Vida e Morte
17. O Jogo
17. O JOG O
ESTAVA COMEÇANDO A chover quando Edy the entrou na m inha rua. Até aquele m om ento, eu não tinha dúvidas de que ela ia ficar com igo enquanto eu passava algum as poucas horas no m undo real. Mas vi o carro preto velho estacionado na entrada de carros de Charlie e ouvi Edy the m urm urar algum a coisa ininteligível num a voz baixa e rouca. Fugindo da chuva na pequena varanda da frente, Jules Black estava atrás da cadeira de rodas da m ãe. O rosto de Bonnie era im passível com o pedra enquanto Edy the estacionava m inha picape j unto ao m eio-fio. Jules olhou para baixo com expressão m ortificada.
A voz baixa de Edy the soou furiosa.
— Isso está passando dos lim ites.
— Ela veio alertar Charlie? — conj ecturei, m ais apavorado do que irritado. Edy the lim itou-se a assentir, respondendo ao olhar de Bonnie com os olhos sem icerrados.
Pelo m enos, Charlie ainda não estava em casa. Talvez o desastre pudesse ser evitado.
— Deixe que eu cuido disso — sugeri. O olhar de Edy the parecia… sério dem ais. Para m inha surpresa, ela concordou.
— Acho que é m elhor. Mas tom e cuidado. A criança não faz ideia. — Criança? Sabe, Jules não é m uito m ais nova do que eu. Ela olhou para m im , a raiva desaparecendo. Sorriu. — Ah, eu sei.
Eu suspirei.
— Leve-as para dentro, para eu ir em bora — disse ela. — Voltarei ao anoitecer. — Pode ir com a picape — sugeri.
Ela revirou os olhos.
— Andando consigo ir até em casa m ais rápido do que esta picape. Eu não queria m e separar dela
— Você não precisa ir em bora.
Ela tocou na m inha testa franzida e sorriu.
— Na verdade, preciso. Depois que se livrar delas — ela lançou um olhar som brio na direção das Black —, você ainda terá que preparar Charlie para conhecer sua nova nam orada.
Ela riu da m inha cara. Acho que conseguia perceber o quanto eu estava anim ado com isso.
Não era que eu não quisesse que Charlie soubesse sobre Edy the. Eu sabia que ele gostava dos Cullen, e com o poderia não gostar de Edy the? Provavelm ente ficaria tão im pressionado que chegaria a ser insultante. Mas parecia abusar da sorte. Tentar arrastar essa fantasia linda dem ais pela lam a da vida com um e tediosa não parecia algo seguro. Com o as duas coisas poderia coexistir por m uito tem po? — Volto logo — prom eteu ela. Seus olhos voltaram à varanda, e ela se inclinou para m e dar um beij o rápido na lateral do pescoço, em baixo. Meu coração quicou na caixa torácica e tam bém olhei a varanda. A cara de Bonnie não estava m ais im passível e suas m ãos se fecharam nos braços da cadeira. — Logo — falei enquanto abria a porta e saía para a chuva. Pude sentir os olhos dela nas m inhas costas enquanto quase corria até a varanda. — Oi, Jules. Oi, Bonnie. — Cum prim entei-as do m odo m ais anim ado que pude. — Charlie está passando o dia fora. Espero que não estej am aguardando há m uito tem po.
— Não m uito — disse Bonnie num tom de derrota. Seus olhos escuros eram penetrantes. — Eu só queria trazer isto. — Ela indicou um saco de papel pardo em seu colo.
— Obrigado — eu disse autom aticam ente, m as não fazia ideia do que podia ser. — Por que não entram por um m inuto e se secam ? Fingi não perceber sua análise cuidadosa enquanto eu destrancava a porta e acenava para que passassem na m inha frente. Jules deu um m eio sorriso ao passar.
— Deixe que eu leve isso — ofereci, virando-m e para fechar a porta. Troquei um últim o olhar com Edy the. Ela estava perfeitam ente im óvel enquanto esperava, os olhos solenes.
— Vai precisar colocar na geladeira — instruiu Bonnie enquanto m e passava o pacote. — É peixe frito caseiro de Holly Clearwater. O preferido de Charlie. A geladeira o m antém m ais seco.
— Obrigado — repeti, com m ais em oção. — Eu estava ficando sem novas m aneiras de preparar peixe, e ele deve trazer m ais para casa hoj e. — Foi pescar de novo? — perguntou Bonnie. Ela ficou atenta de repente. — No lugar de sem pre? Talvez eu passe por lá para vê-lo. — Não — m enti, rapidam ente. — Ele ia a um lugar novo… Mas não faço ideia de onde fica.
Ela olhou m eu rosto e apertou os olhos. Era tão óbvio quando eu tentava m entir. — Julie — disse ela, ainda m e olhando. — Por que você não vai pegar aquela foto nova de Aaron no carro? Vou deixar para o Charlie tam bém . — Onde está? — perguntou Jules. A voz soou m eio desanim ada. Olhei para ela, m as ela estava olhando para a porta, as sobrancelhas pretas unidas. — Acho que vi na m ala — disse Bonnie. — Talvez tenha que procurar. Jules voltou curvada para a chuva.
Bonnie e eu nos encaram os em silêncio. Depois de alguns segundos, a quietude com eçou a parecer estranha, então eu m e virei e fui à cozinha. Pude ouvir suas rodas m olhadas guinchando no linóleo enquanto ela m e seguiu.
Coloquei o saco em um espaço na prateleira de cim a da geladeira e m e virei devagar para olhar os olhos que conseguia sentir grudados em m im . — Charlie vai dem orar a voltar. — Minha voz era quase rude. Ela assentiu, concordando, m as não disse nada. — Obrigado novam ente pelo peixe frito — falei. Ela continuou balançando a cabeça. Eu suspirei e m e encostei na bancada. — Beau — disse ela, e depois hesitou.
Esperei.
— Beau — falou, novam ente —, Charlie é um dos m eus m elhores am igos. — Sim .
Ela pronunciava cada palavra com cuidado com sua voz grave. — Percebi que você anda passando seu tem po com a filha dos Cullen. — Sim — repeti.
Seus olhos se estreitaram .
— Talvez não sej a da m inha conta, m as não acho que sej a um a boa ideia. — Tem razão — concordei. — Não é da sua conta. Ela ergueu as sobrancelhas grossas ao ouvir m eu tom de voz. — Você não deve saber disso, m as a fam ília Cullen tem um a fam a ruim na reserva.
— Na verdade, eu sei disso — afirm ei com voz dura. Ela pareceu surpresa. — Mas essa fam a pode ser infundada, não é? Porque os Cullen nunca colocaram os pés na reserva, colocaram ? — Pude ver que m eu recado nada sutil do acordo que am bos fizeram para proteção da sua tribo a fez parar. — É verdade — concordou ela, os olhos em guarda. — Você parece… bem inform ado sobre os Cullen. Mais do que eu esperava. Olhei-a de cim a.
— Talvez ainda m ais bem inform ado do que você. Ela repuxou os lábios grossos ao pensar no assunto. — Talvez — adm itiu ela, m as os olhos eram astutos. — Charlie tam bém está bem -inform ado?
Ela encontrou um a brecha em m inha arm adura. — Charlie gosta m uito dos Cullen — observei. Ela entendeu m inha evasiva. Sua expressão era infeliz, m as não trazia surpresa. — Não é problem a m eu — disse ela. — Mas pode ser problem a de Charlie. — Mas seria problem a m eu pensar se é ou não problem a de Charlie, não é? Perguntei-m e se ela entendeu m inha pergunta confusa enquanto eu m e esforçava para não dizer nada de com prom etedor. Mas ela pareceu entender. Pensou no assunto enquanto a chuva batia no telhado, o único som que quebrava o silêncio.
— Sim . — Ela se rendeu, por fim . — Acho que tam bém é problem a seu. Eu suspirei de alívio.
— Obrigado, Bonnie.
— Mas pense no que está fazendo, Beau — pediu ela. — Tudo bem — concordei, rapidam ente.
Ela franziu o cenho.
— O que eu queria dizer era: não faça o que está fazendo. Olhei nos olhos dela, cheios apenas de preocupação por m im , e não havia nada que eu pudesse dizer.
A porta da frente bateu com um estrondo alto. — Não tem foto nenhum a no carro. — A voz queixosa de Jules chegou a nós antes dela. Ela entrou na cozinha. Os om bros da cam iseta estavam m anchados de chuva e o cabelo pingava.
— Hm m m — grunhiu Bonnie, distante de repente, girando a cadeira para olhar a filha. — Acho que deixei em casa.
Jules revirou os olhos dram aticam ente.
— Que ótim o.
— Bem , Beau, diga ao Charlie — Bonnie hesitou antes de continuar — que passam os por aqui.
— Vou dizer — m urm urei.
Jules ficou surpresa.
— Já estam os indo em bora?
— Charlie vai chegar tarde — explicou Bonnie ao passar por Jules. — Ah. — Jules parecia decepcionada. — Bom , acho que a gente se vê depois, Beau.
— Claro — concordei.
— Cuide-se — alertou-m e Bonnie. Não respondi. Jules aj udou a m ãe a sair pela porta. Dei um aceno breve, olhando rapidam ente para m inha picape agora vazia, e depois fechei a porta antes que elas tivessem ido.
E então, não tive nada para fazer além de esperar. Depois de alguns segundos olhando a cozinha vazia, eu suspirei e com ecei a lim par as coisas. Pelo m enos, m inhas m ãos ficaram ocupadas. Meus pensam entos, nem tanto. Agora que eu estava longe das alterações de hum or provocadas por Jessam ine, com ecei a m e estressar pelo que tinha aceitado fazer. Mas não poderia ser difícil. Edy the disse que eu não teria que j ogar. Tentei m e convencer de que eu ficaria bem , m as esfreguei a louça que estava lavando com força dem ais. Eu estava term inando o banheiro quando ouvi o carro de Charlie chegando. Arrum ei os produtos de lim peza em ordem alfabética debaixo da pia enquanto o ouvia entrar pela porta. Ele com eçou a fazer barulho debaixo da escada, guardando o equipam ento.
— Beau! — cham ou ele.
— Oi, pai — gritei.
Quando cheguei no andar de baixo, ele estava lavando as m ãos na pia da cozinha. — Onde estão os peixes? — perguntei.
— Coloquei no freezer.
— Vou separar uns dois enquanto ainda estão frescos. Bonnie deixou um pouco do peixe frito de Holly Clearwater esta tarde. — Tentei parecer entusiasm ado. — Deixou, é? — Os olhos de Charlie se ilum inaram . — São m eus favoritos! Charlie foi tom ar banho enquanto eu preparava o j antar. Em pouco tem po, estávam os sentados à m esa, com endo em silêncio. Charlie gostou da com ida. Eu m e perguntava com o tocaria no assunto da m inha nova… nam orada. — O que fez hoj e? — perguntou ele, arrancando-m e dos m eus devaneios. — Bom , hoj e à tarde só fiquei em casa… — Só a parte m ais recente da tarde, na verdade. Tentei m anter a voz tranquila, m as m eu estôm ago estava oco. — E hoj e de m anhã fui à casa dos Cullen.
Charlie largou o garfo.
— À casa da Dra. Cullen? — perguntou ele, surpreso. Fingi não perceber a reação dele.
— É.
— O que foi fazer lá? — Ele não pegou o garfo de novo. — Bom , eu tenho um a espécie de encontro com Edy the Cullen esta noite, e ela queria m e apresentar aos pais…
Ele ficou m e olhando com o se eu tivesse anunciado que passei o dia assaltando loj as de bebida.
— O quê, pai? Você não disse que queria que eu socializasse? Ele piscou algum as vezes e pegou o garfo.
— É, eu disse. — Ele com eu outro pedaço de com ida, m astigou devagar e engoliu. — Mas você não m e disse que nenhum a das garotas da cidade faz seu tipo?
— Eu não disse isso, você disse.
— Não venha m e enrolar, garoto, você sabe o que quero dizer. Por que você não contou nada? Fui xereta dem ais?
— Não, pai, é que… é tudo m eio novo, tá? Eu não queria estragar. — Ah. — Ele pensou por um m inuto enquanto com ia m ais um pouco. — Então você foi conhecer os pais dela, é?
— Er, é. Quer dizer, eu j á conhecia a Dra. Cullen. Mas conheci o pai dela. — Earnest Cullen é ótim o. É m eio quieto, m as m uito… gentil, eu acho que é a m elhor palavra. Tem algum a coisa nele.
— É, reparei nisso.
— Mas conhecer os pais… não é m eio sério? Isso quer dizer que ela é sua nam orada?
— É. — Não foi tão difícil quanto achei que seria. Tive um a sensação estranha de orgulho de poder reivindicá-la assim . Coisa do m eu eu neandertal, m as era bem isso. — É, ela é m inha nam orada.
— Uau.
— Nem m e fale.
— Tam bém vou ganhar um a visita?
Eu ergui um a sobrancelha.
— Você vai se com portar?
Ele levantou as duas m ãos.
— O quê, eu? Já constrangi você algum a vez?
— Eu j á trouxe algum a garota aqui?
Ele bufou e m udou de assunto.
— Que horas você vai buscá-la?
— Ah, ela vem m e encontrar aqui. Sabe, você vai ter sua visita. Ela chega daqui a pouco, na verdade.
— Aonde você vai levá-la?
— Bom , acho que o plano é que vam os… j ogar beisebol com a fam ília dela. Charlie ficou m e olhando por um segundo e caiu na gargalhada. Eu revirei os olhos e esperei que ele term inasse. Ele acabou fingindo lim par lágrim as dos olhos.
— Espero que esse ataque j á tenha acabado.
— Beisebol, é? Você deve gostar m uito dessa garota. Pensei em deixar isso de lado, m as achei que ele enxergaria de qualquer j eito. — É — falei. — Gosto, sim .
Ouvi um m otor nada fam iliar rugir na porta de casa e levantei o olhar com surpresa.
— É ela?
— Talvez…
Depois de alguns segundos, a cam painha tocou e Charlie deu um pulo. Corri ao redor dele e cheguei à porta prim eiro.
— Dá para ser m enos agressivo? — m urm urou ele, baixinho. Eu não tinha percebido com o estava chovendo lá fora. Edy the estava parada no halo de luz da varanda, parecendo um a m odelo de anúncio de capas de chuva. Ouvi Charlie inspirar de surpresa. Perguntei-m e se ele j á a tinha visto de perto. Era m eio tenso. Mesm o quando se estava acostum ado. Fiquei olhando para ela, estupefato.
Ela riu.
— Posso entrar?
— Pode! Claro. — Dei um pulo para trás e esbarrei em Charlie. Depois de alguns segundos desaj eitados, pendurei sua capa de chuva e fui com ela e Charlie m e sentar na sala de estar. Ela estava na poltrona, então m e sentei ao lado de Charlie no sofá.
— E então, Edy the, com o estão seus pais?
— Muito bem , obrigada, chefe Swan.
— Pode m e cham ar de Charlie. Não estou de serviço. — Obrigado, Charlie. — Ela exibiu as covinhas, e o rosto dele ficou atordoado. Ele dem orou um segundo para se recuperar.
— Então, hã, vocês vão j ogar beisebol, hoj e?
Não pareceu passar na cabeça de nenhum dos dois que os baldes e baldes de água que estavam caindo do céu no m om ento teriam algum im pacto nos planos. Só m esm o em Washington.
— Sim . Espero que Beau não se im porte de passar tem po dem ais com a m inha fam ília.
Charlie falou antes que eu pudesse responder.
— Eu diria que ele se im portaria m ais com o beisebol. Os dois riram , e olhei de cara feia para o m eu pai. Onde estava o bom com portam ento que ele prom eteu?
— Não devíam os ir? — sugeri.
— Não estam os com pressa — disse Edy the com um sorriso. Eu cutuquei Charlie com o cotovelo. O sorriso de Edy the se abriu. — Ah, hã, é — disse Charlie. — Podem ir, crianças. Tenho… um m onte de coisas para…
Edy the se levantou em um m ovim ento fluido. — Foi ótim o ver você, Charlie.
— Sim . Venha nos visitar quando quiser, Edy the. — Obrigada. Você é m uito gentil.
Charlie passou a m ão pelo cabelo, sem graça. Eu achava que nunca o tinha visto tão perturbado.
— Vocês vão voltar m uito tarde?
Eu olhei para ela.
— Não, vam os ser razoáveis.
— Mas não espere acordado — acrescentei.
Entreguei a capa para ela e segurei a porta. Quando ela passou, Charlie m e olhou com olhos arregalados. Dei de om bros e ergui as sobrancelhas. Eu tam bém não sabia com o tive tanta sorte.
Eu a segui para a varanda e parei.
Ali, atrás da m inha picape, estava um Jeep m onstruoso. Seus pneus eram da altura da m inha cintura. Havia grades de m etal sobre os faróis e as lanternas traseiras, e quatro refletores grandes presos no para-choque. A capota rígida era verm elho-vivo.
Charlie soltou um assovio baixo.
— Coloquem o cinto.
Fui até o lado do m otorista para abrir a porta para Edy the. Ela entrou com um pulinho eficiente, m as fiquei feliz de estarm os no lado m ais distante de Charlie, porque não pareceu totalm ente natural. Fui até o m eu lado e subi desaj eitadam ente. Ela j á estava com o m otor ligado, e reconheci o rugido que m e surpreendeu antes. Não era tão alto quanto o da m inha picape, m as parecia bem m ais poderoso.
Por hábito (ela não com eçaria a dirigir enquanto eu não colocasse o cinto), estiquei o braço para o cinto de segurança.
— O que… er… o que é tudo isso? Com o eu…? — É um arnês de off-road — explicou ela.
— Ah.
Tentei encontrar os lugares certos para todas as fivelas, m as não estava sendo m uito rápido. De repente, as m ãos dela estavam ali, voando em velocidade quase invisível, e sum iram de novo. Fiquei feliz que a chuva estivesse pesada dem ais para que Charlie enxergasse com clareza da varanda, porque isso significava que tam bém não conseguia m e ver com clareza.
— Er, obrigado.
— De nada.
Eu sabia que não devia perguntar se ela não colocaria o arnês dela. Ela se afastou da casa.
— Mas é um … hã… Jeep bem grande o que você tem . — É de Eleanor. Ela m e em prestou para a gente não ter que correr o cam inho todo.
— Onde vocês guardam essa coisa?
— Reform am os um dos anexos da casa e fizem os um a garagem . De repente, a resposta anterior voltou à m inha m ente. — Espere. Correr o cam inho todo? Querendo dizer que ainda vam os ter que correr parte do cam inho? — perguntei.
Ela repuxou os lábios com o se estivesse tentando não sorrir. — Você não vai correr.
Eu grunhi.
— Vou vom itar na frente da sua fam ília.
— Mantenha os olhos fechados e vai ficar bem . Balancei a cabeça, suspirei e estiquei a m ão para segurar a dela. — Oi, senti saudade.
Ela riu, um som agudo, não exatam ente hum ano. — Tam bém senti. Não é estranho?
— Estranho por quê?
— Era de se pensar que eu teria aprendido a ser m ais paciente nos últim os cem anos. E aqui estou, com dificuldade de passar um a tarde sem você. — Que bom que não sou só eu.
Ela se inclinou para dar um beij o na m inha bochecha, e depois recuou rapidam ente e suspirou.
— Você cheira ainda m elhor na chuva.
— De um j eito bom ou de um j eito ruim ?
Ela franziu a testa.
— Sem pre os dois.
Não sei com o ela encontrou o cam inho no tem poral, pois parecia que havia um a cortina cinza líquida ao redor do Jeep, m as de algum m odo achou um a estrada vicinal que era m enos um a estrada e m ais um a trilha m ontanhosa. Foi im possível conversar por algum tem po, porque fiquei quicando no banco com o um a britadeira. Mas ela parecia gostar da viagem , com um sorriso enorm e o cam inho todo.
E então, chegam os ao final da estrada; as árvores form avam m uralhas verdes dos três lados do Jeep. A chuva era apenas um chuvisco, dim inuindo a cada segundo, o céu m ais claro através das nuvens. — Desculpe, Beau, tem os que ir a pé a partir daqui. — Sabe de um a coisa? Vou esperar por aqui m esm o. — O que aconteceu com toda a sua coragem ? Você foi extraordinário hoj e de m anhã.
— Ainda não m e esqueci da últim a vez. — Tinha sido m esm o só ontem ? De repente, ela estava do m eu lado do carro e com eçou a m e desafivelar. — Eu cuido disso, pode ir em frente — protestei. Ela term inou antes que eu term inasse de dizer as prim eiras palavras.
Fiquei sentado no carro olhando para ela.
— Você não confia em m im ? — perguntou, m agoada, ou fingindo estar m agoada, pensei.
— Essa não é a questão, Confiança e enj oo não têm relação nenhum a. Ela m e olhou por um m inuto, e m e senti bem idiota sentado ali no Jeep, m as só conseguia pensar no passeio de m ontanha-russa m ais nauseante que j á fiz. — Lem bra o que falei sobre a m ente dom inar a m atéria? — perguntou ela. — Lem bro…
— E se você se concentrasse em outra coisa?
— Tipo o quê?
De repente, ela estava no Jeep com igo, um j oelho no banco ao lado da m inha perna. O rosto estava a centím etros do m eu. Tive um leve ataque cardíaco. — Continue respirando — disse ela.
— Com o?
Ela sorriu, e seu rosto ficou sério de novo.
— Quando estiverm os correndo, e essa parte não é negociável, quero que você se concentre nisso.
Lentam ente, ela se aproxim ou e virou o rosto de lado para que ficássem os bochecha com bochecha, os lábios dela no m eu ouvido. Um a das m ãos deslizou pelo m eu peito até m inha cintura.
— Só se lem bre da gente… assim …
Os lábios dela puxaram o lóbulo da m inha orelha de leve, depois se m overam lentam ente pelo m eu m axilar e pescoço.
— Respire, Beau — m urm urou ela.
Eu inspirei profundam ente.
Ela beij ou debaixo do m eu m axilar, depois m inha bochecha. — Ainda preocupado?
— Hã?
Ela riu. As m ãos estavam segurando m eu rosto agora, e ela beij ou de leve um a pálpebra e depois a outra.
— Edy the — sussurrei.
Os lábios dela pousaram nos m eus, e não foram tão delicados e cautelosos com o sem pre foram antes. Moveram -se com urgência, frios e firm es, e apesar de eu saber com o eram as coisas, não consegui pensar de form a coerente para tom ar boas decisões. Não m andei m inhas m ãos se m overem , m as m eus braços envolveram a cintura dela, tentando puxá-la para m ais perto. Minha boca se m oveu com a dela e fiquei ofegante, inspirando o arom a dela a cada lufada. — Caram ba, Beau!
E ela sum iu, deslizou com facilidade para fora do m eu abraço, j á a três m etros e fora do carro quando pisquei e voltei à realidade. — Desculpe — falei, arfando.
Ela olhou para m im com cautela, olhos tão arregalados que os braços apareciam ao redor do dourado. Eu m eio que caí desaj eitadam ente para fora do carro, depois dei um passo na direção dela.
— Acho que você vai ser a m inha m orte, Beau — disse ela, baixinho. Eu fiquei paralisado.
— O quê?
Ela respirou fundo e apareceu do m eu lado.
— Vam os sair daqui antes que eu faça um a grande besteira — m urm urou ela. Ela virou as costas para m im e olhou por cim a do om bro com um a expressão de anda logo.
— Fique de olhos fechados — alertou ela, e saiu correndo. Apertei bem os olhos, tentando não pensar na velocidade do vento que pressionava a pele sobre m eu crânio. Fora esse sinal, era difícil acreditar que estávam os m esm o voando pela floresta com o antes. O m ovim ento do corpo dela era tão suave que eu acharia que ela estava andando por um a calçada com um gorila nas costas. A respiração dela ia e vinha regularm ente. Eu não tinha certeza de que tínham os parado quando ela estendeu a m ão para trás e tocou m eu rosto.
— Acabou, Beau.
Abri os olhos e realm ente estávam os parados. Na m inha pressa de sair de cim a dela, perdi o equilíbrio. Ela se virou a tem po de m e ver cair de bunda com os braços girando.
Por um segundo, ela ficou m e olhando com o se não tivesse certeza se ainda estava irritada dem ais para m e achar engraçado, m as deve ter concluído que não estava irritada dem ais.
Ela caiu na gargalhada, com a cabeça virada para trás e os braços sobre a barriga.
Eu m e levantei devagar e tirei a lam a e as plantas da calça j eans o m áxim o que consegui enquanto ela continuava rindo.
— Sabe, seria m ais hum ano você m e largar agora — falei, com aborrecim ento. — Não vai ficar m ais fácil para m im com o tem po. Ela respirou fundo algum as vezes, tentando se controlar. Eu suspirei e saí andando na direção que m ais se assem elhava a um cam inho. Algum a coisa segurou a parte de trás do m eu suéter, e eu sorri. Olhei por cim a do om bro. Ela estava m e segurando do m esm o j eito que m e segurou em frente à enferm aria.
— Aonde você vai, Beau?
— Não tinha um j ogo de beisebol acontecendo? — É para o outro lado.
Eu m e virei.
— Tudo bem .
Ela segurou m inha m ão e saím os andando devagar na direção de um a área escura da floresta.
— Me desculpe por ter rido.
— Eu tam bém teria rido de m im .
— Não, eu fiquei só um pouco… agitada. Precisava da catarse. Andam os em silêncio por alguns segundos.
— Ao m enos m e diga que deu certo, a experiência da m ente dom ina a m atéria. — Bem … eu não fiquei enj oado.
— Ótim o, m as…?
— Eu não estava pensando sobre… dentro do carro. Estava pensando em depois. Ela não disse nada.
— Sei que j á pedi desculpas, m as… m e desculpe. De novo. Vou aprender a m e com portar m elhor, eu sei.
— Beau, pare. Por favor. Você m e faz sentir m ais culpa quando pede desculpas. Eu olhei para ela. Nós dois tínham os parado de andar. — Por que você devia sentir culpa?
Ela riu de novo, m as dessa vez havia quase histeria na gargalhada. — Ah, realm ente! Por que eu devia sentir culpa? A escuridão nos olhos dela m e deixou ansioso. Havia dor ali, e eu não sabia com o aj udar. Coloquei a m ão na bochecha dela.
— Edy the, não entendo o que você está dizendo. Ela fechou os olhos.
— Não consigo parar de botar você em perigo. Eu penso que estou m e controlando, m as aí chega tão perto… Não sei com o não ser m ais isso. — De olhos ainda fechados, ela apontou para si m esm a. — Minha própria existência o coloca em risco. Às vezes, eu m e odeio verdadeiram ente. Eu devia ser m ais forte, devia ser capaz de…
Coloquei a m ão em sua boca.
— Pare.
Ela abriu os olhos. Afastou m inha m ão, m as a colocou na bochecha de novo. — Eu te am o — disse ela. — É um a desculpa ruim para o que estou fazendo, m as ainda assim é verdadeira.
Foi a prim eira vez que ela disse que m e am ava, com todas as letras. Com o ela dissera de m anhã, era diferente ouvir as palavras em voz alta. — Eu te am o — falei para ela quando recuperei o fôlego. — Não quero que você sej a diferente do que é.
Ela suspirou.
— Agora, sej a um bom m enino — disse ela, e se esticou nas pontas dos pés. Fiquei m uito parado enquanto ela roçava os lábios nos m eus. Ficam os nos olhando por um m inuto.
— Beisebol? — perguntou ela.
— Beisebol — concordei, com bem m ais confiança do que sentia. Ela segurou m inha m ão e m e levou alguns m etros pelas sam am baias altas ao redor de um abeto enorm e e lá estávam os, na beira de um enorm e cam po aberto na lateral de um a m ontanha. Tinha duas vezes o tam anho de qualquer estádio de beisebol.
Todos os outros estavam ali. Earnest, Eleanor e Roy al estavam sentados em um afloram ento de rocha nua, talvez a uns cem m etros. A um a distância m uito m aior pude ver Archie e Jessam ine, pelo m enos a quatrocentos m etros de distância um do outro. Era quase com o se estivessem j ogando bola um para o outro, m as não consegui ver bola nenhum a. Parecia que Carine estava preparando as bases, m as não podia estar certo. Estavam m uito distantes um a da outra. Quando entram os em seu cam po de visão, os três na pedra se levantaram . Earnest veio na nossa direção. Roy al se afastou e foi na direção de Carine. Eleanor seguiu Earnest depois de olhar por um tem po para as costas de Roy al. Eu tam bém estava olhando para Roy al. Estava nervoso. — Foi você que ouvim os, Edy the? — perguntou Earnest. — Parecia um a hiena sufocando — acrescentou Eleanor. Eu sorri hesitante para Earnest.
— Foi ela.
— Beau foi engraçado — explicou Edy the.
Archie tinha largado o j ogo e corria na nossa direção. Parecia que os pés dele não tocavam no chão. Em m eio segundo, ele estava ali, parando de repente na nossa frente.
— Está na hora — anunciou.
Assim que falou, um estrondo grave de trovão sacudiu a floresta atrás de nós e explodiu a oeste, na direção da cidade.
— Sinistro, não é? — com entou Eleanor. Quando m e virei para olhar para ela, surpreso de ela estar agindo com tanta casualidade com igo, ela piscou. — Vam os!
Archie segurou a m ão de Eleanor, e eles saíram correndo para o cam po gigantesco. Archie quase… saltitava, com o um cervo, só que m ais perto do chão. Eleanor era igualm ente rápida e quase tão graciosa, m as parecia um a coisa bem diferente. Algum anim al que atacava, não que saltitava. — Está pronto para um j ogo de bola? — perguntou Edy the, os olhos brilhantes. Era im possível não sentir entusiasm o por um a coisa que a deixava tão feliz. — Vai nessa!
Ela riu, passou rapidam ente os dedos pelo m eu cabelo e saiu correndo atrás dos outros dois. Sua corrida era m ais agressiva do que a dos outros, com o um guepardo atrás de um a gazela, m as ainda ágil e em ocionantem ente linda. Ela rapidam ente os alcançou e ultrapassou.
— Vam os assistir? — perguntou Earnest com sua voz suave de tenor. Percebi que estava olhando todos eles boquiaberto. Rapidam ente recom pus m inha expressão e assenti. Earnest m antinha um a distância entre nós m aior do que o norm al para duas pessoas andando j untas, e achei que ainda estava tom ando cuidado para não m e assustar. Ele acom panhou m eus passos sem aparentar im paciência com m eu ritm o.
— Você não j oga com eles? — perguntei.
— Não, prefiro fazer a arbitragem . Gosto de m antê-los honestos. — Eles trapaceiam ?
— Ah, sim . Você devia ouvir as discussões em que se m etem ! Na verdade, espero que não ouça, você pensaria que foram criados por um a m atilha de lobos. — Você parece m eu pai — falei, e ri.
Ele tam bém riu.
— Bem , eu os vej o com o m eus filhos de m uitas m aneiras. Jam ais consegui superar… Edy the lhe contou que perdi m inha filha? — Er, não — m urm urei, atordoado, tentando entender de que vida ele estava se lem brando.
— Minha única filha, m inha Grace. Não tinha nem dois anos quando m orreu. Isso m e destruiu. Foi por essa razão que pulei do penhasco, sabe — acrescentou ele calm am ente.
— Ah, hã, Edy the disse que você caiu…
— Sem pre tão educada. — Earnest sorriu. — Edy the foi a prim eira dos m eus novos filhos. Minha segunda filha. Sem pre pensei nela desta form a, em bora ela sej a m ais velha do que eu, pelo m enos de certa m aneira. E sem pre m e perguntei se m inha Grace teria se tornado um a pessoa tão incrível. — Ele olhou para m im e sorriu calorosam ente. — Estou m uito feliz que ela tenha encontrado você, Beau. Ela está sozinha há m uito tem po. Dói em m im vê-la tão só. — Não se im porta, então? — perguntei, hesitante de novo. — Que eu sej a… com pletam ente errado para ela?
— Não — disse ele, pensativo. — É você o que ela quer. Vai dar certo, de algum j eito. — Mas sua testa se franziu de preocupação. Com eçou outro estrondo de trovão.
Earnest parou então; aparentem ente, tínham os chegado à beira do cam po. Parecia que tinham form ado equipes. Edy the estava à esquerda, Carine, entre a prim eira e a segunda bases, e Archie segurava a bola, posicionado no local que devia ser o m ontinho do lançador.
Eleanor girava um bastão de alum ínio; sibilava quase invisível no ar. Esperei que se aproxim asse da base do batedor, m as depois percebi, enquanto ela assum ia a posição, que j á estava lá — m ais distante do lançador do que eu achava possível. Jessam ine estava vários m etros atrás dela, pegando para a outra equipe. É claro que nenhum deles estava usando luvas.
— Tudo bem — gritou Earnest num a voz clara, que eu sabia que até Edy the podia ouvir, em bora estivesse m uito longe. — Podem bater. Archie se endireitou, im óvel com o um a estátua. Seu estilo parecia ser cauteloso, e não um m ovim ento circular intim idador. Ele segurava a bola com as duas m ãos à altura da cintura e depois, com o o bote de um a cobra, a m ão direita voou e a bola bateu na m ão de Jessam ine. Com o som de um tiro. — Foi um strike? — sussurrei para Earnest. — Se não rebaterem , é strike — explicou ele. Jessam ine devolveu a bola à m ão de Archie, que aguardava. Ele se perm itiu um sorriso breve. E então, sua m ão girou novam ente. Dessa vez, o bastão de algum j eito conseguiu girar a tem po de se chocar na bola invisível. O som do im pacto foi estilhaçante, trovej ante; ecoou nas m ontanhas, e im ediatam ente entendi a necessidade da tem pestade. Quase não consegui acom panhar a bola, que voava com o um m eteoro acim a do cam po e voava fundo na floresta ao redor.
— Home run — m urm urei.
— Espere — disse Earnest. Ele estava ouvindo com atenção, a m ão erguida. Eleanor era um borrão pelas bases, Carine lhe fazia som bra. Percebi que Edy the tinha sum ido.
— Fora! — gritou Earnest.
Olhei, sem acreditar, enquanto Edy the disparava da m argem das árvores, a bola na m ão erguida, o sorriso grande visível até para m im . — Eleanor é quem bate com m ais força — explicou Earnest —, m as Edy the é a que corre m ais rápido.
Era com o ver super-heróis j ogando. Era im possível acom panhar a velocidade com que a bola voava, o ritm o de seus corpos disparando pelo cam po. Entendi outro m otivo para que eles esperassem um a tem pestade com trovões para j ogar quando Jessam ine, tentando evitar a infalível defesa de Edy the, bateu um a bola para Carine. Carine correu para a bola e com petiu com Jessam ine para chegar à prim eira base. Quando elas se chocaram , o som foi com o o esm agar da queda de duas pedras enorm es. Pulei de preocupação, m as elas de algum m odo estavam ilesas.
— Salva — gritou Earnest num a voz calm a.
O tim e de Eleanor vencia por um ponto, pois Roy al conseguiu flutuar pelas bases depois de seguir um dos longos voos de Eleanor, quando Edy the pegou a terceira bola fora. Ela correu para o m eu lado, sorrindo de em polgação. — O que está achando? — perguntou.
— De um a coisa eu tenho certeza, nunca m ais vou conseguir ficar sentado vendo um j ogo da liga principal de beisebol.
— Até parece que você j á fez m uito isso. — Ela riu. — Estou m eio decepcionado — provoquei.
— Por quê?
— Bom , seria ótim o se eu pudesse encontrar só um a coisa em que você não sej a m elhor do que todo m undo do planeta.
Ela exibiu as covinhas, deixando-m e sem fôlego. — Estou pronta — disse ela, indo para a base.
Ela j ogava com inteligência, m antendo a bola baixa, fora do alcance da m ão sem pre preparada de Roy al, conquistando duas bases com o um raio antes que Eleanor pudesse recolocar a bola em j ogo. Carine bateu um a tão longe do cam po, com um a explosão que feriu m eus ouvidos, que tanto ela quanto Edy the chegaram na bola. Archie os cum prim entou com tapas na m ão. O placar m udava constantem ente com o decorrer do j ogo, e eles im plicavam uns com os outros com o j ogadores de rua enquanto se alternavam na liderança. De vez em quando, Earnest cham ava a atenção deles. Os trovões continuaram ribom bando, m as ficam os secos, com o Archie havia previsto. Carine estava com o bastão, Edy the pegando, quando Archie de repente ofegou. Meus olhos estavam em Edy the, com o sem pre, e vi sua cabeça virar para olhá-lo. Os olhos dos dois se encontraram e algum a coisa fluiu entre eles em um segundo. Ela estava ao m eu lado antes que os outros pudessem perguntar a Archie o que havia de errado.
— Archie? — perguntou Earnest, tenso.
— Eu não vi — sussurrou Archie. — Não sabia.
Todos estavam reunidos a essa altura.
Carine estava calm a e autoritária.
— O que é, Archie?
— Eles estavam viaj ando m uito m ais rápido do que eu pensava. Posso ver que tive a perspectiva errada antes — m urm urou ele. Jessam ine passou o braço ao redor dele, a postura protetora. — O que m udou? — perguntou ela.
— Eles nos ouviram j ogando, e isso alterou seu rum o — disse Archie, pesaroso, com o se se sentisse responsável pelo que aconteceu. Sete pares de olhos rápidos dispararam para m im e se desviaram . — Quanto tem po? — perguntou Carine.
Um olhar de concentração intensa atravessou seu rosto. — Menos de cinco m inutos. Estão correndo. Querem j ogar. — Ela fechou a cara. — Acha que consegue? — perguntou Carine a Edy the, os olhos disparando para m im de novo.
— Não, não carregando… — Edy the se interrom peu. — Além disso, a últim a coisa de que precisam os é que eles sintam o cheiro e com ecem a caçar. — Quantos? — perguntou Eleanor a Archie.
— Três.
— Três! — zom bou ela. — Que venham . — Os m úsculos se flexionaram em seus braços.
Por um a fração de segundo que pareceu m uito m aior do que era, Carine refletiu. Só Eleanor parecia relaxada; os dem ais fitavam Carine com os olhos ansiosos. — Vam os continuar o j ogo — decidiu por fim Carine. Sua voz estava fria e inalterada. — Archie disse que estavam sim plesm ente curiosos. A conversa toda durou apenas alguns segundos, m as eu ouvi com atenção e achava que tinha captado a m aior parte dela. Não consegui ouvir o que Earnest agora perguntava a Edy the só com um olhar intenso. Só vi o leve trem or na cabeça dela e o olhar de alívio no rosto dele.
— Você pega, Earnest — disse ela. — Agora eu sou a j uíza. Ela parou ao m eu lado enquanto os outros voltavam ao cam po, varrendo a floresta com os olhos intensos. Archie e Earnest pareciam orientados para onde eu estava.
Eu declarei o óbvio.
— Os outros estão chegando agora.
— Sim , fique m uito parado, quieto e não saia do m eu lado, por favor. — Consegui ouvir o nervosism o em sua voz, apesar de ela tentar esconder. — Isso não vai aj udar — m urm urou Archie. — Posso sentir o cheiro dele do outro lado do cam po.
— Eu sei — disse Edy the rispidam ente.
Carine se posicionou na base, e os outros se j untaram ao j ogo sem m uita disposição.
— O que Earnest perguntou a você? — sussurrei. Ela hesitou por um segundo antes de responder. — Se eles estavam com sede.
Os segundos se arrastaram enquanto o j ogo continuava, agora de form a apática. Ninguém ousava rebater com força, e Eleanor, Roy al e Jessam ine pairavam pelo cam po. De vez em quando, eu percebia os olhos de Roy al em m im . Estavam inexpressivos, m as algum a coisa em sua boca m e fazia pensar que estava com raiva.
Edy the não prestou atenção ao j ogo, os olhos e a m ente vagando pela floresta. — Desculpe, Beau — m urm urou com ferocidade. — Foi idiotice, um a irresponsabilidade, expor você desta form a. Desculpe-m e. Ouvi sua respiração parar e os olhos estacaram no lado direito do cam po. Ela deu um m eio passo, postando-se entre m im e o que estava chegando. Isso m e fez com eçar a entrar em pânico, com o antes, im aginando-a entre m im e Roy al: Edy the em perigo. Eu tinha certeza de que o que estava chegando agora era pior do que Roy al.