A Mágica da Arrumação

Marie Kondo · Capítulo 20 de 68

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A Mágica da Arrumação

O que fazer quando não se consegue jogar algo fora

Por isso, é essencial estar num ambiente silencioso quando for avaliar suas coisas. Muitas revistas sugerem que você ouça música animada enquanto arruma a casa, mas não recomendo. A meu ver, o barulho dificulta o diálogo entre você e seus pertences. Deixar a televisão ligada obviamente está fora de questão. Se você precisa de algum som para relaxar, escolha músicas instrumentais.

A melhor hora para começar é de manhã. O ar fresco matinal aguça sua capacidade de discernimento e provoca maior clareza mental. A sensação de clareza e frescor que se obtém após ficar embaixo de uma cachoeira pode ser viciante. De modo semelhante, quando terminamos de colocar nosso espaço em ordem ficamos com vontade de repetir. E, ao contrário da meditação na cachoeira, você não precisa escalar montanhas para praticar. É possível conseguir o mesmo efeito na sua própria casa. Isso não é incrível?

 

O que fazer quando não se consegue jogar algo

fora

Como já disse, meu critério para decidir o que manter é verificar se o objeto provoca alegria quando o tocamos. É da natureza humana resistir a jogar as coisas fora – mesmo aquelas de que não gostamos tanto. Mas a dificuldade de desapegar dos nossos pertences é um grande problema.

O discernimento humano pode ser classificado em dois tipos: intuitivo e racional. No que se refere à escolha do que descartar, é o lado racional que atrapalha. Intuitivamente sabemos que o objeto não nos interessa, mas a razão cria todo tipo de argumentos para mantê-lo, como “Posso precisar dele algum dia” ou “É um desperdício jogar isso fora”. Esses pensamentos são recorrentes e tornam o descarte quase impossível.

Não estou dizendo que seja errado hesitar. A incapacidade de decidir demonstra certo grau de apego a um objeto em particular, o que é absolutamente compreensível. Também não estou dizendo que todas as decisões devem ser tomadas com base apenas na intuição. Mas é por isso que devemos avaliar cada objeto com bastante atenção, sem distrações.

Se surgir alguma coisa que seja difícil descartar, em primeiro lugar procure entender o motivo pelo qual você tem esse objeto. Quando o adquiriu e o que significou para você na época? Pense no papel que esse item desempenha em sua vida. Se você tem roupas que comprou e nunca usou, analise-as separadamente. Onde adquiriu cada uma e por quê? Se comprou porque parecia legal na loja, então ela já cumpriu a função de lhe proporcionar uma sensação boa ao adquiri-la. E por que você nunca a usou? Por ter se dado conta de que não lhe caía bem ao experimentá-la em casa? Se foi por isso, e se você deixou de comprar outras peças parecidas porque descobriu que aquele modelo ou aquela cor não lhe favorecia, então ela já cumpriu sua missão: mostrar o que não fica bom em você.

Todo objeto tem um papel a desempenhar. Nem todas as roupas precisam ser usadas até se desgastarem por completo. O mesmo acontece com as pessoas: nem todas que você conhece se tornam suas amigas. Você vai se dar bem com algumas e achar impossível se relacionar com outras. No entanto, todas elas trazem uma valiosa lição, que é ajudá-lo a identificar aqueles de quem realmente gosta.

Quando você deparar com algo de que não consegue se desapegar, pense bem no real propósito desse objeto em sua vida. Você vai se surpreender ao constatar quantos de seus pertences já cumpriram sua função. Ao reconhecer sua contribuição e ao abrir mão deles com um sentimento de gratidão, você conseguirá colocar sua casa – e sua vida – em ordem. No final do processo, restarão apenas as coisas que são valiosas para você.

Para aproveitar ao máximo as coisas que lhe são importantes, primeiro você precisa se desfazer daquelas que já não têm mais função. Jogar fora objetos sem utilidade não é desperdício. Você tem coragem de dizer que precisa de algo que está enterrado no fundo do armário há tanto tempo que nem se lembra de sua existência? Se as coisas tivessem sentimentos, elas certamente não estariam felizes nessa situação. Então liberte-as da prisão à qual você as relegou e deixe-as partir com gratidão.

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