Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 15
Blake
Eu ainda estava encarando o teto quando o sol nasceu, ainda contando as pequenas texturas no teto do quarto com as luzes ligadas.
Só o que eu sabia naquele momento é que precisava de Harper. A dor nas minhas entranhas não ia embora.
Eu não me casaria com você por causa disso!
Eu ainda conseguia ouvir aquelas palavras saindo da boca linda de Harper, mas não conseguia digeri-las. Além do mais, eu não estava disposto a aceitá-las.
Se ela não se casaria comigo se estivesse grávida, provavelmente não havia chance alguma de que se casasse comigo. Por qualquer motivo.
Talvez eu não devesse ter saído. Talvez devesse ter transado com ela até que se convencesse, até que me quisesse tanto quanto eu a queria.
Talvez então ela ficasse dependente de mim. Eu queria que aquela necessidade fosse mútua, mesmo que estivesse sentindo-me muito miserável naquele momento.
Eu podia ter saído do quarto dela furioso, mas certamente não desistiria.
De forma alguma eu conseguiria me sentir daquele jeito sozinho.
Meu celular vibrou na mesinha de cabeceira e olhei rapidamente a hora.
Era cedo demais para que alguém telefonasse, a não ser que fosse muito importante.
Peguei o telefone, mas não havia nada além do número na identificação. — Colter — atendi abruptamente.
— É, aqui também é Colter — respondeu a voz divertida de Marcus.
Sentei-me na cama, acordando completamente ao ouvir a voz do meu irmão gêmeo.
— Jesus! Você está bem? E Tate? — Verdade seja dita, eu confiava muito nas habilidades de Marcus, mas estivera muito preocupado com meus dois irmãos.
— Estamos bem. Acabamos de chegar em Istambul. Danica precisa de tratamento médico. Ela tem alguns ferimentos infeccionados e está tão desidratada que a estão enchendo de líquidos.
— Ela está muito mal? — perguntei abruptamente.
— Ela sobreviverá. Ela me odeia como sempre odiou — respondeu Marcus secamente. — Você não contou a verdade a ela?
— Ainda não. No momento, ela precisa se curar. Está com algumas costelas quebradas e sentindo muita dor. É melhor que a mantenham medicada e deixem que se cure. Isso também me impede de ser o alvo dela, então para mim está ótimo.
— Por quanto tempo acha que ela ficará no hospital? — perguntei, sabendo que Harper desejaria ver a irmã... ou, pelo menos, falar com ela. —
Se dependesse dela, já teria saído. Mas eu diria que conseguiremos mantê-la lá por mais alguns dias.
— Vimos um vídeo — expliquei. — Ela tinha sido agredida.
— Eu vi — disse Marcus abruptamente. — Ela parece pior. Alguns dos cortes infeccionaram. Mas diga a Harper que ela ficará bem. Está recebendo um bom atendimento e é teimosa como o diabo. A condição dela é estável.
Soltei um suspiro de alívio. — Harper vai querer ir até aí.
— Não — disse Marcus. — Vou tirar Danica daqui assim que ela estiver bem o suficiente para fazer a viagem. Vão querer que ela vá a Washington. Vou levá-la para lá. Tate e eu ficaremos com ela até chegarmos lá, portanto, estará segura.
— Acha que ela vai querer conversar?
— Pedirei a ela que telefone para Harper assim que puder. Prometo. Só avise a ela que Danica está segura.
— Suponho que posso ser eu mesmo agora?
— Sim. Mas provavelmente é mais divertido ser eu do que estar sentado em alguma reunião de senadores metidos a besta no meio daquela merda em Washington — respondeu ele.
— Nenhuma vez na minha vida adulta eu quis ser você — retruquei.
— Porque sou um escroto — concluiu Marcus. — Algumas vezes, também não quero ser eu.
Era uma declaração enigmática e eu não tinha certeza de que ele estava só brincando. — Devo uma a você — disse eu com sinceridade. Marcus salvara a vida de Danica. A julgar pela condição dela, não teria durado muito mais tempo na mão dos sequestradores.
— Você me salvou mais de uma vez — relembrou Marcus. — Vamos dizer que estamos quites.
— Então a equipe está junta de novo?
— Claro que não. A minha cunhada provavelmente atiraria em mim ela mesma se eu levasse o marido dela de novo para um território perigoso. Ele já teve o suficiente desse tipo de merda.
Sorri, imaginando Lara, ex-agente do FBI, ameaçando matar Marcus se convocasse Tate para outra missão. Eu não tinha dúvidas de que meu irmão mais novo ficaria tentado, pois vivia da adrenalina, já que era ex-agente das Forças Especiais. Mas imaginei que Lara não gostaria muito de ver Tate em missões comuns. E Tate parecia muito contente com a situação atual. —
Talvez ela realmente atire em você.
— A antiga equipe acabou. E a nova foi reunida apenas para essa operação. Já vou ter problemas com o governo, pois foi uma missão não autorizada e todo mundo saberá quem foi o responsável.
— Falarei com eles — disse eu.
Como senador, eu tinha mais influência e amigos nos altos escalões de Washington do que Marcus.
— Faça o que puder — respondeu ele. — Não estou particularmente preocupado com isso. Não vou falar disso publicamente e ninguém mais falará. Aqueles imbecis a teriam deixado morrer em território hostil, portanto, o que dirão? Estavam prontos para entregar os bandidos que temos presos?
— Você sabe que não.
— Então podem ir para o inferno — respondeu Marcus irritado.
Sorri, percebendo que a opinião dele sobre os figurões de Washington não mudara muito. — Sou um desses idiotas — relembrei.
— Não, você é um dos poucos decentes.
Sorri, feliz em saber que ele soava estar muito bem. — Vou telefonar para Lara e depois falar com Harper.
— Tate já está no telefone com Lara — comentou Marcus, soando enojado. — A primeira coisa que ele tinha que fazer era telefonar para a esposa. — Achei que era algo totalmente normal, pois Tate e Lara estavam profundamente apaixonados um pelo outro, mas Marcus fazia parecer que um relacionamento era uma doença mortal.
— Então vou falar só com Harper.
— Estaremos de volta em Washington em menos de uma semana, mas manterei contato.
— Terei que ir para lá daqui a uma semana de qualquer forma —
comentei. — Posso dar uma carona a Harper.
— Vocês dois resolveram as coisas? — perguntou meu irmão gêmeo.
— Sim e não — respondi evasivamente. — Já se passaram doze anos. A maior parte foi de coisas que ficaram no passado há muito tempo.
— Mentira. Nunca terminou. Harper é o motivo para você não fazer sexo com frequência.
Harper era o motivo de eu não fazer sexo, ponto. — Ela não quer discutir o assunto de novo — expliquei. — Sempre pensou que eu fosse você e, de forma compreensível, não gostou muito de mim.
— Então faça-a mudar de ideia — desafiou Marcus. — Você sabe muito bem que quer.
— Não é tão simples assim...
— Sim, é — interrompeu Marcus. — Leve-a para a cama e faça-a gozar até que não consiga mais pensar. É assim que você fica com ela.
Tenho certeza de que foi assim que nossos irmãos acabaram casados.
— Acho que foi um pouco mais do que isso — respondi em tom infeliz, sem querer contar que Harper não me queria para nada além de um pouco de satisfação física.
— Você sabe ser charmoso quando quer, mano. — Desista, Marcus.
— Não até que você desista — disse ele em uma voz irritantemente persistente.
Nunca que eu desistiria completamente, mas não contei meus planos para Marcus... provavelmente porque ainda não tinha nenhum.
Mudando de assunto, eu disse: — Diga a Tate que fico feliz por estarem os dois em segurança.
— Direi. Preciso voltar para o hospital antes que Danica acorde e tente rastejar para fora da janela.
Ri quando imaginei Marcus como guardião de Dani. Por algum motivo, eu não conseguia ver Marcus se importar o suficiente para impedi-la de fugir. — Então deixe que ela vá. Não irá muito longe.
— Claro que não. Ela está fraca demais para ir a qualquer lugar. Estou prestes a amarrá-la à cama do hospital.
Pestanejei surpreso ao ouvir o tom sério da voz dele. Ele estava realmente... irritado. E talvez um pouco preocupado. Eu nunca o vira mostrar tanta emoção, a não ser que a família estivesse envolvida. — Diga-me uma coisa...
— O quê? — perguntou Marcus.
— Se Harper não tivesse pedido, você teria tentado resgatar Dani mesmo assim?
Houve silêncio na linha e, por um momento, achei que a ligação tinha caído.
— Marcus?
— Não sei. Provavelmente — admitiu finalmente meu irmão. — Ela é provavelmente a mulher mais irritante que já conheci, mas é muito corajosa.
— Você gosta dela — acusei.