Arrebatadas

Blake Pierce · Capítulo 42 de 42

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Arrebatadas

Capítulo Quarenta e um

Bill e Riley estavam a terminar a reunião com Brent Meredith no seu gabinete em Quantico. A cabeça de Bill ainda estava enfaixada e ele sofrera uma leve concussão, mas Riley sabia que o pior já tinha passado. Em suma, ela estava satisfeita com o encerramento do caso em Phoenix.

“Bom trabalho,” Disse Meredith. Então, com uma espécie de meio sorriso para Riley, acrescentou, “Até o Agente Morley parece pensar da mesma forma.”

Riley devolveu o sorriso sem grande convicção. Sim, Morley agradeceu-lhe e a Bill na pista em Phoenix antes de levantarem voo de regresso a Quantico. Mas não havia muito calor nos seus agradecimentos. Ele tinha sido especialmente frio para Riley. E ela não considerara isso surpreendente. E na verdade, não o podia culpar.

Meredith balançava-se na sua cadeira. Riley reconheceu-o como o sinal do chefe de que a reunião estava a terminar. Ele olhou para Riley e abanou ligeiramente a cabeça.

“Agente Paige, no seu próximo caso, espero que me facilite mais as coisas. Tive que a defender bastante. E para referência futura, o nosso avião não é para seu uso particular.”

Agora Riley corou um pouco.

“Estou em dívida para consigo,” Disse ela.

“Pois está,” Disse Meredith.

E ela sabia que estava. Podia agradecer a Meredith não ter sido expulsa do caso - ou expulsa do Bureau, na verdade. Onde é tinha na cabeça para se ausentar a meio de um caso?

É claro que sabia o que é tinha na cabeça. April era o que tinha cabeça. Naquele momento, a sua filha tinha realmente mais importância para ela do que o seu trabalho. Será que ainda se sentia assim?

Sim, sentia-se.

Afinal de contas, não sou o meu pai, Compreendeu.

Meredith perguntou, “A segunda viagem, a de Sing Sing, foi realmente útil?”

Riley considerou a pergunta por um momento. Sem dúvida, Hatcher identificara o assassino, mesmo que só o tivesse dito através de enigmas. Ainda assim, a ideia de o encontrar novamente parecia intolerável a Riley.

“Não planeio consultá-lo nunca mais,” Disse ela.

Meredith levantou-se da sua secretária, indicando o encerramento da reunião.

Bill e Riley abandonaram o edifício. Não disseram nada durante alguns momentos enquanto caminhavam lado a lado. Grande parte da viagem de avião tinha sido assim.

“Posso levar-te a casa,” Disse Bill.

“Não há problema, tenho o carro aqui,” Disse Riley. Ela deixara o seu carro em Quantico quando tinham partido para Phoenix. Agora parecia que tinha sido há séculos.

“Talvez pudéssemos parar em algum lado para tomar uma bebida ou comer alguma coisa,” Sugeriu Bill.

Riley não sabia ao certo o que Bill queria. Depois da sua estranha tentativa de aproximação na última semana, ainda estaria à procura de centelhas românticas entre eles? Talvez não. Talvez só quisesse passar alguns momentos descontraídos com uma amiga e colega.

De qualquer das formas, Riley não estava com disposição.

“Fizemos um bom trabalho juntos em Phoenix,” Disse ela. “Vamos dar o dia por terminado.”

Parecendo um pouco triste, Bill disse, “Então tudo bem.”

Bill começou a afastar-se.

Riley chamou-o. “Bill. Gosto de trabalhar contigo.”

Bill respondeu. “O sentimento é mútuo.”

E cada qual seguiu o seu caminho. Enquanto Riley conduzia para casa, perguntou-se em que ponto estavam realmente as coisas entre eles. Ela estava feliz por funcionarem novamente tão bem como equipa. Mas ainda havia uma tensão não resolvida entre eles.

A verdade era que Riley agora se perguntava como se sentia em relação aos homens em geral. As suas experiências em Phoenix tinham deixado marcas. Proxenetas como Jaybird e misóginos ricos como Calvin Rabbe não lhe inspiravam qualquer confiança. Nem Garrett Holbrook, que ficara tão deslumbrado com a sua vida de solteiro despreocupado que abandonara a sua própria irmã. Até mesmo Bill tinha enojado Riley ao ficar excitado com o seu papel de prostituta.

Talvez os homens já não me digam nada, Pensou.

*

Riley relaxava no terraço traseiro da sua casa, desfrutando das vistas e dos sons do bairro. Recusou a oferta de limonada fresca de Gabriela, optando pelo refrigerante. A verdade é que a limonada recordar-lá-ia durante muito tempo um assassino que a tinha enganado completamante.

Ainda ouvia na sua mente as expressões simpáticas do Dr. Gordy e ainda via o seu rosto quando a atacou.

Mas April e Crystal, a rapariga que vivia na casa ao lado, estavam a beber a limonada de Gabriela. Elas estavam sentadas no quintal a assistir a um filme no portátil de April. Não paravam de rir e de apontar para o ecrã.

Mesmo sem a limonada, o Dr. Gordy continuava a penetrar na mente de Riley. Felizmente, o homem estava preso e o caso contra ele era sólido. Nunca mais seria livre. Na verdade, o Arizona aplicava a pena de morte aos condenados por vários homicídios, de modo que a arrogância do Dr. Gordy seria definitivamente eliminada.

Infelizmente, nem a sua prisão, nem a sua morte fariam nada pelas três mulheres que matara. Talvez fosse útil para as outras duas que tinha aterrorizado e certamente beneficiaria aquelas que nunca poderia apanhar.

Riley perguntou-se se Socorro voltaria à prostituição ou se encontraria alguma maneira melhor de sustentar os seus filhos. Havia organizações em Phoenix que iriam ajudá-la a fazer uma mudança de vida, se ela quisesse.

April subiu as escadas até ao terraço e interrompeu as suas reflexões. Serviu-se de mais limonada do jarro que Gabriela tinha deixado sobre a mesa. A sua amiga Crystal ainda estava no quintal, colada ao computador.

“Ainda estás a pensar no caso?” Perguntou April.

Riley conseguiu sorrir um pouco. “Por favor, não te preocupes comigo, querida. Volta para a tua amiga e vê o filme.”

“Ei, depois de tudo o que passámos juntas, podes contar-me.”

Então April encolheu os ombros.

“Além disso, é um filme estúpido,” Disse, sentando-se ao lado de Riley.

Riley suspirou.

“Não posso deixar de me perguntar o que acontecerá com algumas das pessoas que conheci. Especialmente as meninas.”

“Como aquela que salvaste do assassino?”

“Sim. Pelo menos a Sandy voltou para um abrigo.”

“Pelo que contaste, com certeza que não volta a fugir.”

Riley não respondeu. Esperava que April tivesse razão. Mas April não tinha visto tudo o que ela tinha visto ultimamente - os rostos sem esperança de mulheres como Chrissy, que simplesmente não conseguiam alcançar uma vida melhor, e os olhares vazios de meninas muito mais jovens que já começavam a perder toda a esperança. Ficou calada durante alguns momentos.

“Havia outra rapariga,” Disse Riley. “Eu tirei-a de uma paragem de camiões e levei-a para um abrigo. O nome dela é Jilly e nunca lhe acontecera nada de bom na vida. Graças a Deus, está receber a melhor ajuda que poderia desejar. Tanto Jilly como Sandy precisarão de algum tempo, mas agora terão uma oportunidade. Elas poderão escolher.”

Riley ouviu novamente as palavras de Shane Hatcher.

“Mas tem tudo a ver com escolha.”

A sua própria escolha, decidira, era nunca mais pedir ajuda a Hatcher. Não havia como negar que ele a ajudara a encontrar o seu caminho através de crimes intrigantes, mas o seu conselho surgiu de um lugar mais escuro do que podia imaginar. E não queria lá voltar nunca mais.

Os seus pensamentos foram interrompidos pelo toque da campainha. Ouviu Gabriela ir à porta e dizer a alguém, “Elas estão lá atrás.”

April levantou-se para ver quem tinha chegado.

Depois olhou para Riley.

“É o pai,” Disse numa voz sem emoção.

Riley sentiu vontade de fugir, mas não se mexeu. Como é que ele se atrevia a aparecer agora, depois de ignorar April, quando ela precisara tanto dele?

Quando Ryan apareceu, Riley olhou fixamente para ele e disse, “O que é que queres?”

Ryan colocou um braço à volta de April e disse, “Estou tão feliz por estares

bem,querida.”

Então virou-se para Riley e acrescentou, “Desculpa, Riley. Eu sei que não fui muito delicado quando telefonaste.”

Quando Riley não respondeu, acrescentou, “Parece que nunca queres falar comigo a menos que precises de alguma coisa.”

Riley respondeu, “A tua filha precisava de alguma coisa.”

“Eu sei. Espero que ambas me possam perdoar.”

April escapou-se ao abraço do pai e voltou para o quintal para se juntar a Crystal.

Sem ser convidado, Ryan ocupou uma cadeira vazia e sentou-se à frente de Riley. Riley ignorava-o ostensivamente.

“Tens uma bela casa,” Disse ele. “Estou feliz por teres saído daquela espelunca em que moravas.”

Riley sabia que ele lhe estava a lembrar que tinha que lhe agradecer. E era verdade. Ela tinha podido comprar esta casa que ela e April e Gabriela tanto amavam, porque Ryan era generoso com a pensão de April. O seu ex-marido não era mesquinho com o seu dinheiro - só consigo mesmo.

“Sim,” Disse Riley relutantemente. “Somos felizes aqui. Agora chego a Quantico rapidamente e a April também chega facilmente à escola.”

Riley finalmente olhou diretamente para ele. E percebeu que Ryan tinha bom aspeto. Estava tão atraente como sempre.

Ele inclinou-se para a frente e falou com seriedade. “Sinto saudades dvossas. Acho que nos deviamos ver mais vezes. Afinal, estivemos juntos durante muito tempo. Ainda somos uma família.”

Riley mal podia acreditar no que estava a ouvir.

“O que aconteceu à..." Riley não se conseguia lembrar do nome da mulher com quem Ryan andava.

“Não era o mesmo com ela.”

Riley ficou surpreendida.

Ele quer-me de volta, Compreendeu.

Será que ele não fazia ideia de como ela estava farta dele?

“Bem,” Disse ela, “tenho a certeza que um dia vais encontrar a mulher certa.”

Agora Ryan parecia magoado. Mas Riley estava decidida a não ser condescendente com ele.

Ela disse, “Dizes que ainda somos uma família. Mas nós nunca fomos uma família - pelo menos não os três. Tu nunca estavas lá.”

“Eu posso mudar,” Disse Ryan.

“Cai na real, Ryan. Tu nunca vais mudar. A April e eu demos-te todas as oportunidades, durante anos e anos. Tu não vais mudar.”

Ela sentiu a sua amargura estampada no rosto.

Ryan olhou para o quintal.

“Provavelmente estás a desfrutar da tua liberdade,” Disse ele.

Riley grunhiu. Era mesmo dele, reduzir os seus motivos ao seu próprio nível. Ela tinha um mundo de razões para não voltar para ele, mas ele tinha que acreditar que este era o mais importante. Ainda assim, ele não estava completamente errado.

Ela disse, “Na verdade, estou a desfrutar da minha liberdade. E tu não estás incluído no pacote.”

Antes que Ryan pudesse responder, a campainha tocou de novo. Em poucos instantes, Gabriela apareceu, acompanhada do seu vizinho, o pai de Crystal, Blaine Hildreth.

Os olhos de Gabriela brilhavam. Incapaz de reprimir uma risadinha, ela virou-se e afastou-se rapidamente.

Blaine olhou para Ryan e Riley, e estacou de repente.

“Oh,” Disse. “Não queria interromper.”

“Mas interrompeu,” Disse Ryan bruscamente.

Oh meu Deus, Pensou Riley. Será que isto se vai transformar numa disputa de machões?

Ryan era o mais alto dos dois, e o mais bem vestido com as suas roupas casuais caras. Mas Riley não o achava minimamente atraente naquele momento. Blaine era mais jovem e parecia mais alegre, mais engajado com o mundo. E naquele momento, mostrava ser mais bem-educado.

“Na verdade, não está,” Disse Riley a Blaine. “O Ryan estava mesmo de saída.”

Ryan olhou para ela, parecendo completamente derrotado, e uma fúria flamejante embaciava-lhe os olhos. Um olhar destinado a intimidar.

Riley, porém, estava farta de ser intimidada. Lembrou-se de como havia bloqueado o soco do pai e finalmente o enfrentou. A memória ficou-lhe e isso era estranhamente poderoso. Depois de todos aqueles anos, Ryan ainda não fazia a mínima ideia com quem estava a lidar, aquilo que ela era capaz de fazer.

Ela susteve o seu olhar e olhou para trás.

Repetiu numa voz de comando, “Não estavas, Ryan?”

Pelo aspeto do seu rosto, Riley tinha a certeza de que ele tinha percebido a mensagem. Sem dizer uma palavra, levantou-se e caminhou para a casa. Ouviu a porta da frente fechar-se atrás dele.

“Bem, acho que acabei de conhecer o seu ex,” Disse Blaine.

Riley riu-se um pouco. “Era ele mesmo.”

Blaine também riu. “Como correram as coisas no Arizona? Alguma história nova para contar?”

“Ainda não,” Disse ela. “Tenho muito que processar antes de poder falar sobre isso.”

“Compreendo.”

Os sons das vozes das miúdas risonhas vinham do quintal. Riley tinha a certeza de que o riso tinha a ver com o que tinha acontecido entre os adultos.

Blaine levantou-se e chamou Crystal.

“Então estás aqui! Estava à tua procura!”

Crystal rolou os olhos, sorrindo de orelha a orelha.

“Então, pai. Isso é tão mau. Nós sabemos muito bem quem vieste ver.”

Blaine corou, completamente envergonhado.

Riley achou graça. Crystal tinha-o apanhado.

Por um segundo, lembrou-se das palavras do pai.

“Nunca confies num homem cujos filhos não o odeiam.”

Ela sorriu interiormente. Pensou que isso tornava Blaine mais que confiável.

Blaine virou-se para ela e ainda claramente envergonhado, respirou fundo e disse, “Agora que está de volta, queria saber se podemos jantar todos juntos no Grill. Nós os quatro.”

Riley sorriu, desta vez de forma visível. Há muito tempo que não era convidada para sair. Sabia bem. E estar com Blaine, embora mal o conhecesse, também sabia bem.

“Seria bom,” Disse ela. “Seria muito bom.”

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ATRAÍDAS

(Um mistério de Riley Paige—Livro #4)

“Uma obra-prima de thriller e mistério! O autor fez um trabalho magnífico no desenvolvimento das personagens com um lado psicológico tão bem trabalhado que temos a sensação de estar dentro das suas mentes, sentindo os seus medos e aplaudindo os seus sucessos. A história é muito inteligente e mantém-nos interessados durante todo o livro. Pleno de reviravoltas, este livro obriga-nos a ficar acordados até à última página.”

--Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (re Sem Pistas)

ATRAÍDAS é o livro #4 na série de mistério de Riley Paige que começou com o bestseller SEM PISTAS (Livro #1) – um livro de download gratuito com mais de 100 opiniões com cinco estrelas!

Estão a aparecer mulheres mortas numa extensão solitária de uma autoestrada no Delaware. Algumas desaparecem durante muito tempo e outras aparecem mortas, sendo os corpos exibidos de formas estranhas e misteriosas. Quando é detetado um padrão, torna-se óbvio para o FBI que um assassino em série está à solta – atraindo mulheres em esquemas duvidosos – e que nunca parará de matar.

Desesperado para resolver o caso, o FBI pede a ajuda da Agente Especial Riley Paige. Mas a brilhante Riley, ainda a recuperar de casos recentes, encontrou finalmente a paz na sua vida familiar e está determinada a ajudar a filha April a reerguer-se. Mas quando os homicídios se tornam demasiado perturbadores, demasiado urgentes – e quando o antigo parceiro lhe implora para intervir – Riley finalmente compreende que não pode recusar este pedido de ajuda.

A caçada de Riley leva-a até ao âmago do perturbador mundo de caroneiros, de pessoas à deriva, de mulheres a quem ninguém dá qualquer importância. Quando descobre que várias mulheres são mantidas vivas e que há tempo para as salvar, Riley sabe que nada a impedirá de ir até ao limite num caso que a obceca. Entretanto a sua vida parece colapsar e a sua mente frágil mal consegue aguentar a pressão. Numa frenética corrida contra o tempo, ela terá que mergulhar fundo na mente do assassino para salvar aquelas mulheres – e a si própria – do colapso total.

Um thriller psicológico negro com suspense de cortar a respiração, ATRAÍDAS é o livro #4 de uma nova série alucinante – com uma inesquecível nova personagem – que o obrigará a não largar o livro até o terminar.

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ATRAÍDAS

(Um mistério de Riley Paige—Livro #4)

Blake Pierce

Blake Pierce é autor da série de mistério de sucesso RILEY PAIGE que inclui os thrillers de suspense e mistério SEM PISTAS (livro #1), ACORRENTADAS (livro #2) e ARREBATADAS (livro #3). Blake Pierce também é autor da série de mistério MACKENZIE WHITE.

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