A Mágica da Arrumação
Comece direito
Você começa o dia no maior pique para iniciar a arrumação, mas antes que se dê conta o sol está se pondo e você só mexeu em uma pequena parte das coisas. E o que tem nas mãos nesse momento? Provavelmente uma velha revista em quadrinhos que você adorava, um álbum de fotografias ou alguma outra coisa que desperte boas recordações.
Quando digo que você deve começar a organizar por categorias, não quero dizer que possa começar pela categoria que quiser. O grau de dificuldade envolvido na seleção varia muito dependendo do tipo de coisas que você está avaliando. Quando as pessoas param no meio do caminho normalmente é porque iniciam o processo por coisas às quais são apegadas. Itens que trazem recordações, como fotografias, não são indicados como ponto de partida. Não só porque a quantidade costuma ser grande, mas também porque é bem difícil escolher o que guardar ou não.
Além do valor material, existem três outros fatores que agregam valor aos seus pertences: funcionalidade, informações e apego emocional. Quando se acrescenta o elemento da raridade, a dificuldade de desapegar se multiplica.
As pessoas têm dificuldade de se desfazer de coisas que ainda poderiam usar (valor funcional), que contêm informações úteis (valor informativo) e com as quais têm laços afetivos (valor sentimental). Quando tais coisas são difíceis de encontrar ou de substituir (valor de raridade), torna-se ainda mais difícil abrir mão delas.
O processo de decisão sobre o que guardar fluirá com mais suavidade se você começar por itens de menor importância. À medida que avançar para as categorias mais difíceis, irá aperfeiçoar sua habilidade de decidir. As roupas são mais fáceis de descartar porque seu valor de raridade é extremamente baixo. Fotografias e cartas, por sua vez, não só têm alto valor sentimental como também são únicas, portanto devem ficar por último. Isto se aplica sobretudo às fotos, porque é comum depararmos com elas nos lugares mais improváveis – como no meio de livros e outros papéis – quando remexemos itens de outras categorias.
Portanto, a melhor sequência é: roupas, livros, papelada, itens variados e, por fim, itens de apego emocional, incluindo presentes e lembranças. Esta ordem se mostrou a mais eficaz de acordo com o grau de dificuldade para a tarefa seguinte, que é arrumar cada coisa em seu lugar. E, além disso, seguir essa ordem aprimora nossa intuição sobre o que nos traz alegria. Se podemos acelerar significativamente o processo de decisão apenas mudando a ordem do que jogamos fora, não vale a pena tentar?