Arrebatadas

Blake Pierce · Capítulo 12 de 42

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Arrebatadas

Capítulo Onze

Quando Riley e Bill entraram nos escritórios da Ishtar Escorts, ocorreu a Riley que se assemelhava bastante a uma agência de viagens de gabarito. Um quadro apresentava imagens do que fazer em Phoenix, sugerindo visitas a museus, galerias de arte, parques e jardins botânicos. Uma mesa estava repleta de brochuras com detalhes sobre uma variedade de locais a visitar. O pormenor que não existiria numa agência de viagens era o segundo quadro no qual eram visíveis as fotografias das acompanhantes. Riley reconheceu aquelas com quem tinha falado naquele dia. Nas fotos estavam todas muito bem vestidas como se para um evento elegante, com um flash ocasional de decotes aqui e ali.

A mulher na receção não parecia nada incomodada com a presença de agentes do FBI. A rececionista explicou que muitos clientes eram visitantes que não estavam devidamente informados sobre atividades culturais ou recreativas.

“Ajudamo-los. Até reservamos bilhetes para o teatro ou eventos desportivos. Queremos que os nossos visitantes se divirtam durante a sua estadia.”

Carregou num botão e falou pelo telefone, “Os agentes chegaram.” A rececionista guiou-os até ao gabinete da proprietária.

Ishtar Haynes estava de pé para os cumprimentar e com um gesto indicou que se sentassem. Riley considerou a aparência da mulher ainda mais alarmante do que a das acompanhantes com quem tinha estado anteriormente. Ishtar Haynes vestia um terno caro e exibia o cabelo perfeitamente arranjado. Uns óculos de leitura estavam empoleirados no seu comprido nariz. Parecia a CEO de uma empresa normal.

“Deixem-me ver se compreendi o objetivo da vossa visita,” Disse, sentando-se atrás de uma ampla secretária. “Querem que vos dê o nome do cliente da Nanette na noite em que foi morta.”

Dirigiu as perguntas a Bill que anuiu. Riley deixou-o conduzir a entrevista enquanto aproveitava a oportunidade para observar o gabinete de luxo em que se encontravam.

“É isso mesmo,” Disse Bill. Ishtar Haynes sorriu. Riley viu um mundo de frieza naquele sorriso profissional. Não se tratava do rosto austero de uma competente mulher de negócios, era o rosto gélido de uma pessoa que não sabia o que eram sentimentos reais há muitos anos.

“Agente Jeffreys, que espécie de negócio é que pensa que giro?” Perguntou. “Não que tenha alguma razão para suspeitar que a Nanette e um cliente estivessem envolvidos em algo especialmente ilícito na noite em causa. Se se tivessem, digamos, afeiçoado, isso era da sua inteira responsabilidade. Mas os meus clientes confiam em mim para que tudo permaneça confidencial.”

“Mas tem registos dos seus clientes,” Disse Bill.

Ishtar Haynes encolheu os ombros. “Bem, sim,” Disse. “Insistimos em obter documentos de identificação com foto, que digitalizamos e guardamos numa base de dados. Mas pode ter a certeza de que não lhe vou dar acesso a esse tipo de informação sem um mandado.”

Aquilo era o que Riley esperava ouvir. E tinha a certeza de que Bill também o previra. Num fim de tarde de domingo, obter um mandado seria um processo lento ou praticamente impossível. Perguntou-se como é que Bill resolveria a situação.

Bill tamborilou os dedos na secretária e disse, “Sabe, podíamos simplesmente divulgar que tem todo o prazer em colaborar connosco. E que três das suas funcionárias falaram connosco. Os seus clientes continuariam a confiar em si depois de saberem isso?”

Haynes falou com uma alegria petrificante. “Sim, já ouvi essa história. E é agora que me diz que a lei pode prejudicar o meu negócio. Lamento, mas essa pequena ameaça não me diz nada. Estou à frente de uma empresa honesta e legal que presta um serviço respeitável.”

Ao analisar o rosto da mulher, Riley notou a sua frieza e crueldade a emergirem gradualmente. Depois as feições da mulher formaram um sorriso seco.

Haynes inclinou-se na secretária em direção a Bill. “Mas podia fazer-me um favor,” Disse ela. “E talvez eu possa retribuir. Tenho a certeza que ficará chocado por saber que há algumas maçãs podres entre os polícias locais. Tratam-me como uma criminosa comum. São uma verdadeira chatice.”

Pegou num bloco de notas e escreveu qualquer coisa.

“Vou anotar alguns nomes. E se tratar deste meu pequeno problema, bem…”

Ishtar Haynes fez o papel deslizar na secretária em direção a Bill.

Esta estratégia apanhou Riley de surpresa e percebeu que Bill também estava espantado. Os polícias em causa estavam, sem dúvida, a massacrar Haynes para subornos ou favores especiais. Tirá-los das ruas seria bom para ela e para a polícia local. Era uma jogada ousada, mas inteligente.

“Vou ver isso,” Disse Bill, colocando o pedaço de papel no bolso.

O sorriso de Haynes alargou-se, acentuando os traços sinistros do seu rosto.

“Bem, nesse caso,” Disse, “podemos fazer negócios.”

Virou-se para o computador e começou a percorrer a sua base de dados. Quando descobriu o que procurava, disse, “Tenho um nome para si. E não me importo de o dar. Talvez já tenha ouvido falar dele – Calvin Rabbe. O avô fez uma fortuna com uma cadeia de restaurantes. Calvin herdou a fortuna da família, nunca trabalhou na vida. Já tinha ponderado bani-lo dos nossos serviços. As raparigas queixaram-se das suas… inclinações.”

“Então ele foi o cliente da Nanette na noite em que ela foi morta?” Perguntou Bill.

Haynes acomodou os óculos de leitura para analisar o registo com mais atenção.

“Bem, sim e não,” Disse. “Ele tinha pago pela companhia dela no sábado à noite, mas depois reclamou de ela não ter comparecido, tive que lhe devolver o dinheiro. Por isso, o que aconteceu à rapariga não esteve relacionado com o seu trabalho na minha empresa.”

Haynes encerrou o seu portátil e arrumou-o no saco.

“Presumo que é tudo o que precisam de mim,” Disse. “Agora se não se importam, tenho que trabalhar, E já agora, Agente Jeffreys – presumo que veio de Quantico para ficar alguns dias.”

Bill anuiu. Ainda a sorrir, Haynes entregou-lhe um cartão.

“Bem, quando tiver resolvido o caso, ligue-nos,” Disse. “Podemos mostrar-lhe o significado da hospitalidade aqui por estas bandas.”

Quando Riley e Bill abandonaram as instalações, Riley sentiu-se inquieta pela atitude confiante daquela mulher.

Alguém tem que a parar, Pensou.

Para Riley, Haynes parecia tão maldosa e perigosa como muitos dos assassinos que matara ou prendera. De certa forma, parecia até pior – uma fria exploradora de mulheres, sem dúvida um espelho do mal.

Quanto a Mitzi, Koreen e Tantra, o que seria do seu futuro? Se sobrevivessem, podiam tornar-se tão frias como a sua patroa. Mas mesmo isso era um grande “se”. O mais provável era afundarem-se no desespero como Nancy Holbrook, até conhecerem o mesmo destino.

“Parece que Calvin Rabbe é um provável suspeito,” Comentou Riley enquanto caminhavam na direção do carro. “O mais certo era estar a encobrir o seu rasto ao queixar-se que a rapariga não tinha aparecido.”

“Talvez,” Disse Bill. “Um pervertido rico e mimado está próximo do perfil que temos em mente. Conseguiste alguma coisa das mulheres com quem falaste?”

“Parece que a Nancy Holbrook trabalhava numa paragem de camiões chamada Hank’s Derby. Podia estar por lá quando foi morta.”

“Temos que cobrir todas as hipóteses,” Disse Bill. “Vamos também a essa paragem de camiões.”

Riley concordou. “Tu vais ter com esse Rabbe,” Disse. “Eu vou ao Hank’s Derby.”

Quando começou a caminhar, Bill gritou, “Tem cuidado.”

Parecia um bom conselho. Por aquilo que as raparigas tinham dito, Riley suspeitava que iria ali encontrar sombras que até ela nunca tinha enfrentado.