Arrebatadas

Blake Pierce · Capítulo 17 de 42

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Arrebatadas

Capítulo Dezasseis

Ao passear pelo elegante corredor do hotel com o homem que se intitulava T.R., a mulher questionava-se que tipo de diversão estaria reservada para ela hoje. A situação tinha-a deixado um pouco inebriada e fez questão de se lembrar severamente a si própria...

O teu nome é "Chiffon". Não te esqueças.

Não era que ela tivesse dificuldades em lembrar-se do nome do seu alter-ego de prostituta. Ela gostava realmente do nome Chiffon e já o tinha utilizado com dezenas de johns sem se enganar uma única vez. Mas T.R. era diferente. De alguma forma, desarmava-a.

Talvez porque tivesse mostrado um sinal de vulnerabilidade na única outra vez em que tinham estado juntos. As coisas não tinham corrido bem para o pobre rapaz. Claro, ela tinha assumido a culpa e alegremente se oferecera para o compensar.

Há pouco, a meio do dia, ela tinha-o visto sentado no seu carro estacionado a um quarteirão de distância do Kinetic Custom Gym. Já a tinha abordado perto do ginásio anteriormente, embora ele insistisse que se encontrassem noutro lugar para se divertirem. Ela pensou que seria porque ele era muito elegante para um lugar como aquele. Desta vez, fora ela a abordá-lo e sugerira que tentassem novamente.

Naquele momento, sentia-se um tanto avassalada. Ela estava habituada a fazer o trabalho no seu pequeno cubículo sórdido atrás do ginásio ou às vezes num motel barato. Mas hoje ele tinha perguntado onde é que ela gostaria de ir se pudesse escolher. Ela pensou que era um jogo. Em tom de gozo, ela havia sugerido aquele hotel caro. Nunca ali tinha estado, mas sabia que era um local de férias para turistas abastados.

Quando deu por si, ele já estava a fazer uma reserva pelo telefone. Pouco depois estava no seu carro e a caminho do lugar. T.R. era uma caixinha de surpresas. Questionou-se o que mais teria ele reservado para ela naquela noite. Ela mal podia esperar por contar aquilo à Mitzi. Ela tinha a certeza de que a sua amiga que também trabalhava no ginásio nunca tinha estado num lugar como aquele.

Ele tinha-a deixado no carro e ido ao hotel sozinho para fazer o check-in, levando uma mala e envergando uma peruca e óculos caros que alteravam a sua aparência. Ela ficara surpreendida com o quão diferente aquelas pequenas mudanças o tornavam.

Em pouco tempo, ele tinha voltado para o carro para acompanhá-la por uma porta lateral para o quarto. Quando abriu a porta do quarto, viu que era bonito e espaçoso. A casa de banho era bastante elegante. Uma porta deslizante fazia a comunicação entre o quarto e um pátio onde eram visíveis vasos com flores.

"É tudo tão bonito," Exclamou, dirigindo-se ao pátio.

Mas ele gentilmente bloqueou-lhe o caminho. "Desculpa," Disse com um sorriso. Depois correu as pesadas cortinas da porta deslizante.

Claro, Compreendeu a mulher. Sou tão parva. Era óbvio que ele não queria ser visto com ela, e era melhor ela ficar completamente fora de vista.

Ela não estava incomodada. Por que estaria? Fazia parte do trabalho.

Sentou-se à beira da cama e olhou à sua volta, ansiosa para descobrir o que é que aquele john queria que ela fizesse a seguir. Aquele lugar era caro e ele tinha-lhe prometido muito dinheiro - dinheiro que ela não teria que partilhar com Jaybird, o gerente do ginásio. Estava encantada com a oportunidade, mas uma coisa a incomodava. Ela percebeu que T.R. desejava passar muito tempo com ela naquele local. Isso poderia ser um problema.

O john parecia não estar com pressa, preparando-se para uma tarde despreocupada e langorosa. Retirou uma garrafa de vinho branco fresco do mini-bar e serviu dois copos. Entregando-lhe um, sentou-se numa poltrona de pelúcia com o seu. Ele acenou com a cabeça e gesticulou como se estivesse a fazer um brinde, então bebeu o seu vinho e pareceu relaxar na cadeira.

Ela bebeu o seu próprio vinho. Então ela levantou-se com coragem suficiente para lhe dizer, “Peço desculpa, mas não posso ficar muito tempo.”

“Por que não?”

Ela ficou em silêncio. Não sabia o que dizer. Nunca contara a nenhum john a verdade sobre si. Nem tinha contado tudo a Mitzi. Jaybird era a única pessoa que sabia.

O homem sorriu de forma gentil e simpática.

Ela não disse nada.

Ele riu um pouco. “Compreendo. A sério que compreendo. Eu também tenho os meus próprios segredos” Então, depois de uma pausa, ele acrescentou. “E tenho uma confissão a fazer. Sinto uma verdadeira afinidade por ti. Sinto que nos entendemos de uma maneira especial.”

Ela estava a ficar bastante comovida. Nunca tinha conhecido um john que demonstrasse aquele tipo de abertura. Muitos nem sequer se davam ao trabalho de falar.

“Fala-me sobre isso.” Disse ele dando uma palmadinha na mala. “Tenho uma pequena surpresa para ti. Dou-ta se me contares.”

A mulher respirou fundo.

“O meu nome não é Chiffon,” Disse a mulher.

“Bem, o meu não é T.R.,” disse o homem, rindo novamente. “Diz-me alguma coisa que ambos não saibamos. Diz-me o teu verdadeiro nome.”

Sentia-se como se estivesse à beira de um precipício. Mas sim, ela queria realmente dizer-lhe. Seria emocionante dizer-lhe. Seria um novo tipo de aventura.

“O meu nome é Gretchen,” Disse ela.

“E?” Perguntou o homem.

“E... sou casada. Tenho filhos.”

O homem parecia muito satisfeito agora.

“Dois filhos?” Tentou adivinhar.

“Não, três.”

Ele susteve o seu olhar por um momento. Sim, era bom estar a fazer aquilo. Ela não sabia exatamente porquê, mas parecia absolutamente certo.

“Eu deveria estar em casa agora,” Disse ela. “Eu deveria estar a fazer aquilo que as mães que ficam em casa fazem. É o que meu marido acha que estou a fazer. Mas não é vida para mim. Há muitas horas num dia. Não me consigo manter ocupada.”

“E ficas entediada,” Disse ele.

Ela deu uma risada, aliviada por poder admitir isso em voz alta.

“Ah, sim! Mais entediada do que se possa imaginar! Mas preciso de estar em casa quando as crianças voltarem da escola.”

O homem dedilhou a mala. “E não precisas do dinheiro?”

“Não. Bem, o dinheiro é bom. O meu marido não é propriamente um mãos largas. Eu gosto de ter dinheiro meu.”

O homem levantou-se da cadeira e caminhou até à cama, levando a mala consigo. Sentou-se ao lado de Chiffon. Abriu a mala um pouco, segurando-a para que ela não pudesse ver o seu conteúdo.

“Fecha os olhos,” Disse ele.

Ela fechou-os.

Ela sentiu as suas mãos na parte de trás do seu pescoço. Colocava algo à volta do seu pescoço.

“Agora já podes olhar,” Disse ele.

Ela abriu os olhos e dirigiu-se a um espelho próximo para se ver, depois gritou de surpresa. Ela estava a usar um fino colar de prata com um sinal de infinito. Uma pequena pedra brilhava no centro. Ela tinha a certeza que era um diamante verdadeiro.

Devia ter custado uma fortuna. Por um momento, ela não soube o que dizer. Deveria aceitá-lo? Não sabia quando ou onde o poderia usar. Era evidente que o marido não o poderia descobrir.

Ainda assim, fora um gesto delicado. Seria rude rejeitá-lo.

“Obrigada,” Disse. Depois acrescentou, “Quero mostrar-te o quanto isto significa para mim.”

O homem não disse nada. Ela olhou-o nos olhos, uns olhos que pareciam estar plenos de afeto.

“Não me vais dizer o teu nome agora?” Perguntou a mulher.

O homem assentiu. “Daqui a alguns minutos. Vai-te preparar.”

Ela considerava fascinante a forma como ele dava ordens. De alguma forma, as suas ordens não pareciam autoritárias. A sua voz e o seu rosto eram demasiado agradáveis.

Ela deu uma risada alegre e foi para a casa de banho.

Esperem até a Snowflake ver isto, Pensou. Vai ficar para morrer!

E ela tinha a certeza de que T.R. ainda tinha outras surpresas reservadas para ela. Foi emocionante tentar imaginar o que viria a seguir.