A Mágica da Arrumação
Arrumando as roupas: dobre do jeito certo e acabe com o problema de espaço
Parece desperdício jogar fora uma coisa que ainda está em perfeitas condições de uso, principalmente se você a comprou. Nesses casos, meus clientes geralmente perguntam se podem manter essas roupas para usar em casa. Se eu respondesse que sim, a pilha de roupas de usar em casa ficaria cada vez maior e a quantidade total de roupas jamais diminuiria.
Admito que já fiz isso. Separei um monte de casacos velhos, blusas fora de moda ou vestidos que não me caíam bem para usar dentro de casa em vez de descartá-los. Mas, no fundo, eu não usava nem 10% dessas roupas.
Descobri que boa parte dos meus clientes também tinha sua coleção de “roupas de casa” sem uso. As explicações para isso sempre sugeriam algo como “Essas roupas não são muito confortáveis” ou “A verdade é que eu não gosto muito delas. Só as mantive porque estão novas e acho uma pena jogar fora”. Em outras palavras, guardar peças rejeitadas é simplesmente uma maneira de adiar o descarte.
A meu ver, não faz sentido manter roupas de que não gostamos para usá-las em casa e na hora de relaxar. Nossos momentos em casa são preciosos e não devem ser menosprezados apenas porque ninguém vai nos ver. Portanto, a partir de hoje, acabe com o hábito de reaproveitar peças que não lhe agradam como roupas de usar em casa. O verdadeiro desperdício não é se desfazer das roupas que não lhe trazem alegria, mas sim guardá-las apesar do seu esforço para criar uma vida diferente. Justamente porque ninguém irá ver você, é importante usar roupas que reforcem uma autoimagem positiva.
O mesmo se aplica aos pijamas. As mulheres devem vestir peças femininas e elegantes para dormir. A pior coisa que podem fazer é usar um conjunto velho de moletom. Sim, dormir com roupas velhas é confortável, mas não é nem um pouco atraente – e isso tem um enorme impacto em sua autoimagem e, consequentemente, em sua autoestima.
Arrumando as roupas
Dobre do jeito certo e acabe com o problema de espaço
Após terminar o processo de seleção, meus clientes costumam ficar com algo entre um terço e um quarto das roupas que tinham inicialmente. Com as peças escolhidas empilhadas no chão, é chegada a hora de começar a arrumá-las em seus devidos lugares. Mas antes de falar sobre esse próximo passo, gostaria de lhe contar uma história.
Atendi uma cliente que reclamava de não ter espaço suficiente para guardar todas as suas roupas. Quando fui à casa dela, descobri que ela tinha dois armários enormes e uma arara repleta de peças penduradas. Na hora em que abri os guarda-roupas, meu queixo caiu. Calculei por alto que ela devia ter mais de duas mil peças de roupa. Cuidadosamente pendurados em cabides estavam não apenas casacos e saias, mas também camisetas, suéteres, bolsas e lingeries.
Minha cliente, que era uma dona de casa de cerca de 50 anos, imediatamente iniciou uma detalhada explicação acerca de sua coleção de cabides. “Este é fabricado especialmente para roupas de tricô, para não deixar que as peças escorreguem. Estes aqui foram feitos à mão, comprei-os na Alemanha.” Após um discurso de cinco minutos, ela sorriu para mim e disse: “Roupas penduradas não amarrotam e duram mais, certo?” Depois de fazer algumas perguntas, descobri que ela não dobrava absolutamente nada.
Existem duas maneiras de guardar roupas: pendurá-las em cabides ou dobrá-las e colocá-las em gavetas. É compreensível que as pessoas prefiram pendurar as roupas, pois é menos trabalhoso. No entanto, recomendo que, como método principal, você dobre as peças. Mas é tão chato dobrar roupas! Se é isso que está pensando, é porque ainda não descobriu a diferença que faz em termos de economia de espaço.
Ainda que isso dependa da espessura das roupas, é possível guardar de 20 a 40 peças no mesmo espaço em que se penduram 10 cabides. A cliente que citei acima tinha apenas um pouco mais de roupas do que a média das pessoas. Se ela dobrasse suas coisas não teria nenhuma dificuldade de guardá-las. Pode-se resolver todos os problemas de falta de espaço simplesmente dobrando as roupas com cuidado e do jeito certo.
E essa não é a única vantagem de dobrá-las; o real benefício é que isso nos obriga a manusear cada peça. Ao passar as mãos pelo tecido, transferimos nossa energia para a roupa. Em japonês, “curar” é “te-ate”, que significa “colocar as mãos”. A expressão vem de uma época anterior à medicina moderna, em que se acreditava que apoiar as mãos sobre um ferimento promovia a cura. Sabemos que o toque carinhoso dos pais possui um efeito calmante nas crianças. De forma semelhante, uma massagem firme, porém gentil, com as mãos é bem mais eficaz para relaxar músculos tensionados do que ser esmurrado por uma máquina massageadora. A energia que flui das mãos parece curar tanto o corpo quanto a alma.