Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 10
Harper
Infelizmente, não tive a oportunidade de ver o vídeo de Dani de imediato.
Meus irmãos me telefonaram, um depois do outro, todos para me avisar que eu não deveria voltar para minha casa na Califórnia. Meu irmão mais novo, Jett, foi o primeiro a telefonar, dizendo que a casa dele estava rodeada de repórteres e que tinha ido para uma outra casa que tinha, menor e menos conhecida. Enquanto eu falava com Jett, meu irmão do meio, Carter, telefonou para dizer a mesma coisa.
Meu irmão mais velho, Mason, telefonou no momento em que terminei de falar com Carter, relatando exatamente o mesmo cenário na casa dele.
Todos nós estávamos sendo perseguidos pela imprensa em diferentes locais.
Trocamos informações. Meus irmãos, com todo o dinheiro e o poder que tinham, não conseguiram descobrir a localização de Dani.
Minhas esperanças estavam depositadas no sucesso da equipe de Marcus. Como Jett era o único que sabia o que eu fizera com Marcus, foi com ele que conversei por mais tempo. Eu o informei sobre o progresso da equipe, mas disse que não tivera outras notícias além do fato de que o grupo já estava no exterior procurando Dani.
Todos os meus irmãos já tinham visto o vídeo da minha irmã e avisaram-me para que não assistisse. Quando perguntei o motivo, nenhum deles me deu uma resposta direta. Portanto, eu não deixaria de ver o rosto da minha irmã nem de ouvir a voz dela.
Blake me reservara um quarto adorável e deixara minha mala lá enquanto eu falava com meus irmãos. Porém, tive pouco tempo para admirar a residência.
Meu principal objetivo era obter mais informações sobre a minha irmã.
No minuto em que terminei todos os telefonemas, andei pela casa à procura de Blake.
Demorei um pouco para perceber que a casa tinha um estilo espalhado de rancho. Todos os quartos pareciam estar em uma ala muito grande.
Passei por um estúdio, uma sala de estar formal e, finalmente, o que parecia ser uma grande sala de estar, sem ver sinais de Blake.
A casa dele era impressionante tanto em tamanho quanto em conteúdo.
Eu gostaria de ver tudo se não fosse o fato de que realmente precisava encontrar o proprietário. Depois de passar pela cozinha imensa, encontrei uma área com um home theater e uma entrada para uma piscina interna, que ignorei.
Eu estava ficando frustrada quando finalmente encontrei Blake no que parecia ser um escritório grande. A porta estava aberta e o homem que eu procurava estava sentado atrás da mesa.
Ele olhou para mim quando entrei com um olhar perturbado. — Qual é o problema? — perguntei nervosa.
— O vídeo de Dani. Acho melhor você não assistir — respondeu ele em tom sombrio.
Correndo até o lado dele, vi a janela do vídeo na tela do computador, mas a imagem estava pausada.
— Meus irmãos tentaram me dizer a mesma coisa. Eles já assistiram.
Eu preciso assistir — implorei, colocando a mão no ombro dele. — Ela parece ter sido agredida, Harper. Você precisa estar pronta para lidar com o fato de que ela não está sendo bem tratada.
— Mostre-me, Blake. Não sou mais criança. Quero ver a minha irmã
— disse eu em tom firme.
Talvez fosse um choque, mas eu não pretendia fugir da realidade. Ele clicou na seta do vídeo, fazendo com que reiniciasse a reprodução.
A imagem estava granulada e não entendi a voz que narrava o vídeo, mas assisti à minha irmã intensamente, ignorando o idioma estrangeiro para olhar para ela quando Blake aumentou a imagem para ocupar a tela inteira.
O rosto dela estava machucado e inchado. Os belos cabelos longos sobre os quais ela reclamava com tanta frequência tinham sido cortados tão curtos que o sequestrador fora da tela mal conseguia segurá-los com a mão para virar a cabeça dela em direção à câmera.
O vídeo era apenas conversa em idioma estrangeiro e a imagem da minha irmã sendo agarrada pelos cabelos curtos para encarar a câmera.
— Ai, Dani — murmurei chocada, colocando a mão sobre a boca para impedir um soluço impotente.
Eu ainda conseguia perceber um olhar desafiador no rosto dela e concentrei-me nisso, tentando entender o que ela pensava à medida que os sequestradores continuavam a falar sobre o que supus serem suas exigências.
No fim, minha irmã conseguiu se soltar da mão do homem em seus cabelos e gritou em inglês: — Não façam isso. Não os libertem. Eles vão me matar de qualquer jeito.
O vídeo brutal terminou quando um punho voou e atingiu Dani no rosto, tirando-a da imagem.
O escritório de Blake ficou em silêncio total depois do último grito de um dos homens que mantinham minha irmã prisioneira, provavelmente o mesmo que a silenciara.
Andei até o sofá no outro lado do aposento e sentei-me, pois minhas pernas não conseguiam mais me segurar de pé.
Atordoada, olhei para a parede, tentando imaginar pelo que minha irmã passava naquele momento. — Como isso aconteceu? Quem são os homens e por que estão brutalizando minha irmã? — perguntei em voz monótona, tentando separar minhas emoções da razão. Eu sabia que, se deixasse, eu mergulharia em um mar de medo e ansiedade que nunca mais conseguiria controlar.
— Guerrilheiros — respondeu Blake. — Pelo que disseram, só o que conseguimos entender é que agem sozinhos em um grupo pequeno no momento para ganhar dinheiro e o retorno de alguns dos homens para quem lutavam. Não acho que sejam muito espertos. Obviamente, demos um golpe duro no grupo deles quando prendemos os líderes. Eles estão desesperados para recuperá-los. Ameaçaram matar Dani se o exército ou o grupo de Marcus tentar alguma coisa.
Coloquei as mãos no rosto e esfreguei os olhos. Eu estava cansada, pois não dormira muito desde que minha irmã desaparecera. Eu estava exausta, ansiosa e tão assustada que estava com dificuldades para me conter.
— Não sei o que mais fazer — disse eu a Blake, sentindo-me completamente incapaz de fazer alguma coisa para tirar minha irmã das mãos dos terroristas. Ele se aproximou e sentou-se ao meu lado. — Não há nada que você possa fazer agora, Harper. Acredite quando digo que estamos fazendo todo o possível, exceto liberar aqueles homens, para tirar sua irmã de lá.
— Eu nem sei por que ela estava lá.
— Eu sei — confessou Blake ao esfregar minhas costas de forma reconfortante. — Quer saber por que Dani está lá agora?
Olhei para ele com lágrimas escorrendo pelo rosto e assenti. — Diga-me.
— Dois missionários norte-americanos procuraram o governo ontem, um homem e a esposa que tinham acabado de voltar de uma missão na Turquia. De acordo com eles, o filho deles e dois outros adolescentes decidiram passear do outro lado da fronteira. Sua irmã os seguiu, aparentemente tentando impedi-los. Quando chegou o momento de decidir entre ela mesma e as crianças, Dani acenou para que cruzassem a fronteira novamente, dando a elas tempo de escapar antes que fosse capturada tentando fugir dos sequestradores. Ela criou uma distração.
— Ai, meu Deus. É bem o que ela faria mesmo — choraminguei, deixando que soluços desesperados sacudissem meu corpo, o que aliviou a dor de saber que minha irmã tinha, na verdade, se sacrificado.
Blake me pegou nos braços e apenas me segurou, deixando que eu liberasse a tensão que se acumulara dentro de mim por tanto tempo. Ele falou baixinho em tom reconfortante: — Ela devia saber que seria pega. Os pais estavam tão gratos que não conseguiram ficar em silêncio depois que o filho contou o que acontecera. Eles voltaram para os EUA e procuraram o governo imediatamente. Todos sabem que sua irmã é uma heroína, mas há limites para o que podemos fazer.
— Então, agora esperamos — disse eu em tom mais calmo.
— Se há alguém que consegue tirá-la de lá, é Marcus — garantiu Blake. — Ele fez alguns resgates bem incríveis.
— Eu sei. Jett me contou.
— O governo também está trabalhando no caso. Farão o que for possível.
Por algum motivo, aquilo não me fez sentir melhor. O governo me decepcionara até o momento, mas, talvez agora que sabiam que Dani fora sequestrada, os resultados fossem diferentes.
— Há alguma esperança lá? — Olhei para ele, pedindo silenciosamente que fosse sincero.
— Cobrei todos os favores que podia em Washington. E pedi a todos os amigos que tenho lá que ajudem.
Mais lágrimas escorreram dos meus olhos quando eu disse com a voz trêmula: — Obrigada.
O que mais eu poderia dizer a um homem que tentava tudo o que podia para tirar minha irmã viva de uma área hostil?
— Não é nada demais — retrucou ele. — Sua irmã resgatou três crianças norte-americanas.
— Dani nunca se consideraria uma heroína. Você não a ouviu dizer para não libertarmos os prisioneiros que temos?
— Ouvi. Ela fala algum outro idioma? Alguma chance de ela entender o que eles dizem?
Assenti. — Ela os entende. Há poucos idiomas que ela não saiba falar e passa muito tempo no Oriente Médio.
— Merda — xingou Blake. — Então ela deve acreditar que não a deixarão sair de lá viva.
— É disso que tenho medo agora — confessei sem fôlego.
Eu estava tão nervosa que quase pulei do sofá quando o celular de Blake tocou. Sentei-me e afastei-me dele para que ele pudesse tirar o celular do bolso e atender.
Observei quando a expressão dele ficou sombria e ele dava respostas monossilábicas.
Finalmente, ele perguntou: — Então vai entrar amanhã?
Arregalei os olhos e torci muito para que o telefonema fosse sobre Dani. Prendi a respiração, esperando que ele desligasse o telefone para soltá-la. — Era Marcus?
Blake assentiu. — Ele encontrou o local. Só precisa de tempo para preparar o plano.
— Graças a Deus — disse eu, com o alívio invadindo meu corpo agora que sabia que alguém estava a caminho da prisão da minha irmã. — O
governo sabe o que ele está fazendo?
Blake ficou em silêncio por um momento. — Uma parte. Era uma resposta enigmática, algo com que eu não estava acostumada com Blake.
Ele lidara com as coisas de forma bem sincera comigo até o momento. — O
que isso quer dizer?
— Quer dizer que você não sabe de tudo. — O quê?
Ele soltou um longo suspiro de derrota. — Vou lhe contar uma coisa, mas é algo que ninguém sabe fora da minha família. Algo que eu nunca contaria a alguém em quem não confio.
— Não direi uma palavra. Juro. — Qualquer coisa que Blake me contasse que fosse pessoal iria para o túmulo comigo. — Eu nunca trairia a sua confiança.
— Marcus tem outras ligações com o governo. Ele faz operações especiais para a CIA.
— Ele é um espião? — Era a última coisa que eu esperara ouvir.
— Ele começou há muitos anos. Encontrou por acaso algumas informações confidenciais enquanto cuidava dos negócios em outro país.
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Marcus era um homem de negócios legítimo e só estava lá verificando alguns interesses estrangeiros. Mas ele não podia ignorar o perigo para o próprio país e procurou o diretor da CIA. Depois de algum tempo, ele foi recrutado para obter informações para os EUA em suas viagens. Ele tem sido um agente especial desde então.
Ok, isso explicava as respostas vagas de Blake. — Então a CIA sabia sobre a OPR?
— Não no começo. A OPR era algo que Marcus fazia independentemente do governo. Marcus sabia que o governo não apoiaria oficialmente o que ele fazia. Ora, ele não queria nem me contar porque eu era senador e queria evitar o conflito de interesses que isso poderia causar.
— E causou?
Ele assentiu. — Um pouco. Mas apoiei o que Marcus fazia. Ele salvou vidas e não me importei se o governo o apoiava oficialmente ou não. Desde que não o atrapalhassem, eu não disse nada. — Você o auxiliou e encorajou
— disse eu baixinho. — Você o ajudou.
— Oficialmente, não. Oficiosamente, ajudei, sim. — Ele abriu um sorriso malicioso, que fez meu coração dar vários saltos mortais quando olhei para os olhos cinzentos acolhedores, tão diferentes dos de Marcus. Os gêmeos apoiavam um ao outro, mas eram completamente diferentes. Vi o jovem de quem eu gostara tantos anos antes no longo olhar de Blake.
Ele sempre fora doce e gentil, mas, agora, esse pacote estava na pessoa de um homem poderoso, o que o deixava ainda mais convidativo. — Não acredito que você nunca encontrou uma garota legal para se casar — falei sem pensar.
— Encontrei uma garota legal há muito tempo. Ela me dispensou e fugiu — disse ele com voz profunda e sincera.
Eu sabia que ele estava falando de mim e senti meu rosto ficar vermelho e quente. — Que garota idiota.
— Na verdade, ela era brilhante. Ouvi dizer que se transformou em uma arquiteta genial, que projeta prédios extraordinários e dedica muito de seu tempo construindo e dando apoio a abrigos.
— Se eu fosse brilhante, nunca teria perdido você. — Meu sussurro foi quase inaudível, mas Blake ouviu.
— Você nunca me perdeu, Harper. Nunca esqueci você. — Ele prendeu um cacho de cabelos gentilmente atrás da minha orelha.
— Eu também nunca esqueci você — respondi baixinho. — E acredite, eu tentei.
— Pare de tentar — resmungou ele.
Eu ri porque não consegui segurar. — Acredite, eu já desisti.
Ele me lançou um olhar incrédulo. — Não está planejando fugir de novo quando tudo isso terminar, está?
Eu ainda não sabia exatamente o que tinha planejado, mas sabia que seria impossível esquecer Blake. — Não. Parei de fugir de tudo que me assustava há muito tempo.
— Jesus, Harper. — Ele se aproximou um pouco mais, o suficiente para que eu sentisse seu hálito contra meus lábios. — Por que simplesmente não fui atrás de você?
— Talvez pelo mesmo motivo pelo qual nunca atendi ao telefone. Eu estava assustada na época, Blake. Não queria ficar com um homem que não conseguia ficar só com uma mulher.
— Não sou esse homem.
Meu coração deu um salto em resposta à alegação sincera dele. Eu acreditei nele, pois, desde o momento em que estivera com Blake doze anos antes, provavelmente sentira bem no fundo que nunca o superaria. — Eu me odiei por entregar minha virgindade a um mulherengo.