A Mágica da Arrumação

Marie Kondo · Capítulo 46 de 68

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A Mágica da Arrumação

Esqueça a ideia de ter o que mais usa sempre à mão

Esqueça a ideia de ter o que mais usa sempre à

mão

Quando uma cliente de 50 anos terminou de selecionar e guardar as próprias coisas, partimos para os pertences de seu marido. Ela explicou que ele gostava de ter tudo à mão, fosse o controle remoto ou um livro. Ao examinar o ambiente em que viviam, percebi que as coisas do marido estavam distribuídas por todos os cômodos da casa. Havia uma pequena estante para seus livros ao lado do banheiro, um lugar para suas pastas no hall de entrada e um gaveteiro para meias e cuecas perto da banheira. Sempre insisto que as coisas fiquem concentradas num único lugar, portanto disse à cliente que, a partir daquele momento, as meias, cuecas e pastas dele deveriam ser guardadas no armário. Ela ficou um tanto ansiosa e comentou: “Mas ele gosta de ter as coisas onde as usa. E se ficar chateado?”

É bastante comum definir o local onde as coisas ficam guardadas tomando por base a facilidade para acessá-las, porém essa estratégia é uma armadilha fatal. A origem da bagunça é a incapacidade de recolocar as coisas em seus devidos lugares, portanto a organização deve simplificar o ato de guardá-las e não de pegá-las. Quando queremos pegar um objeto, temos um objetivo em mente e em geral não nos incomodamos com o esforço necessário para apanhá-lo, a não ser que isso requeira um trabalho enorme.

Bagunçamos a casa porque não conseguimos guardar as coisas ou porque não definimos um lugar para elas. Se não damos atenção a esse ponto fundamental, tendemos a estabelecer um sistema que resultará em desordem. Pode não parecer, mas a ideia de que é mais conveniente manter tudo ao alcance das mãos é totalmente equivocada.

Muitas pessoas planejam a organização priorizando os ambientes onde há maior movimentação, mas por que você acha que há mais circulação de gente em alguns cômodos do que em outros? Em quase todos os casos isso não é determinado pelo que a pessoa faz ao longo do dia, e sim pelo lugar onde guarda as coisas. Quando adotamos esse método, acreditamos que acondicionamos os objetos de maneira que acompanhe nosso comportamento, mas inconscientemente, ajustamos nosso comportamento com base no local onde as coisas estão guardadas. Seguir esse esquema de circulação nos leva a distribuir os pontos de armazenamento pela casa toda, e isso aumenta as chances de acumularmos mais coisas e nos esquecermos do que já temos.