A Mágica da Arrumação

Marie Kondo · Capítulo 37 de 68

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A Mágica da Arrumação

Itens de valor sentimental: a casa dos pais não é um refúgio para as recordações

Produtos que foram tendência nos cuidados com a saúde

Cintas emagrecedoras, garrafas de vidro para produzir óleos aromáticos, um extrator de sucos especial, uma esteira ergométrica – parece um desperdício descartar itens caros, nos quais você depositou tantas esperanças. Mas a verdade é que você quase nunca usou nada disso. Eu sei o que você está sentindo nesse momento, mas acredite: você vai ser capaz de se desapegar dessas coisas. A felicidade que sentiu ao comprá-las é o que conta. Não adianta mantê-las pensando no que você pretendia fazer quando as comprou. Assim, expresse gratidão pela contribuição que deram à sua vida, depois descarte-as com a convicção de ter ficado mais saudável por causa delas.

Brindes

Um limpador de tela de celular que você ganhou ao comprar uma bebida, uma caneta esferográfica com o nome da sua empresa gravado, o ventilador que você recebeu de prêmio em um evento, um bonequinho que veio com um refrigerante, um jogo de copos plásticos que ganhou numa rifa, óculos com a logomarca de um fabricante de cerveja, bloquinhos adesivos com o nome de uma companhia farmacêutica estampado, um pacotinho com apenas cinco folhas de lenços de papel, um calendário promocional (ainda na embalagem), um calendário de bolso (sem uso apesar de já terem se passado vários meses). Nenhuma dessas coisas vai lhe proporcionar qualquer prazer. Jogue-as fora sem pestanejar.

 

Itens de valor sentimental

A casa dos pais não é um refúgio para as recordações

Agora que você já organizou suas roupas, seus livros, papéis e komono, já pode partir para a última categoria: os itens de valor sentimental. Deixo-os para o final por serem mais difíceis de descartar. Tal como a palavra sugere, uma lembrança nos faz recordar uma época em que determinado objeto nos trouxe alegria. A ideia de jogá-la no lixo desperta o medo de, com isso, percamos também as memórias que ela carrega. Mas não se preocupe, memórias realmente valiosas nunca desaparecerão, nem mesmo se você se desfizer dos objetos relacionados a elas. Vivemos no presente e não podemos ficar presos ao passado, não importa quanto as coisas tenham sido maravilhosas. A alegria e o entusiasmo que sentimos aqui e agora é o que interessa. Portanto, mais uma vez, a melhor maneira de escolher os objetos que vai manter é segurar cada um e perguntar: “Isto me traz alegria?”

Vou contar o que aconteceu com uma cliente que chamarei de A. Aos 30 anos, A era mãe de duas crianças e morava junto com cinco pessoas. Quando fui à casa dela para a nossa segunda sessão, percebi que a quantidade de objetos na casa tinha diminuído muito.

– Você realmente se empenhou. Deve ter enchido uns 30 sacos de lixo – comentei.

Muito satisfeita, ela disse:

– Sim, me empenhei muito! Mandei todas as coisas que guardo como recordação para a casa da minha mãe.

Mal pude acreditar no que tinha ouvido. Ela havia praticado o método de organização chamado “enviar as coisas para a casa dos pais”. Quando comecei a trabalhar nessa área, achava que tal possibilidade era privilégio de poucos. Muitos dos meus clientes eram mulheres solteiras ou jovens mães que moravam em apartamentos pequenos. Quando me perguntavam se podiam guardar algumas coisas com os pais, eu respondia que sim, desde que o fizessem da forma correta. Só fui me dar conta do meu erro quando minha clientela cresceu e eu descobri o real estado da casa desses pais.

Aprendi que despachar objetos para outro lugar é como empurrar a sujeira para debaixo do tapete. Ainda que a casa de seus pais seja grande e tenha cômodos sobrando, você não deve usá-la como extensão da sua. Até porque as caixas que são enviadas, em geral, nunca mais são abertas.

Bem, depois de algum tempo, a mãe de A também resolveu ter aulas comigo. Quando visitei a casa, constatei que o quarto de A tinha sido mantido intocado: os pertences dela preenchiam toda a estante e agora havia duas grandes caixas no chão. O sonho da mãe era ter um espaço só para ela, onde pudesse relaxar, mas era impossível, pois o único lugar disponível era o quarto que estava tomado pelas coisas de A – que, aliás, já não morava ali fazia muito tempo. Isso não parecia certo. Entrei em contato com a jovem e declarei: