Vida e Morte

Stephenie Meyer · Capítulo 21 de 27

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Vida e Morte

19. Despedidas

 

PARECIA QUE CHARLIE estava m e esperando. Todas as luzes da casa estavam acesas. Minha m ente teve um branco quando tentei pensar num a m aneira de resolver a situação.

Edy the parou a um a distância de um carro atrás da m inha picape. Os três estavam em pertigados em seus lugares, ouvindo cada som da floresta, vasculhando cada som bra ao redor da casa, procurando algum a coisa fora de lugar. O m otor foi desligado e fiquei sentado, im óvel, enquanto eles escutavam . — Ela não está aqui — sibilou Edy the. — Vam os. Eleanor estendeu a m ão para soltar o arnês.

— Não se preocupe, Beau — disse ela num a voz baixa em bora anim ada. — Vam os resolver as coisas por aqui rapidam ente. Tive um a sensação estranha de tristeza ao olhar para o rosto lindo e apavorante de Eleanor. Eu m al a conhecia, m as, de certa form a, era angustiante não saber quando a veria depois dessa noite. Eu sabia que era a despedida m ais fácil de todas que viriam em seguida, e a ideia provocou um nó no m eu estôm ago. — Archie, Eleanor. — A voz de Edy the era um com ando. Eles deslizaram sem ruído para a escuridão e sum iram .

Saí atrás de Eleanor, e Edy the j á estava lá.

— Quinze m inutos — disse ela, entredentes.

Eu assenti e parei.

— Vá logo, Beau.

— Um a coisa. — Eu m e inclinei e a beij ei um a vez, com força. — Eu te am o. Independentem ente do que acontecer, isso não vai m udar. — Nada acontecerá a você, Beau.

— Mantenha Charlie seguro para m im .

— Pode deixar. Ande.

Eu assenti de novo, e, com um últim o olhar para ela, pulei na varanda e abri a porta com um estrondo. Entrei correndo e chutei a porta para fechá-la. De repente, eu soube o que faria, e j á estava horrorizado com igo m esm o. O rosto de Charlie apareceu no corredor.

— Beau, é você?

— Me deixe em paz — falei, com rispidez.

Meus olhos estavam com eçando a ficar verm elhos e úm idos, e eu sabia que teria que m e controlar se quisesse fazer aquilo direito: proteger Charlie, proteger os Cullen e fazer o plano dar certo. Seria m ais fácil se eu não estivesse olhando para ele.

Eu m e virei e corri escada acim a, fechei a porta e tranquei-a. Joguei-m e no chão para pegar m inha bolsa de viagem debaixo da cam a. Enfiei a m ão rapidam ente entre o colchão e o box para pegar a m eia velha am arrada com m inhas econom ias.

Charlie bateu na m inha porta.

— Beau, você está bem ? O que está acontecendo? — Eu vou para casa! — gritei.

Eu m e virei para a côm oda, e Edy the j á estava ali, em silêncio, pegando roupas e j ogando-as para m im . Peguei o que pude e enfiei na bolsa. — Acho que seu encontro não foi bom . — Seu tom de voz estava confuso, porém m ais calm o.

— Ugh, fique fora disso, Charlie — resm unguei. — Ela term inou com você?

— Eu term inei com ela.

Edy the não reagiu ao que eu estava dizendo. Estava totalm ente concentrada. Tirou m inhas coisas de cim a da côm oda e j ogou na bolsa. — Por quê? — perguntou Charlie, surpreso. — Pensei que você gostasse dessa garota.

— Eu gosto. Dem ais.

— Hã… não é assim que as coisas funcionam , filho. Edy the fechou a bolsa; ao que parecia, o tem po de fazer as m alas estava acabado. Ela pendurou a alça no m eu om bro.

— Vou esperar na picape. Vá! — sussurrou ela, e m e em purrou para a porta. Em seguida, sum iu pela j anela.

Eu destranquei a porta e passei por Charlie. Minha bolsa derrubou um a foto da parede quando desci a escada.

Charlie correu atrás de m im e segurou a alça da m inha bolsa, m e puxando um degrau para trás.

— Você está usando drogas, Beau? — perguntou ele. — Não!

— Vá devagar. Não estou entendendo. Me conte o que aconteceu. Ele estava segurando a alça com força. Eu podia largar a sacola, m as isso deixaria um buraco na m inha história. Eu teria que fazer do j eito m ais difícil. Eu m e virei para olhar para ele, torcendo para que a verm elhidão dos m eus olhos parecesse raiva.

— Vou contar o que aconteceu — falei, com a voz m ais dura que consegui im aginar. — Tive um a noite m aravilhosa com a garota m ais bonita que j á vi, e nós falam os sobre o futuro. A form a com o ela vê as coisas… é com o você. Ela vai ficar aqui o resto da vida. Vai se casar, ter filhos e não quer ir em bora nunca. E, por um segundo, isso até fez sentido para m im . Estou m e perdendo aqui, estou sendo sugado. Se eu não fugir agora, não vou sair nunca! — Beau, você não pode ir em bora agora — sussurrou ele. — Está de noite. — Vou dorm ir na picape se ficar cansado.

— Espere só m ais um a sem ana — pediu ele, ainda chocado. — Renée j á estará de volta.

Isso m e tirou com pletam ente dos trilhos.

— O quê?

O alívio ficou evidente no rosto de Charlie quando hesitei. — Ela ligou quando você estava fora. As coisas não estão indo bem na Flórida, e se Phil não assinar um contrato até o final da sem ana, eles vão voltar para o Arizona. O assistente técnico dos Sidewinders disse que eles podem ter um lugar para outro j ogador de segunda base.

Balancei a cabeça, tentando reorganizar os pensam entos agora confusos. Cada segundo que passava colocava Charlie num perigo m aior. — Tenho um a chave — m urm urei, girando a m açaneta. Ele estava perto dem ais, a m ão ainda segurando m inha bolsa, o rosto confuso. Eu não podia perder m ais tem po discutindo com ele. Eu teria que m agoá-lo ainda m ais.

— Me deixe ir, Charlie — falei, entre dentes. E abri a porta. — Não deu certo, está bem ? Eu realm ente odeio Forks! Minhas palavras cruéis fizeram seu trabalho: Charlie soltou m inha bolsa. Sua boca se abriu de surpresa enquanto um a dor profunda surgia em seus olhos. Dei as costas para ele e saí. Eu não podia deixar que ele visse m eu rosto agora. Tentei passar a raiva no m eu j eito de andar, m as senti vontade de correr. O j ardim escuro parecia cheio de som bras adicionais que eu tinha quase certeza de que eram só m inha im aginação. Mas não absoluta. Joguei a bolsa na caçam ba da picape e abri a porta. A chave esperava na ignição. — Ligo para você am anhã! — gritei.

Eu j am ais conseguiria explicar aquilo tudo para ele, j am ais poderia acertar as coisas. Liguei o m otor e arranquei.

Edy the pegou m inha m ão.

— Encoste — disse ela quando Charlie e a casa desapareciam atrás de nós. Mantive os olhos na estrada, tentando controlar o rosto. — Posso dirigir.

De repente, ela se sentou no m eu colo, as m ãos no volante e o pé tirando o m eu do acelerador. Ela entrou no espaço entre m inha perna e a porta e em purrou com o quadril. A picape não oscilou um centím etro, e ela de repente estava no banco do m otorista.

— Você não conseguiria encontrar a casa — explicou ela. De repente, luzes brilharam atrás de nós. Dei um pulo e olhei pelo vidro traseiro. — É só Archie — garantiu-m e ela. Pegou m inha m ão de novo. Quando fechei os olhos, só consegui ver Charlie na soleira da porta. — E a rastreadora?

— Ela ouviu o final de seu teatro. Está correndo atrás de nós agora. Está um quilôm etro e m eio atrás.

Meu corpo ficou gelado.

— Podem os escapar dela?

— Não. — Mas ela acelerou enquanto falava. O m otor da picape gem eu. Meu plano de repente não parecia m ais tão brilhante. Eu estava olhando os faróis do carro de Archie quando a picape trem eu e um a som bra escura disparou do lado de fora da j anela. — E…!

A m ão dela cobriu m inha boca antes que eu pudesse term inar de gritar o aviso. — É Eleanor!

Ela colocou a m ão no m eu j oelho.

— Está tudo bem , Beau — prom eteu ela.

Disparam os para fora da cidade, indo para o norte. — Não percebi que você ainda estava tão entediado com a vida na cidade pequena — disse ela casualm ente, e eu sabia que estava tentando m e distrair. — Parecia que você estava se adaptando m uito bem , em especial recentem ente. Talvez eu só estivesse m e iludindo que estava tornando a vida m ais interessante para você.

— Isso foi golpe baixo — confessei, olhando m eus j oelhos. — Foi a m esm a coisa que m inha m ãe disse quando o deixou. A dor teria sido m enor se eu tivesse dado um soco nele.

— Ele vai perdoar você — prom eteu ela.

Eu fechei os olhos.

— Beau, vai ficar tudo bem .

Olhei para ela.

— Mas não vai ficar tudo bem quando não estiverm os j untos. — São só alguns dias. Não se esqueça de que foi ideia sua. — Isso piora tudo. Por que isso foi acontecer? Não entendo. Ela ficou olhando para a estrada à frente, com as sobrancelhas contraídas sobre os olhos.

— A culpa é m inha. Eu não devia tê-lo exposto desse j eito. Eu segurei a m ão dela.

— Não, não foi isso o que eu quis dizer. Tudo bem , eu estava lá. Grande coisa. Os outros dois não ficaram incom odados. Por que Joss decidiu me m atar? Tem gente em toda parte, pessoas bem m ais fáceis de se pegar. — Olhei por cim a do om bro, para a som bra de Eleanor. — Por que todo esse transtorno por m im ? Edy the hesitou, pensando antes de responder.

— Dei um a boa olhada na m ente dela hoj e — com eçou Edy the, num a voz baixa. — Não tenho certeza de que havia algum a coisa que eu pudesse ter feito para evitar isso depois que ela sentiu seu cheiro. A culpa é parcialm ente sua. — Ela olhou para m im de rabo de olho por um segundo. — Se você não tivesse um cheiro tão absurdam ente delicioso, ela podia não ter nem ligado. Mas, quando eu defendi você… Bom , isso piorou as coisas. Ela não está acostum ada a ser contrariada, por m ais insignificante que sej a o obj eto. Ela se considera um a caçadora, a caçadora. A existência dela é consum ida com a caça, e tudo de que ela m ais gosta na vida é um desafio. De repente, oferecem os um incrível desafio, um grande clã de lutadores fortes, todos determ inados a proteger o único elem ento vulnerável. Você não sabe com o ela está eufórica agora. É seu j ogo preferido, e estam os tornando o j ogo ainda m ais em polgante. — Sua voz estava cheia de repulsa. Ela respirou fundo. — Mas, se eu tivesse ficado de fora, ela o teria m atado lá m esm o! — sibilou ela com frustração. — Eu pensei… que não tinha o m esm o cheiro para os outros… que tenho para você.

— Não tem . Mas isso não quer dizer que ainda não sej a um a tentação para todos eles. Se você fosse atraente para o rastreador ou para qualquer um deles com o é atraente para m im , isso teria significado um a luta lá m esm o. Eu estrem eci.

— Não acho que tenha alternativa a não ser m atá-la agora — m urm urou ela. — Carine não vai gostar.

— Eu tam bém não gosto — sussurrei.

Ela olhou para m im , surpresa.

— Você quer que eu a poupe?

Eu pisquei.

— Não… quer dizer, sim . Não ligo se ela… m orrer. Seria um alívio, não seria? Só não quero que você… E se você se m achucar? O rosto dela ficou rígido.

— Não precisa se preocupar com igo. Eu não luto de form a lim pa. Pude ouvir os pneus atravessando a ponte, em bora não pudesse ver o rio no escuro. Eu sabia que estávam os chegando.

— Com o se m ata um vam piro? — perguntei, em voz baixa. Ela olhou para m im com os olhos inescrutáveis. Quando falou, sua voz soou ríspida.

— A única m aneira de ter certeza é dilacerando-o e depois queim ando os pedaços.

— E os outros dois vão lutar com ela?

— O hom em vai. Não tenho certeza sobre Lauren. Eles não têm um vínculo m uito forte, ela só está com os dois por conveniência. Ficou constrangida pelo com portam ento de Joss na cam pina…

— Mas Joss e Victor, eles vão tentar m atar você? — Minha voz saiu rouca, com o se eu tivesse passado um a lixa no fundo da garganta. — Pare. Concentre-se na sua segurança. E faça o que Archie m andar. — Com o posso não m e preocupar com você? O que quer dizer quando você diz que não luta lim po?

Ela deu um m eio sorriso. Mas seus olhos nem se m overam . — Você j á tentou agir sem pensar? Fora ações involuntárias com o as m usculares e a respiração, isso é m uito difícil de fazer. Principalm ente em um a briga. Vou ver tudo que ela planej ar, cada buraco em sua defesa. O único que consegue usar isso contra m im é Archie, pois ele enxerga o que decido fazer, m as eu tam bém posso ouvir com o ele vai reagir. Costum a dar em pate. Eleanor diz que é trapaça.

Ela parecia relaxada, com o se a ideia de lutar com a caçadora e o am igo dela fosse a parte m ais fácil dessa confusão. Meu estôm ago deu um nó e despencou. — Então Archie não deveria ficar com você? — perguntei. — Se ele luta m elhor do que os outros?

— Eleanor está ouvindo isso tudo, sabe. Ela está ofendida e não está em polgada com a ideia. Faz um tem po que ela não pode brigar sem restrição nenhum a. Ela planej a deixar eu e m eu j ogo suj o fora disso o m áxim o possível. Isso m e fez sentir um pouco m elhor, o que não era j usto com Eleanor. Olhei por cim a do om bro de novo, m as não consegui ver a expressão dela. — Ela ainda está nos seguindo? — perguntei.

Edy the sabia que eu não estava falando de Eleanor. Ela pegou o cam inho escondido. Os faróis de Archie foram atrás. Seguim os direto para a casa. As luzes lá dentro eram fortes, m as pouco faziam para abrandar a escuridão da floresta ao redor. O pátio continuava negro. Eleanor abriu m inha porta antes que a picape tivesse parado. Ela m e puxou do banco, se agachou por baixo do m eu braço, passou o dela pela m inha cintura e m e levou correndo até a porta da frente com m eus pés a trinta centím etros do chão, com o se eu fosse um a boneca de pano gigante.

Ela irrom peu pela grande sala branca com Edy the e Archie nos ladeando. Todos estavam ali, j á de pé. Lauren estava no m eio do círculo. Pude ouvir rosnados baixos na garganta de Eleanor enquanto ela m e baixou ao lado de Edy the. — Ela está nos perseguindo — sibilou Edy the, olhando m alignam ente para Lauren.

A expressão de Lauren era infeliz.

— Era o que eu tem ia.

Archie correu para o lado de Jessam ine e cochichou no ouvido dela. Eles dispararam escada acim a j untos. Roy al os observou e passou rapidam ente para o lado de Eleanor. Seus olhos estavam intensos e, quando se voltaram involuntariam ente para o m eu rosto, hostis.

— O que ela vai fazer? — perguntou Carine a Lauren. — Eu lam ento — respondeu Lauren. — Fiquei com m edo, quando sua garota ali o defendeu, que isso fosse cham ar a atenção de Joss. — Pode im pedi-la?

Lauren balançou a cabeça.

— Nada detém Joss depois que ela com eça.

— Nós vam os detê-la — prom eteu Eleanor. Não havia dúvida de suas intenções. — Não podem derrotá-la — respondeu Lauren. — Jam ais vi algo parecido com ela em m eus 300 anos. Ela é absolutam ente letal. Foi por isso que m e j untei ao bando dela.

O bando dela, pensei, é claro. A exibição de liderança na clareira foi apenas isso, um a exibição.

Lauren estava balançando a cabeça. Olhou para m im , confusa. — Tem certeza de que vale a pena?

O rugido enfurecido de Edy the encheu a sala; Lauren se encolheu. Carine olhou para Lauren.

— Infelizm ente, você vai ter que fazer um a escolha. Lauren entendeu. Ela hesitou por um m om ento. Avaliou cada rosto e observou a sala ilum inada.

— Estou intrigada com o m odo de viver que vocês criaram por aqui. Mas não vou m e introm eter. Não vej o um inim igo em nenhum de vocês, m as não m e colocarei contra Joss. Acho que seguirei para o norte, para aquele clã em Denali. — Ela fez um a pausa. — Não subestim em Joss. Ela tem um a m ente brilhante e sentidos incom paráveis. Parece selvagem , m as fica tão à vontade no m undo hum ano quanto vocês parecem estar. Ela não os enfrentará diretam ente… Lam ento pelo que foi desencadeado aqui. Eu realm ente lam ento. — Ela baixou a cabeça, m as eu a vi disparar outro olhar confuso para m im . — Vá em paz — disse Carine.

Lauren lançou outro dem orado olhar ao redor e desapareceu pela porta. O silêncio durou m enos de um segundo.

Carine olhou para Edy the.

— A que distância?

Earnest j á estava se m exendo; sua m ão tocou um teclado oculto na parede e, com um rangido, persianas de m etal com eçaram a selar a parede de vidro. Fiquei boquiaberto.

— A uns cinco quilôm etros depois do rio. Está rondando para se reunir ao hom em .

— Qual é o plano?

— Vam os despistá-la, depois Archie e Jessam ine o levarão para o sul. — E depois?

A voz de Edy the ficou gelada.

— Assim que Beau estiver longe, vam os caçá-la. — Acho que ela não nos deixou alternativa — concordou Carine, a expressão som bria.

Edy the se virou para Roy al.

— Leve-o para cim a e troquem as roupas.

Roy al ficou olhando para ela, incrédulo.

— Por que eu faria isso? — perguntou ele. — O que ele é para m im ? — Roy … — m urm urou Eleanor, colocando a m ão em seu om bro. Ele a afastou. Meus olhos estavam em Edy the, com m edo de que aquilo a irritasse, m as ela m e surpreendeu. Desviou os olhos de Roy al com o se ele não tivesse falado, com o se ele não existisse.

— Earnest? — perguntou ela calm am ente.

— É claro.

Enquanto falava, ele surgiu ao m eu lado, se abaixando para m e pegar no colo. Subim os a escada antes que eu pudesse registrar o que estava acontecendo. — O que estam os fazendo? — perguntei quando ele m e colocava no chão em um quarto escuro em algum lugar no segundo andar. — Tentando confundir o cheiro. Não vai funcionar por m uito tem po, m as pode dar certa vantagem . — A voz dele soou abafada enquanto ele puxava a blusa pela cabeça.

Arranquei o suéter e entreguei para ele, que m e deu o dele. Tentei enfiar as m ãos nos buracos certos, depois tirei a calça j eans. Nós trocam os. A calça dele ficou um pouco curta, m as deu em m im . Ele m e em purrou para o corredor. Earnest parecia m enor com as m inhas roupas; tinha dobrado a barra da m inha calça j eans. Archie apareceu de repente, um a bolsa de couro pendurada no braço. Cada um deles pegou um cotovelo m eu, e m e carregaram voando escada abaixo.

Parecia que tudo tinha sido resolvido. Edy the e Eleanor estavam prontas para partir, Eleanor com um a m ochila grande no om bro. Carine entregou algum a coisa pequena a Earnest. Ela se virou para Archie e entregou para ele a m esm a coisa, um pequeno celular prateado.

— Earnest e Roy al levarão sua picape, Beau — disse ela enquanto passava. Eu assenti, olhando com cautela para Roy al. Ele fitava Carine com um a expressão ressentida.

— Archie, Jess, peguem o Mercedes. Vão precisar do vidro com película no sul. Eles tam bém assentiram .

— Vam os levar o Jeep.

Carine parou ao lado de Edy the. Percebi que era o grupo de caça e senti vontade de vom itar. Com o chegou a esse ponto? Por que eles ouviram m inha ideia? Era tão obviam ente errada.

— Archie, eles vão m order a isca?

Todos olharam para Archie enquanto ele fechava os olhos e ficava incrivelm ente im óvel. Alguns segundos depois, seus olhos se abriram . — Ela vai perseguir você. O hom em seguirá a picape. Vam os conseguir partir depois disso. — Ele falou com segurança.

— Vam os — disse Carine, indo para a cozinha. Mas Edy the voltou até m im . Ela m e olhou de baixo, com os olhos dourados enorm es e profundos e cheios de um m ilhão de palavras que ela não tinha tem po de dizer e levou as m ãos ao m eu rosto. Eu m e inclinei para baixo, com as m ãos j á no cabelo dela. Pelo m ais curto dos segundos, os lábios dela, gelados e duros, tocaram os m eus.

E acabou. Ela em purrou m eus om bros. Os olhos ficaram vazios, m ortos, na hora que ela deu as costas para m im .

E eles partiram .

Ficam os ali, sem ninguém m e olhar enquanto eu olhava o lugar onde eles estavam antes. Parecia que tinham arrancado a pele do m eu rosto. Meus olhos estavam ardendo.

O m om ento de silêncio se arrastou. Os olhos de Archie estavam fechados de novo. O telefone de Earnest vibrou em sua m ão, e Archie assentiu um a vez. Earnest levou o celular ao ouvido.

— Agora — disse Earnest. Roy al saiu pela porta da frente sem olhar na m inha direção, m as Earnest tocou m eu rosto ao passar. — Tenha cuidado. — Seu sussurro perdurou enquanto eles saíam . Ouvi m inha picape trovej ar e depois desaparecer.

Jessam ine e Archie esperavam . O celular de Archie parecia estar em sua orelha antes m esm o de tocar.

— Edy the disse que o hom em está na trilha de Earnest. Vou pegar o carro. — Ele desapareceu nas som bras, na direção na qual Edy the partira. Jessam ine e eu nos olham os. Ela se postou entre m im e a entrada. — Você está enganado, sabe — disse ela.

— Hã?

— Posso sentir o que está sentindo agora. E você vale tudo isso. A sensação de estar sendo esfolado lentam ente não dim inuiu. — Se algum a coisa acontecer a eles, terá sido em vão. Ela deu um sorriso gentil.

— Está enganado — repetiu ela.

Archie passou pela porta da frente e veio na m inha direção com um braço estendido.

— Posso? — perguntou ele.

— É o prim eiro a pedir perm issão — m urm urei. Archie m e pegou no colo com o Earnest tinha feito e, com Jessam ine nos protegendo, saiu correndo pela porta, deixando as luzes acesas para trás.