Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 25
Liguei a televisão e enrolei-me em um cobertor.
Tentei ficar acordada e concentrada, mas eu mal dormira nas noites anteriores e estava exausta.
Alguns minutos depois, não consegui mais manter os olhos abertos e dormi.
Blake
Meu voo de volta para Washington pareceu demorar uma eternidade.
Apesar de o trecho ser curto, fiquei inquieto durante toda a viagem, torcendo para que Harper ainda estivesse na minha casa quando eu chegasse lá.
Quando finalmente subi a escada da minha mansão histórica, respirei fundo ao colocar a chave na fechadura, com o coração batendo forte de ansiedade.
E se ela não me quiser?
E se for a última vez que a verei?
Afastei os pensamentos negativos ao entrar em casa e perceber que tudo estava muito quieto. Minha governanta obviamente fora embora e, ao andar pela sala de estar formal, ouvi a televisão ligada na outra sala.
Chegara a hora de lutar pelo que eu realmente queria, pelo que realmente precisava. Minha vida não valia nada sem Harper e precisava fazê-la entender que, não importava o que estivesse no caminho, eu resolveria. Abrindo a porta, espiei para dentro, olhando da televisão na parede para o sofá de couro onde Harper estava deitada. Ela parecia tão confortável que, antes mesmo de me aproximar, percebi que estava dormindo.
Jesus, ela era linda. Os cabelos estavam caídos e cobrindo parcialmente seu rosto. Sem pensar, agachei ao lado dela e empurrei os cachos para trás, revelando as feições delicadas.
As olheiras fundas me disseram que ela provavelmente dormira tanto quanto eu nos dias anteriores. Porém, tirando isso, ela estava linda.
Minha!
Parecia tão perfeitamente natural que ela estivesse ali que meu coração ficou apertado quando olhei para os sapatos, a bolsa e o casaco dela sobre a cadeira.
— Ela tem que ficar — murmurei para mim mesmo ao ajeitar o cobertor em volta dela.
Acariciei de leve os cabelos dela, o que a fez se mexer. — Blake —
disse ela com voz sonolenta.
— Durma, Harper. Podemos conversar depois. Estou aqui.
Eu a ouvi suspirar e, em seguida, quando a respiração dela voltou a ficar regular. A confiança dela em mim fez meu coração dar um salto.
Fui até uma poltrona ao lado do sofá, sentei-me, tirei os sapatos e observei o sono dela.
Harper
Senti a presença de Blake no momento em que comecei a despertar. Meus olhos se abriram e quase imediatamente encontrei o olhar dele. — Você está aqui. — Brilhante, certo? Era óbvio que ele estava em casa. Eu estava olhando para ele.
— Estou aqui a algum tempo. Quis deixar você descansar.
Sentei-me, esfregando os olhos. — Quando você chegou?
Ele deu de ombros. — Algumas horas atrás.
— Você deveria ter me acordado. Desculpe. Eu estava tão cansada que peguei no sono. — Sei como é — respondeu ele com voz rouca. — Eu também não tenho dormido muito.
Enquanto eu olhava para ele, ainda tentando entender onde estava, ficou óbvio que ele estava cansado. Os cabelos escuros estavam desgrenhados, como se ele tivesse corrido a mão por eles com frustração. O
olhar normalmente aguçado estava esmaecido e a barba estava por fazer, como se ele não a tivesse feito em alguns dias.
Mesmo naquele estado bagunçado, o terno feito sob medida sem a gravata e com alguns botões da camisa abertos, Blake ainda era a coisa mais linda que eu vira em muito tempo. Meu coração ficou apertado quando
percebi a tristeza genuína nos olhos dele. Tudo o que eu queria era consertar o que estivesse errado.
Eu queria que tudo ficasse certo novamente no mundo dele, especialmente por saber que o estado dele era culpa minha. Reconheci o pesar dele, que encontrou eco no meu próprio pesar.
— Eu sinto tanto — disse eu, torcendo para que a emoção naquelas três palavras ajudassem a desfazer a dor que eu lhe causara.
E eu tinha causado essa dor nele. O tormento estava espalhado em seu rosto. — Por que você me deixou, Harper? Por quê? — A voz dele estava furiosa e suplicante, exigindo saber por que eu fugira.
— Por que não posso ser tudo para você, Blake. Não posso ser a mulher de que você precisa — comecei a explicar.
— Você é tudo para mim — interrompeu ele. — Tudo.
— Mas não sou do tipo de ter um relacionamento de longo prazo —
argumentei. — Não sou uma mulher com quem você pode ter um final feliz.
— Por que não? Pelo amor de Deus, Harper, esperei doze malditos anos só para ver você de novo. Talvez eu nunca tenha admitido isso conscientemente para mim mesmo até vê-la de novo, mas é verdade. — Ele se levantou e foi se sentar no sofá. Em seguida, segurou-me pelos ombros para que eu o encarasse. — Acha que não tive a oportunidade de ter outra pessoa? De transar com outras mulheres? De fazer sexo só para me aliviar?
Olhei para a expressão frenética dele. — Eu sei que sim e sei que poderia ter feito isso.
— Mas não fiz — retrucou ele. — Quer saber o motivo? — Eu não conseguia falar e só assenti.
— Porque eu nunca consegui deixar de amar você. Não importava o quanto eu tentasse... você me assombrou por mais de uma década. Uma noite com você foi o suficiente para me arruinar. Você arrancou meu coração do peito e ficou com ele esse tempo todo. Nem uma única vez eu quis outra pessoa. Sempre foi você.
As lágrimas escorreram pelo meu rosto quando respondi: — Eu senti a mesma coisa. — Então me diga por que diabos não pode ficar. Eu amo você, Harper. Sempre amei.
Senti como se uma faca entrasse no meu peito, uma dor tão intensa que tive que colocar a mão no peito para ter certeza de que meu coração
continuava inteiro. — Isto está errado, Blake. Muito errado.
Ele me sacudiu de leve. — O quê? Diga-me o que é tão errado. Vou consertar. Vou dar um jeito.
Limpei as lágrimas ao responder: — Você não tem como consertar.
Ninguém pode.
— Diga-me.
— Você seria um pai maravilhoso — disse eu com a voz cheia de dor.
— Sim. E adoraria engravidar você, se é o que quer. Caso não tenha notado, praticar não é problema nenhum para mim.
— É esse o problema. Você não pode e nunca poderá. — Respirei fundo e encontrei o olhar dele. — Não posso ter filhos, Blake. Nunca. E
você não tem como consertar isso.
Houve um silêncio completo na sala enquanto Blake só me encarava, parecendo confuso. — Por quê?
— Eu engravidei doze anos atrás. Sei que você usou camisinha, mas alguma coisa deu errado.
— Nós temos um filho? — perguntou Blake com cautela. Balancei a cabeça devagar. — Não.
— Camisinhas velhas — respondeu ele. — Um dos meus colegas de faculdade me deu essas camisinhas quando encontrou uma namorada e começou um relacionamento sério. A namorada dele tomava anticoncepcional. Não sei por quanto tempo ele as tinha, mas, quando vi a caixa ao voltar para a faculdade, vi que estava vencidas. O látex se rompe depois de algum tempo. Não pensei muito no assunto porque nunca mais tive notícias de você. — Ele hesitou antes de perguntar em tom grave: —
Por que não me telefonou? O que aconteceu?
Respirei fundo e botei para fora, tentando relaxar antes de explicar: —