Arrebatadas

Blake Pierce · Capítulo 40 de 42

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Arrebatadas

Capítulo Trinta e Nove

Quando chegaram à porta da casa do Dr. Poole, Riley tocou à campainha, mas ninguém abriu a porta. Riley tocou novamente.

Finalmente, o altifalante ao lado da porta ressoou e a voz do médico perguntou.

“Quem é?”

Bill respondeu, “Doutor Gordy, são os Agentes Jeffreys e Paige. Bill e Riley. Conversámos consigo ontem.”

A voz balbuciou um pouco confusa.

“Meu Deus, eu não estava à vossa espera esta noite,” Tartamudeou ele. “Esqueci-me de um encontro que tivéssemos marcado? Acho que não apontei nada... “

“Sinto muito incomodá-lo, Dr. Gordy,” Disse Riley. “Isto é uma emergência. Vamos fazer as coisas o mais rapidamente possível.”

“Uma emergência! Meu Deus!” Exclamou o médico. “Claro, entrem.”

A porta abriu-se e Bill e Riley entraram. Gordon Poole estava completamente vestido com roupas casuais e ténis.

“Desculpe, estamos a incomodá-lo? Ia sair? “ Perguntou Riley.

O médico riu. “A esta hora! Deus do céu, não! Já não sou noctívago. Na verdade, estou quase na minha hora de dormir.”

Riley sentou-se no sofá da sala. Bill sentou-se numa cadeira próxima. O médico permaneceu de pé com as mãos nos bolsos.

“Em que vos posso ajudar?” Perguntou.

Riley disse, “Dr. Gordy, o nosso assassino tem uma adolescente. Uma fugitiva, apenas uma criança. Ele está com ela desde ontem de manhã. Esperávamos encontrá-la agora. E estamos preocupados. Não temos tempo a perder. Receio que estejamos um pouco desesperados.”

“Oh, céus!” Disse o médico, olhando para Riley e Bill com um ar de preocupação.

Riley continuou, “Como dissemos anteriormente, pensamos que o assassino possa ser seropositivo e por isso possa estar a roubar medicamentos. Mas o nome que nos deu não se revelou eficaz. O homem está de férias no México. Precisamos dos nomes que não nos deu. E quaisquer outros que considere que são ainda pequenas possibilidades. Por favor, não retenha qualquer informação. A vida de uma criança está em jogo.”

O médico suspirou e sentou-se no sofá com Riley. Ele disse, “Eu realmente não suporto a ideia de apontar um dedo incriminador a homens inocentes.”

“Precisamos de verificar todas as possibilidades o mais rapidamente possível,” Replicou Riley com real urgência na voz. “É por isso que o estamos a incomodar em casa a esta hora tão tardia.”

O Dr. Gordy franziu a testa e refletiu por um momento.

“Tudo bem,” Disse ele. “Se o assassino está realmente ligado aos roubos, há um número limitado de pessoas que poderiam ter acesso aos medicamentos.”

Riley lutou contra a sua crescente sensação de impotência. “Um número limitado de pessoas” soava horrivelmente pouco específico.

“Sabe se alguma dessas pessoas é seropositivo?”

“Não sei como o poderia saber. Como provavelmente sabe, o VIH é um vírus que ataca o sistema imunológico. Quando as células do sistema imunológico começam a falhar, o corpo fica suscetível a uma variedade de infecções e doenças. Geralmente, os sintomas gripais aparecerão no primeiro ou segundo mês. Fadiga pode ser outro sintoma. Uma erupção ou dor de garganta ou dores de cabeça podem ser sinais.”

Riley e Bill entreolharam-se com desânimo. Ambos sabiam que não podiam andar por aí a acusar qualquer pessoa que tivesse esses sintomas.

O médico acrescentou, “Além disso, ele pode não ter quaisquer sintomas. Estamos a falar de um homem que está a roubar a medicação que precisa, que certamente está a cuidar de si. Com alguém assim, pode não haver sintomas visíveis por vários anos.”

“Pelo menos pode ajudar-nos a estreitar a lista,” Disse Riley. “Se conhece alguém que tem esses sintomas e teve acesso aos medicamentos roubados, isso poderia orientar-nos na direção certa. Não pode haver muitos.”

“Tudo bem,” Disse Gordy, relutante. “Deixem-me só pensar por um momento.”

Durante o silêncio que se seguiu, Riley observou a sala em que se encontravam. Concentrou-se nas fotos da família situadas numa parede próxima. Tinha-as apreciado da última vez que tinham visitado o Dr. Gordy. Havia muitas fotos penduradas em filas, todas mostrando crianças felizes e os parques ou praias onde se divertiam, os peixes que tinham pescado, os prémios que tinham ganho.

Gordy finalmente disse, “Posso dar-lhes dois nomes. Os seus deveres dão-lhes acesso a medicamentos e eu tenho observado alguns sintomas indicadores. Mas tenho que vos avisar que acho muito difícil que estas pessoas sejam culpadas.”

“Vamos ter isso em consideração,” Disse Bill firmemente.

A atenção de Riley vagava enquanto o Dr. Gordy partilhava nomes e informações de contacto com Bill, que tomava notas. Ela não podia deixar de olhar novamente para as fotos na parede. As crianças pareciam tão felizes. Riley perguntou-se por que é que a mãe se tinha ido embora levando-os para tão longe.

Então, por alguma razão, as palavras do pai ecoaram na sua mente.

“Estás a lidar com o que as pessoas chamam de normal.”

Era isso. As fotos continuavam a atrair a sua atenção porque tudo nelas parecia tão normal.

Ela percebeu que Bill e o Dr. Gordy estavam a olhar para ela, esperando algum comentário sobre o que estavam a discutir.

“Peço desculpa,” Disse Riley, “passei muitas horas num avião hoje. Estou cansada e desatenta.”

Bill disse, “Temos mais dois nomes para verificar agora. Eu assegurei ao Dr. Gordy que teremos muito cuidado em fazer acusações.”

“Oh, obrigado,” Disse Riley.

Quando olhou para o genial médico, sentiu que a sua aparência mudava diante dos seus olhos. Começou a questionar-se e o coração começou bater mais rapidamente.

Poderia estar o assassino sentado à frente dela? Este médico perfeitamente normal, eloquente? Nesta casa e subúrbio perfeitamente normais? Com a sua família perfeitamente normal? O mal poderia camuflar-se daquela forma?

Ou estaria a enlouquecer de vez?

Ela tinha que descobrir.

Ela tentou manter a voz firme enquanto escolhia as palavras cuidadosamente.

“Eu não pude deixar de admirar as suas fotos novamente,” Disse ela. “Os seus filhos parecem tão felizes consigo. Consegue vê-los com frequência?”

Ouviu a sua própria voz trémula.

Observou com muita atenção e foi surpreendida ao captar um rápido flash de fúria no rosto do médico antes de sorrir e dizer, “Não tão frequentemente como eu gostaria, é claro. Mas a vida nem sempre corre como planeamos, não é?”

Agora Riley estudava o homem com todos os seus poderes de observação. Ela não sabia muito bem porquê, mas começava a pressentir que havia algo de muito errado com este homem de aparência doce sentado à sua frente.

“Espero que o meu conselho profissional tenha valido a vossa deslocação,” Disse Gordy, com um tom que denotava urgência em terminar a entrevista.

“Claro que valeu,” Disse Riley. “E muito obrigado. Pedimos desculpa por tê-lo incomodado,” Disse Riley com o coração a bater com força demolidora. “Vamos embora e deixá-lo em paz.”

Começou então a perscrutar o cérebro para lhe ocorrer algo para dizer, ao mesmo tempo que se levantava.

“Não se importa que eu vá à casa de banho antes de irmos embora?” Perguntou Riley.

Ele hesitou e depois sorriu com relutância.

“Claro que não,” Disse. Apontando para o corredor. “A casa de banho encontra-se na primeira porta à direita ao fundo do corredor.”

Riley levantou-se e apressou-se na direção do corredor. Ela sentia as palmas das mãos a transpirar.

Estaria ela louca? Estaria a ver coisas onde nada existia?

Riley entrou na casa de banho que o Dr. Poole lhe indicara. Havia um armário de medicamentos por cima do lavatório e algumas portas de armário e gavetas. Mas procurar ali seria perda de tempo. Poole não a teria direcionado para ali se houvesse algo para encontrar.

Não tenho tempo para procurar em todo o lado, Pensou ela. É esperar para ter sorte.

Penetrando nas entranhas da casa do médico, ela passou por várias outras portas e chegou a uma mais elegante no final do corredor. Quando a empurrou, a porta abriu-se para um enorme quarto principal, suavemente iluminado por dois candeeiros elegantes.

Ela entrou e fechou a porta atrás de si. Havia roupeiros, três arcas com gavetas e portas que provavelmente levavam a armários.

Por onde deveria começar?

Dirigiu-se a uma porta aberta do outro lado da sala e encontrou uma casa de banho privativa. Acendeu a luz e entrou. A casa de banho era maior do que o seu próprio quarto. Tinha todos os luxos, além de muitos espelhos e elegantes toques decorativos. Ela teria que percorrer toda uma série de gavetas e portas de armário até encontrar algo. Abriu uma porta do armário, olhou à volta e depois abriu outra.

Não havia nada.

Espero que Bill o mantenha a falar, Pensou.

*

Bill queria que Riley se despachasse. Se a rapariga desaparecida ainda estivesse viva, não tinham tempo a perder. E se não estivesse, tinham que apanhar o assassino antes que ele atacasse novamente. E já tinham descoberto tudo o que o médico estava disposto a dizer-lhes. Ele olhou para as fotos na parede, procurando um assunto de conversa.

“Então... O Dr. Gordy e os seus filhos parecem gostar de pescar,” Disse ele. “Eu também. Vocês no Arizona têm todas as condições. Tantos lagos, tantos lugares para pescar.”

“Sim, há muitos lagos aqui, não há?” Anuiu o Dr. Poole. “São todos artificiais, como sabe. Os produtos da engenharia hábil, represando rios e enchendo desfiladeiros. A maioria deles também funcionam como reservatórios e são magníficos locais de lazer. O Lago Mead é o maior reservatório dos EUA. Partilhamos esse com o Nevada, como sabe.”

“Que tipo de peixe é que se pode pescar?”

“Oh, truta, dourada, peixe-gato, tilápia e vários tipos de robalo. Uma vez apanhei um robalo enorme.”

O Dr. Poole parecia um pouco distraído. Continuava a olhar para o corredor.

“Invejo o tempo que passa com os seus filhos,” Disse Bill. “É evidente o quanto o amam.”

O Dr. Poole encolheu os ombros, distraído.

“Eles não me podem amar tanto quanto eu os amo,” Disse ele.

“Sim, qualquer um pode ver isso.”

Um silêncio abateu-se e quando Bill olhou à sua volta, algo brilhante no chão chamou a sua atenção. Estava debaixo da mesa, ao lado da sua cadeira, quase escondido no grosso tapete.

Bill levantou-se da cadeira e inclinou-se para ver melhor. Apanhou o objeto para o devolver ao gentil médico.

Era um brinco de metal brilhante - uma coisa barata, em forma de flor.

De repente, na sua mente, ouviu as palavras de Colleen Wuttke.

“Eu tinha muitas coisas destas a dada altura, bonitas, todas em tons de ouro e em forma de flores.”

Era o brinco perdido de Colleen.

O que fazia ali?

O seu coração ribombou quando todas as peças do puzzle se uniram de uma assentada, e percebeu.

Aquilo só poderia significar que…

Mas assim que a compreensão se apoderou dele, assim que estava prestes a pegar na sua arma, de repente, sentiu um duro golpe na nuca.

E então, tudo ficou negro.