Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 1
Pisei no acelerador, deslizando um pouco ao fazer o retorno na rua congelada.
Eu nunca fora tão irracional como naquele momento e jurei para mim mesmo que a esperaria. Se ela não me telefonasse, eu tentaria telefonar. Eu sabia ser muito cabeça dura e queria tanto Harper que a esperaria... nem que levasse uma eternidade.
Voltei para o campus porque era preciso, sem nem considerar que demoraria doze anos para que visse o belo rosto da minha virgem de Natal novamente. E que, quando finalmente nos encontramos, seríamos pessoas muito diferentes e que as coisas nunca mais seriam as mesmas.
Harper
Doze Anos Depois...
—Não ligo a mínima se o grupo debandou. Junte-o novamente. Preciso que resgate minha irmã — disse eu irritada a Marcus Colter.
Sinceramente, eu precisara de todas as minhas forças para me aproximar de Marcus depois de todos aqueles anos, mas meu amor pela minha irmã mais nova era muito mais importante do que meu orgulho. E daí que tivéramos algo mais de uma década antes? A vida de Danica estava em risco, eu desesperadamente queria que ela sobrevivesse e isso tornava o fato de Marcus ter partido meu coração no passado quase irrelevante.
— Não é assim que funciona — retrucou Marcus em tom estoico ao tomar mais um gole do álcool cor de âmbar que ele bebia. Eu raramente bebia e não era exatamente conhecedora de bebidas alcoólicas.
— Poderia funcionar assim. Preciso que você faça mais uma missão.
— Havia uma nota de desespero na minha voz que odiei, mas não havia como recuar.
Eu nunca implorara nada a ninguém e era especialmente difícil de engolir o fato de ter que fazer isso para tentar coagir Marcus Colter. Eu me esforçara muito para terminar a faculdade para nunca mais ter que depender do dinheiro dos meus falecidos pais. Eu nunca mais queria ficar sem um teto ou sem as necessidades básicas da vida e tentava ajudar as pessoas que não tinham essas coisas.
Portanto, rastejar para Marcus Colter depois de todos aqueles anos sem vê-lo não era algo fácil para mim. Eu tivera que me forçar a procurá-lo e implorar a ele era totalmente contra a minha natureza.
Não era que eu voltara a ser a prima donna que fora antes de fazer dezoito anos. Na verdade, eu me tornara muito independente. Meus irmãos agora me chamavam de “irmã silenciosa” e Dani de “encrenqueira”. Mas eu tinha quase certeza de que isso tinha muito a ver com a profissão que eu e minha irmã tínhamos escolhido. A minha era geralmente algo que eu fazia praticamente sozinha. Danica tinha que falar com as pessoas sobre assuntos controversos.
Somente minha família conseguia fazer com que eu deixasse o orgulho completamente de lado, que tentasse esquecer que Marcus me destruíra doze anos antes quando mal me tornara adulta.
— Sua irmã estava perfeitamente ciente dos riscos — disse Marcus sem a menor empatia.
Minha irmã mais nova, Danica, estivera ciente dos riscos quando se tornara correspondente estrangeira, mas era tão apaixonada pelo trabalho que simplesmente não se importava. Agora, ela fora capturada por terroristas e, depois de várias semanas implorando ajuda do governo, eu não tinha mais opções. Pelo jeito, nosso governo federal nem estava ciente de que ela fora sequestrada até que eu o abordasse. E eles estavam hesitantes em dar passos apressados.
Merda, os federais eram qualquer coisa, mas não rápidos nem intempestivos. Eu sabia muito bem que minha irmã poderia morrer sem algum tipo de intervenção rápida e parecia que a ajuda não viria de Washington.
Não era um ente querido deles que poderia ser morto a qualquer momento.
Não era a irmã, a filha ou a amiga deles que poderia estar sofrendo torturas inimagináveis naquele momento.
Não fora um deles que acordara suando frio ao sonhar com o que poderia estar acontecendo com a irmã em território hostil.
Imbecis!
Tentei controlar o medo e a raiva ao comentar: — Sim, ela sabia dos riscos. Mas isso não significa que ela queira ou mereça morrer. Só estou pedindo a você mais uma missão. — Eu estava desesperada e Marcus não
parecia nem um pouco comovido, portanto, decidi mencionar um assunto que jurara não levar à tona. — Como você tirou a minha virgindade e voltou para Rocky Springs com sua namorada como se isso nunca tivesse acontecido, achei que seria o mínimo que poderia fazer. — Ai, merda, eu estava jogando minha última carta decente, tentando fazer com que Marcus se sentisse culpado o suficiente para reunir novamente seu grupo OPR, Organização Privada de Resgate, para mais uma missão. Eu não estava pedindo para que se reunissem de novo para sempre.
Eu sabia que não era possível. Só precisava que ele fosse e resgatasse uma prisioneira, minha irmã mais nova, mais uma vez.
Eu nem quisera trazer à tona meu passado com Marcus. Era a última coisa que eu queria discutir. Pelo amor de Deus, o incidente acontecera doze anos antes. Mas eu estava frenética e meu medo por Dani me faria ajoelhar e implorar, se necessário.
Por sorte, eu não sentia absolutamente mais nada por aquele homem.
Antes de chegar à casa de Marcus em Rocky Springs, eu tivera medo de que ainda sentiria aquela fagulha de atração que sentira tantos anos antes, uma chama tão quente que tivéramos uma noite juntos, minha primeira vez que eu nunca esquecera. Um evento que, mais tarde, partira meu coração.
Agora, eu não sentia nada pelo homem a quem implorava que resgatasse minha irmã... exceto impaciência. Para ser franca, achava a atitude calma dele muito irritante, já que eu estava tão tensa que mal conseguia respirar.
— Pode repetir o que disse? — pediu Marcus em tom suave.
Eu o encarei friamente. — Não, não vou dizer isso de novo. Você sabe exatamente o que aconteceu.
Se ele está tentando me distrair para fazer com que eu me esqueça do meu objetivo, não vou morder a isca.
— Relembre-me — pediu ele.
Como se ele não se lembrasse do que acontecera?
Se isso fosse verdade, eu passara muito tempo magoada quando o alvo daquela dor achara o incidente tão insignificante que não conseguia se lembrar das circunstâncias.
— Esqueça. Eu nem deveria ter tentado pedir a sua ajuda — respondi com o tom cheio de desgosto.
Imbecil! Talvez tivesse acontecido muito tempo antes, mas era de se pensar que me apresentar aos prazeres do sexo seria pelo menos um pouco memorável.
Não importa, Harper.
Eu tinha que manter a calma. O que acontecera entre eu e Marcus doze anos antes não importava naquele momento. O único motivo pelo qual eu mencionara aquilo fora para tentar fazer com que ele se lembrasse de nossa conexão e tivesse motivação suficiente para salvar minha irmã mais nova.
Só o que eu queria era minha irmã de volta. Eu a queria em segurança ao meu lado. Eu me preocupava com Dani todas as vezes em que ela saía do país. E, depois de muitos anos preocupada com a segurança dela, meu pior pesadelo se transformara em realidade.
Dani fora levada, sequestrada. Era mantida refém em algum lugar da Síria por um grupo rebelde desconhecido. Um resgate naquele lugar hostil fora recentemente concluído pelas Forças Especiais, mas Dani não estava no grupo de reféns resgatados.
Aquilo fez com que os militares tivessem ainda mais certeza de que ela não era prisioneira.
Meu irmão, Jett, recebera alguns pedidos de resgate e estávamos mais do que dispostos a pagar aos sequestradores para tê-la de volta. Não nos importávamos se era outro grupo de rebeldes em outro local, um pequeno grupo de guerrilheiros que o governo dos EUA nem sabia que existia.
Minha irmã estava em perigo e não importava quem eram os lunáticos que a tinham capturado. Mas, quando chegara o momento do encontro para trocar Dani pelo dinheiro, os rebeldes não tinham aparecido. Nem Dani.
Eles já a tinham matado?
Não tinham conseguido atravessar a fronteira para encontrar meu irmão?
Tinham achado que era uma armadilha e decidiram cancelar o encontro?
Tinham entendido errado?
Não tivéramos a oportunidade de descobrir.
A comunicação fora interrompida e eu temia que minha irmã estivesse perdida para nós para sempre.
Fora quando Jett, meu irmão, sugerira tentar Marcus e a OPR. Tendo sido membro da equipe de resgate de elite privada que Marcus Colter
liderara, meu irmão sabia melhor do que ninguém como eles eram bons. Durante os vários anos da existência da organização, nunca tinham fracassado em encontrar um refém... a não ser que já estivesse morto.
Infelizmente, a existência do grupo fora exposta, bem como todas as pessoas da equipe. Com a identidade deles e o trabalho privado comprometidos, o grupo fora desfeito. Meu irmão fora um dos feridos na última missão, e a única fracassada, que os deixara expostos ao mundo.
— Eu não disse exatamente que não ajudaria — respondeu Marcus finalmente. — Não faça joguinhos comigo, Marcus. Ou você resgatará Dani ou não resgatará — disse eu furiosa. Aquele homem brincara com os meus sentimentos no passado e eu não deixaria que isso acontecesse de novo.
Eu estava mais velha e muito mais sábia.
— Como eu disse, não é tão simples assim. Nem seu irmão nem um outro membro muito importante da equipe, o piloto, pode entrar em combate. Os dois eram especialistas essenciais do grupo. Porém, talvez eu consiga substituí-los para tentar este resgate.
Eu o observei, prendendo a respiração ao perceber o olhar contemplativo em seu rosto.
Merda! Ele ainda era lindo, mesmo sendo um idiota. Não que eu sentisse a química que tivéramos anos antes, mas, de terno feito sob medida e gravata, os cabelos perfeitamente no lugar e uma sombra de barba formando-se no maxilar forte, Marcus Colter era esteticamente bonito.
Era uma pena os olhos cinzentos dos Colters parecerem mortalmente frios.
— Por favor — implorei finalmente. — Preciso ter Dani de volta viva.
— Se eu recuperá-la, ela precisará ficar nos Estados Unidos —
resmungou ele. — Eu a vi em praticamente todos os locais perigosos onde estive. Ela é uma chatice para mim.
— Vocês dois se encontraram? — perguntei, interessada em como eles tinham interagido.
Marcus tinha uma expressão de dor no rosto ao responder: — Vezes demais. Se houver uma área no mundo em que existem problemas, sua irmãzinha estará sempre lá.
Eu sabia que Marcus era viajante internacional, mas não percebera que ele encontrara Dani. — É o trabalho dela. Ela é uma repórter fantástica —
defendi.
Marcus soltou um suspiro muito masculino. — Ela deve ter vontade de morrer, sei lá. — Sorri porque ele soou muito como meus irmãos mais velhos. Todos odiavam a profissão que Danica escolhera, mas ninguém conseguira segurá-la. Eu também não gostava, mas entendia que não tinha como impedi-la de perseguir sua paixão. Isso tiraria totalmente a vida dela.
— Então você irá? — perguntei ansiosamente.
— Assim que eu conseguir reunir uma equipe — concordou ele, esfregando o queixo como se já estivesse pensando em como organizar o grupo.
— Obrigada — disse eu sem fôlego. — Ficarei devendo uma a você.
— Acho que me entregar sua virgindade foi o suficiente — respondeu ele de forma dura.
— Achei que não se lembrava — acusei, encontrando o olhar de aço quando ele se recostou contra a mesa de escritório em sua casa.
— Talvez eu esteja recordando — disse ele em tom distraído.
— Lamento que não tenha sido importante o suficiente para você se lembrar imediatamente — respondi em tom sarcástico. Na verdade, fiquei magoada por ele não se lembrar de algo que fora tão significativo par amim.
Mas ele obviamente não se importara o suficiente nem mesmo para se lembrar do encontro.
Ele me observou de cima abaixo com um sorriso ligeiramente malicioso. — Ah, tenho certeza de que foi memorável.
Eu não tinha certeza do que ele quisera dizer, mas, ao continuar sustentando o olhar dele, fiquei aliviada por ainda não sentir absolutamente nada.
Minhas lembranças eram tudo o que restara do que acontecera entre nós. Aquele Marcus não era o mesmo jovem que eu conhecera tantos anos antes. Ah, ele ainda era bonito, mas tinha um toque duro e brutal que me deixava ligeiramente desconfortável. Não conseguia imaginá-lo como o mesmo cara que sorrira para mim como um garoto e que me fizera sorrir em um momento em que eu estivera tão infeliz.
Por um breve momento, lamentei o fim do jovem que ele fora.
Mas então percebi que eu também mudara no decorrer dos anos.
Ele era produto da vida adulta que levara e o mesmo acontecia comigo.
Obviamente, éramos pessoas muito diferentes agora. De muitas formas, a desconexão dele fez com que eu me sentisse... livre.
— E como você acabou formando um grupo de resgate? — perguntei com curiosidade.
Antes da morte dos meus pais em um acidente de carro sete anos antes, minha mãe me contava tudo o que acontecia com os Colters.
Não que eu me importasse, pois não era próxima de nenhum deles.
Ok... talvez eu escutasse, mas ela falava muito pouco sobre Marcus porque ele normalmente estava afastado. Eu ouvira falar mais sobre Tate, Chloe e Zane. De vez em quando, ela mencionava Blake, mas só se tornara membro do senado depois da morte dos meus pais. Ele servira um mandato como deputado, mas desistira depois para concorrer ao cargo de senador ao atingir o requisito de idade mínima.
Blake Colter era provavelmente um dos homens politicamente mais ambiciosos que eu já vira e era um senador excepcionalmente bom pelo que ouvira dizer. Eu não o via desde que éramos crianças, mas ainda me sentia mal sobre a forma terrível como o tratara na infância. Eu não fora nada gentil, mas, por outro lado, fora escrota com praticamente todo mundo.
Marcus finalmente respondeu: — Você está perguntando por que um bando de bilionários se reuniu para fazer algo decente? — perguntou ele secamente. — Não. Não estou nem um pouco surpresa. Afinal de contas, Jett estava envolvido. Só estou curiosa sobre como aconteceu. Quero dizer, você viaja a negócios porque tem muitos interesses internacionalmente.
Mas o que o levou a realmente pensar em fazer coisas perigosas em países estrangeiros?
— O que fez com que você se tornasse arquiteta e desse seus serviços de graça para construir abrigos para os sem-teto? — retrucou ele. — Não é exatamente o que uma mulher rica faria.
Ótimo! ele transformara a minha pergunta em outra pergunta. Era uma excelente tática de evasão, mas eu não pretendia dizer isso a ele.
— Faço outros trabalhos — respondi na defensiva. — E acho que você sabe por que faço isso.
Marcus ergueu a sobrancelha, mas ele não perguntou mais nada sobre a minha ocupação. — Fiz isso porque entendo muito da política e da cultura em outros países. Acredite ou não, eu tenho coração. A julgar pelo tom tenso dele, eu não sabia ao certo se havia realmente um órgão batendo dentro do peito do homem, mas respondi: — Mas são operações secretas. E
você foi o organizador. Como isso acontece quando você é apenas um homem de negócios verificando suas operações no exterior?
Marcus deu de ombros. — Tive toda a ajuda necessária da minha equipe. Não foi tão difícil assim.
A resposta deliberadamente vaga dele me irritou. Porém, se ele não queria falar sobre sua vida particular, eu não insistiria. Eu precisava dele para uma coisa: resgatar minha irmã.
Ele tirara minha virgindade doze anos antes e não precisávamos exatamente ficar íntimos de novo. Só precisávamos nos dar bem.
Eu me mexi desconfortavelmente em meu lugar a vários metros dele, mudando o peso de uma perna para outra. — Então, tem alguma ideia de quando poderá partir?
— Precisamos de informações primeiro — explicou ele. — Falarei com Jett e verei onde ele acha que ela pode estar e quem a mantém prisioneira enquanto providencio as coisas. Não demorará muito. Um dia, no máximo dois. — Naquele momento, até mesmo vinte e quatro horas pareciam uma eternidade, mas assenti, concordando. De verdade, que opção eu tenho?
Além do mais, a resposta dele fazia sentido. Não havia como uma equipe pequena entrar em um país perigoso sem reunir informações e criar um plano. A última coisa que provavelmente queriam era atrair atenção.
— Por favor, traga-a de volta viva — implorei, com lágrimas começando a se formar nos meus olhos.
Ele assentiu rapidamente. — Farei o possível.
Virei-me para sair do escritório dele e, quando cheguei à porta, ele chamou: — Harper?
Virei-me por um momento para olhar para ele. — Sim?
— Lamento pelo que aconteceu. Quero dizer, não lamento por ter acontecido, mas eu nunca quis magoar você.
Eram águas passadas para mim, portanto, respondi: — Não é nada demais. Eu só queria que você tivesse me dito que tinha namorada. Você me magoou na época, mas já superei há anos.
Aquela não era exatamente a verdade, mas eu amolecera um pouco desde que entrara pela porta minutos antes. Surpreendentemente, eu não sentira nem um traço da atração que sentira por ele tantos anos antes.
— Ainda peço desculpas pelo que aconteceu. Eu era jovem e idiota — disse ele em tom sombrio.
— Não é preciso. Eu realmente superei — respondi em tom direto ao abrir a porta do escritório e sair rapidamente, fechando-a atrás de mim.
Cheguei ao lado de fora antes de abrir um sorriso largo. Eu conseguira e finalmente superara Marcus Colter.
Não precisava mais especular.
Não havia mais sombras sobre a minha cabeça.
Não precisava mais me perguntar se seguraria uma vela por ele para sempre. Eu estava livre.
Se não estivesse tão preocupada com a minha irmã, estaria em êxtase.
Corri para meu SUV BMW alugado, com um sorriso idiota nos lábios ao entrar e ligar o veículo. O inverno se arrastava e não saía do Colorado, deixando as temperaturas ainda baixas.
Ao esfregar as mãos para esquentá-las, falei em voz alta: — Acabou.
Marcus faz parte do passado.
Talvez o Colter mais velho fora o sonho de cada jovem mulher, mas não era mais o meu sonho e eu estava muito feliz por isso.
Por quanto tempo eu me odiara por ainda pensar nele, apesar de ele ser um idiota completo, um mulherengo que mal se lembrara de uma noite que eu nunca conseguira esquecer?
Ah, sim, eu tentara desprezá-lo, mas, de vez em quando, não conseguia evitar lembrar do sorriso irresistível dele, de sua paciência e de sua gentileza naquela noite. Antes que eu descobrisse que tudo que achara que era real como adolescente idealizadora não fora nada mais do que uma atuação muito boa da parte dele para ter uma noite de sexo.
Esperei que o veículo aquecesse, estremecendo um pouco até sentir o banco ficar quente e o ar quente proveniente das ventilações.
Ver Marcus agora que estávamos mais velhos não me fez sentir nem um rastro daquele antigo calor. Pelo jeito, ele desistira de se esconder atrás de um falso charme.
Eu nunca mais teria que me perguntar se sentiria a mesma coisa que sentira doze anos antes.
Eu não sentia.
A única coisa que sentira fora impaciência para tirar minha irmã do perigo.
Um dia ou dois.
Eu conseguiria esperar.
— Por favor, fique viva — sussurrei para mim mesma. Eu não conseguiria viver se algo acontecesse com minha melhor amiga e irmã mais nova. Dani e eu fôramos muito próximas durante a maior parte da vida e mais ainda depois da morte de meus pais. Ela era só um ano mais nova que eu, o que era uma diferença de idade muito pequena, mas nunca deixei de pensar nela como minha irmã menor. Eu ainda a protegia e ela ainda cuidava de mim.
Por algum motivo, senti-me ligeiramente melhor sabendo que Marcus tentaria resgatá-la. Eu podia não gostar dele, mas sabia como ele e sua equipe eram bons, graças a Jett sendo aberto sobre seu envolvimento com a operação. Eu só esperava que conseguissem encontrar a localização de Dani para levá-la de volta rapidamente.
Suspirei, engatei a marcha e voltei para o resort Colter, onde reservara um quarto para que pudesse encontrar Marcus Colter e conversar com ele.
Estranhamente, eu nem o odiava mais.
Eu não sentia absolutamente nada, exceto esperança de que ele conseguisse me ajudar a encontrar Dani.