A Mágica da Arrumação
Separe por categoria, não por localização
Eu já fui seduzida por esse mito várias vezes. Toda vez que conhecia uma nova dica de arrumação, queria experimentá-la imediatamente. Usava caixas de lenços de papel vazias para guardar itens pequenos e quebrava meu cofrinho para comprar produtos legais que ajudariam na organização. Eu enchia meu quarto com essa parafernália toda e depois admirava meu trabalho, orgulhosa por colocar tudo em seus devidos lugares.
Quando finalmente acordei para a realidade, percebi que meu quarto ainda não estava arrumado, embora estivesse repleto de racks para revistas, prateleiras para livros, divisórias de gavetas e toda espécie de itens para organização. Eu me perguntei: “Por que meu quarto continua bagunçado apesar de todo o meu esforço para guardar as coisas?” Desencantada, analisei o conteúdo de todos esses compartimentos e tive uma revelação. Eu não precisava da maioria daquelas coisas. Acreditava que havia organizado o ambiente, mas a verdade é que eu tinha apenas perdido tempo tirando a bagunça de vista. Foi como se eu tivesse simplesmente escondido aquilo que não servia para nada. Tirar as coisas do campo de visão cria a ilusão de que a bagunça foi eliminada, mas logo logo os compartimentos voltam a ficar cheios e o quarto fica desorganizado novamente. É por isso que a organização deve ser iniciada pelo descarte. Precisamos exercitar o autocontrole e resistir à tentação de guardar os objetos até que tenhamos identificado aqueles de que realmente necessitamos.
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Como já disse, comecei a estudar organização com afinco quando estava no ensino fundamental, e esse estudo consistia basicamente em praticar. Todos os dias eu escolhia um cômodo para arrumar – o meu quarto, o do meu irmão, o da minha irmã, o banheiro. A cada dia planejava que lugar ia limpar e criava grandes campanhas para mim mesma, como “Todo dia 5 é Dia da Sala de Estar!”, “Hoje é o Dia da Despensa”, “Amanhã dominarei os armários do banheiro!”.
Mantive esse hábito mesmo depois de passar para o ensino médio. Ao chegar em casa, ia direto para o cômodo da vez sem sequer tirar o uniforme da escola. Se meu alvo eram as gavetas do banheiro, eu esvaziava o conteúdo de uma delas – que incluía amostras de maquiagem e perfumes, sabonetes, escovas de dente e lâminas de barbear –, separava tudo por categoria, arrumava em caixas e colocava a gaveta de volta no armário. Por fim, admirava a arrumação tão bem-feita e partia para a gaveta seguinte. Passava horas sentada no chão separando os itens que estavam guardados no armário até minha mãe me chamar para jantar.