Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 9 de 28

Páginas do PDF

Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 8

Abri a porta. — Tranque a porta e telefone para o número que tem de Marcus se precisar de alguma coisa. Estou com o telefone dele. Avisarei assim que souber de alguma coisa.

Saí apressado, fechando a porta atrás de mim, mas hesitei enquanto esperava o barulho da tranca. Demorou um momento, mas finalmente ouvi a fechadura sendo trancada.

Andando rapidamente para o elevador, eu sabia que precisava colocar uma certa distância entre eu e Harper antes que perdesse completamente a sanidade.

 

Harper

Ainda sentindo-me confusa e preocupada, eu pegara o casaco e calçara um par de botas reforçadas logo depois que Blake saiu do meu quarto. Eu precisava ir a algum lugar onde não me sentisse confinada com meus pensamentos.

Infelizmente, eu não conseguira escapar do meu cérebro e ainda me sentia igualmente ansiosa várias horas depois, mesmo depois de parecer que tinha caminhado muitos quilômetros.

Eu tinha experiência em trilhas, mas percebi que deixara de lado todas as regras de trilhas e navegação enquanto andava em um transe, sem prestar atenção em nada, exceto nos meus pensamentos mais profundos.

Merda!

Finalmente percebi onde eu estava e observei a neve que ainda permanecia no chão. A primavera estava a caminho, mas ainda não chegara.

Senti frio depois de seguir um caminho que parecia não levar a lugar algum.

Havia pinheiros ao longo da estrada de concreto. Continuei andando quando vi fumaça ao longe, quase certa de que seria a lareira da casa de alguém.

Portanto, devia haver pessoas mais adiante. Continuei andando.

Mesmo depois de horas pensando, eu não estava mais perto de entender como me sentia sobre o fato de Marcus ser, na verdade, Blake, e uma pessoa completamente diferente do que sempre achei que fosse.

Por tanto tempo, eu devorara todas as notícias que conseguira sobre Marcus Colter, sem nunca perceber que era sobre Blake que queria saber.

Por algum motivo, achei que deveria ter sabido que o homem com quem estivera, com quem brincara, que tinha conhecimento íntimo do meu corpo não era Marcus Colter. O gêmeo mais velho era conhecido por nunca ficar com uma namorada por muito tempo. Blake nunca demonstrara ser um mulherengo... apesar de ser um homem maravilhoso. Minha mãe falara dele com afeto. Infelizmente, ela nunca comentara que fora Blake quem fora atrás de mim naquele abrigo. Talvez ela supusesse que eu sabia. Nas poucas ocasiões em que eu o vira na televisão, ele chamara minha atenção. De forma burra, eu ficara atônita ao perceber como ele me relembrava Marcus.

Provavelmente porque foi com ele que eu dormi!

Se eu tivesse dado ouvidos aos meus instintos, teria percebido a verdade? Eu nunca saberia, pois estivera pensando com o coração partido.

Porém, de uma coisa eu estava certa: nunca mais confundiria os dois.

Depois de falar com Blake e de ficar perto dele, meu coração sempre o reconheceria dali em diante.

Parei ao olhar para cima, admirando a beleza da casa de madeira imensa à minha frente. Era uma mansão, mas ainda parecia aconchegante.

Eu a observei por um longo tempo, repassando a arquitetura complexa na mente e perguntando-me de quem fora o projeto. Finalmente decidi que era mais importante reconhecer que era uma casa muito grande, mas solitária, no meio do nada. E que eu ainda precisava encontrar o caminho de volta para o resort.

Percebi uma sombra pelo canto do olho antes de ouvir os latidos empolgados de um cão. Fiquei tensa ao perceber que o pastor alemão imenso vinha na minha direção depressa, certamente em uma velocidade que eu não conseguiria superar. Eu amava cães, mas não sabia o que esperar daquele pastor alemão.

— Shep! Não! Volte aqui, seu monstro! — A voz feminina chamou à distância, mas o cão parou imediatamente. Em seguida, virou-se com um ganido decepcionado para voltar para a casa.

Avançando, acenei para a bela loira que correra atrás do cão, demonstrando que não pretendia fazer mal algum.

Ela correu na minha direção, parando a poucos passos de mim. — Eu sinto muito. Ele fica muito empolgado às vezes. Você deve ser uma hóspede do hotel. Andou bastante.

A mulher sorriu e soltei uma risada nervosa. — Desculpe. Obviamente, é uma propriedade particular. Acho que me perdi nos meus pensamentos.

O cão enorme se sentou ao lado da linda mulher e olhou para mim com desconfiança.

Estendi a mão para o cão cheirar e senti-me gratificada quando ele lambeu meus dedos, obviamente aceitando minha presença como sendo amigável.

— Está tudo bem — garantiu ela. — Só não vemos pessoas pelos lados de cá com frequência. Sou Lara Colter.

— Esposa de Tate?

Lara me encarou com atenção. — Sim. Como sabe?

Eu sabia que o irmão Colter que fora das Forças Especiais se casara com uma ex-agente do FBI. Meu irmão, Jett, me dava notícias dos Colters, pois fora colega de Marcus durante muitos anos. Ele mencionara o casal improvável de amantes umas ou duas vezes. — Sou Harper Lawson. Minha irmã é o motivo de seu marido não estar em casa agora.

Lara acenou em direção à casa. — Entre, por favor. Vou preparar algo quente para você beber. Parece estar congelando.

Ela se virou e acenou para que o cão voltasse para a casa. Eu a segui.

Estávamos acomodadas na casa enorme quando ela falou novamente enquanto fazia café. Sem saber o que mais fazer, sentei-me à mesa.

— Lamento sobre a sua irmã — disse Lara. — É horrível quando uma pessoa inocente se envolve com a loucura do mundo.

Suspirei. — Seu cunhado, Marcus, disse que Dani sabia no que estava se metendo e que sabia dos riscos. Ele estava certo, ela sabia mesmo. Mas isso não torna as coisas menos difíceis quando ela desaparece.

— Eu também sabia dos riscos quando era agente. Eu os aceitei. Mas isso não significava que eu queria que algum idiota me matasse. Ela faz um trabalho importante. Adoro as reportagens dela. Ela faz mais do que apenas relatar as notícias mundiais. De alguma forma, Danica consegue incluir o elemento humano e o preço que as pessoas pagam.

Eu assenti. — São com essas histórias que ela mais se importa. Ela quer que as pessoas no mundo todo saibam o resultado de qualquer situação ruim. — Vocês duas são muito próximas? — perguntou Lara ao colocar uma xícara à minha frente. Em seguida, ela se sentou com a própria xícara nas mãos.

Observei enquanto ela colocava açúcar e creme no café. Ao terminar, ela empurrou os dois sobre a mesa caso eu quisesse usá-los.

— Somos muito próximas, sim — respondi com sinceridade, balançando a cabeça para a oferta de açúcar e creme. — Ela sempre foi minha melhor amiga, mesmo quando éramos crianças.

— Lamento — repetiu Lara. — Espero que os rapazes consigam trazê-la de volta para casa em segurança. Como você está enfrentando a situação?

Percebi como era bom ter alguém que perguntasse sobre mim. Eu estava tão acostumada a viajar que raramente fazia bons amigos. Dani sempre fora a pessoa para quem eu telefonava quando estava chateada. E, agora, ela não estava lá.

— Bem, na medida do possível, acho. Mas quero muito ouvir alguma notícia.

Lara tomou um gole do café antes de responder. — Não tive notícias de Tate, se tivesse, contaria a você. Sinceramente, não acho que eles farão contato até que descubram alguma coisa. Assim, não chamarão a atenção.

Fiquei ligeiramente aliviada por ela não ter recebido nenhuma notícia ruim. — Sinto-me horrível por ter colocado sua família em perigo. Eu só estava... assustada. Não consegui fazer com que o governo ajudasse porque ela provavelmente teve culpa de entrar no país, apesar das advertências.

— É esse o problema. Não entendo por que ela fez isso — comentou Lara. — Ela é uma jornalista experiente, apesar de ser jovem.

Dei de ombros. — Também não entendo. Queria entender. Dani sempre foi destemida, mas não é suicida. Ela é cuidadosa e tem bom senso.

— Acha que ela foi levada da Turquia? É um pouco improvável. Eu assenti. — Concordo. Não acho que ela tenha sido capturada lá. Ninguém mais foi levado, até onde sei. E há uma missão humanitária, onde ela foi vista pela última vez. Estava com eles logo antes de desaparecer.

O telefonema dela daquela área antes de ser sequestrada fora a última vez que eu ouvira a voz da minha irmã.

— Se isso faz com que se sinta melhor, Marcus não precisou obrigar Tate a ir. Na verdade, acho que meu marido estava chateado com Marcus por não ter contado a Tate o que estava fazendo antes com a OPR, sem incluí-lo — disse Lara com um sorriso leve.

— Por que não?

— Tenho certeza de que foi porque Marcus não conseguiria se concentrar se estivesse preocupado com o irmão — comentou Lara. — Mas Tate teria ficado muito feliz se pudesse pilotar novamente nessas missões.

— Ele é tão bom assim? — perguntei curiosa.

— Um dos melhores, e não estou dizendo isso só porque ele é meu marido.

— Tenho certeza de que você não ficou feliz por ele ir com Marcus.

Lara deu de ombros. — Ficarei preocupada, mas concordei que ele deveria ir. Eles precisam tirar sua irmã de lá.

— Meu irmão, Jett, era o técnico de Marcus nas missões até que o último resgate deu errado. Ele ficou muito ferido. Eu nem sabia da existência da OPR até que isso acontecesse. Eles mantêm segredo porque isso lhes dá uma vantagem.

— Sim. Acho que foi por isso que Tate ficou chateado. Ele achou que Marcus deveria ter contado.

— Acho que Jett também deveria ter contado para mim e nossos irmãos. Mas ele não queria correr o risco de que alguém dissesse alguma coisa, mesmo que fosse de forma não intencional.

— Ele está procurando sua irmã?

— Não fisicamente. Ele não pode, nunca se recuperou completamente.

Ele manca agora depois de ter a perna lesionada, mas está tentando conseguir informações.

— O resto da sua família sabe? — perguntou Lara com curiosidade. —

Meus pais morreram em um acidente de carro há alguns anos. Portanto, é apenas eu, Dani e meus três irmãos. Todos eles sabem. Jett contou a eles. Como se feriu na última missão, não tinha muita escolha. Acho que todos eles estão tentando obter informações de diferentes fontes. Eu não podia esperar mais. Vim pedir ajuda a Marcus quando não conseguimos nada usando métodos convencionais. Eu não sabia que ele nunca falara a ninguém sobre a OPR, exceto Blake. Praticamente todos os disfarces deles foram expostos.

— Somente para alguns dos governos — respondeu Lara. —

Basicamente, as mesmas pessoas que eles não queriam que soubessem de nada. Nosso governo não vazou as informações para o público geral, portanto, Marcus não tinha que contar nada a Aileen nem ao resto da família.

Pensei em como aquela mulher provavelmente estava preocupada com o marido e senti-me culpada. — Desculpe. De verdade, nenhum dos Colters deveria ter se envolvido.

— Não culpo você — retrucou Lara em tom suave. — Se eu tivesse uma irmã, teria pedido ajuda a qualquer pessoa que conhecesse. Se Tate não fosse perfeitamente capaz, acho que eu estaria mais assustada. Mas ele voou em missões perigosas das Forças Especiais. Sabe o que está fazendo e voltará para casa em segurança.

— Obrigada. Não quero ver nenhum deles ferido. — Então, você sabe o papel de Blake, certo?

— Que ele está fingindo ser Marcus como distração? — questionei, quase certa de que era isso que ela perguntava.

— Sim.

— Sei. Eu o encontrei esta manhã. Ele me explicou.

Depois de me beijar selvagemente no elevador!

— Você conhece bem Blake e Marcus? — perguntou Lara inocentemente. Não podia contar a ela que Blake tirara minha virgindade e que eu não conseguia chegar perto dele sem ter vontade de arrancar suas roupas, viver o prazer que sabia que teria novamente nas mãos dele. — Não conheço nenhum dos dois muito bem. Eu estava desesperada. Blake e eu tivemos uma história, mas não conheço Marcus.

— Que tipo de história? — pressionou Lara. — Nós... — Eu não sabia bem o que dizer.

— Você fez sexo com ele — acusou Lara empolgada. — Você está corando de verdade. Blake é um solitário. Nunca conheci uma mulher por quem ele realmente se interessasse.

Amaldiçoei meu constrangimento quando ela riu. — Foi há muito tempo, Lara.

— Quanto tempo?

— Doze anos — confessei chateada. — Preciso ouvir essa história —

implorou Lara.

Com um suspiro leve, contei o que acontecera tantos anos antes. Não dei nenhum detalhe sexual, mas contei a ela como fugira de casa, como sempre fora escrota e como viver alguns dias sem ter um teto me modificara.

— Por que você e Blake não mantiveram contato? Vocês obviamente tiveram uma conexão. E, se há alguém que precisa de uma mulher na vida dele, é Blake.

Ergui a cabeça abruptamente para encará-la. Rapidamente expliquei a parte da confusão de identidade e perguntei a Lara: — Por que acha que ele precisa de uma mulher?

Ela deu de ombros. — Porque nunca parece estar emocionalmente envolvido com ninguém, nunca tem uma mulher no rancho e parece...

solitário.

— Ele é um senador. Um político. Acho que tem companhia mais do que suficiente. — Não estou falando disso. Ele é um político incrível e não se deixa levar pelas emoções. Nesse ponto, ele é como Marcus. Mas consigo sentir que ele não é completamente feliz.

— Você deveria ser psicóloga — comentei, brincando sobre a forma como ela parecia analisar as pessoas.

Lara deu uma piscadela. — Estou trabalhando nisso. Só mais um ano de faculdade.

Conversamos por algum tempo sobre os estudos dela e o trabalho que ela queria fazer sobre violência doméstica.

— Isso é incrível — comentei com a voz maravilhada.

— Não é mais fantástico do que o que você faz com os sem-teto —

retrucou ela.

Falei entusiasmada sobre o meu trabalho de caridade e Lara escutou atentamente.

Quando parei para respirar, Lara comentou com uma expressão pensativa: — Sabe de uma coisa? Nossas causas não são tão diferentes. As duas têm como foco pessoas que precisam de ajuda. Quando tudo isso terminar e eles encontrarem sua irmã, talvez possamos conversar sobre trabalharmos juntas.

Fiquei aliviada por ela soar tão confiante de que Danica seria encontrada. E adorei a ideia de trabalhar com ela. Sinceramente, havia muitas mulheres e crianças que se viam na rua tentando escapar da violência doméstica.

No entanto, havia problemas de logística. — Eu gostaria disso. Mas moro na Califórnia... bem, pelo menos durante parte do ano. No resto do tempo, estou viajando.

— Trabalhamos em todo o território dos EUA — argumentou ela. Sorri para ela. — Então eu adoraria tentar.