A Mágica da Arrumação

Marie Kondo · Capítulo 16 de 68

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A Mágica da Arrumação

Não deixe sua família ver

Encarar a maratona de organização gera uma pilha de lixo. Neste momento, a coisa mais desastrosa que pode acontecer é a entrada daquela especialista em reciclagem conhecida como “mãe”.

Uma cliente, que chamarei de M, morava na mesma casa havia 15 anos, com os pais e o irmão. M não apenas adorava roupas como guardava as que possuíam algum valor sentimental, como antigos uniformes de escola e camisetas confeccionadas para diversos eventos. Guardava-as em caixas no chão do quarto, e tinha tantas caixas que não dava para ver o piso. Foram necessárias cinco horas para organizar tudo. No final, ela havia enchido 15 sacos de itens descartados, sendo oito sacos só de roupas e o restante com 200 livros, vários bichos de pelúcia e peças de artesanato que tinha confeccionado na escola. Colocamos os sacos no chão, perto da porta, e o piso finalmente ficou visível. Eu estava prestes a lhe ensinar uma importante lição.

– Há um segredo que você precisa saber a respeito de se livrar de todo esse lixo – comecei, então a porta se abriu e sua mãe entrou carregando copos com chá gelado numa bandeja.

“Essa não!”, pensei.

A mãe apoiou a bandeja numa mesa.

– Obrigada por ajudar tanto a minha filha – disse ela, e virou-se para sair. Nesse exato momento, ela viu os sacos junto à porta. – Você vai jogar isso fora? – perguntou, apontando para um tapete de ioga rosa no topo da pilha.

– Faz dois anos que não uso, mãe.

– Sério? Bem, talvez eu use – afirmou, e começou a remexer os sacos. – Talvez isso possa ser útil também.