A Mágica da Arrumação
Enfeite seu armário com seus objetos favoritos
“Por favor, não abra isso!” é uma frase que ouço com frequência. Normalmente, meus clientes têm uma gaveta, uma caixa ou um armário que não querem que eu veja. Todos temos coisas que consideramos importantes e que queremos esconder dos outros. Os itens mais comuns são pôsteres de ídolos pop e outras recordações de artistas, além de livros e recortes relacionados a gostos pessoais. Tudo isso costuma estar no fundo do armário ou dentro de alguma caixa. É uma pena, pois seu quarto deveria ser o local onde você pode apreciar as coisas que lhe falam ao coração. Então, se gosta de algo, não o esconda. Transforme seu espaço de arrumação num local onde pode ter privacidade e viver momentos prazerosos. Use seus tesouros para decorar o fundo do armário ou a parte de dentro da porta.
Você pode decorar o guarda-roupa com o que desejar, seja secreto ou não. Pôsteres, fotografias, enfeites, o que quiser, não há limites para isso. Ninguém vai criticá-lo, pois o espaço é seu e você tem o direito de fazer dele o que quiser. Ele é seu paraíso particular; logo, personalize-o ao máximo.
Desembrulhe e tire a etiqueta de roupas novas na
hora
Uma das coisas que me impressionam quando ajudo clientes na organização é a quantidade de objetos que eles mantêm na embalagem. No caso de comida e de artigos de higiene é compreensível, mas o que dizer de roupas guardadas na gaveta ainda na embalagem? Dessa forma elas ocupam mais espaço e têm mais chances de serem esquecidas.
Meu pai gostava de acumular meias. Toda vez que ia ao supermercado, comprava meias de cor cinza ou preta para combinar com os ternos e as guardava na gaveta sem retirá-las da embalagem. Sempre achei que esse hábito fosse exclusividade do meu pai, porém descobri que muita gente faz o mesmo. O estoque costuma ser de artigos que as pessoas usam com frequência, em geral meias, meias-calças e roupas íntimas. A quantidade tende a ser bem superior à real necessidade. Fiquei espantada ao constatar que essas pessoas compram novas peças sem sequer terem desembrulhado as que compraram anteriormente. Uma vez, encontrei 82 pares de meias na casa de um cliente. Ainda na embalagem, enchiam uma caixa plástica grande.
Quando adquirimos algo novo, é mais fácil jogar na gaveta sem desembrulhar, e talvez haja um prazer especial em abri-lo na primeira vez que vamos usá-lo. Mas a única diferença entre os objetos embrulhados na sua gaveta e os que estão na loja é o lugar onde estão guardados. As pessoas acreditam que economizam dinheiro quando compram em liquidações, mas acho que acontece exatamente o contrário. Se você compra porque está barato, acaba levando coisas de que não precisa e que muitas vezes nem chega a usar. Por outro lado, se só adquirir os produtos na hora que precisar, comprará menos e os manterá mais novos e em melhores condições. Por isso, controle o impulso de fazer estoques. Compre apenas aquilo de que de fato necessita, tire-o da embalagem imediatamente e guarde-o.
O item que as pessoas mais costumam deixar na embalagem é a meia-calça. Elas ocupam 25% menos espaço quando são retiradas da embalagem e enroladas da maneira que ensinei. A probabilidade de virem a ser usadas também aumenta, porque o acesso a elas fica facilitado.
Também não entendo por que as pessoas guardam roupas com a etiqueta. Costumo encontrar muitas peças ainda com o preço pendurado nas casas dos meus clientes. As chances de essas peças serem esquecidas no armário são enormes. Durante muito tempo tentei entender o que as tornava invisíveis. Acabei percebendo que, quando estão na loja, as roupas têm certa formalidade e frieza. Quando vão para o nosso guarda-roupa com a etiqueta, elas mantêm essa característica impessoal. Acredito que as roupas das lojas são produtos, enquanto as de casa são pertences pessoais. Peças que conservam a etiqueta ainda não se tornaram suas, portanto não lhe “pertencem” e são menos notadas.
Há quem resista a retirar o preço porque poderão vendê-las se não as usarem. Ora, isso é uma contradição. Se você vai comprar roupas, escolha-as com a intenção de acolhê-las em casa e usá-las. Muita gente também mantém a etiqueta para poder trocar na loja caso a peça não vista bem – mas essas pessoas se esquecem de que o prazo de troca não dura para sempre. Então meu conselho é: chegue em casa e prove a roupa. Se lhe caiu bem e não tem nenhum defeito, retire a etiqueta imediatamente e guarde-a no armário. Para que suas roupas façam a transição de “produtos” para “bens pessoais” você precisa cortar o “cordão umbilical” que as liga à loja.