Arrebatadas

Blake Pierce · Capítulo 13 de 42

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Arrebatadas

Capítulo Doze

Riley viu duas mulheres a pedir boleia com o típico gesto dos polegares em riste. Vestiam-se de forma praticamente idêntica, sem soutien, com t-shirts rasgadas na zona do ventre e mini-saias de ganga. Eram obviamente prostitutas e era fácil de perceber que se vendiam como pacote único.

Travando a fundo, o camião parou. O condutor debruçou-se sobre a janela e acenou às raparigas. Galoparam para a porta do passageiro e entraram. Depois o camião começou a andar e prosseguiu o seu caminho. Foi desconcertante para Riley imaginar o que aquele trio faria de seguida. Mas agora não era o momento para se distrair. Competia-lhe descobrir se Nancy Holbrook se tinha encontrado com o seu assassino naquele local.

A tarde já caíra quando Riley chegou ao Hank’s Derby. Mesmo a partir da autoestrada dera para perceber que aquele era um local bem mais sombrio do que a maioria das paragens de camiões modernas. Um sinal em néon piscava de forma instável. Tanto o restaurante como o bar adjacente pareciam estar longe dos seus melhores dias.

Riley estacionou, saiu do carro e caminhou na direção do edifício principal. Algumas mulheres vestidas de forma provocadora encontravam-se no exterior do edifício. Parecia que a prostituição por aquelas bandas era um negócio tão próspero como a gasolina e a comida. Riley já sabia que muito tráfico de seres humanos ocorria em paragens de camiões. Demasiadas vezes as vítimas eram crianças fugidas de casa.

Antes de se dirigir ao local, Riley fizera uma pesquisa online. No Arizona, a situação era especialmente má e o FBI tinha colaborado com as autoridades locais no sentido de acabar com as bolsas de prostituição existentes um pouco por todo o estado. Tinham-se concentrado em locais como aquele, sobretudo para retirar raparigas menores de idade daquela vida.

Mas de alguma forma, covis de tráfico humano como o Hank’s Derby conseguiam sobreviver. E Riley não estava minimamente surpreendida. Aprendera há muito que os males do mundo possuíam uma estranha capacidade de regeneração em muito semelhante às ervas daninhas, mesmo quando julgávamos que nos tínhamos livrado deles.

Ao passar por uma fila de contentores de lixo, Riley recordou-se de um caso em que o corpo de uma adolescente tinha sido encontrado num contentor do lixo de uma paragem de camiões. Um assassino em série assombrara paragens por todo o país dando boleia a raparigas. Algumas delas nunca mais foram vistas.

Riley não tinha trabalhado nesse caso e o assassino tinha sido preso há muito tempo. Ainda assim, arrepiava-a olhar para aqueles contentores. Será que também aqueles conteriam os restos mortais de algum ser humano? O pensamento era uma mera distração e Riley não ia andar à procura de partes de corpos humanos naqueles grandes contentores de metal. Tinha que se concentrar.

Junto ao edifício principal bem iluminado estava um pequeno bar de ripas denominado Yucca Lounge. Riley sabia que tinha que entrar lá e fazer algumas perguntas, mas a perspetiva preocupava-a. Tinha combatido a sua dependência do álcool recentemente e tinha parado de beber. Estava a sair-se muito bem, mas entrar num bar significava ir diretamente para a boca do lobo e poder cair em tentação.

Garantiu a si própria que era suficientemente forte e profissional para resistir e entrou no edifício. O Yucca Lounge era um local mal iluminado com música country a tocar numa jukebox. Naquele momento não havia muita gente – só alguns camionistas e poucas mulheres parcamente vestidas.

Riley ainda não sabia bem qual a melhor forma de atuar. Tinha uma foto de Nancy Holbrook que queria mostrar, mas exibir o distintivo e acenar com a foto a todos causaria demasiada agitação e podia não obter o efeito pretendido.

Reparou num homem tosco e barbudo sentado junto à porta. Era obviamente o segurança. Aproximou-se silenciosamente dele e mostrou-lhe o distintivo.

“Sou a Agente Riley Paige do FBI,” Disse. Quando os olhos do segurança se abriram muito, Riley acrescentou, “Não se preocupe, não estou aqui para armar confusão.”

Tirou a foto da mala e mostrou-lha.

“Reconhece esta mulher?” Perguntou. “Acredito que terá estado cá no último sábado.”

“Não trabalho cá há tanto tempo,” Grunhiu o homem.

Riley tirou uma nota de vinte dólares da mala.

“Queria que me confirmasse isto. Pergunte calmamente a todas as pessoas se viram esta mulher. Se alguém a tiver visto, peça-lhe para vir falar comigo.”

O homem pegou no dinheiro e encaminhou-se na direção do bar. Riley sentou-se e observou-o a percorrer o lugar, mostrando a foto a todas as pessoas que ali se encontravam. Viu muitas pessoas a abanarem a cabeça negativamente.

Por fim, mostrou a fotografia a uma mulher sentada no bar que assentiu com a cabeça. O segurança apontou para Riley e a mulher fez sinal para Riley ir ter com ela e sentar-se junto dela. A mulher estava vestida como qualquer outra das raparigas que ali trabalhavam mas parecia cansada e parecia ter a idade de Riley – demasiado velha para aquele tipo de trabalho.

Riley sentou-se ao pé dela. Uma fila de copos de shot vazios e um copo meio cheio de cerveja estavam à frente da mulher. O cheiro do whisky fez com que a gargata de Riley ardesse com a expetativa de prazer alcoólico, mas o empregado não teve tempo de perguntar se queria beber alguma coisa.

A mulher chamou o empregado com uma voz áspera, “Cabot, pago o que esta rapariga do FBI quiser. Traz-lhe o que eu estou a beber. E já agora traz-me outra rodada.”

A ordem fora proferida antes de Riley poder declinar a oferta. Cabot trouxe dois copos de shot e uma cerveja para Riley.

“Chamo-me Justine,” Apresentou-se a mulher. Despejou o conteúdo do copo de shot de um trago, empurrando com um gole de cerveja. “Estamos a beber whisky Fireball Cinnamon. Já o experimentou? Se não, então não viveu. Arde, mas é doce como uma guloseima de Natal. Espero que não se importe.”

Riley sentiu o estômago embrulhar-se com a ideia de um whisky com sabor a doces. Afinal, não ia ser tão difícil resistir à tentação.

“Estou de serviço,” Disse Riley.

“Como quiser,” Disse Justine. “Eu dou-lhe bom fim,” Acrescentou, dando uma palmada no seu próprio estômago.

Entregou a foto a Riley.

“Via-a por aqui. Chama-se Nanette, não é?”

“É isso mesmo,” Respondeu Riley.

“Como é que ela está?”

Riley hesitou por um momento. Justine interrompeu antes que Riley conseguisse falar.

“A Nanette está morta, não está?”

Riley assustou-se. A expressão de Justine era séria e calma.

“Como sabe?” Perguntou Riley.

Justine emitiu uma risada grave. “Oh, não é difícil de adivinhar. Toda a gente morre mais cedo ou mais tarde. No nosso caso, é sempre mais cedo. Às vezes demasiado cedo. E nunca é bonito de se ver.”

Justine engoliu mais um gole de cerveja.

“Parece que eu já estou ultrapassada,” Disse. “Só estou a matar o tempo.”

A mulher parecia resignada, mas não amarga. Riley sentiu alguma compaixão por ela. Não sabia o que era pior – viver uma mentira como as acompanhantes com quem falara naquela tarde ou enfrentar os factos duros como Justine. Não conseguia perceber como é que aquela mulher chegara àquele ponto. Quão miserável se tornara a sua existência para nem sequer tentar mudar de vida?

“O que me pode dizer sobre a Nanette?” Perguntou Riley.

“Só a vi umas poucas vezes,” Disse Justine. “Era nova por estas bandas. Percebi logo que não ia durar muito.”

Riley disse, “Pensamos que tenha sido morta no sábado passado. Viu-a nessa noite?”

Justine pensou por um momento.

“Penso que a última vez que a vi foi na sexta-feira,” Disse. “Acho que não a vi no sábado. Mas podia ter cá estado e eu não a apanhei. Podia estar ocupada, se é que me faço entender. Tenho uma agenda bastante preenchida para uma velha senhora.”

Justine entristeceu-se, mostrando agora alguma da sua tristeza e cansaço.

Com uma voz ligeiramente abafada, Justine disse, “Isto não é lugar para alguém da sua espécie. Acho que o melhor é desandar daqui agora mesmo para descobrir o filho da mãe que a matou.”

“É o que vou fazer Justine,” Disse Riley. “Obrigada.”

Riley saiu do balcão. Não lhe parecia que fosse encontrar o filho da mãe por ali. Mas antes de se ir embora, queria explorar melhor o local. O edifício principal teria uma loja e balneários para os camionistas. E lá fora, havia o grande parque de estacionamento ocupado por dezenas de camiões. O que descobriria ali? Fosse o que fosse, Riley tinha a certeza de que ia ser mau de mais.