Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 22 de 28

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Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 21

Claro que quero. Se você estiver grávida, quero que fiquemos juntos. Quero que fiquemos juntos mesmo se você não estiver grávida agora.

— Não estou grávida — disse ela em tom direto. — Mas mandarei uma mensagem assim que souber com certeza.

Ela puxou o braço, virou-se e começou a andar para o carro.

Eu estava magoado e furioso, mas tinha que enfrentar a verdade, lidar com ela. Ela só... não me queria.

Não havia nenhum outro motivo para que ela não quisesse resolver aquilo de alguma forma. E a última coisa que eu queria era bancar o idiota por causa de uma mulher que não queria nada além de sentir o mesmo prazer que tivéramos juntos doze anos antes.

Eu queria negar isso, mas a única desculpa real dela para me afastar fora o fato de não querer um lugar permanente na minha vida. Talvez fosse por isso que dissera não ser normal. Ela não queria grandes compromissos nem responsabilidades.

Depois de respirar fundo e soltar o ar lentamente, segui-a até o meu veículo, determinado a, de alguma forma, salvar um pouco do meu orgulho.

 

Harper

Passei o meu último dia em Rocky Springs evitando Blake. Eu dissera a ele que não estava sentindo-me bem e queria descansar.

Mas eu sabia que ele não tinha acreditado na minha desculpa.

Meu Deus, partia meu coração magoá-lo desse jeito, mas que opção eu tinha? Não podia ter um compromisso permanente com ele, apesar de meu coração nunca ter desejado outra coisa. E eu não aguentava ficar perto dele sem implorar para que me aceitasse, com todas as minhas imperfeições.

Não, certamente era melhor ficar afastada, mas não fora fácil. Quando percebi que ele saíra da casa para verificar algumas coisas no rancho, fui nadar na piscina interna e, em seguida, tentei desesperadamente relaxar na banheira quente. Voltei para o andar de cima, tomei um banho e tentei ler um livro.

Nada, realmente nada, conseguia tirar minha mente do fato de que eu preferia ficar no rancho com Blake do que fazer qualquer outra coisa.

Meu Deus, como isso tudo acontecera? Como eu chegara ao ponto de deixar Blake parecer que estava deixando uma grande parte do meu coração e da minha alma para trás?

Meu coração já estava partido quando finalmente deixei o livro de lado.

Tudo dentro de mim dizia que eu deveria contar a verdade a Blake. O

problema era que ele provavelmente me diria que era ok eu não ser normal e que poderíamos resolver tudo.

Mas eu sabia que não havia como me consertar. Eu sabia que o que estaria à nossa frente como casal seria um caminho feio que poderia muito bem terminar destruindo nós dois.

Blake merecia tudo o que queria: amor e uma família. Ele deveria ter uma esposa que o consideraria o mundo dela. E uma capaz de amá-lo como ele queria.

Furiosa, limpei as lágrimas. Desejar que eu pudesse ser dele era egoísmo. Sim, eu queria Blake. Quisera desde o momento em que ele fora resgatar uma garota boba de dezoito anos de um abrigo para pessoas sem-teto tantos anos antes.

O problema era que as coisas tinham mudado desde que nos conhecêramos doze anos antes. E ele não era mais apenas uma paquera minha.

Eu era uma mulher e amava Blake com todas as fibras do meu corpo.

Aquele amor mais maduro me fez perguntar a mim mesma se queria dar a ele parte da vida que queria. Ou se ele deveria ter tudo.

A resposta para mim era simples. Eu o amava. Blake merecia ter tudo e isso não incluía uma mulher como eu.

Eu estava muito inquieta e fiquei andando de um lado para outro no quarto, tentando descobrir o que fazer comigo mesma. Pensei em sair para uma caminhada, mas eu notara o que parecia chuva congelada mais cedo e tinha certeza de que ela se transformaria em neve mais tarde. Finalmente, coloquei uma calça de moletom, uma camiseta e um par de tênis. Em seguida, fui para a parte da casa onde vira uma academia de ginástica.

Se eu não encontrasse uma forma de queimar um pouco da minha energia nervosa, acabaria perdendo a cabeça.

Eu tinha aberto apenas uma fresta da porta quando ouvi um barulho constante, rápido e furioso, proveniente da academia.

Blake? Eu achara que ele ainda estava fora de casa.

Empurrei a porta um pouco mais e espiei.

A academia de ginástica era imensa, considerando que era uma instalação residencial, com teto alto. Havia tapetes para exercício e muitos equipamentos que eu nunca vira. Não que eu fosse viciada em exercícios.

Minha preferência era andar ao ar livre e aproveitar a vista enquanto me exercitava.

Observei o homem grande, de costas para mim, pulando corda em uma velocidade que fazia com que ele e a corda parecessem borrões. Ao focalizar melhor, a corda continuou borrada por se mover tão depressa, mas não tive dúvidas de quem era o homem forte que se exercitava. Ele estava nu da cintura para cima, vestindo apenas uma calça de moletom leve.

Prendendo a respiração, fiquei imaginando por quanto tempo ele manteria o ritmo punitivo, mas finalmente tive que soltar o ar antes de desmaiar. Ele continuou, sem diminuir o ritmo por um momento sequer.

Entrando, sentei-me em um canto, torcendo para que ele não me visse e eu não interrompesse seu exercício.

Pareceu demorar uma eternidade até que ele finalmente soltou a corda e fiquei surpresa ao vê-lo ir até um saco de pancada pendurado do teto. Ele ficou completamente imóvel por um momento e em seguida, começou uma série de chutes. Os pés voaram alto quando ele atingiu várias das marcas no saco, que balançava e voltava. Mas ele sincronizou os chutes tão bem que o saco mal chegava perto dele antes de ser atingido de novo. E de novo.

Eu o vi se mover com a graça de uma bailarina e a força de um tigre furioso. Encolhi-me no canto quando ele girou para dar um chute incrivelmente fluido e rápido, mas tive certeza de que se virara tão depressa que não me vira.

Porém, eu estava errada.

Ele parou e virou-se, com as mãos nos quadris e a respiração pesada.

— Achei que tinha decidido se esconder no seu quarto até que estivesse pronta para ir embora — disse ele, meio sem fôlego.

Levantei-me, pensando na pergunta dele, mas não afastei os olhos do corpo coberto por uma fina camada de suor. — Uma vez você me disse que gostava de artes marciais. Parece que ainda gosta.

Avancei, percebendo que estava fazendo a única coisa que jurara nunca mais fazer.

Eu tinha que me esconder, fugir.

Ele pegou uma toalha de cima de uma bancada e esfregou-a no rosto e no peito. — Taekwondo. Faixa preta. Sim. Ainda tento manter minhas habilidades. É mais fácil quando tenho um parceiro de luta, mas Marcus é meu único adversário decente e, obviamente, ele não está disponível.

— Então isso torna você uma arma letal? — perguntei brincando.

Ele jogou a toalha em um cesto perto do tapete. — Nunca — respondeu ele em tom sério. — Se você encontra uma pessoa que realmente pratica a arte, ela seria a primeira a se afastar da luta, em vez de piorá-la. Uso o que sei somente se preciso usar.

Blake era forte, poderoso, mas nunca usava a força e o treinamento para ferir alguém, se pudesse evitar. Admirei essa atitude ainda mais do que suas habilidades.

Dei de ombros. — Lamento não poder ajudar. Não sei absolutamente nada sobre artes marciais.

Os olhos cinzentos dele encontraram os meus e ele assentiu. — Eu sei.

Você gosta de caminhar. — Gosto, mas parece que vai nevar e resolvi descer para ver se conseguia encontrar outra coisa para fazer.

— Energia nervosa? — perguntou ele. Eu assenti.

— Fugir das coisas faz com que isso aconteça às vezes — respondeu ele em tom solene.

— Blake, eu...

— Não — advertiu ele, cerrando o maxilar com força. — Não me diga que não é isso que está fazendo.

— Não vou — respondi em tom sombrio. — Porque eu estaria mentindo. Gosto de pensar que parei de fugir, mas não parei. Não desta vez.

— Então por que está fazendo isso? — Ele me encarou e a intensidade de seu olhar foi constrangedora.

Eu me contorci de forma desconfortável. — Circunstâncias que estão fora do meu controle. Sinto muito.

— Pelo amor de Deus, só me diga qual é o problema, Harper. Farei qualquer coisa ao meu alcance para corrigir. Mas, por favor, não me deixe de novo. Não desta vez.

Encarei os olhos escuros e tempestuosos dele. A indecisão me deixou imóvel.

Eu poderia de verdade falar para ele?

Eu já repassara aquilo na mente um milhão de vezes, mas não resultaria em nada bom contar a ele por que tinha que ir embora, por que não poderia continuar nosso relacionamento.

— Tenho que ir — disse eu ao abaixar os olhos para não ver o rosto dele. Ele avançou muito depressa, erguendo meu queijo rudemente para que eu fosse forçada a encará-lo de novo. — Que merda, essa não é você,

Harper. Você não foge, não se esconde. Fomos sinceros um com o outro desde o início. Você sabe muito bem que não quero ver o que existe entre nós acabar. Nem agora nem nunca. O que mais quer que eu diga?

Meu coração batia com muita força e minha respiração estava irregular quando olhei para ele, com medo de meu coração estar nos meus olhos.

Memorizei as feições maravilhosas e a necessidade feroz nos olhos dele.

Eu me odiei muito por obrigá-lo a ser quem o deixaria vulnerável. Não era justo, pois eu precisava dele tanto quanto ele precisava de mim. Mas eu o amava demais para mantê-lo preso a mim.

Balancei a cabeça lentamente. — Nada. Não quero que diga mais nada.

— Está bem — disse ele. — Então isto servirá.

Os movimentos rápidos dele me jogaram no tapete em questão de segundos. Nós dois estávamos ajoelhados e virados um para o outro.