Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 24 de 28

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Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 23

Ele desabou sobre mim, ofegante.

— Não vou deixar você ir embora, Harper. Não vou. Não posso.

Empurrei o peito dele com força. — Hoje à noite não, ok? — supliquei.

— Venha comigo. Tome banho e durma comigo.

Era minha última noite e tudo o que eu queria era ficar perto dele. Não importava que as lembranças me torturassem mais tarde. Eu queria viver para aquela noite porque era tudo o que tinha.

Ele se levantou e estendeu a mão. Eu a segurei, deixando que ele me ajudasse a levantar.

— Fizemos de novo, esquecemos da camisinha — disse ele com voz rouca. — Não pense nisso agora — pedi com voz suplicante, colocando os dedos sobre os lábios dele. — Se alguma coisa acontecer, avisarei você.

Ele assentiu e pegou-me no colo, segurando meu corpo nu nos braços ao sair da academia em direção ao quarto dele.

Pouquíssimas palavras foram ditas naquela noite. Tudo foi dito com nossos corpos. Dormi nos braços dele, completamente exausta, até a manhã seguinte.

Harper

—Por favor, não me diga que saiu de lá escondida sem se despedir de Blake — disse Dani com decepção na voz ao se deitar no sofá do meu alojamento temporário em Boston. Ela estava lendo uma revista, mas eu sabia muito bem que ouvia tudo o que era dito.

Sentei em uma cadeira do apartamento mobiliado com um saco de batatas fritas, jogando-as na boca sem nem pensar no que estava comendo.

Dani chegara no dia anterior e ver o rosto dela fora a única coisa que conseguira me deixar feliz. — Eu não saí escondida — objetei, apesar de ter feito isso. Eu não conseguiria lidar com uma despedida de Blake.

Também tivera medo que, se tivesse feito isso, acabaria cedendo e contaria tudo a ele. — Peguei um voo de manhã cedo e precisava devolver o carro que aluguei. Precisava sair cedo e não quis acordá-lo.

Dani ergueu o olhar da revista, jogando-a de lado, e revirou os olhos ao olhar para mim. — Você é uma escrota. Fugiu, sim. Por quê?

Para quem ficara prisioneira em condições deploráveis, Dani parecia muito bem. O rosto dela ainda estava machucado e ela estava incrivelmente magra. Mas comia como um cavalo e eu tinha certeza de que logo recuperaria o peso perdido. Ela cortara os cabelos em um estilo muito bonito, que deixava seus olhos enormes e lindos.

Eu tivera que insistir várias vezes para que ela descansasse. Ela queria sair e explorar Boston, o que provavelmente significava que queria

encontrar uma boa história. Porém, ela precisava descansar. As costelas quebradas ainda causavam muita dor, apesar de ela raramente reclamar.

— Por quê? — perguntou Dani de novo quando não respondi.

— Ok. Sim. — Coloquei mais algumas batatas na boca antes de responder: — Eu estava com medo.

— Você se apaixonou por ele, certo?

Assenti lentamente enquanto continuava a mastigar as batatas.

— Harper, entendo que esteja hesitante, mas, quando pensei que morreria, as coisas sem importância não tinham mais sentido. A única coisa com que me preocupei de verdade foram as pessoas que amo e quanto queria voltar para elas. Tive arrependimentos, talvez porque havia tantas coisas que não me esforcei o suficiente para resolver. — Ela se levantou e espreguiçou-se, tirando o saco de batatas fritas da minha mão antes de se jogar lentamente no sofá de novo.

— Dani, você sabe que não posso me casar com ele — argumentei.

Ela terminou de mastigar antes de responder: — Sinceramente, Harper, não, não sei. Se você parasse com toda essa bobagem e contasse a verdade a ele, teria duas opções. Ou ele a ama o suficiente ou não ama. É bem simples. Parece que você nem deu uma chance a ele. É tão injusto. E você é a pessoa mais justa e gentil que conheço.

— Se eu fizesse isso, sei que ele diria que está tudo bem e que lidaríamos com o problema — disse eu em tom triste. — Mas não acho que estaria tudo bem. Ele terminaria se arrependendo quando a novidade passasse.

— Ora, pelo amor de Deus, você não sabe disso. Quando foi que se tornou tão pessimista? Esse é o meu trabalho.

Eu normalmente era animada e positiva, mas não me sentia assim naquele momento. Eu me sentia deprimida, com o coração partido e tão solitária que minha alma gritava por Blake. — Desde que me apaixonei por um homem que merece o mundo — respondi em tom solene.

— Ele merece você. Parece que você é o mundo dele — retrucou Dani.

— Não existe garantia de felicidade, Harper. Ora, como sabe que ele não morrerá amanhã? Como sabe que isso não acontecerá com você? Qualquer um de nós pode sumir desta Terra em um instante. Jurei nunca mais deixar que nada me impedisse de conseguir o que quero. Não quero ter nenhum arrependimento — disse ela. — E também não quero que você tenha.

Eu já tinha arrependimentos e todos eles envolviam Blake Colter. — E

se ele acabar se ressentindo de mim? — perguntei.

— E se ele não fizer isso? E se ele nunca se casar porque não pôde ter a mulher que queria? Você me disse que foi a única mulher que ele quis durante doze anos. O cara estava na melhor forma e não queria sair por aí espalhando a própria semente. E se ele ainda se sentir assim?

Franzi a testa. — Acho que nunca considerei o fato de que Blake poderia não encontrar uma mulher para amar. Ele é o cara dos sonhos da maioria das mulheres.

— Ele ama você — retrucou Dani com a boca cheia de batatas fritas.

— Se ele não saiu antes com nenhuma outra mulher, por que sairia agora?

Como eu tivera alguns dias para pensar, percebi que deveria ter contado toda a verdade a Blake e deixar que as coisas se resolvessem da melhor forma. Agora que eu estava longe do tormento emocional de ficar perto dele, sabia que nunca esqueceria Blake Colter. Eu o amava demais.

Ele dissera que estivera me esperando. Bem no fundo, eu sabia que também estivera esperando. O tempo se passara e a vida continuara, mas sempre houvera algo faltando, um buraco dentro de mim que ficava vazio sem ele. — Talvez eu devesse ter lidado com as coisas de forma diferente

— confessei. — Talvez devesse ter dito a ele o verdadeiro motivo pelo qual está com medo?

Observei quando Dani se levantou e foi até a geladeira procurar mais comida. — Vou preparar algo saudável para você — disse eu, indo para a cozinha.

— Sério, mana? — disse ela brincando. — Depois de ser prisioneira e quase morrer de fome, a última coisa que quero é algo saudável. Que tal uma pizza?

— Teríamos que pedir — respondi distraída.

— Por mim, tudo bem — concordou Dani, pegando um refrigerante da geladeira. Telefonei para a pizzaria que víramos mais adiante na rua e pedi metade do cardápio. Parecia que minha comilança depressiva continuaria por algum tempo. Além do mais, Dani precisava ganhar peso.

Dani fez um som de desprezo quando desliguei o telefone. — Não que eu esteja reclamando, mas precisamos mesmo de tanta comida? Quero dizer, você podia ter parado antes das sobremesas. Acho que ficaremos bem

cheias com várias pizzas, asinhas de frango, sanduíches e não sei o que mais você pediu.

— Você precisa ganhar peso — retruquei na defensiva.

— Vou recuperar meu peso logo. Se eu ficar aqui por mais uma semana, acho que recuperarei tudo — brincou ela.

Eu queria encará-la friamente, mas acabei sorrindo quando vi o sorriso malicioso dela. Dani estivera animada e feliz desde que chegara a Boston.

Ela contara parte do terror que vivera durante o sequestro e dissera que não a tinham estuprado. Mas parte do tormento psicológico pelo qual a fizeram passar fora bem horrível.

— Vai voltar para a sua rede? — perguntei com cautela. Eu não queria encorajá-la. Pessoalmente, eu preferia que ela tivesse uma carreira diferente, mais segura.

— Quando eu estiver pronta — respondeu ela. — Meus chefes não querem nem ouvir falar nisso até que eu tenha tirado férias muito longas.

Não querem ser acusados de arrastar uma heroína de volta ao trabalho antes que ela esteja completamente curada — contou ela com voz desgostosa.

— Vai querer voltar para a mesma posição? Ela assentiu. — Sim. Mas nunca mais deixarei de dar valor às coisas que tenho. — Você sempre foi cuidadosa — disse eu, sentindo vontade de apoiá-la.

— Sim. Infelizmente, Marcus, o Imbecil, acha que sou imprudente. Ele ameaçou estar por perto sempre que eu tiver uma missão nova. O que ele planeja fazer? Ser minha babá?

Eu ri. — Marcus pode ser qualquer coisa, mas não a babá de alguém.

Ele é bem frio.

— Nem sempre — comentou Dani. — Ele tem bons momentos. Não existem muitos deles entre as vezes em que ele é um idiota, mas há alguma bondade bem no fundo.

— Aposto que sim — concordei. — Ele resgatou você, algo que não precisava ter feito. Até mesmo Tate se arriscou.

— Tate é um cara legal — disse Dani em tom apreciativo. — Marcus é muito nervoso. Blake é parecido com ele?

Balancei a cabeça negativamente. — Eles parecem idênticos, mas têm personalidades bem diferentes. Blake não tem medo de ser gentil e gosta de pessoas. Talvez seja isso que o faça ser um bom senador. Ele é doce e

apaixonado pelo que acha ser certo e errado. Tem uma mente científica e é brilhante. Ele também é paciente. Daria um pai maravilhoso.

Dani voltou para o sofá e retornei para minha poltrona quando ela comentou: — Se Blake é paciente, então ele e Marcus são muito diferentes.

— Ele também tem um excelente senso de humor. E um sorriso que faria qualquer mulher derreter — admiti.

— Mas que ele só usa com você — brincou Dani. — Harper, quanto tempo levará para que você vá procurar o cara e jogar-se nos braços dele implorando misericórdia por ter fugido escondida?

— Eu não fugi — disse eu em um tom altivo. — Eu só... fui embora.

— Harper — disse Dani, com repreensão na voz.

Olhei para a expressão decepcionada dela e disse: — Eu sei que você tem razão. Agora que tive um pouco de espaço, percebo que o que eu fiz não foi justo. Fiquei com medo de que ele me rejeitasse. Tive medo de não conseguir dar o que ele queria. Tive medo de que meus problemas fossem, em certo ponto, arruinar nosso relacionamento e deixá-lo infeliz.

— Você precisa pelo menos dar uma chance a ele. Se não fizer isso, nunca saberá como ele se sentirá. Eu o vi rapidamente quando estava saindo de Washington. Vou lhe dizer uma coisa: o podre coitado parecia assombrado e miserável. E com certeza não estava sorrindo.

Ergui a cabeça de súbito e olhei para ela. — Você viu Blake?

— Sim. Eu estava embarcando no avião de Marcus e ele estava saindo do jatinho dele. Passamos ao lado um do outro, mas ele nem me notou.

Acho que estava perdido em um mundo próprio.

Franzi a testa. — Não sei o que fazer — sussurrei, sem esconder a dor da voz.

— Vá. Procurar. Blake. — insistiu Dani. — Washington é perto daqui e temos três irmãos com um jatinho particular cada. Ou você pode alugar um jatinho. Poderia chegar lá em pouco mais de uma hora.

Eu não iria a lugar algum até que Dani estivesse bem. — Vou pensar no assunto — prometi.

— Pense muito bem — sugeriu ela. — Odeio ver você assim e tudo o que aconteceu no passado está fora do seu controle. Você merece ser feliz, tanto quanto Blake merece. Você só não enxerga isso.

A campainha tocou e acenei para que ela ficasse onde estava. Ela se levantara o suficiente por um dia.

Olhei pelo olho mágico e vi o coitado do entregador tentando equilibrar todas as comidas que eu tinha pedido.