Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 12
— Na verdade, não. Trabalho desenvolvendo raças mais saudáveis de gado no rancho. Tenho pessoas que cuidam da pesquisa e dos trabalhos enquanto estou afastado, mas faço o que posso. Minha irmã, Chloe, é veterinária e o marido dela, Gabe, é um dos meus melhores amigos. Ele cria cavalos e tentamos ajudar um ao outro quando possível.
Harper parou o que estava fazendo e andou até o balcão. Apoiando os cotovelos, ela me encarou e disse: — Você cresceu para ser um homem incrível, Blake Colter.
Meu peito doeu e eu quis estender a mão para segurá-la, colocá-la sobre o balcão e fazer amor com ela bem ali.
A verdade era que eu achava que ela também crescera para ser uma mulher incrível.
E a Harper Lawson que ela era hoje era toda minha, exatamente como fora quando tinha dezoito anos.
Ela só não percebera isso ainda.
Marcus
Eu odiava operações noturnas, mas pouquíssimos resgates podiam ser feitos à luz do dia. Eu conseguia reunir informações para a CIA durante o dia, mas resgates eram algo totalmente diferente.
Eu me separara do restante da equipe, fazendo um trabalho solitário de encontrar e tirar Danica da prisão em que era mantida.
Por sorte, ela não fora levada para muito longe da fronteira, mas ainda estávamos em um território muito hostil e, quanto menos pessoas estivessem envolvidas, melhor.
Percorri o acampamento cheio de poeira, tentando fazer o possível para não tossir na areia suspensa do clima desértico.
Vestido totalmente de preto, meus olhos se ajustaram aos óculos de visão noturna em que tudo aparecia em tons de verde. Olhei para as poucas barracas, que supus estarem ocupadas pelos rebeldes adormecidos.
Danica estaria na estrutura mais sólida do lugar e não demorei muito para notar o prédio de pedras no centro do campo. As barracas estavam dispostas em volta da estrutura, que parecia conter itens preciosos que precisavam de proteção.
Para ser sincero, o que estava lá dentro significava muito dinheiro e possível poder para os terroristas, mas aqueles imbecis não conseguiriam o que queriam.
O governo não estava fazendo nada e, se não tirássemos Danica daquela confusão, ela provavelmente acabaria morta.
Não fiquei surpreso ao encontrar uma fechadura antiga, mas resistente, na porta de madeira. Rapidamente destranquei-a com as ferramentas que carregava no cinto. Em seguida, empurrei-a lentamente para que não fizesse muito barulho.
Eu não consegui vê-la muito bem, mas reconheci imediatamente o vulto pequeno deitado no chão sujo, com os braços em volta das pernas para manter uma posição fetal para dormir.
Deitei no chão e rastejei até ela, rapidamente colocando a mão sobre sua boca. Como esperei, inicialmente ela lutou. E ela não era uma pessoa fraca. Apesar de provavelmente ter sido privada de comida, água e a maioria das necessidades básicas, recebendo apenas o suficiente para que se mantivesse viva, ela ainda lutou como uma gata selvagem.
Eu a dominei, prendendo-a sob meu corpo, enquanto tentava fazê-la entender que estava lá para ajudá-la. — Danica. É Marcus Colter. Vou tirar você daqui. Fique quieta.
Minha voz saiu em um sussurro ríspido, mas ela imediatamente parou de lutar. — Marcus? — sussurrou ela fracamente.
Coloquei o dedo sobre os lábios dela. Em seguida, fiquei agachado e peguei-a no colo, assustado ao perceber como estava leve agora. A Danica Lawson que eu conhecia era pequena, mas tinha curvas que eram difíceis de ignorar.
Felizmente, ela parecia estar coerente o suficiente para entender que eu estava ajudando. Gentilmente, ela passou os braços em volta do meu pescoço enquanto saíamos do acampamento sem fazer nenhum barulho. Eu tive que carregar o corpo dela para longe do acampamento, mas ela era tão leve que não foi difícil. Chegamos ao Jeep e os dois homens designados para a rota de fuga aceleraram no momento em que entramos. A adrenalina fluía pelo meu corpo enquanto íamos em direção à fronteira, com Danica tremendo nos meus braços durante todo o caminho.
Ela não falou. Ela não se mexeu.
Só o que ela fez foi se agarrar a mim enquanto íamos em alta velocidade para a fronteira.
Eu não sabia se ela estava fraca demais ou com medo demais para se mexer, mas fiquei grato pelo seu silêncio. Só o que eu queria era colocá-la no helicóptero e dar o fora daquela área.
Depois do que pareceu uma eternidade, atravessamos a fronteira para a Turquia. Não perdi tempo para entrar no helicóptero em que Tate estava à espera.
Nosso médico tirou Danica dos meus braços, mas não me senti aliviado. Fiquei irritado por ter que soltá-la e fiquei ao lado dele enquanto ele a examinava.
O restante da equipe da OPR subiu no helicóptero de última geração e, no instante em que o último homem entrou, Tate decolou como se fosse um morcego fugindo do inferno.
Ele se encaminhou para a embaixada norte-americana, mas eu não sabia ao certo se Danica precisaria primeiro de assistência médica.
O médico fez com que ela se sentasse e deu-lhe água, enquanto avaliava a coerência dela.
Ela respondeu às perguntas dele, mas era óbvio que estava fraca. E, caralho... como estava magra.
— Você está bem? — perguntei ao me agachar ao lado dela.
Ela assentiu ao passar a língua nos lábios secos e rachados. — Sim.
Vou sobreviver. Nunca achei que chegaria o dia em que teria que agradecer a você por me tirar daquele pesadelo.
— Não se preocupe, vou continuar relembrando você — respondi secamente, mas fiquei feliz por ouvir o cinismo dela. Como isso era parte da personalidade normal dela, não me senti ofendido.
Agora que eu entendia por que ela me odiara desde o primeiro momento em que nos conhecêramos, não podia culpá-la pelos comentários ácidos sempre que nos encontrávamos.
Ela achava que eu partira o coração de sua irmã. Supus que isso era motivo suficiente para odiar um homem, mesmo estando mal informada.
Danica podia me irritar, mas até mesmo eu tinha que admitir que ela fora corajosa. Eu já ouvira os motivos pelos quais ela fora capturada. Fora preciso muita coragem para desistir da própria vida para salvar alguns garotos idiotas.
Quando finalmente consegui ver o rosto dela mais claramente, senti uma raiva incomum surgir dentro de mim, que continuou crescendo enquanto examinava o rosto machucado e ensanguentado e os cabelos destruídos.