Arrebatadas

Blake Pierce · Capítulo 15 de 42

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Arrebatadas

Capítulo Catorze

Bill sentiu um assomo de expetativa ao aproximar-se dos portões da casa de estilo colonial espanhol de Calvin Rabbe. Era muito provável que o homem que ali vivia fosse o assassino que tinha tirado a vida de uma mulher e atirado o seu corpo para um lago. Bill estava determinado em descobrir a verdade .

Tinha feito algumas pesquisas sobre Calvin Rabbe antes de se dirigir a sua casa. Ishtar Haynes tinha razão – o mimado filho da mãe nunca tinha trabalho um único dia na vida. Tinha passado a infância e adolescência a ser expluso de colégios internos, depois fora corrido das melhores universidades da Ivy League sem obter um diploma.

Agora vivia com a sua mãe divorciada naquela mansão.

Faz sentido, Pensou Bill.

A dependência de Rabbe da matriarca da família era mais um motivo de suspeita para Bill. O homem parecia cada vez mais o menino mimado e rico da mamã que poderia ter muitos ressentimentos por resolver. Bill começava a querer mesmo engaiolar aquele tipo.

Mas ao entrar na propriedade, pensou que poderia ser difícil encontrar-se com Rabbe. Até ter autorização para entrar nos terrenos envolveria alguma diplomacia. As câmaras de segurança flanqueavam os portões da propriedade. Tinha que se premir uma campainha para se fazer anunciar. Bill não sabia muito bem como agir.

O que aconteceria se conseguisse entrar, anunciando que era um agente do FBI? E com quem acabaria por conversar quando fosse permitida a sua entrada? A noite caíra e a casa estava bem iluminada. Era possível que várias pessoas se encontrassem lá dentro. Bill não podia ter a certeza de que Calvin Rabbe fosse uma delas.

Na curva seguinte, Bill virou o carro para passar pelos portões da frente novamente.

No caminho bem iluminado, viu um elegante carro desportivo a atravessar o terreno em direção ao portão. A capota estava em baixo e Bill pode ver quem o conduzia. O homem era jovem com cabelos louros arenosos e vestia um polo. Enquadrava-se perfeitamente nas fotos que Bill tinha visto de Calvin Rabbe. Ele tinha a aparência de uma estrela de cinema a aproximar-se da meia-idade, mas que ainda tentava projetar uma imagem despreocupada e jovem.

De repente, Bill sentiu-se com sorte. Agora já não teria que se infiltrar na mansão. Rabbe estava de saída, muito possivelmente a caminho de uma noite na cidade. Se Bill conseguisse segui-lo, o homem poderia denunciar-se. O portão abriu-se e o carro saiu pela rua fora. Bill seguiu-o, mantendo uma distância discreta.

A noite adensou-se enquanto Bill seguiu o carro desportivo pelo bairro elegante. Perguntou-se o que estaria Riley a fazer naquele momento. Teria sido uma boa ideia deixá-la ir para aquele lugar sozinha? Hank’s Derby soava a lugar vil e perigoso para uma mulher.

Bill não sabia ao certo por que é que estava preocupado. Riley era, de longe, a mulher mais resistente e capaz que já conhecera. Ele vira-a arrumar com algumas pessoas verdadeiramente perigosas. Era difícil imaginar que tipo de homem poderia constituir uma ameaça para ela.

Chegou à conclusão que o seu desconforto estava relacionado com o facto de o caso estar a perturbá-lo. E pensou que também estava a afetar Riley. Bill duvidou que qualquer um deles se sentisse satisfeito por apanhar aquele assassino. Apanhar quem quer que tivesse morto Nancy Holbrook era apenas a ponta de um icebergue, um sintoma de um mal muito maior. Só Deus sabia quantas outras mulheres estavam a ser exploradas, maltratadas e mortas. Eles estavam ali para deter um homem, mas todo aquele universo horrível continuaria a existir.

Dali a pouco Bill notou que Calvin Rabbe estava a entrar num bairro especialmente desagradável. As ruas estavam repletas de bares, motéis e casas de strip. Rabbe estacionou o seu carro à frente de um lugar chamado Lariat Strip Club.

O letreiro mostrava um laço de néon semi-animado caindo à volta da silhueta de uma mulher nua e apertado em torno da sua cintura. Abaixo do sinal havia um de menores dimensões que anunciava "NUS AO VIVO". Tão pouco tempo depois de ver o cadáver nu de Nancy Holbrook, o sinal impressionou Bill que o considerou ironicamente arrepiante. Teria o assassino ali ido para caçar outro alvo vivo?

Bill estacionou alguns lugares atrás de Rabbe e observou-o a sair do carro. No meio da ralé local de drogados e prostitutas, Rabbe destacava-se pela forma como se vestia. Mas Bill rapidamente percebeu que Rabbe não se dirigia para a entrada principal do clube. Em vez disso, ele seguiu pela esquina do prédio e desapareceu de vista.

Bill saiu do carro e caminhou apressadamente. Quando chegou à esquina, viu Rabbe a afastar-se na direção do beco situado nas traseiras do clube de strip. Bill esperou que desaparecesse de vista e depois continuou a segui-lo. Uma vez no beco, Bill conseguiu esconder-se ao lado de um contentor de lixo e ver o que Rabbe estava a tramar.

Rabbe bateu na porta das traseiras do clube de strip. A porta abriu-se e Rabbe entrou. A porta fechou-se atrás dele.

Bill sentia-se cada vez mais alerta. Se Rabbe estava a fazer um negócio de drogas, isso poderia dar a Bill a desculpa perfeita para o deter. Mas tinha de ser paciente. Tinha que ter a certeza.

Cerca de cinco minutos depois, Rabbe saiu novamente para o beco. Tirou um pequeno pacote do bolso da frente e desdobrou-o. Esfregou o dedo pelo conteúdo, depois esfregou-o dentro da boca à volta das gengivas. Estava a testar o produto.

Bingo! Pensou Bill.

Bill mostrou-se, exibindo o distintivo.

“FBI,” Disse. "Está preso."

Rabbe dobrou o pacote apressadamente e enfiou-o no bolso das calças. Por um momento, olhou para Bill com uma expressão ligeiramente aturdida como um veado encadeado por um farol. Então sorriu amplamente, atirou a cabeça para trás e riu.

"FBI? Oh, isto é uma piada. Isto tem que ser uma piada.”

“Não é uma piada,” Disse Bill. “Mãos atrás das costas.”

Bill trouxera um par de algemas. Ao tirá-las do cinto, pensou se iria precisar de usar a sua arma.

A abanar a cabeça com aparente descrença, Rabbe colocou as mãos atrás das costas.

“Não, realmente” Disse Rabbe. "Isto é uma piada. Eu sei que é uma piada. Quem o obrigou a fazer isto? "

Bill algemou-o. Quando começou a ler-lhe os direitos, Rabbe interrompeu.

“Acredite que sei quais são os meus direitos. Estou habituado a este tipo de coisa da polícia local, mas o FBI? A sério, não acredito. Por que é que me está a prender?”

O canto do pacote de papel espreitava do bolso das calças de Rabbe. Bill puxou-o para fora e acenou-o à frente do seu rosto.

"Isto serve", Disse Bill.

"Oh, poupe-me. Deve estar a brincar."

Bill retomou a leitura dos direitos.

“Eu disse que sei quais são os meus direitos,” Disse Rabbe, interrompendo novamente.

“Faça-me a vontade,” Disse Bill. Quando terminou, levou Rabbe para o carro.

Ele tinha a sensação de que este homem podia realmente ser o assassino. Esperava que Riley regressasse ao gabinete de campo do FBI a tempo de o ajudar a ter certeza absoluta.