A Mágica da Arrumação
Uma categoria por vez
Você pode questionar a eficácia de um critério tão vago, porém o truque é avaliar os itens um a um. Não basta abrir o guarda-roupa, dar uma olhada e decidir que tudo ali faz você se sentir bem. É preciso segurar cada peça de roupa nas mãos. Quando tocamos uma roupa o corpo reage – e reage de forma diferente de acordo com a peça. Pode acreditar, experimente.
Há um motivo para eu ter escolhido este critério. Afinal, qual é a razão de se fazer a organização? Se não for para que o ambiente e as coisas dentro dele nos tragam felicidade, não vejo sentido em organizar. Assim, a melhor forma de escolher o que guardar e o que descartar é pensar se aquilo nos faz felizes.
Você fica feliz usando roupas que não lhe trazem nenhuma sensação boa?
Você fica alegre rodeado de livros que nunca leu e que sabe que não irão tocar seu coração?
Acredita que ter acessórios que nunca vai usar lhe deixará contente?
A resposta a essas perguntas deve ser “não”.
Então mantenha apenas as coisas que lhe falam ao coração e tome coragem para jogar fora todo o restante.
Agora, imagine viver num ambiente que só contenha coisas que lhe dão alegria. Não é esse o estilo de vida dos seus sonhos?
Uma categoria por vez
O passo mais importante na organização é decidir o que manter, com base no critério do que lhe traz ou não alegria. Mas que atitudes concretas são necessárias para eliminar o excesso com eficiência?
Vou começar dizendo o que não deve ser feito. Não comece a selecionar os itens de acordo com a localização. Não pense: “Vou arrumar o quarto primeiro e depois passarei para a sala de estar” ou “Vou arrumar as gavetas uma a uma, começando de cima para baixo”. Essa estratégia é um erro fatal. Por quê? Porque, conforme vimos antes, geralmente as pessoas não têm o cuidado de guardar coisas semelhantes em um só local.
Na maioria dos casos, itens da mesma categoria são armazenados em dois ou mais locais pela casa. Se, por exemplo, você começar a arrumação pelo armário do quarto, quando acabar de separar o que fica e o que sai é provável que encontre peças de roupa que tinha guardado em outro lugar: um casaco que estava apoiado na cadeira da sala, algumas camisas no cesto de passar, roupas de inverno dentro de uma mala num canto qualquer. Então, terá de repetir todo o processo de escolher e guardar essas roupas, desperdiçando tempo e esforço – e isso pode acabar com a sua motivação; portanto, deve ser evitado.
É por esse motivo que você deve sempre pensar em termos de categoria e não de localização. Antes de escolher o que manter, reúna tudo o que se enquadra no mesmo grupo. Tire do armário todos os respectivos itens e coloque-os num mesmo lugar. Para ilustrar, vamos continuar com o exemplo das roupas. Depois que decidir começar pelas roupas, vasculhe todos os cômodos da casa e leve todas as peças que encontrar para o mesmo local, espalhando-as no chão. A seguir, segure cada peça e avalie se ela faz com que você se sinta bem. Você deve ficar somente com essas e nenhuma a mais. Siga esse procedimento em relação a todas as categorias. Se tiver roupas demais, por exemplo, pode classificá-las em subcategorias, como blusas e casacos, calças e bermudas, meias, etc., e avaliar uma subcategoria de cada vez.
Reunir todos os itens num só lugar é essencial para o processo, pois lhe dará uma visão precisa da quantidade de coisas que possui. As pessoas normalmente se espantam com o volume, que costuma ser o dobro do que haviam imaginado. Ao colocar tudo junto você poderá comparar os itens semelhantes, facilitando a decisão de quais manter.
Outra boa razão para retirar todos os itens da mesma categoria dos armários, gavetas e cômodas e espalhá-los no chão é que coisas que ficam fora da vista entram em “estado de hibernação”, o que torna mais difícil saber se aquilo lhe dá alegria ou não. Expondo-as à luz do dia para “ganhar vida” novamente, será mais simples julgar o que toca seu coração.
Não se esqueça: junte absolutamente tudo o que for da mesma categoria. Não deixe nada passar despercebido.