranham ente, sei lá, possessiva em relação a m im , andou ao m eu lado até a sala de aula. Hesitei por um segundo na porta, m as Edy the Cullen tam bém não estava lá. Soltei o ar e fui para o m eu lugar. McKay la m e seguiu, falando da futura viagem que faria à praia. Ela se dem orou na m inha carteira até o sinal tocar, depois sorriu para m im de um j eito tristonho e foi se sentar ao lado de um m enino de aparelho e um corte de cabelo m eio cuia. Eu não queria ser arrogante, m as tinha quase certeza de que McKay la estava a fim de m im , o que era um a sensação estranha. As garotas não prestavam m uita atenção em m im em Phoenix. Eu m e perguntei se queria que ela gostasse de m im . Ela era bonitinha, m as a atenção que m e dava m e deixava pouco à vontade. Por quê? Porque ela m e escolheu, em vez de eu escolhê-la? Era um m otivo idiota. Era m eu ego enlouquecido, com o se a decisão tivesse que ser m inha prim eiro. Mas essa possibilidade não era tão idiota quanto a outra em que pensei: eu torcia para que não fosse pelo tem po que passei olhando para Edy the Cullen no dia anterior, m as estava com m edo de ser. E essa era a coisa m ais idiota do m undo, na verdade. Se eu baseasse m inha reação à aparência de um a garota num rosto com o o de Edy the, eu estava ferrado. Aquilo era fantasia, não realidade.
Fiquei feliz por ter a carteira só para m im , por Edy the estar ausente. Disse isso a m im m esm o várias vezes. Mas não conseguia m e livrar da sensação irritante de que eu era o m otivo da ausência dela. Era ridículo e egoísta pensar que eu podia afetar tanto um a pessoa. Era im possível. Mas eu não conseguia deixar de m e preocupar.
Quando o dia de aula enfim term inou e o rubor pelo incidente no vôlei desapareceu do m eu rosto, vesti rapidam ente a calça j eans e o suéter pesado. Saí correndo do vestiário, satisfeito por descobrir que tinha conseguido escapar de McKay la por um tem po. Andei rapidam ente para o estacionam ento. Estava abarrotado de alunos indo em bora. Entrei na m inha picape e vasculhei a m ochila para ter certeza de que tinha o que precisava.
Não era segredo que Charlie não sabia cozinhar grande coisa além de ovos fritos e bacon. Na noite anterior, pedi para cuidar da cozinha enquanto estivesse ali. Ele estava disposto a m e deixar assum ir. Um a busca rápida revelou que ele não tinha com ida em casa. Então, fiz m inha lista de com pras, peguei o dinheiro no pote do arm ário rotulado DINHEIRO DA COMIDA e fui para o Thriftway. Disparei m eu m otor ensurdecedor, ignorando as cabeças que se viravam na m inha direção, e dei a ré para entrar na fila de carros que esperavam para sair do estacionam ento. Enquanto aguardava, tentando fingir que o estrondo de furar os tím panos vinha de outro carro, vi os dois Cullen e os gêm eos Hale entrando no carro deles. Era o Volvo novinho. Claro. Eu ainda não tinha percebido as roupas que usavam — fiquei hipnotizado dem ais pelos rostos. Agora que olhei, ficou óbvio que todos usavam roupas que deviam custar m ais do que m eu guarda-roupa inteiro. Com sua beleza extraordinária, eles podiam vestir sacos de lixo e ainda assim lançar m oda. Parecia um exagero que fossem bonitos e tam bém tivessem dinheiro. Mas, pelo que eu sabia, na m aior parte do tem po a vida era assim . E aparentem ente isso não lhes trazia aceitação por aqui. Não, eu não acreditava plenam ente nisso. O isolam ento devia ser escolha deles; eu não conseguia im aginar nenhum a porta que não se abrisse para aquele grau de beleza.
Eles olharam para m inha picape barulhenta quando passei, com o todo m undo fez. Só que eles não eram com o todo m undo. Vi o cara louro grande, devia ser Roy al. Fazia sentido. Enfim , Roy al estava casualm ente com a m ão no quadril da garota alta com cabelo escuro e ondulado, que parecia capaz de ficar tão à vontade na sala de m usculação quanto ele. Ele devia ser uns cinco centím etros m ais alto do que eu, m as só um centím etro m aior do que ela. Apesar de ele ser um cara bem seguro, ainda fiquei m eio surpreso de ele se sentir à vontade para fazer aquilo. Não que ela não fosse gata (ela era super-m ega-gata), m as não era… abordável. Tipo, nem The Rock ousaria assobiar para ela, se é que você m e entende. A garota loura m e viu olhando, e a form a com o apertou os olhos para m im m e fez virar para a frente e pisar no acelerador. A picape não foi m ais rápido, o m otor só roncou m ais alto.
O Thriftway não ficava longe da escola, só algum as ruas ao sul, j unto à rodovia. Foi bom estar dentro do superm ercado. Parecia norm al. Sem pre fiz as com pras da casa, e m e voltei com facilidade à rotina do trabalho fam iliar. O m ercado era bem grande por dentro, e não consegui ouvir o bater da chuva no telhado para m e lem brar de onde estava.
Quando cheguei em casa, guardei todos os m antim entos e rearrum ei os arm ários até tudo estar organizado de um j eito que fizesse sentido. O sistem a de Charlie era m eio caótico. Eu esperava que ele não se im portasse, que não tivesse TOC em relação à cozinha com o eu. Quando fiquei satisfeito com a organização, com ecei a preparar o j antar.
Tenho um a espécie de sexto sentido no que diz respeito à m inha m ãe. Percebi quando estava colocando a carne m arinada na geladeira que não avisei para ela quando cheguei. Ela devia estar surtando.
Subi a escada dois degraus de cada vez e liguei o velho com putador no quarto. Dem orou um m inuto para ganhar vida, e precisei esperar a conexão. Quando fiquei online, três m ensagens apareceram na m inha caixa de entrada. A prim eira era do dia anterior, enquanto eu ainda estava viaj ando. “Beau”, escrevera m inha m ãe.
Escreva assim que chegar. Conte com o foi seu voo. Está chovendo? Já estou com saudade. Estou quase term inando as m alas para a Flórida, m as não consigo encontrar m inha blusa rosa. Sabe onde eu a coloquei? Phil m anda lem branças. Mam ãe.
Eu suspirei e passei à m ensagem seguinte. Foi enviada seis horas depois da prim eira.
Beau,
Por que você não m e escreveu ainda? O que está esperando? Mam ãe. A últim a era daquela m anhã.
Beaufort Swan,
Se eu não tiver notícias suas até as cinco e m eia da tarde de hoj e, vou ligar para Charlie.
Olhei o relógio. Ainda tinha um a hora, m as m inha m ãe era fam osa pela precipitação.
Mãe,
Calm a. Estou escrevendo agora. Não faça nenhum a bobagem .
Beau.
Mandei essa e com ecei a seguinte, com um a m entira logo de cara.
Está tudo ótim o. É claro que está chovendo. Eu estava esperando ter algo para escrever. A escola não é ruim , só m eio repetitiva. Conheci um as pessoas legais que alm oçam com igo.
Sua blusa está na lavanderia — você devia ter pego na sexta-feira.
Charlie com prou um a picape para m im , dá para acreditar? É dem ais. É velha, m as bem forte, o que é bom , sabe com o é, para m im .
Tam bém estou com saudades. Vou escrever novam ente logo, m as não vou ficar verificando m eus e-m ails a cada cinco m inutos. Relaxe, respire fundo. Eu te am o.
Beau.
Ouvi a porta da frente ser aberta e corri para baixo para tirar as batatas e colocar os bifes para grelhar.
— Beau, é você? — perguntou m eu pai quando m e ouviu na escada. Quem mais seria?, pensei com igo m esm o. — Oi, pai, bem -vindo.
— Obrigado.
Ele pendurou o cinturão da arm a e tirou as botas enquanto eu estava atarefado na cozinha. Pelo que eu sabia, ele nunca disparou a arm a no trabalho. Mas a m antinha preparada. Quando eu era criança e vinha aqui, ele sem pre retirava as balas assim que passava pela porta. Acho que agora m e considerava velho o bastante para não atirar em m im m esm o por acidente, nem deprim ido o bastante para atirar em m im m esm o de propósito.
— O que tem os para o j antar? — perguntou ele, cheio de cautela. Minha m ãe era um a cozinheira com m uita im aginação quando queria, e as experiências dela nem sem pre eram com estíveis. Fiquei surpreso e triste por ele parecer se lem brar de um fato tão rem oto.
— Bife com batata — respondi. Charlie pareceu aliviado. Ele ficou constrangido de ficar ali na cozinha sem fazer nada, e arrastou-se para ver TV na sala enquanto eu trabalhava. Acho que nós dois ficávam os m ais à vontade desse j eito. Fiz um a salada enquanto os bifes grelhavam e arrum ei a m esa.
Eu o cham ei quando o j antar estava pronto, e ele gostou do cheiro ao passar pela porta.
— Que cheiro bom , Beau.
— Obrigado.
Com em os sem dizer nada por alguns m inutos. Não foi desagradável. Nós dois gostávam os do silêncio. De certa form a, éram os bem adequados para m orar j untos.
— E então, com o foi na escola? Fez algum am igo? — perguntou ele ao se servir pela segunda vez.
— Bom , tive algum as aulas com um cara cham ado Jerem y. Sentei para alm oçar com os am igos dele. E tem um a garota, McKay la, que é m uito sim pática. Todo m undo parece bem legal. — Com um a notável exceção. — Deve ser McKay la Newton. É um a boa garota… de um a boa fam ília. O pai é dono da loj a de produtos esportivos perto do centro. Ele ganha um bom dinheiro com todos os m ochileiros que passam por aqui. — Conhece a fam ília Cullen? — perguntei, hesitante. — A fam ília da Dra. Cullen? Claro. Ela é um a grande m ulher. — Eles… os filhos… são m eio… diferentes. Não parecem se adaptar m uito bem à escola.
Fiquei surpreso ao ver o rosto de Charlie ficar verm elho, com o sem pre fica quando ele está com raiva.
— As pessoas desta cidade — m urm urou ele. — A Dra. Cullen é um a cirurgiã brilhante que provavelm ente podia trabalhar em qualquer hospital do m undo, ganhando dez vezes o salário que ganha aqui — continuou ele, falando m ais alto. — Tem os sorte por tê-la aqui… Sorte pelo m arido dela querer m orar num a cidade pequena. Ela é um grande acréscim o à com unidade, e todos os filhos são bem -com portados e educados. Tive m inhas dúvidas quando se m udaram para cá, com todos aqueles adolescentes adotivos. Pensei que podíam os ter alguns problem as com eles. Mas todos são m uito m aduros… Não tive um pingo de problem a com nenhum deles. Não posso dizer o m esm o dos filhos de algum as pessoas que m oram nesta cidade há gerações. E eles são unidos, com o deve ser um a fam ília… Viaj am para acam par em fins de sem ana alternados… Só porque são novos aqui, as pessoas ficam falando.
Foi o discurso m ais longo que j á ouvi de Charlie. Ele devia se aborrecer m uito com o que as pessoas diziam .
Recuei um pouco.
— Eles pareceram legais. Só percebi que são m uito reservados. São todos m uito bonitos — acrescentei, tentando ser m ais elogioso. — Você devia ver a m édica — disse Charlie, rindo. — Ainda bem que é casada. Muita gente do hospital tem dificuldade para se concentrar no trabalho quando ela está por perto.
Voltam os a ficar em silêncio enquanto term inávam os de com er. Ele tirou a m esa enquanto eu com eçava a lavar a louça. Ele voltou à TV, e eu, depois de term inar com os pratos — lavados à m ão, e não na m áquina —, subi sem nenhum a vontade de fazer o dever de m atem ática. Deu para sentir um costum e se form ando.
Enfim aquela noite foi silenciosa. Adorm eci rapidam ente, exausto. O resto da sem ana foi calm o. Eu m e acostum ei com a rotina das aulas. Na sexta-feira, j á conseguia reconhecer e m e lem brar do nom e de quase todos os alunos da escola. Na educação física, as pessoas do m eu tim e aprenderam a não j ogar a bola na m inha direção. Eu ficava fora do cam inho de todo m undo. Edy the Cullen não voltou à escola.
Todo dia, eu observava, fingindo não estar olhando, até os dem ais Cullen entrarem no refeitório sem ela. Depois, conseguia relaxar e participar da conversa. Centrava-se principalm ente num a viagem ao La Push Ocean Park dali a duas sem anas, que McKay la estava organizando. Fui convidado e aceitei ir, m ais por educação do que por vontade de ir à praia. Eu achava que as praias devem ser quentes e, fora o m ar, secas.
Na sexta-feira, eu estava perfeitam ente à vontade na hora de entrar na aula de biologia; sem m e preocupar m ais se Edy the apareceria. Pelo que eu sabia, ela tinha saído da escola. Tentei não pensar nela, m as não conseguia reprim ir com pletam ente a preocupação de que eu fosse o responsável por sua ausência contínua, em bora isso fosse ridículo.
Meu prim eiro fim de sem ana em Forks prosseguiu sem incidentes. Charlie trabalhou na m aior parte do tem po. Escrevi m ais e-m ails falsam ente anim ados para m inha m ãe, adiantei o dever e arrum ei a casa; obviam ente, Charlie não tinha problem a de TOC. Fui à biblioteca no sábado, m as nem m e dei o trabalho de fazer um cartão de inscrição; não havia nada de interessante que eu j á não tivesse lido. Eu teria de ir a Oly m pia ou a Seattle em breve e encontrar um a boa livraria. Im aginei qual seria o consum o de com bustível da picape… e estrem eci ao pensar nisso.
A chuva continuou branda pelo fim de sem ana, tranquila, então consegui dorm ir. As pessoas m e cum prim entaram no estacionam ento na segunda-feira de m anhã. Eu não sabia o nom e de todos, m as sorri para todo m undo. Estava m ais frio naquela m anhã, m as pelo m enos não estava chovendo. Na aula de inglês, McKay la tom ou seu lugar de costum e ao m eu lado. Teve um teste relâm pago sobre O morro dos ventos uivantes. Foi sim ples, m uito fácil. No geral, eu estava m e sentindo m uito m ais à vontade do que pensava que estaria àquela altura. Mais à vontade do que esperava m e sentir ali um dia. Quando saím os da sala de aula, o ar estava cheio de pontinhos brancos rodopiando. Eu podia ouvir as pessoas gritando anim adas um as com as outras. O vento congelava m eu rosto, m eu nariz.
— Puxa — disse McKay la. — Está nevando.
Olhei para os pequenos tufos de algodão que se acum ulavam pelas calçadas e giravam erraticam ente por m eu rosto.
— Ugh. — Neve. Lá se foi m eu dia bom .
Ela pareceu surpresa.
— Não gosta da neve?
— Neve significa que está frio dem ais para chover. — Obviam ente. — Além disso, pensei que devia cair em flocos… Sabe com o é, cada um é único e essas coisas. Isso aqui só parece ponta de cotonete.
— Você nunca viu neve cair? — perguntou ela, incrédula. — Claro que vi. — Eu hesitei. — Na TV.
McKay la riu. E aí, um a bola grande e m olhada de neve gotej ante bateu na cabeça dela. Nós dois nos viram os para ver de onde tinha vindo. Eu tinha m inhas desconfianças de Erica, que estava se afastando, de costas para nós — na direção contrária a da prim eira aula dela. McKay la teve a m esm a ideia. Ela se curvou e com eçou a form ar um m orro de papa branca. — A gente se vê no alm oço, está bem ? — Continuei andando enquanto falava. A últim a coisa que queria era um a bolota de gelo suj o derretendo pelo m eu pescoço durante o resto do dia.
Ela só assentiu, o olhar nas costas de Erica.
Segui em estado de alerta para o refeitório com Jerem y, depois da aula de espanhol. Voavam bolas em papadas por todo lado. Fiquei com o fichário na m ão, pronto para usá-lo com o escudo, se necessário. Jerem y m e achou hilário, m as algum a coisa na m inha expressão im pediu que ele m e lançasse um a bola de neve.
McKay la nos encontrou quando passávam os pela porta, rindo, com o cabelo norm alm ente liso ficando ondulado por causa do gelo. Ela e Jerem y conversaram anim adam ente sobre a guerra de neve enquanto entrávam os na fila para com prar com ida. Olhei a m esa do canto, m ais por hábito. E gelei. Havia cinco pessoas à m esa.
Jerem y puxou m eu braço.
— Ei! Beau! O que você quer?
Baixei a cabeça; m inhas orelhas estavam quentes. Eu não tinha m otivo para m e sentir constrangido, lem brei a m im m esm o. Não tinha feito nada de errado. — O que há com Beau? — perguntou McKay la a Jerem y. — Nada — respondi.
Peguei um a garrafa de refrigerante quando cheguei no fim da fila. — Não está com fom e? — perguntou Jerem y. — Na verdade, estou m eio enj oado — falei.
Ele se afastou um pouco de m im .
Esperei que eles pegassem a com ida e os segui até a m esa, com olhos em qualquer lugar, m enos no fundo do refeitório.
Bebi o refrigerante lentam ente, o estôm ago agitado. Por duas vezes, McKay la perguntou, com um a preocupação que pareceu desnecessária, com o eu estava m e sentindo. Disse a ela que não era nada, m as fiquei m e perguntando se eu devia fingir e escapulir para a enferm aria pela próxim a hora. Ridículo. Eu não precisava fugir. Por que estava sendo tão covarde? O que havia de tão ruim em ser olhado de cara feia? Ela não ia m e enfiar um a faca nem nada.
Decidi m e perm itir dar um a olhada na m esa da fam ília Cullen. Só para sentir o clim a.
Mantive a cabeça baixa e espiei de rabo de olho. Nenhum deles olhava na m inha direção. Ergui um pouco a cabeça.
Eles estavam rindo. Edy the, Jessam ine e Eleanor estavam com os cabelos totalm ente encharcados de neve derretendo. Archie e Roy al se curvavam , tentando se afastar, enquanto Eleanor sacudia o cabelo m olhado na direção deles, deixando a m arca dos pingos na parte da frente dos casacos. Eles estavam curtindo o dia de neve, com o todo m undo — só que pareciam estar num a cena de film e, m ais do que o resto de nós.
Mas, além dos risos e das brincadeiras, havia algo diferente, e eu não conseguia perceber o que era. Exam inei Edy the e a com parei com a lem brança que tinha da sem ana anterior. A pele estava m enos pálida, concluí — corada da guerra de neve, talvez —, os círculos em torno dos olhos, bem m enos perceptíveis. O cabelo estava m ais escuro, m olhado e grudado na cabeça. Mas havia m ais algum a coisa. Esqueci-m e de fingir que não estava olhando enquanto tentava identificar a m udança
— O que você está olhando, Beau? — perguntou Jerem y. Naquele exato m om ento, os olhos de Edy the lam pej aram e encontraram os m eus.
Virei a cabeça toda para Jerem y e tam bém m exi os om bros na direção dele. Jerem y se inclinou para trás, surpreso pela m inha invasão repentina do espaço pessoal dele.
Mas eu tinha certeza de que, no instante em que nossos olhos se encontraram , ela não estava com raiva e nem noj o, com o na últim a vez que a vi. Só parecia curiosa novam ente, e de certa form a insatisfeita. — Edy the Cullen está olhando para você — disse Jerem y, olhando por cim a do m eu om bro.
— Ela não parece estar com raiva, parece? — Não pude deixar de perguntar. — Não. — Jerem y pareceu confuso, m as sorriu de repente. — O que você fez, cham ou ela pra sair?
— Não! Eu nunca nem falei com ela. Eu só… acho que ela não gosta m uito de m im — adm iti.
Mantive o corpo inclinado na direção de Jerem y, m as m inha nuca ficou arrepiada, com o se eu conseguisse sentir os olhos dela em m im . — Os Cullen não gostam de ninguém … Bom , eles não percebem a presença de ninguém para gostar. Mas ela ainda está olhando para você. — Pare de olhar para ela — insisti.
Ele deu um a risadinha, m as desviou os olhos.
McKay la nos interrom peu nesse m om ento; estava planej ando um a batalha épica de neve no estacionam ento depois da aula e queria que fôssem os tam bém . Jerem y concordou com entusiasm o. Pelo m odo com o olhou para McKay la, havia poucas dúvidas de que ele concordaria com qualquer coisa que ela sugerisse. Eu m e m antive calado. Fiquei pensando em quantos anos teria que m orar em Forks para chegar ao ponto de tédio que m e faria achar água congelada em polgante. Provavelm ente bem m ais tem po do que eu planej ava ficar.
Pelo resto da hora de alm oço, m antive os olhos voltados para a m esa. Edy the não parecia m ais estar planej ando m e m atar, então não foi nada de m ais ir para a aula de biologia. Meu estôm ago deu um nó com a ideia de m e sentar ao lado dela de novo.
Na verdade, eu não queria ir para a aula com McKay la, com o sem pre fazia — ela parecia ser um alvo popular dos atiradores de bola de neve —, m as, quando chegam os à porta, todo m undo do m eu lado gem eu em uníssono. Estava chovendo, e a água lavava todos os vestígios de neve em faixas claras e geladas pelo canto do m eio-fio. Puxei o capuz para esconder o sorriso. Eu ficaria livre para ir para casa depois da educação física.
McKay la desfiou um rosário de queixas no cam inho para o prédio quatro. Depois de entrar na sala de aula, vi com alívio que a cadeira de Edy the ainda estava vazia. Isso m e dava um m inuto para m e acom odar. A Sra. Banner andava pela sala, distribuindo um m icroscópio e um a caixa de lâm inas para cada carteira. A aula só com eçaria alguns m inutos depois, e a sala zum bia com as conversas. Mantive os olhos afastados da porta, rabiscando preguiçosam ente na capa de m eu caderno.
Ouvi com m uita clareza quando a cadeira ao lado da m inha se m exeu, m as m eus olhos continuaram voltados para o que eu desenhava. — Oi — disse um a voz baixa e m elodiosa.
Olhei para cim a, atordoado por ela estar falando com igo. Estava sentada o m ais distante de m im que a carteira perm itia, m as a cadeira estava inclinada na m inha direção. O cabelo gotej ava, despenteado. Mesm o assim , ela parecia ter acabado de gravar um com ercial. O rosto perfeito estava sim pático, franco, um leve sorriso nos lábios carnudos e rosados. Mas os olhos longos estavam cautelosos. — Meu nom e é Edy the Cullen — continuou ela. — Não tive a oportunidade de m e apresentar na sem ana passada. Você deve ser Beau Swan. Minha m ente girava de tanta confusão. Aquilo tudo teria sido fruto da m inha im aginação? Ela agora estava sendo perfeitam ente educada. Eu precisava falar; ela estava esperando. Mas não consegui pensar em nada de norm al para dizer. — Co-com o você sabe m eu nom e? — gaguej ei. Ela riu baixinho.
— Ah, acho que todo m undo sabe seu nom e. A cidade toda estava esperando você chegar.
Eu franzi a testa, em bora j á soubesse que era algo desse tipo. — Não — insisti, feito um idiota. — Quer dizer, por que m e cham ou de Beau? Ela pareceu confusa.
— Prefere Beaufort?
— De j eito nenhum — falei. — Mas acho que Charlie… quer dizer, m eu pai… deve m e cham ar assim nas m inhas costas. É com o todo m undo aqui parece m e conhecer — Quanto m ais eu tentava explicar, m ais idiota a explicação parecia. — Ah. — Ela deixou o assunto de lado. Eu desviei os olhos, sem graça. Felizm ente, a Sra. Banner com eçou a aula naquele m om ento. Tentei m e concentrar enquanto ela explicava a prática de laboratório que íam os fazer hoj e. As lâm inas na caixa estavam fora de ordem . Trabalhando em equipe, teríam os que separar as lâm inas de células de ponta de raiz de cebola nas fases de m itose que representavam e rotulá-las corretam ente. Não devíam os usar os livros. Em vinte m inutos, ela voltaria para ver o que tínham os conseguido. — Podem com eçar — ordenou ela.
— Prim eiro as dam as? — perguntou Edy the.
Olhei para ela e a vi dando um sorriso com covinhas tão perfeito que só pude ficar olhando com o um idiota.
Ela ergueu as sobrancelhas.
— Ah, claro, pode com eçar — falei
Vi o olhar dela se dirigir para os pontos verm elhos surgindo nas m inhas bochechas. Por que m eu sangue não podia ficar nas veias, onde era o lugar dele? Ela desviou o olhar rapidam ente e puxou o m icroscópio para o lado dela da m esa.
Ela observou a prim eira lâm ina por um quarto de segundo, talvez até m enos. — Prófase.
Ela botou a lâm ina seguinte no m icroscópio, m as parou e olhou para m im . — Ou você queria verificar? — desafiou ela.
— Ah, não, tudo bem — falei.
Ela escreveu a palavra prófase com capricho na prim eira linha da folha de papel. Até a letra dela era perfeita, com o se ela tivesse feito aulas de caligrafia ou algum a coisa assim . Alguém ainda fazia essas aulas? Ela m al olhou o m icroscópio com a segunda lâm ina, depois escreveu anáfase na linha de baixo, fazendo um a curva no A, com o se estivesse escrevendo um envelope de convite de casam ento. Eu precisei fazer os convites do casam ento da m inha m ãe. Im prim i etiquetas com um a fonte elegante que não chegava nem perto da letra de Edy the.
Ela colocou a terceira lâm ina no lugar. Eu aproveitei que sua atenção estava voltada para isso e fiquei olhando para ela. Tão de perto, era de se pensar que daria para ver algum a coisa errada, um a som bra de espinha, um fio torto na sobrancelha, um poro, alguma coisa. Mas não havia nada. De repente, ela se voltou para a frente da sala, logo antes de a Sra. Banner cham ar:
— Srta. Cullen.
— Sim , Sra. Banner.
Edy the em purrou o m icroscópio para m im quando falou. — Que tal deixar o Sr. Swan ter a oportunidade de aprender? — Claro, Sra. Banner.
Edy the se virou e m e lançou um olhar de muito bem, vá em frente. Eu m e inclinei para olhar. Consegui sentir que ela estava m e observando, e era j usto, considerando que antes eu não tirava os olhos dela, m as m e senti constrangido, com o se o m ero m ovim ento de inclinar a cabeça fosse desaj eitado. Pelo m enos, a lâm ina não era difícil.
— Metáfase — falei.
— Você se im porta se eu olhar? — perguntou ela quando com ecei a tirar a lâm ina. Ela segurou m inha m ão para m e im pedir enquanto falava. Os dedos estavam frios com o gelo, com o se ela os estivesse enfiado na neve antes da aula. Mas não foi por isso que puxei a m ão tão rápido. Quando ela tocou em m im , senti um a dor que pareceu um choque elétrico de baixa voltagem . — Me desculpe — m urm urou ela, puxando a m ão rapidam ente, em bora continuasse querendo pegar o m icroscópio.
Eu a observei, um pouco atordoado, enquanto ela exam inava a lâm ina por m ais um a fração de segundo.
— Metáfase — concordou ela, e em purrou o m icroscópio na m inha direção. Tentei trocar as lâm inas, m as eram pequenas dem ais, ou m eus dedos que eram grandes dem ais, e acabei deixando as duas cair. Um a caiu na m esa e a outra pela beirada, m as Edy the a pegou antes que caísse no chão. — Ugh. — Eu expirei, m orrendo de vergonha. — Desculpa. — Bom , a últim a não é m istério nenhum , de qualquer j eito — disse ela. O tom era quase um a gargalhada. Alvo de piadas de novo. Edy the escreveu as palavras metáfase e telófase nas duas últim as linhas da folha de papel.
Term inam os bem antes de todo m undo. Consegui ver McKay la e o parceiro com parando duas lâm inas repetidas vezes, e outra dupla estava com o livro aberto em baixo da carteira.
Fiquei sem nada para fazer além de tentar olhar para ela… sem sucesso. Olhei para baixo, e ela estava m e encarando, com aquela m esm a expressão estranha de frustração nos olhos. De repente, identifiquei a diferença sutil no rosto dela. — Você usa lentes de contato? — perguntei de repente. Ela pareceu intrigada pela m inha pergunta sem propósito. — Não.
— Ah — m urm urei. — Achei que tinha algum a coisa diferente nos seus olhos. Ela deu de om bros e afastou o rosto.
Na verdade, eu sabia que havia algo diferente. Não m e esqueci de nenhum detalhe daquela prim eira vez que ela olhou para m im com raiva, com o se m e quisesse m orto. Eu ainda conseguia ver o preto chapado dos olhos dela, tão contrastante com a pele clara ao fundo. Hoj e, os olhos estavam com um a cor com pletam ente diferente: um dourado estranho, m ais escuro do que caram elo, m as com o m esm o tom quente. Eu não entendia com o podia ser assim , a não ser que, por algum m otivo, ela estivesse m entindo sobre as lentes de contato. Ou talvez Forks estivesse m e deixando louco, no sentido literal da palavra. Olhei para baixo. As m ãos dela estavam fechadas com força de novo. A Sra. Banner foi à nossa m esa, olhou por sobre nossos om bros para ver o trabalho concluído, depois foi verificar as respostas. — Então, Edy the… — A Sra. Banner com eçou a dizer. — Beau identificou m etade das lâm inas — disse Edy the antes que a Sra. Banner pudesse term inar.
A Sra. Banner olhou para m im ; sua expressão era cética. — Já fez essa experiência de laboratório antes? — perguntou ela. Eu encolhi os om bros.
— Não com raiz de cebola.
— Blástula de linguado?
— Isso.
A Sra. Banner assentiu.
— Você estava em algum curso avançado em Phoenix? — Estava.
— Bem — disse ela depois de um m om ento. — Acho que é bom que os dois sej am parceiros de laboratório. — Ela m urm urou m ais algum a coisa ao se afastar. Depois que saiu, com ecei a rabiscar de novo no m eu caderno. — Que chato que não tenha neve, não é? — perguntou Edy the. Tive a sensação estranha de que ela estava se obrigando a bater um papinho com igo. Era com o se ela tivesse ouvido m inha conversa com Jerem y no alm oço e estivesse tentando provar que eu estava errado. Mas isso era im possível. Eu estava ficando paranoico.
— Na verdade, não — respondi com sinceridade, em vez de fingir ser norm al com o todos os outros. Eu ainda tentava m e livrar da sensação idiota de desconfiança e não conseguia m e concentrar em m ontar um a fachada socialm ente aceitável.
— Você não gosta do frio. — Não era um a pergunta. — Nem da um idade.
— Forks deve ser um lugar difícil para você m orar — refletiu ela. — Você nem faz ideia — m urm urei, m elancolicam ente. Ela pareceu fascinada com a m inha resposta, por algum m otivo que eu não conseguia entender. Seu rosto era um a distração tal que tentei não olhar para ela m ais do que a cortesia m e exigia.
— Então por que veio para cá?
Ninguém tinha m e perguntado isso, não da form a direta com o ela fez, querendo m esm o saber.
— É… com plicado.
— Acho que consigo acom panhar — pressionou ela. Fiquei m udo por um longo m om ento, e depois com eti o erro de encontrar o olhar dela. Seus olhos dourado-escuros m e confundiam , e respondi sem pensar. — Minha m ãe se casou de novo — eu disse.
— Isso não parece tão com plexo — discordou ela, m as o tom de voz ficou m ais suave de repente. — Quando foi que aconteceu? — Em setem bro. — Não consegui afastar a tristeza de m inha voz. — E você não gosta dele — supôs Edy the, o tom de voz ainda gentil. — Não, o Phil é legal. Novo dem ais, talvez, m as é bem legal. — Por que você não ficou com eles?
Eu não conseguia entender o interesse dela, m as ela continuava a m e fitar com os olhos penetrantes, com o se a história insípida da m inha vida fosse algo de im portância crucial.
— Phil viaj a m uito. Ganha a vida j ogando bola. — Dei um m eio sorriso. — Eu conheço? — perguntou ela, sorrindo em resposta, só o suficiente para um a som bra das covinhas aparecer.
— Provavelm ente não. Ele não j oga bem. É da segunda divisão. Ele se m uda m uito.
— E sua m ãe m andou você para cá para poder viaj ar com ele. — Ela disse isso com o um a suposição de novo, e não com o um a pergunta. Meus om bros se em pertigaram autom aticam ente. — Não, ela não m e m andou para cá. Eu quis vir. As sobrancelhas dela se uniram .
— Não entendi — adm itiu ela, e parecia m ais frustrada com isso do que deveria. Eu suspirei. Por que eu estava explicando isso? Ela continuava a m e encarar, esperando.
— Ela ficou com igo no com eço, m as sentia falta dele. Isso a deixava infeliz… Então, cheguei à conclusão de que estava na hora de passar algum tem po de verdade com Charlie. — Eu soava m al-hum orado quando term inei.
— Mas agora é você que está infeliz — observou ela. — E? — questionei em desafio.
— Isso não parece j usto. — Ela deu de om bros, m as seus olhos ainda estavam intensos.
Eu dei um a gargalhada.
— Ninguém te contou ainda? A vida não é j usta. — Acho que já ouvi isso em algum lugar — concordou ela secam ente. — E então, é isso — insisti, perguntando-m e por que ela ainda m e encarava daquele j eito.
Ela inclinou a cabeça para o lado, e os olhos dourados pareciam perfurar a superfície da m inha pele.
— Você está fingindo bem — disse ela devagar. — Mas aposto que está sofrendo m ais do que deixa transparecer.
Eu dei de om bros.
— Eu repito: e?
— Não entendo você direito, só isso.
Franzi a testa.
— Por que você quereria entender?
— É um a ótim a pergunta — m urm urou ela, tão baixinho que m e perguntei se estava falando consigo m esm a. Mas depois de alguns segundos de silêncio, concluí que era a única resposta que eu teria.
Era constrangedor ficarm os nos encarando, m as ela não afastou o olhar. Eu queria ficar olhando para o rosto dela, m as tive m edo de ela estar se perguntando qual era m eu problem a e acabei m e virando para o quadro-negro. Ela suspirou. Olhei novam ente, e ela ainda estava m e observando, m as a expressão estava diferente… m eio frustrada ou irritada.
— Me desculpe — pedi, rapidam ente. — Eu… estou irritando você? Ela balançou a cabeça e sorriu com m etade da boca, de form a que só um a covinha apareceu.
— Não, acho que estou m ais irritada é com igo m esm a. — Por quê?
Ela inclinou a cabeça para o lado.
— Decifrar as pessoas… costum a ser fácil para m im . Mas não consigo… Acho que não sei com o interpretar você. Isso é engraçado? Escondi o sorriso.
— É… inesperado. Minha m ãe sem pre m e cham a de livro aberto. De acordo com ela, dá para praticam ente ler m eus pensam entos im pressos na m inha testa. O sorriso dela sum iu, e ela olhou com intensidade nos m eus olhos, m as não com a raiva de antes. Com o se estivesse tentando m uito ler a m inha testa, com o m inha m ãe fazia. E então, m udando de m archa de form a abrupta, ela sorriu novam ente.
— Acho que sou confiante dem ais.
Eu não sabia o que dizer.
— Hã, desculpa?
Ela riu, e o som foi com o m úsica, em bora eu não conseguisse pensar em nenhum instrum ento com o qual com parar. Os dentes dela eram perfeitos, o que não era surpresa, e brancos e brilhantes.
A Sra. Banner então cham ou a turm a, e eu fiquei aliviado de voltar a atenção para ela. Essa conversinha trivial com Edy the foi intensa dem ais. Eu m e sentia tonto, de um j eito estranho. Eu tinha m esm o acabado de explicar m inha vida chata para aquela garota bizarra e linda que podia ou não m e odiar? Ela parecia quase interessada dem ais no que eu tinha para dizer, m as agora eu podia ver, pelo canto do olho, que ela estava se afastando de m im de novo, as m ãos agarradas na beira da m esa com um a tensão evidente. Tentei prestar atenção enquanto a Sra. Banner repassava a experiência com transparências do retroproj etor, m as m eus pensam entos estavam longe da aula. Quando o sinal tocou, Edy the correu da sala de m aneira tão rápida e elegante quanto na segunda-feira anterior. E, com o naquela segunda, fiquei olhando para ela de queixo caído.
McKay la chegou à m inha carteira quase com a m esm a rapidez. — Foi horrível — disse ela. — Todas elas pareciam iguais. Você tem sorte por ter a Edy the com o parceira.
— É, ela parecia conhecer bem um a raiz de cebola. — Ela pareceu bem sim pática hoj e — com entou McKay la enquanto vestíam os as capas de chuva. Não aparentava estar feliz com isso. Tentei falar com casualidade na voz.
— Nem im agino o que aconteceu com ela na segunda passada. Eu não consegui m e concentrar na tagarelice de McKay la enquanto íam os para o ginásio, e a aula de educação física tam bém não conseguiu prender m inha atenção. McKay la era do m eu tim e dessa vez. Ela cobriu m inhas posições e as dela, então só precisei prestar atenção quando era m inha vez de sacar. O tim e se abaixava cautelosam ente sem pre que eu dava o saque. A chuva era apenas um a névoa quando fui para o estacionam ento, m as eu ainda estava bem úm ido quando cheguei à picape. Coloquei o aquecedor na tem peratura m ais alta possível, pela prim eira vez sem m e im portar com o rugido enlouquecedor do m otor.
Quando olhei em volta para m e certificar de que o cam inho estava livre, percebi a figura im óvel e branca. Edy the Cullen estava encostada na porta da frente do Volvo, a três carros de m im , e olhava intensam ente na m inha direção. O sorriso tinha sum ido, m as pelo m enos a fúria assassina tam bém , ao m enos por enquanto. Desviei os olhos e engatei a ré, quase batendo num Toy ota Corolla enferruj ado na pressa. Para sorte do Toy ota, pisei no freio a tem po. Era o tipo de carro que m inha picape transform aria em sucata. Respirei fundo, ainda olhando para o outro lado, e dei ré de novo, com cuidado. Dessa vez, consegui. Fiquei olhando para a frente ao passar pelo Volvo, m as, pela visão periférica, consegui ver o bastante para saber que ela estava rindo.