Arrebatadas

Blake Pierce · Capítulo 39 de 42

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Arrebatadas

Capítulo Trinta e Oito

Riley correu pelo corredor do edifício do FBI. Eram quase oito e Bill tinha dito que se encontravam ali. Lembrou-se do que ele tinha dito ao telefone quando ainda estava no avião.

“Riley, tive uma ideia.”

Ela queria que ele tivesse dito qual era a ideia. Tinha estado em suspense durante horas. Era possível que aquele caso horrível pudesse estar resolvido em breve - talvez até nos próximos minutos?

Quem lhe dera. Mas dormira pouco durante o voo. E a verdade era que não descansava decentemente desde que fora acordada às três da manhã de sexta-feira passada em Fredericksburg. Estava cansada demais para esperar.

Quando chegou ao gabinete, ficou surpreendida ao ver que Bill não estava sozinho.

Garrett Holbrook estava sentado ali, de braços cruzados, a olhar para o espaço. O corpo de Riley foi sacudido pela surpresa. Agora compreendia. Agora ela sabia exatamente aquilo em que Bill estava a pensar.

Soando tão rígido e distante como sempre, Holbrook disse, “Podemos começar agora? Se me puderem dizer de que se trata?”

Bill olhou para Riley. Ela assentiu com a cabeça. Já era tempo de ver algumas perguntas respondidas.

“Deixe-me ir direto ao assunto,” Começou Bill. “A Agente Paige e eu temos que saber quando é que viu a sua irmã viva pela última vez.”

“Eu disse-vos quando aqui chegaram,” Disse ele com uma voz arrastada e mal-humorada. “Foi há anos. Não me lembro há quanto tempo exatamente.”

Os sentidos de Riley aceleraram. Era mentira. Ela sabia que era. Ela conseguia senti-lo. Ele lembrava-se. Ele lembrava-se da data exata, da hora exata.

Ela aproximou-se dele.

“Queremos que nos diga a verdade, Agente Holbrook,” Disse ela.

Ele continuou a olhar para o espaço, mas ficou mais pálido e os seus olhos começaram a brilhar.

“Não posso acreditar,” Disse ele. “Não posso acreditar que vos tenha levado tanto tempo. Não tenho agido de forma suficientemente suspeita?”

De repente, como se surgido do nada, um horrível soluço subiu-lhe à garganta.

“Porque sou culpado,” Disse ele.

Os soluços e as lágrimas surgiam agora de forma incontrolável. O seu rosto estava distorcido pela angústia. Riley mal conseguia acreditar que se tratava do mesmo homem.

Ele acalmou-se o suficiente para falar hesitantemente.

“Foi há apenas dois anos. Foi quando eu vi a Nancy pela última vez. Ela veio a minha casa. Ela estava mal. Andava metida em drogas. Vendia o corpo. Ela queria a minha ajuda. Disse que não tinha mais ninguém a quem recorrer. Queria um lugar para ficar. Disse que eu poderia ajudá-la a ficar limpa.”

Ele engasgou-se com um soluço horrível.

“Eu disse-lhe para se ir embora.”

Ele chorou por alguns momentos. Então disse, “Porquê? Por que é que eu fiz isso? O que é que eu tinha a perder? Nunca fui casado, nunca tive filhos. Eu tinha um quarto na minha casa, espaço na minha vida. Eu era egoísta. Estava bem na minha carreira, na minha vida de solteiro despreocupado. Ela era apenas a minha meia-irmã, muito mais jovem do que eu, eu senti que mal a conhecia. Eu não queria essa responsabilidade. Eu não queria ser incomodado.”

Os seus soluços começavam agora a acalmar.

Riley disse, “Então é por isso que estava tão distante. Era por isso que ficava à margem.”

Holbrook assentiu com a cabeça.

“Eu sentia que estava a caçar-me a mim próprio. Eu matei-a tanto quanto qualquer outro.”

Bill ficou boquiaberto. Olhou para Riley.

Ela murmurou-lhe em voz baixa, “Ele está a dizer a verdade.”

Bill assentiu com a cabeça, depois pousou uma mão no ombro de Holbrook.

“ Peço desculpa,” Disse ele. “Mas se nos tivesse dito isso mais cedo…”

Holbrook retirou a mão de Bill.

“Agora vou para casa,” Disse Holbrook, quebrado. Levantou-se e caminhou desajeitadamente em direção à porta. Depois voltou-se para Riley e Bill.

Com uma risada negra de auto-aversão, disse, “Bem, penso que me podem eliminar como suspeito. Talvez isso já seja um progresso.”

E saiu do gabinete. Bill e Riley ficaram sentados por um momento em silêncio.

“Porra,” Murmurou finalmente Bill. “Eu tinha a certeza. Eu tinha tanta certeza.”

“Eu também desconfiava dele,” Disse Riley. “O seu comportamento sempre foi estranho e agora sabemos porquê.”

Mas algo começava a despontar dentro de Riley. Aquelas palavras que Holbrook tinha dito...

“Eu nunca fui casada, nunca tive filhos.”

Essas palavras eram importantes por algum motivo. Mas porquê?

A intuição de Riley funcionava em pleno agora, unindo detalhes aparentemente irrelevantes. Juntavam-se como peças de um puzzle, formando algum tipo de conjunto coerente.

Lembrou-se das palavras de Hatcher...

"Devia dar ouvidos ao seu paizinho."

E a que é que o pai dissera deveria dar ouvidos? Ah, ela lembrava-se de toda a conversa cínica, odiosa sobre monstros e loucura e que vis espécimes humanos tanto ela, como ele eram. Mas havia algo mais. O que era?

Então as palavras atingiram-na como um relâmpago.

“Nunca confies num homem cujos filhos não o odeiam.”

Subitamente, ela estava totalmente imersa na mente do assassino. Ela estava atrás dos seus olhos, olhando para a sua próxima vítima - uma adolescente perdida e aterrorizada. Ele ia matá-la. Mas ela não era como as outras. Não haveria alegria naquilo. O homicídio não lhe daria prazer.

Ainda assim, ele iria cometê-lo. Tinha que ser feito. Tinha que ser feito agora. Já o tinha adiado por demasiado tempo.

Ouviu a voz de Hatcher, repetindo mais uma vez...

“Está muito perto.”

Ela não sentia estar perto. Abanou a cabeça desanimadamente.

“Estamos a derrapar, Bill,” Disse ela.

E pensou por um momento.

“Quero falar com o Dr. Gordy,” Prosseguiu. “Ele só nos deu um nome da sua lista de suspeitos de roubo de medicamentos. Precisamos de mais nomes. Alguém insuspeito. Tenho a sensação de que pode ser alguém dessa lista. Alguém de quem não suspeitariamos. Esta pista do VIH é a única pista concreta que temos. Temos que a espremer até à exaustão.”

Marcou o número de telefone do médico. Um serviço de atendimento emitiu uma mensagem. Riley desligou a mensagem sem deixar uma das suas.

“Não temos tempo para esperar que ele nos devolva a chamada,” Disse ela. “Vamos para casa dele agora mesmo.”

Bill olhou para ela como se tivesse perdido a cabeça.

“Meu Deus, Riley, já é tarde. Isso é um ato de desespero.”

É isso mesmo o que isto é, Pensou Riley.

Mas não o disse a Bill. Empurrou a porta com o parceiro a seguir no seu encalço.