A Mágica da Arrumação
Livros para guardar: aqueles que estão no Hall da Fama
Se você perdeu a chance de ler determinado livro, ainda que tenha sido recomendado ou que você tenha desejado lê-lo tempos atrás, esta é a sua chance de libertá-lo. Você pode ter desejado lê-lo quando o adquiriu, mas se não o fez até agora a função desse livro foi ensinar que você não precisava dele. Não há necessidade de terminar livros que você para de ler na metade. Portanto, livre-se de todos eles. Será bem melhor ler um livro que realmente desperta seu interesse hoje do que um que deixou acumular poeira durante anos.
Pessoas com extensas coleções geralmente são leitoras assíduas. Por isso não é raro ver muitos livros de referência e guias de estudo nas estantes de clientes com esse perfil. Encontro uma infinidade de livros técnicos, cujos temas vão de contabilidade a filosofia, de computação a aromaterapia. Já vi adultos que guardam até seus livros da época da escola.
Se você possui muitos livros não lidos, aconselho que pare de insistir que irá lê-los e se livre de todos hoje mesmo. Por quê? Porque as chances de você pegar neles são mínimas. Estatisticamente, apenas 15% dos meus clientes de fato leem algum livro que ficou muito tempo na lista dos não lidos. Quando questionadas sobre o motivo de guardarem tantos exemplares sem utilidade, as pessoas costumam responder: “Eu gostaria de aprender mais sobre isso”, “Vou voltar a estudar quando tiver um pouco mais de tempo”, “Achei que seria útil aprender inglês”, “Queria ler sobre contabilidade porque trabalho com administração” e outras coisas que giram em torno de algo que pretendem fazer “algum dia”.
Se até hoje você não fez o que pretendia, jogue o livro fora. Só depois de descartá-lo você poderá avaliar o seu nível de interesse por aquele assunto. Se não sentir falta, então você fez o que devia fazer. Se você quiser tanto o livro a ponto de estar disposto a comprar outro exemplar, compre um – e desta vez leia-o.
Livros para guardar
Aqueles que estão no Hall da Fama Hoje em dia, minha coleção possui no máximo 30 volumes. Eu amo livros e sempre tive muita dificuldade em descartá-los. A primeira vez que organizei minha biblioteca usando como critério a alegria que os livros me proporcionavam fiquei com 100 títulos na estante. Embora não fosse muito, achei que dava para reduzir ainda mais esse número e resolvi olhar o que eu tinha com mais cuidado. Comecei pelos livros cujo descarte era um verdadeiro tabu. O primeiro da lista era Alice no País das Maravilhas, que li inúmeras vezes desde a infância. Livros assim, que integram o que chamo de Hall da Fama, são fáceis de identificar. Em seguida, analisei os livros que me davam prazer, mas não a ponto de entrar para o Hall da Fama. Ao longo dos anos, os títulos que integram essa categoria mudam, junto com os nossos interesses. Mas a ideia é sempre manter apenas o que estiver nessa lista no momento.
Os mais difíceis de descartar são aqueles livros que nos proporcionam um prazer moderado – aqueles que têm trechos que nos ensinaram algo e que podemos querer reler. Mesmo não tendo a menor vontade de me desfazer deles, não podia ignorar o fato de que só me davam um pouco de alegria. Assim, comecei a buscar uma maneira de me desapegar deles sem arrependimentos e acabei chegando ao “método de redução de volume”. Ciente de que o que me interessava não era o livro em si mas sim algumas informações que ele continha, achei que se mantivesse somente o necessário eu seria capaz de jogar fora o restante.
Minha ideia era copiar as frases inspiradoras num caderno. Com o tempo, ele se tornaria um acervo pessoal de palavras de sabedoria favoritas. Seria divertido relê-lo anos depois e ver aonde meus interesses teriam me levado. Empolgada, peguei um caderno bem bonito e coloquei o plano em prática. Comecei sublinhando o que ia copiar, em seguida escrevi o título do livro no alto da página e comecei a transcrever as frases. Mas logo percebi que era um processo trabalhoso demais. Era demorado fazer as transcrições; e ainda tinha que escrever com uma letra caprichada para eu conseguir ler no futuro. Fiz as contas e descobri que copiar 10 trechos de um único livro levaria pelo menos meia hora. Só de pensar em fazer isso com 40 livros fiquei tonta.
Meu plano seguinte foi fazer fotocópias. Eu tiraria xerox dos trechos que me interessassem, recortaria e colaria no caderno. Seria bem mais fácil e rápido. Mas, quando tentei, percebi que também era muito trabalhoso. Então decidi arrancar as páginas importantes dos livros. Colar as folhas no caderno também era chato, então simplesmente passei a guardá-las numa pasta. Gastei somente cinco minutos em cada livro, me livrei de 40 exemplares e mantive as passagens que me agradavam. Fiquei bastante satisfeita com o resultado. Dois anos após criar este “método de redução de volume”, me dei conta de que nunca tinha aberto a pasta. Tanto esforço apenas para aliviar minha consciência.