A Mágica da Arrumação

Marie Kondo · Capítulo 63 de 68

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A Mágica da Arrumação

Como identificar o que é realmente valioso

Os conceitos que norteiam o feng shui são as forças opostas do yin e yang, bem como os cinco elementos (metal, madeira, água, fogo e terra). O princípio básico é que tudo tem sua própria energia e cada coisa deve ser tratada de acordo com suas características específicas, o que me parece perfeitamente natural. Essa filosofia, na verdade, consiste em viver em consonância com as regras da natureza – e o objetivo do meu método de organização é exatamente o mesmo. Para mim, o real propósito da organização é viver no estado mais natural possível. Não considero natural guardar coisas que não me trazem alegria.

Ao colocar a casa em ordem, passamos a ficar cercados apenas daquilo que realmente nos importa. Se isso é sorte, estou convencida de que esta é a melhor maneira de atraí-la.

 

Como identificar o que é realmente valioso

Às vezes, quando um cliente conclui o processo de seleção, pego alguns itens da pilha do que será mantido e pergunto novamente: “Esta camiseta, este suéter… eles realmente lhe dão alegria?”

Com um olhar de espanto, o cliente responde: “Como você sabia? São exatamente as coisas que estava em dúvida se deveria manter ou não.”

Eu sei porque observo os clientes enquanto estão escolhendo – a forma como seguram a peça, o brilho nos olhos ao tocá-la, a velocidade com que decidem. Quando é algo que lhes dá alegria, a decisão costuma ser instantânea, seguram a peça com delicadeza e os olhos faíscam. A reação é claramente diferente quando estão na dúvida: inclinam a cabeça, franzem o cenho, apertam os lábios. Após refletir por alguns instantes, jogam a peça na pilha do que será mantido com certa hesitação. A alegria se manifesta no corpo, e esses sinais físicos não me escapam.

Para ser sincera, consigo perceber quando uma peça de roupa está “na pilha errada” mesmo sem acompanhar a arrumação. Antes de visitar a casa, dou uma aula sobre o Método KonMari. Então, quando vou conhecer o local pessoalmente, a pessoa já deu início à arrumação.

Uma de minhas melhores alunas já havia descartado 50 sacos de lixo quando fui à sua casa pela primeira vez. Orgulhosa, abriu as gavetas e o armário, e disse: “Não há mais nada para tirar daqui!” O quarto estava muito diferente do que eu tinha visto nas fotos que ela me mostrara. O suéter que estava largado sobre a cômoda agora estava dobrado cuidadosamente e guardado, e os vestidos que estavam apinhados no varão do armário estavam bem espaçados. Ainda assim, peguei uma jaqueta de couro marrom e uma camisa bege. Não havia nada nelas que as diferenciasse das demais peças. Ambas estavam em bom estado e pareciam já ter sido usadas.

– Estas peças realmente lhe dão alegria? – indaguei.

A expressão em seu rosto mudou na hora.

– Adorei o modelo dessa jaqueta, mas eu queria mesmo uma preta. Não tinha preta do meu tamanho, então resolvi comprar a marrom mesmo.

– E a camisa?

– Gostei tanto do modelo e do tecido que comprei duas. Usei uma delas até não poder mais, e aí, por algum motivo, não tive mais vontade de usar a outra.

Eu nunca tinha visto como ela tratava essas peças nem sabia nada sobre as circunstâncias da compra. Tudo o que fiz foi observar atentamente as roupas penduradas no armário. Ao examinar as coisas de perto, aprendemos a discernir se são motivo de alegria para seu dono. Quando uma mulher está apaixonada, ela muda visivelmente, irradiando energia e vivacidade. Da mesma forma, objetos que são tratados com carinho têm uma aura diferente. É por isso que basta dar uma olhada para saber se um objeto traz alegria de verdade. A emoção genuína da alegria está no corpo e nos pertences, logo não pode ser escondida.