Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 10 de 28

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Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 9

Fui embora um pouco depois, sentindo que conhecera uma nova amiga.

E sentindo-me culpada por ter colocado o marido dela em perigo por causa da minha necessidade egoísta, o desespero de ter minha irmã de volta viva.

Enquanto percorria o caminho em frente à casa, seguindo as orientações que Lara me dera quando recusei uma carona de volta para o hotel, senti-me ligeiramente encorajada pela confiança dela nas habilidades de Marcus e de Tate. Ela parecia achar que Marcus e seu marido conseguiriam tirar Dani daquela situação perigosa. E, como Lara era íntima deles, eu aceitaria a palavra dela.

 

Harper

Só na tarde seguinte que consegui organizar minhas ideias sobre Marcus e Blake.

Na realidade, eu não conhecia Marcus. Falara com ele uma vez sobre Dani e vira-o algumas vezes quando era criança.

Blake... eu conhecia intimamente. De forma bem literal. Eu estava começando a me acostumar com o fato de que o cara com quem estivera doze anos antes fora Blake.

Suspirei ao calçar um par de botas. Eu ainda não tivera notícias da minha irmã e estava perto de perder o controle.

Mesmo se as notícias fossem ruins, qualquer coisa seria melhor do que o limbo em que eu estava no momento.

Dei um salto com as batidas súbitas na porta do meu quarto.

— Harper. — Era a voz de Blake do outro lado da porta de madeira.

Amarrando rapidamente o segundo pé da bota, em segundos eu estava com os pés no chão e correndo para a porta para ver o que Blake descobrira.

Abri a porta, ofegante de preocupação. — O quê? O que aconteceu?

Blake entrou no meu quarto sem dar explicações, fechando a porta atrás de si. — Precisamos tirar você daqui — disse ele sem preâmbulos.

Segurei o braço dele, agarrando o suéter pesado que ele vestia. — Por quê? O que está acontecendo? Você encontrou Dani? Ela está viva?

— Ela está viva. O governo recebeu notícias sobre o que realmente aconteceu e a imprensa logo chegará aqui. Pegue o que precisa. Pedirei à

minha mãe que mande o resto.

A voz dele tinha tanta urgência que imediatamente obedeci às suas ordens. Ele não parecia preocupado com nada além de mim, portanto, supus que tivesse notícias boas. No entanto, meu coração batia com força enquanto juntei algumas coisas e coloquei-as dentro da mala. Eu queria saber desesperadamente o que ele soubera.

Sem palavras, Blake pegou a mala da minha mão. Peguei a bolsa e ele segurou a minha mão.

— Vamos — murmurou ele com urgência.

Eu o segui sem fazer mais perguntas até estarmos dentro do carro dele.

Tive que praticamente correr para acompanhá-lo enquanto ele andava depressa até o estacionamento do hotel onde o SUV de luxo estava parado.

Ele dirigiu como um louco, mas logo percebi que Blake sabia para onde estava indo. Ele era um motorista habilidoso e senti-me segura.

— Conte — implorei enquanto ele dirigia para longe do hotel. — Por favor. — Eu não aguentaria mais um minuto sem saber o que acontecera com Dani.

— Os sequestradores da sua irmã enviaram um vídeo como prova de vida. Eles exigem a libertação de alguns membros da organização deles, que capturamos e prendemos, em troca dela, além de uma montanha de dinheiro.

— Eu tenho dinheiro. Muito. Darei qualquer coisa que queiram —

disse eu em tom desesperado.

— Não podemos soltar os prisioneiros que eles querem, Harper. Eles são responsáveis pela perda de muitas vidas. Ninguém recusou ainda as exigências deles, mas vão recusar.

A voz de Blake era sombria. E, como era senador dos EUA, eu sabia muito bem que ele saberia o que podia e o que não podia ser feito. De forma egoísta, eu não dava a mínima para quem seria solto para que libertassem minha irmã. Mas, como cidadã, não conseguiria conviver comigo mesma se a barganha fosse aceita e aqueles prisioneiros tirassem mais vidas inocentes.

— O que havia no vídeo? Como ela estava? — perguntei, ansiosa por qualquer informação que conseguisse.

— Eu tenho o vídeo. Você poderá vê-lo quando chegarmos à minha casa. — É para lá que estamos indo?

— Sim. Eu preferiria levar você para a casa de Zane porque ele tem uma fortaleza. Ele trabalha com materiais confidenciais e tem um laboratório em casa. Mas eu moro bem mais longe porque queria uma propriedade grande. Não consegui falar com Zane. Ele e Ellie não estão aqui. Então teremos que ficar na minha casa. Pelo menos, ela é cercada e tem uma entrada com portão. Além do mais, não sei se alguém pensaria em ir tão longe.

— Então não vamos para a casa de Marcus?

— Não. É o primeiro lugar em que a imprensa procurará. O trabalho dele de resgate de vítimas sequestradas acabou de vir a público. Os sequestradores de Dani mencionaram o nome dele, avisando para que não fosse atrás dela. A imprensa desejará ver se ele está envolvido.

— Então sua família inteira saberá sobre a OPR? Blake assentiu depressa. — Infelizmente, sim.

— Não entendo por que eles ainda não sabem. Como podem não saber?

Obviamente, deram cobertura a vocês dois quando você teve que assumir o lugar de Marcus no passado.

— Damos a eles outro motivo — respondeu Blake, sem dar informações adicionais.

— A imprensa ousaria invadir uma propriedade particular? O hotel tem hóspedes, mas as residências da família obviamente são particulares.

— Você ficaria surpresa — retrucou Blake. — Sua irmã é jornalista.

Você deveria entender a ânsia de um repórter de conseguir um furo.

— Mas eles não entrarão na sua propriedade.

— Eu não apostaria nisso. Eles sabem que você está aqui. Pelo menos, que estava. A imprensa, de alguma forma, conseguiu informações sobre o seu voo e sua viagem para Rocky Springs. Se acharem que ainda está por aqui, tentarão de tudo para falar com você sobre a captura de sua irmã.

Espero que, entre minha mãe e o resto da minha família, consigam despistá-los. Eu disse a eles que explicaria tudo mais tarde, mas que tentassem manter a imprensa afastada com uma explicação bem simples.

— Como podem fazer isso?

— Dizendo a eles que Marcus partiu com você no jatinho particular dele. — E você?

Ele sorriu. — Supostamente, estou de férias. Já tive mais férias fictícias desde que comecei a ser Marcus do que tive férias de verdade na vida

inteira.

Meus lábios formaram um sorriso fraco. Por algum motivo, eu não conseguia ver o senador Colter tirando muitas folgas.

Percorremos uma distância muito maior do que eu esperara. Só chegamos ao portão da casa de Blake quinze ou vinte minutos depois. —

Você não estava brincando — comentei. — Parece quase um rancho.

— E é — respondeu ele em tom direto. — Gado, na maioria. Tenho uma operação de criação.

— Você é rancheiro? — Fiquei um pouco surpresa.

Ele abriu a janela e digitou um código para abrir o portão. Em seguida, respondeu: — Acho que a maioria diria que sou um criador e que meu hobby é este rancho. Não tenho terras suficientes para ter um rebanho de verdade e nunca foi o que eu quis fazer. Estou mais interessado em produzir novas raças.

— Suponho que não se formou em ciências políticas na faculdade —

comentei. Ele riu e balançou a cabeça negativamente ao passar pelo portão.

— Não, não. Meu plano de vida não era entrar para a política. Só...

aconteceu. Eu não aguentava o infeliz que representava nosso distrito e resolvi ser candidato. Depois disso, eu tinha idade suficiente para concorrer a uma vaga no senado.

— Você gosta? — perguntei.

— Na maior parte do tempo. Pelo menos, posso ser a voz do povo do Colorado.

Percebi na voz dele o compromisso de fazer o melhor possível como servidor público. E, como ele era um bilionário que poderia fazer qualquer coisa que quisesse, não pude deixar de admirar a dedicação dele.

Cruzei os braços sobre o peito enquanto Blake percorria o longo caminho. — Como é ser independente com o clima político tão dividido?

— É um inferno — respondeu ele com simplicidade. — Mas tenho a obrigação de lutar pelo povo do Colorado. Diferentemente de muitos dos meus colegas, não me importo nem um pouco com lobistas. Estou lá para fazer um trabalho para os eleitores que confiaram em mim o suficiente para votarem em mim.

— Isso é novidade. — Eu não queria que o comentário parecesse sarcástico e torci para que Blake não o interpretasse assim. Sinceramente,

pouquíssimos representantes se importavam com seus eleitores. Eles se importavam com ganhar e reter poder em Washington.

Ele deu de ombros. — Tento conversar com o maior número possível de pessoas e obter vários pontos de vista. Leio relatórios científicos e tento pensar nas gerações futuras.

— Você realmente se importa — comentei, sabendo que havia admiração na minha voz. Blake era um caso raro em se tratando de agentes governamentais.

— Não sou o único — disse ele com modéstia. — O problema é que somos a minoria. Já sou rico e não fui para Washington por causa de poder.

Quero tornar a vida melhor para o povo do meu estado, do meu país e do mundo.

— Quase me faz ter vontade de ainda morar aqui para que pudesse votar em você. Você é muito persuasivo, senador — brinquei.

Ele estacionou o SUV na garagem e desligou o motor. Em seguida, ele virou a cabeça e encontrou o meu olhar. — Posso pensar em outras coisas que preciso de você muito mais do que preciso do seu voto, Harper.

O som profundo e gutural da voz dele e o olhar hipnotizante lançaram uma onda de desejo pelo meu corpo, fazendo com que eu percebesse que queria muito mais de Blake do que apenas sua proteção.

Eu queria... eu precisava...

— Seria seu mesmo assim — disse eu, sem saber ao certo se falava mesmo do meu voto enquanto me perdia nos belos olhos cinzentos.

A expressão dele ficou sombria quando ele afastou o olhar e abriu a porta do carro, pegando minha mala no banco de trás. — Vamos.

Assistiremos ao vídeo de Dani.

— Quero ver — disse eu ansiosa.

— Eu tenho, mas ainda não assisti. Ele foi retirado da rede quase imediatamente, mas tenho um link privado.

Saí do carro. — Foi assim que os repórteres ficaram sabendo — sugeri.

— Ficou público por algum tempo?

— Por um tempo muito curto, sim — confirmou ele.

Agora, tudo fazia sentido. Se o vídeo virara público, os repórteres obviamente tinham me procurado na Califórnia. Quando não me encontraram, alguém descobriu exatamente para onde eu viajara.

Merda, era assustador como era fácil encontrar uma pessoa como se fosse uma presa.

Comecei a andar quando percebi que Blake me esperava com a porta da garagem aberta. Eu estava ansiosa para ver o rosto da minha irmã, mesmo que fosse apenas em um vídeo.