Arrebatadas

Blake Pierce · Capítulo 36 de 42

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Arrebatadas

Capitulo Trinta e Cinco

Pouco tempo depois, Riley e Bill chegaram à casa do Dr. Gordon Poole.

Não é aqui que sou precisa, Pensou Riley.

Ainda assim, Bill convenceu-a a seguir as ordens.

Poole tinha dito a Morley que não estaria no seu gabiente naquele dia e tinha sugerido que Bill e Riley fossem ter com ele a casa.

Era uma casa grande, moderna, térrea, que se espraiava por um amplo relvado verde. O quintal estava adornado com sebes e árvores frondosas. Ao contrário dos pequenos remendos de verde que ela vira em alguns bairros de Phoenix, os relvados ali eram grandes, com os ricos proprietários a virarem costas ao deserto que se estendia abaixo da cidade.

Foram recebidos à porta por um homem alegre, mas um pouco cansado de cerca de quarenta anos. O Dr. Gordon Poole tinha cabelo ralo e um rosto ameninado com uma expressão aberta e bondosa.

“Meu Deus, não os esperava tão cedo!” Disse. “Entrem!”

Riley estava divertida. Não se conseguia lembrar da última vez que ouvira um homem adulto falar com aquela ligeireza. O homem falava de uma forma deliciosamente pitoresca.

Poole conduziu-os até uma confortável e alcatifada sala de estar, e convidou-os a sentarem-se.

“Está tão quente, não está?” Comentou o Dr. Poole. “Talvez vos soubesse bem uma limonada fresca. Tenho sempre no frigorífico e gosto de a partilhar sempre que tenho oportunidade. Aceitem por favor!”

Riley estava completamente encantada com o seu sorriso e com o brilho inocente dos seus olhos.

“Eu aceito,” Disse ela.

“Eu também,” Disse Bill.

“Excelente!” Disse o Dr. Poole. E desapareceu na direção da cozinha.

Bill sentou-se no sofá, mas Riley foi atraída para um conjunto de fotografias de família penduradas numa parede. Todos elas mostravam o Dr. Poole a partilhar momentos felizes com crianças – os seus filhos, Riley tinha a certeza. Numa delas, o Dr. Poole e um menino de cerca de doze estavam a segurar num peixe enorme que haviam apanhado. Noutra, o Dr. Poole estava radiante ao pé de uma menina vestida de abelha.

Deve ser um fato de Halloween, Pensou Riley. Ou talvez para uma peça da escola.

As suas reflexões foram interrompidas quando o Dr. Poole regressou à sua companhia. Ele trazia uma bandeja com copos e um jarro de limonada.

“Vejo que já descobriu os meus filhos,” Disse ele.

Riley discerniu um mundo de cordialidade e orgulho na sua voz.

“Devem estar na escola agora,” Disse Riley.

Uma pontada de tristeza atravessou o rosto de Poole.

“Já não vivem comigo,” Informou. "A mãe e eu estamos divorciados há quatro anos.”

Riley sentiu-se envergonhada por ter abordado um assunto tão sensível.

“Sinto muito,” Disse ela.

"Oh, Deus, não faz mal!" Disse, regressando aquele sorriso infantil. “Foi perfeitamente amigável. Ela é advogada, conseguiu um emprego no Connecticut que não podia recusar. As minhas raízes aqui são profundas e eu não podia partir.”

O médico parecia um pouco desconfortável, de pé ali ainda a segurar na bandeja. Riley perguntou-se se ter estranhos a observar os seus retratos de família o incomodaria.

Então virou-se e dirigiu-se a umas portas que estavam abertas do outro lado da sala.

“Vamos tomar as nossas bebidas lá fora, sentados à beira da piscina,” Disse ele. “É uma pena desperdiçar um lindo dia como este.”

Riley e Bill seguiram-no para um agradável terraço ao lado de uma grande piscina cercada por jardins paisagísticos. O Dr. Poole colocou a bandeja numa pequena mesa e fechou as portas atrás deles.

Enquanto servia a limonada e entregava a cada um copo, prosseguiu os seus comentários sobre a família.

“Ainda assim, é difícil ter as crianças do outro lado do país a maior parte do tempo. Mas ainda fazemos muitas coisas juntos. Nunca perco uma oportunidade de passar tempo com eles.”

“Bem, é óbvio que os seus filhos o adoram, Dr. Poole,” Disse Riley.

“E eu adoro-os,” Disse ele. “Mas se não se importa, eu não gosto muito de ser trattado de 'Dr. Poole’... Gordon ou Gordy é o normal, mesmo com pessoas que não me conhecem muito bem.” Então, com uma risada, acrescentou, “Se quiser realmente ser formal, pode chamar-me ‘Dr. Gordy’.”

Riley riu-se. Gostava cada vez mais daquele homem. Viu sinais de cansaço no seu rosto e podia entender porquê. Um homem tão gentil e dedicado devia trabalhar muitas horas. Ela sabia o que era isso.

Riley achou o cenário bastante idílico. Ainda assim, teve alguma dificuldade em ficar confortável. Todo aquele luxo parecia tão distante do mundo em que estivera mergulhada nos últimos dias - um mundo de proxenetas, prostitutas e assassinos. Sentia-se vagamente culpada por estar ali.

“Posso aceder a tudo o que quisermos saber a partir aqui,” Disse o Dr. Poole, abrindo um portátil que estava na mesa.

Bill disse, SSabemos que tem ajudado a polícia a investigar os roubos de medicamentos dos hospitais. O Chefe Morley diz que faz esse tipo de coisa pro bono. Isso é muito generoso da sua parte.”

O Dr. Poole encolheu os ombros modestamente.

“Bem, é o mínimo que posso fazer. Phoenix tem sido boa para mim, como podem constatar. Gosto de retribuir quando tenho a oportunidade. E o roubo de medicamentos para o VIH - bem, isso preocupa-me profundamente, e eu sinto que é uma questão pessoal. E o Elgin disse-me que vocês acham que esse assassino em série pode ser seropositivo e roubar medicamentos para si.”

“É o que pensamos,” Disse Riley. “Deparou-se com algum suspeito nessa onda de roubos de medicamentos?”

O Dr. Poole piscou os olhos para o ecrã.

“Por acaso estou a reduzir a lista de suspeitos,” Disse ele. “Há um em particular que…”

Ele parou por um momento.

“Não tenho a certeza se vos devo dar esta informação,” Disse ele.

“Por que não?” Perguntou Bill.

“Bem, a pessoa em questão é um administrador em ascensão num hospital de Phoenix. Ele pode ser o homem de que estão à procura. Mas as provas ainda são muito reduzidas. E para dizer a verdade, espero estar errado.”

O Dr. Poole abanou a cabeça com preocupação.

“Eu odiaria arruinar a reputação de um homem inocente. Ainda assim, tenho a certeza de que o Elgin vai saber como lidar com isto.”

Tirou um bloco de papel do bolso e anotou algo.

“Vamos fazer assim. Vou anotar o nome aqui e vocês podem transmiti-lo ao Elgin. Vou deixar tudo ao seu critério.”

Entregou a Bill o papel. Riley e Bill agradeceram-lhe e saíram da casa. Riley conduziu e Bill cedeu o nome a Morley por telefone.

*

Quando Riley e Bill voltaram para o edifício do FBI, encontraram Morley andando agitado de um lado para o outro.

“A dica do Dr. Poole não deu em nada,” Disse ele. “O homem está de férias há duas semanas num resort no México. Não há forma de ele ter cometido esses assassinatos recentes. Claro, o Dr. Poole não podia saber isso. Precisamos mantê-lo par, caso tenha outras ideias.”

Morley parou de andar de um lado para o outro e encarou Riley e Bill. Disse, “Parece-me que não estamos mais perto de fechar este caso do que estávamos antes de vocês chegarem.”

Riley estava prestes a dar uma resposta sobre todo o trabalho que tinham feito, mas deteve-se. Conseguiu ouvir Bill sufocar um rosnado. Nenhum deles queria aumentar as suas tensões com Morley.

O toque do seu telemóvel era uma interrupção bem-vinda ao silêncio.

Não reconheceu o número que lhe ligava, mas conhecia muito bem a voz do outro lado da linha. Era Shane Hatcher, um prisioneiro de Sing Sing que tinha sido muito útil no seu último caso.

“Tem que falar comigo,” Disse Hatcher. “Sobre o caso em que está a trabalhar em Phoenix.”

“Ótimo,” Respondeu Riley. “Bem que preciso de ideias frescas. Diga-me.”

“Oh não, não por telefone. Sabe que tenho que ganhar alguma coisa. Uma visita em pessoa é um requisito - um pré-requisito, digamos, para a minha experiência em assuntos desta natureza.”

“Isso não é possível.”

“Tenho certeza de que o tornará possível, Agente Paige. Tenho completa confiança nos seus poderes de persuasão. Afinal, conseguiu convencer o último homem de que falámos a cortar a sua própria garganta.”

Riley ficou em silêncio durante alguns instantes. Ela considerava perturbador que este homem que estava preso ter sempre em sua posse tanta informação. Mas agora, ela gostaria de receber qualquer fonte de luz sobre este caso.

“Vou ver o que consigo arranjar,” Disse e desligou.

Ela percebeu que Morley e Bill estavam a olhar para ela com expectativa.

“Era o Shane Hatcher,” Disse ela.

“A sério?” Perguntou Bill que explicou a Morley quem era Shane Hatcher e sobre o relacionamento incomum que Riley tinha com ele.

Riley disse, “Ele não me vai dizer nada pelo telefone. Eu vou ter que ir lá.”

“Isso é ridículo,” Murmurou Morley. “Sing Sing fica em Nova Iorque.”

“O avião da UAC ainda está no aeroporto,” Disse Riley. “É a maneira mais rápida de chegar lá e voltar.”

“Tem trabalho a fazer aqui,” Explodiu Morley. “Não pode simplesmente deixar o seu trabalho de cada vez que tem outra coisa a fazer.”

Riley viu o rosto de Morley avermelhar. Ela sabia que ele tinha acabado de se impedir de dizer que não iria autorizar a viagem. Ela tinha ignorado a sua autoridade anteriormente e ele não iria querer colocar-se naquela posição novamente.

“Volto logo que puder,” Disse Riley, saindo da sala.

A sua mente já estava focada no homem preso em Sing Sing - o homem mais perigoso que ela já conhecera.

Se havia alguém que podia desbloquear este caso, ela sabia que esse alguém era ele, com as suas percepções estranhas sobre assassinos em série.

Mas a que preço?