Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 20 de 28

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Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 19

Duvido que meu chefe me deixe voltar para alguma missão em um futuro próximo, especialmente desde que o incidente veio a público.

Nós nos despedimos e desligamos. Coloquei o telefone sobre o balcão e fui mexer as panelas que ainda estavam esquentando no fogão, odiando o momento em que teria que dar adeus a Blake.

 

Harper

—Você fica muito sexy quando está concentrada — disse Blake em tom malicioso. Ele estava sentado atrás da escrivaninha em seu escritório.

Ergui a cabeça e encontrei o olhar dele. Em seguida, comecei a me contorcer no sofá do outro lado do aposento.

Nenhum dos dois dissera outra palavra sobre o plano de Blake de nos conhecermos novamente... ou talvez fosse pela primeira vez, já que não tínhamos conversado muito doze anos antes. Só... acontecera. Como eu tivera a chance de falar com Dani no dia anterior, meu coração estava consideravelmente mais leve.

No dia anterior e naquele dia, Blake me levara para passear pelo rancho, mostrando-me como desenvolvia raças mais saudáveis de gado.

Conheci alguns dos funcionários dele, outros pesquisadores que continuavam o desenvolvimento enquanto Blake estava afastado.

Visitamos as novilhas prenhas e cheguei perto de alguns touros bastante irritados. Por sorte, houvera uma cerca entre eu e os machos, o que era o mais perto que queria chegar.

Era um lugar incrível e percebi que Blake amava o que fazia. Algumas das informações sobre DNA e genética foram demais para a minha cabeça, mas Blake estava sempre disposto a explicar.

Finalmente, depois de trocarmos alguns olhares que fizeram meu coração bater mais forte, respondi: — Pareço uma mulher que mal saiu do chuveiro esta manhã, tudo porque um homem louco decidiu que gostava de

sexo matinal e não me deu tempo de colocar alguma maquiagem antes de me arrastar para fora de casa. Estou longe de estar bonita — comentei.

Verdade seja dita, eu estava um caos. Não trocara a calça jeans nem a camiseta de manga comprida que usava para andar pelo rancho com ele. Eu estava sentada no meio do sofá do escritório, com metade dos cabelos presa para cima e a outra metade solta, tentando trabalhar no meu projeto para os novos prédios de escritórios em Boston. Com um caderno de desenho na mão, eu estava desenhando quando ele fez o elogio, um de muitos nos dias anteriores que me fizeram imaginar se Blake estava cego.

— Acho que tomarmos banho juntos é a melhor forma que descobri de me livrar da ereção matinal — respondeu ele com um sorriso.

Revirei os olhos. — Você alguma vez para de falar sobre sexo?

Aquela era provavelmente uma pergunta injusta, pois eu nunca parecia pensar em outra coisa quando estávamos juntos. Mesmo depois de andar um dia inteiro pelo rancho em um suéter velho e calça jeans, Blake era o cara mais lindo que eu já vira.

— Não — admitiu ele. — Estou sempre pensando em sexo quando você está sentada no mesmo aposento que eu.

— Quer que eu saia? — perguntei, já sabendo que ele diria que não.

Fora Blake quem sugerira trabalharmos juntos no escritório dele.

— Claro que não. Você quer me privar da oportunidade de eu me torturar? Nem pensar.

Eu ri simplesmente porque ele estava sendo ridículo. Blake tinha um senso de humor que eu entendia extremamente bem.

Soltando um suspiro fingido, respondi: — Seria uma pena.

Oportunidades de ser masoquista não aparecem com frequência. — Ferrado com e ferrado sem — resmungou ele ao olhar de novo para o computador.

— O quê?

Ele me lançou um olhar torturado. — Não quero você em qualquer lugar que não seja comigo. Mas também é uma tortura quando você está no mesmo aposento e não estamos transando alucinadamente.

Eu ri antes de voltar a atenção para os meus desenhos, adorando secretamente a forma como Blake sempre me queria perto dele. Não era algo sufocante. Só era uma sensação boa saber que ele queria a minha companhia e que se sentia mais confortável quando estávamos perto um do

outro. Eu nunca tivera aquele tipo de intimidade com outra pessoa antes e saboreei a sensação de ser querida.

— Mesmo que você não esteja transando comigo, não há outro lugar onde eu preferiria estar — respondi com sinceridade.

— Digo o mesmo — respondeu ele com voz rouca. — Se não posso transar com você, pelo menos quero ficar perto.

Meu coração ficou apertado com as emoções que as palavras dele despertaram subitamente. Blake mexia comigo, mesmo quando estava falando alguma sacanagem.

Eu nunca sentira felicidade só por estar no mesmo aposento que um homem, mas era exatamente o que acontecia quando estava perto de Blake.

Era algo natural, normal.

Eu ficara sozinha por tanto tempo que me sentia contente na minha própria companhia. Mas talvez eu simplesmente nunca percebera que faltava alguma coisa, não até que passara algum tempo com Blake.

Não importava se estivéssemos ambos trabalhando. Só de estar no mesmo aposento que ele me fazia perceber como parecíamos estar conectados às vezes. No entanto, também era uma distração e eu não podia evitar olhares ocasionais na direção dele só para estudar as feições fortes e os cabelos curtos que me faziam ter vontade de enrolar os dedos neles.

Ele olhou para cima rapidamente, viu que eu o observava e sorriu ao se reclinar na cadeira. — Você sabe que não estou conseguindo fazer absolutamente nada.

— Sinto muito — respondi baixinho. Porém, eu não sentia nem um pouco. A forma como ele olhava para mim me fazia sentir a mulher mais desejada do planeta. Os olhos cinzentos me encaravam de forma tão faminta e intensa que tive que me contorcer novamente.

Por apenas um momento, eu me permiti fingir que a atenção de Blake não era apenas por causa de sexo e imaginei que ele gostava de mim. A expressão no rosto dele era quase igual à que eu vira em Gabe Walker ao olhar para Chloe várias vezes durante o jantar em família... um olhar só para ter certeza de que Chloe ainda estava ao lado dele e feliz.

O sorriso dele ficou ainda mais largo. — Eu não sinto. Eu preferiria ser distraído por você do que não a ter aqui.

Eu sabia que iria para Boston em breve e Blake iria para Washington.

Mas não consegui resistir à gama de emoções que aquele homem me fazia

sentir.

O que existia entre eu e Blake nunca me acontecera antes. E eu tinha certeza de que nunca aconteceria novamente. Eu finalmente decidira relaxar e aproveitar.

Eu sentira uma conexão com ele doze anos antes. Eu não teria entregado minha virgindade a ele se não tivesse sentido. Mas o que tínhamos agora era mais profundo, mais rico. Talvez eu tivesse precisado crescer para perceber como era raro sentir aquilo por um homem.

— Tenho que ir para Boston na sexta-feira — disse eu com um toque de tristeza na voz.

— Hoje é terça-feira. Achei que ia esperar e primeiro ir comigo para Washington na sexta.

— Dani me pediu para não ir para Washington. Ela disse que só vai passar algumas horas lá e depois me encontrará em Boston.

— Ela provavelmente está louca para se afastar de Marcus — observou Blake.

— Talvez. — Na verdade, eu sabia que ele estava certo, mas não queria quebrar a confiança da minha irmã.

Blake se levantou e andou até o sofá, levantando-me sem cerimônia e sentando-se logo em seguida, comigo em seu colo.

Gritei surpresa e, logo depois, agarrei-me nos ombros dele enquanto ele se acomodava em uma posição confortável.

— Não gostei. Isso me dá muito menos tempo do que achei que tinha

— resmungou ele.

— Tempo para o quê? — Olhei para ele, certa de que a pergunta também estava nos meus olhos.

— Para que você entenda que o que aconteceu entre nós doze anos atrás foi especial e que eu nunca conseguiria traí-la naquela época —

retrucou ele. — Você passou mais de uma década me odiando. Não quero mais que se sinta assim.

— Não sinto — garanti, brincando gentilmente com os cabelos dele. —

E não odiei você. Eu odiei Marcus. — Mas eu também não odiara realmente o irmão gêmeo de Blake. Eu odiara o mal-entendido que acontecera e um homem que nunca existira de verdade.

— Mas você achou que eu a tinha usado. Admita — retrucou ele.

— Achei. Mas isso acabou, Blake. Não odeio você. Nunca consegui, mesmo quando achei que você tinha me traído. Aquela noite foi especial demais para mim. — Claro, eu queria desprezá-lo, mas, antes que minhas emoções conseguissem ficar tão negativas, eu vira a face do jovem que estivera lá para me confortar e proteger. Do jovem que me lançara em um mundo de prazer sensual que eu nem sabia que existia. E finalmente me levara para casa, o lugar a que eu pertencia.

Blake passou os braços em volta da minha cintura. — Eu sempre quis saber como as coisas tinham se saído, mas nunca quis mencionar a ninguém a noite que passamos juntos. Você acertou as coisas com seus pais?

Assenti. — Sim, acertei. Conversamos durante a maior parte do dia e da noite. Admiti que eu fora uma escrota egoísta. E eles se perguntaram se tinham me protegido demais.

— O que decidiram?

— Decidi que amava os dois e que eles sempre tentaram me dar tudo o que eu queria. Talvez fosse demais e fácil demais para uma jovem ter tanta liberdade. Mas não importava. Ficamos próximos depois daquilo. Eles apoiaram todas as minhas escolhas, até mesmo a decisão de estudar na Califórnia. — Suspirei. — Olhando para trás, eu queria ter estudado lá mesmo. Só nunca me ocorreu que eu os perderia tão jovens.

Blake passou a mão nos meus cabelos. — Não faça isso, Harper. Não havia como prever um acidente aleatório como aquele.

— Racionalente, eu sei disso. Mas não consigo evitar arrependimentos ocasionais. Eu os encontrava em todas as férias que tinha da faculdade, mas perdi muito por não estar aqui no Colorado. — Soltei um suspiro trêmulo antes de acrescentar: — Eu queria visitar o túmulo deles. Não fui lá desde o funeral. Não voltei aqui. Estávamos todos tão chocados que nem sei exatamente onde é.

— Eu sei. Posso levar você — disse Blake gentilmente.

Franzi a testa para ele. — Mas você estava fora daqui. Não foi ao funeral. Ele deu de ombros. — Mas já fui visitar desde então. Fui com mamãe algumas vezes e tento ir e deixar algumas flores quando estou aqui.

— Por quê? — perguntei atônita.

Ele deu de ombros de novo. — Eu sabia que vocês todos tinham se mudado para longe. Eu gostaria que alguém fizesse o mesmo por mim caso

não pudesse ir lá com frequência. Vou lá para falar com o meu pai às vezes.

Não sei se ele me ouve, mas sempre me sinto melhor depois.

Meu coração ficou apertado quando vi a expressão solene dele. — Você era tão jovem quando ele faleceu.

— Ainda sinto falta dele — respondeu Blake em som sombrio. — Não acho que a dor de perder o pai ou a mãe desapareça. Só fica menos aguda.

Ele tinha razão. Meu coração doeu pelo garoto que Blake fora quando o pai dele falecera em um acidente ainda mais estranho do que o que matara meus pais. — Obrigada por visitar o cemitério quando nós não podíamos.

— Não é nada demais — respondeu ele, mas apertou os braços um pouco mais em volta da minha cintura.

Coloquei a mão no ombro dele e passei os braços em volta de seu pescoço. Ele tinha um cheiro tão gostoso, era tão quente e tão real que desfrutei da sensação de prazer só de estar perto dele.

Blake era provavelmente um dos homens mais complexos e mais gentis que eu já conhecera. — Minha mãe amava a sua como se fosse uma irmã —

contei a ele.