A Mágica da Arrumação
Livros ainda não lidos: “algum dia” equivale a “nunca”
Perguntar se um objeto inerte e sem uso lhe traz alegria não tem muito sentido. Para decidir se quer ficar com algo ou não, é preciso despertá-lo do período de hibernação. Se os livros já estiverem no chão, mudá-los de lugar já faz diferença. O importante é fazer o objeto ganhar vida. Quando ajudo meus clientes a organizar seus livros, coloco-me diante das enormes pilhas e aliso as capas carinhosamente. De início, eles me olham de maneira estranha, porém acabam se surpreendendo com a rapidez com que conseguem se decidir depois disso.
Se houver livros demais para colocar no chão de uma vez só, separe-os em quatro categorias:
• GERAL (livros que se lê por diversão)
• PRÁTICA (livros de referência, de receitas, etc.)
• VISUAL (coletâneas de fotografias, etc.)
• REVISTAS
Depois de separá-los em pilhas, segure um a um e decida se deseja mantê-lo ou descartá-lo. O critério é o mesmo de sempre: provocar uma sensação de prazer ou não. Lembre-se de que é preciso tocá-los. Não comece a ler os livros, pois isso irá prejudicar seu julgamento, fazendo com que você se pergunte se precisa deles e não se gosta deles. Imagine como seria ter prateleiras contendo apenas livros que você adora. Para quem ama livros, o que poderia trazer mais felicidade?
Livros ainda não lidos
“Algum dia” equivale a “nunca”
As desculpas mais comuns que as pessoas dão para não se desfazerem de um livro são “posso querer ler este livro um dia” ou “posso ter vontade de relê-lo”. Pare um momento e conte quantos são os seus favoritos, aqueles que você realmente irá reler. Quantos são? Para algumas pessoas, esse número não passa de cinco. Para outras, pode chegar a uma centena. Mas, convenhamos, em geral quem lê tantos livros mais de uma vez tem profissões específicas, como escritores ou professores. Então sejamos realistas: na verdade, você vai reler bem poucos dos livros que guarda. Ou seja, assim como acontece com as roupas, você precisa refletir um pouco sobre a função desses objetos.
Livros são essencialmente papel – folhas de papel com letras impressas. Seu verdadeiro propósito é ser lido, é transmitir informações. Essas informações é que têm significado, e não o livro em si. Você lê pela experiência da leitura. Você já teve essa vivência com os livros que leu, já absorveu seu conteúdo, mesmo que não se lembre dele. Logo, no momento de decidir o que irá guardar, não fique pensando se vai querer ler determinado livro de novo ou se domina seu conteúdo. Em vez disso, segure cada livro e sinta se ele o inspira ou não. Mantenha aqueles que lhe deixam feliz apenas por estarem ali, aqueles que você adora de verdade. Isso inclui este livro: se não sentir qualquer alegria ao segurá-lo, prefiro que o jogue fora.
E quanto aos livros que você começou a ler e nunca terminou? Ou aos que comprou mas ainda não começou a ler? O que fazer com esses livros que você pretende ler algum dia? A internet facilitou a compra de livros, porém, como consequência, fez com que as pessoas tivessem muito mais livros não lidos do que antes. Tornou-se comum que as pessoas comprem um livro e pouco tempo depois já adquira outro sem sequer ter lido o primeiro. O problema dos livros que pretendemos ler é que são bem mais difíceis de descartar do que os que já lemos.
Certa vez, dei uma aula de organização para o presidente de uma grande empresa. As estantes do escritório dele eram repletas de títulos pomposos que ele acreditava que um homem em sua posição deveria ler, e havia tanto os clássicos quanto os best-sellers mais recentes. Era como entrar em uma livraria. Tive a sensação de estar naufragando. Tal como eu previra, na hora de decidir, ele incluiu um livro após o outro na pilha de “manter”. Quando terminou, não havia descartado nenhum. Quando o questionei a respeito, ele deu a resposta clássica: “É que posso querer ler esses livros algum dia.” Lamento informar que, pela minha experiência, sei que esse “algum dia” nunca chegará.