Vida e Morte

Stephenie Meyer · Capítulo 25 de 27

Páginas do PDF

Vida e Morte

23. A Escolha

 

OUTRO GRITO ACIMA do m eu, um grito com o o de um a serra elétrica cortando ferro.

A caçadora atacou, m as os dentes se fecharam a dois centím etros do m eu rosto porque um a coisa a puxou para trás e a fez voar para longe. O fogo se acum ulava na dobra do m eu cotovelo, e eu gritei. Eu não estava sozinho, havia outros gritando; o rosnado m etálico foi acom panhado de um lam ento agudo que ecoava nas paredes e parou de repente. Um rosnado grave soava por baixo dos outros sons. Mais m etal se quebrando, sendo arrebentado…

— Não! — uivou alguém em um a dor tão intensa quanto a m inha. — Não, não, não, não!

A voz significava algum a coisa para m im , m esm o pela queim ação que era tão m ais intensa do que isso. Em bora as cham as tivessem chegado ao m eu om bro, a voz ainda exigia m inha atenção. Mesm o gritando, ela soava com o um anj o. — Beau, por favor! — Edy the chorou. — Por favor, por favor, por favor, Beau, por favor!

Tentei responder, m as m inha boca estava desconectada do resto de m im . Meus gritos sum iram , m as só porque não havia m ais ar. — Carine! — gritou Edy the. — Me ajude! Beau, por favor, por favor, Beau, por favor!

Ela estava com m inha cabeça no colo, e os dedos apertavam m eu couro cabeludo com força. O rosto estava desfocado, com o o da caçadora. Eu estava caindo em um túnel na m inha cabeça. Mas o fogo estava indo com igo, tão intenso quanto antes.

Um a coisa fria entrou na m inha boca e preencheu m eus pulões. Meus pulm ões reagiram . Outra respiração fria.

Edy the entrou em foco, o rosto perfeito contorcido e torturado. — Continue respirando, Beau. Respire.

Ela colocou os lábios nos m eus e encheu m eus pulm ões de novo. Havia dourado ao redor das bordas da m inha visão, outro par de m ãos frias. — Archie, faça talas para a perna e para o braço dele. Edy the, endireite as vias respiratórias dele. Qual é o sangram ento pior? — Aqui, Carine.

Olhei para o rosto dela enquanto a pressão na m inha cabeça dim inuía. Meus gritos eram só choram ingos agora. A dor não tinha dim inuído, estava pior. Mas gritar não m e aj udava, e m agoava Edy the. Enquanto eu m antivesse os olhos no rosto dela, conseguiria m e lem brar de algum a coisa além da queim ação. — Minha bolsa, por favor. Prenda a respiração, Archie, vai aj udar. Obrigada, Eleanor, agora saia, por favor. Ele perdeu sangue, m as os ferim entos não são profundos dem ais. Acho que as costelas são o m aior problem a agora. Encontre fita adesiva.

— Algum a coisa para a dor — sibilou Edy the. — Aqui… Não tenho m ãos. Você pode aj udar? — Isso vai tornar tudo m elhor — prom eteu Edy the. Alguém estava endireitando m inha perna. Edy the estava prendendo a respiração, esperando, acho, que eu reagisse. Mas não doía com o m eu braço. — Edy the…

— Shh, Beau, vai ficar tudo bem . Juro que vai ficar tudo bem . — E… não… é…

Algum a coisa estava afundando no m eu couro cabeludo e outra coisa puxava m eu braço quebrado. Isso m achucou m inhas costelas, e perdi o fôlego. — Aguente, Beau — im plorou Edy the. — Por favor, aguente. Eu m e esforcei para inspirar de novo.

— Não… costelas — falei, engasgado. — Mão. — Você consegue entender o que ele está dizendo? — A voz de Carine soou ao lado da m inha m ão.

— Descanse, Beau. Respire.

— Não… m ão — tentei dizer, ofegante. — Edy the… m ão direita! Não consegui sentir as m ãos frias dela na m inha pele, o fogo estava intenso dem ais. Mas ouvi-a ofegar.

— Não!

— Edy the — disse Carine, assustada.

— Ela o m ordeu. — A voz de Edy the quase não saía, com o se ela tam bém tivesse ficado sem ar.

Carine prendeu a respiração de horror.

— O que faço, Carine? — perguntou Edy the.

Ninguém a respondeu. A sensação de puxão no couro cabeludo continuou, m as sem doer.

— Sim — disse Edy the entredentes. — Posso tentar. Archie, bisturi. — Há um a boa chance de você m atá-lo — disse Archie. — Me dê — disse ela rispidam ente. — Eu consigo fazer isso. Não vi o que ela fez com o bisturi. Não consegui sentir m ais nada no corpo, nada além do fogo no braço. Mas a vi levar m inha m ão à boca, com o a caçadora tinha feito. Sangue fresco saía pelo ferim ento. Ela colocou os lábios ali. Eu gritei de novo. Não consegui evitar. Era com o se ela estivesse puxando o fogo de volta pelo m eu braço.

— Edy the — disse Archie.

Ela não reagiu, com os lábios ainda pressionados na m inha m ão. O fogo subia e descia pelo braço, indo e vindo. Gem idos escapavam pelos m eus dentes trincados.

— Edy the — gritou Archie. — Olhe. — O que foi, Archie? — perguntou Carine.

Archie esticou a m ão e bateu na bochecha de Edy the. — Pare, Edy the! Pare agora!

Minha m ão caiu de perto do rosto dela. Ela olhou para Archie com olhos tão arregalados que pareciam ocupar m etade do rosto. Ofegou. — Archie! — gritou Carine.

— É tarde dem ais — disse Archie. — Chegam os aqui tarde dem ais. — Você está vendo? — perguntou Carine, com a voz m ais baixa. — Só restam dois futuros, Carine. Ele sobrevive com o um de nós ou Edy the o m ata tentando im pedir que aconteça.

— Não — gem eu Edy the.

Carine estava quieta. O puxão no m eu couro cabeludo dim inuiu. Edy the levou o rosto até o m eu. Beij ou m inhas pálpebras, m inhas bochechas, m eus lábios.

— Me desculpe, m e desculpe.

— Não precisa ser lento assim — reclam ou Archie. — Carine? — Eu fiz um j uram ento, Archie.

— Eu não — rosnou ele.

— Esperem , esperem — disse Edy the, levantando a cabeça. — Ele m erece um a escolha.

Os lábios dela estavam no m eu ouvido. Trinquei os dentes para não gem er e m e esforcei para ouvir.

— Beau, não vou tom ar essa decisão por você. Não vou tirar isso de você. E vou entender, eu j uro. Se você não quiser viver assim , não vou lutar contra você. Vou respeitar o que você quiser. Sei que é um a escolha horrível. Eu daria a você qualquer outra opção que pudesse. Eu m orreria se isso pudesse trazer sua vida de volta. — A voz dela falhou. — Mas não posso fazer essa troca. Não posso fazer nada, só acabar com a dor. Se for isso que você quer. Você não tem que ser isto. Posso libertar você, se for o que precisa. — Parecia que ela estava chorando de novo. — Me diga o que quer, Beau. Qualquer coisa. — Você — falei, entredentes. — Só você.

— Tem certeza? — sussurrou ela.

Eu grunhi. O fogo estava tocando com os dedos no m eu peito. — Tenho — eu disse, tossindo. — Só… m e deixe ficar… com você. — Saia do m eu cam inho, Edy the — rosnou Archie. A voz dela soou com o um chicote.

— Eu tam bém não fiz nenhum j uram ento.

O rosto dela estava no m eu pescoço, e não consegui sentir nada além do fogo, m as consegui ouvir o som baixo dos dentes dela rom pendo m inha pele.