A Mágica da Arrumação

Marie Kondo · Capítulo 13 de 68

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A Mágica da Arrumação

Como escolher: deixa você feliz?

A descrição foi bem clara, como se ela de fato vivesse daquela maneira. É importante alcançar esse nível de detalhes ao imaginar seu estilo de vida ideal e fazer anotações. Se tiver dificuldade para visualizar o que deseja, dê uma olhada em revistas de decoração e veja que imagens lhe chamam a atenção. Visitar ambientes decorados também pode ser útil. Observar uma variedade de casas diferentes vai ajudar você a descobrir do que gosta.

A propósito, depois de se libertar das profundezas da desorganização, minha cliente pôde enfim aproveitar a aromaterapia, a música clássica e a ioga no ambiente tranquilo e “feminino” que tanto desejava.

Se você já conseguiu definir o estilo de vida dos seus sonhos, está na hora de descobrir por que deseja viver assim. Releia suas anotações e reflita mais uma vez. Por que você quer fazer aromaterapia antes de se deitar? Por que quer ouvir música clássica enquanto faz ioga? Se as respostas forem “Porque quero relaxar antes de dormir” e “Quero praticar ioga para emagrecer”, pergunte-se por que quer relaxar e por que deseja perder peso. Talvez as respostas sejam: “Não quero estar cansado quando sair para trabalhar amanhã” e “Quero emagrecer para ficar com o corpo mais bonito”. Para cada resposta pergunte novamente “Por quê?”. Repita o processo de três a cinco vezes para cada item.

Ao prosseguir examinando seus motivos para a mudança de estilo de vida, você chegará a uma conclusão simples. O objetivo – tanto de se desfazer de coisas quanto de ficar com elas – é basicamente ser feliz. Pode parecer óbvio, mas é importante ter essa consciência. Antes de começar a organização, pense na vida que deseja ter e reflita: “Por que quero organizar minha casa?” Quando encontrar a resposta, você estará pronto para dar o próximo passo: analisar o que possui.

 

Como escolher: deixa você feliz?

Que critério você costuma usar para decidir o que vai jogar fora?

Existem diversos padrões de descarte. Um deles é se desfazer de coisas que deixaram de ser úteis, como algo que quebra e não tem mais conserto, ou um aparelho com uma peça importante faltando. Outro é descartar coisas desatualizadas, como roupas fora de moda e itens relacionados a épocas passadas. É fácil jogar objetos fora quando há um motivo óbvio para fazê-lo, mas admito que é complicado abrir mão de coisas sem uma razão concreta. Especialistas também criaram critérios como “Jogue fora tudo o que não usa há um ano” e “Se não consegue se decidir, guarde os objetos em uma caixa e torne a analisá-los seis meses depois”. No entanto, quando você se preocupa em como escolher o que vai jogar fora, acaba perdendo o foco e se arriscando a colocar tudo a perder.

A certa altura da vida, passei a me desfazer de coisas descontroladamente. Meu objetivo era me livrar do maior número possível de itens. Doava roupas que não usava mais, jogava fora um item cada vez que comprava algo novo, descartava tudo aquilo sobre o qual tinha dúvida. No entanto, não conseguia manter nada arrumado.

Isso estava me deixando cada vez mais estressada. Um dia me peguei indo fazer compras para relaxar – ou seja, daquela forma não conseguiria diminuir a quantidade de coisas que possuía. Não conseguia ficar tranquila, passava o tempo todo à caça de coisas supérfluas.

Certa vez, ao voltar da escola, abri a porta do meu quarto e senti um enorme desespero ao ver o ambiente todo bagunçado, apesar do meu esforço diário. “Não quero mais passar por isso!”, gritei. Sentei-me no chão, olhei em volta e comecei a pensar. Havia passado três anos organizando e descartando coisas, mas parecia não ter adiantado nada. Alguém pode me dizer por que meu quarto não está arrumado se trabalho duro todo dia para organizá-lo? Não falei em voz alta, mas estava gritando por dentro. Naquele instante ouvi uma voz interior: “Olhe com mais atenção.”

Como assim? Todos os dias olho tão atentamente que poderia achar as coisas de olhos fechados. Com esse pensamento ainda na mente, adormeci deitada no chão. Se tivesse sido um pouco mais perspicaz na época, antes de me tornar tão neurótica teria percebido o erro de colocar o foco apenas no descarte. Isso só traz infelicidade. Por quê? Porque devemos escolher as coisas que queremos guardar e não aquelas de que queremos nos livrar.

Quando acordei, soube imediatamente o que a voz em minha cabeça queria dizer. Olhe com mais atenção. Tinha me concentrado tanto no que não queria que me esqueci de apreciar as coisas de que gostava. Por meio dessa experiência, concluí que a melhor maneira de fazer a triagem do que fica e do que sai é segurar cada item e indagar: “Isso me traz alegria?” Se a resposta for afirmativa, guarde-o. Caso contrário, jogue-o fora. Este não só é o critério mais simples, como também o mais preciso.