A Mágica da Arrumação

Marie Kondo · Capítulo 59 de 68

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A Mágica da Arrumação

Aprenda que você pode viver sem

Todo esse processo pode ser doloroso. Ele nos força a confrontar nossas imperfeições e inadequações, e a encarar as escolhas erradas que fizemos no passado. Várias vezes, ao avaliar minhas coisas, senti uma certa vergonha: as roupas que comprei na adolescência para parecer mais velha, embora não me caíssem bem; as bolsas que comprei porque gostei quando vi na vitrine, mas que não tinham a minha cara e nunca usei; e por aí vai. As coisas que possuímos são reais, existem aqui e agora como resultado de escolhas do passado. É um erro ignorá-las ou descartá-las como forma de negá-las. Somente quando encaramos nossos pertences um a um e experimentamos os sentimentos que provocam é que podemos definir nossa relação com eles.

Há três maneiras possíveis de lidar com nossos pertences: encará-los agora, algum dia ou evitá-los até a morte. A escolha é sua. Acredito piamente que é bem melhor encará-los agora. Se reconhecermos o apego ao passado e o medo do futuro ao analisar com sinceridade nossas coisas, conseguiremos enxergar o que é realmente importante. E isso vai nos ajudar a identificar nossos valores e a reduzir a dificuldade de tomar decisões. Se nos lançarmos com entusiasmo nesse movimento sem deixar que os receios nos travem, poderemos conquistar muito mais. Assim, quanto mais cedo confrontarmos o passado, melhor. Se pretende colocar a casa em ordem, comece agora.

 

Aprenda que você pode viver sem

Assim que se lançam para valer na organização, as pessoas enchem sacos e mais sacos de lixo com objetos para jogar fora ou doar. O recorde até agora pertence a um casal que encheu 200 sacos – isso sem contar com os objetos grandes demais que não couberam dentro deles. A quantidade média descartada por uma só pessoa chega facilmente a 30 sacos de lixo de 45 litros; no caso de uma família de três integrantes, cerca de 70 sacos. Apesar desses números exorbitantes, meus clientes não sentem falta de nada no dia a dia. E a razão é bem clara: desfazer-se de coisas que não dão alegria não provoca efeitos colaterais. Tudo o que fica é a certeza de que estavam cercados de coisas desnecessárias.