Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 6
Observei o rosto dele, que refletiu uma variedade de emoções, até que ele disse com cuidado: — Harper, preciso lhe dizer uma coisa. E preciso que saiba que a segurança de Dani depende de como vai reagir à informação.
Ele parecia tão sério que assenti devagar. — Farei o que puder para ajudar minha irmã. Você deveria saber disso. Foi por isso que eu o procurei, para começo de conversa.
— Você procurou Marcus.
Ora, pelo amor de Deus. Ele estava começando a parecer um louco. —
Ok. O que é? Diga-me. — Se tinha a ver com a minha irmã, eu queria saber.
Ele soltou um longo suspiro quando os olhos prateados encontraram os meus, mantendo-me cativa por um instante. Em seguida, ele soltou três palavras que inicialmente não fizeram sentido para mim.
— Não. Sou. Marcus. — O quê?
— Sou Blake Colter. Não sou Marcus.
As palavras dele deixaram meu mundo de cabeça para baixo quando finalmente entendi exatamente o que ele dizia.
Harper
Não sou Marcus.
Obviamente, as palavras de Blake faziam sentido. Eu conhecia a família Colter desde a infância, apesar de não muito bem, mas claro que sabia que Blake e Marcus eram gêmeos idênticos. Eu vira os dois juntos apenas alguns dias antes, na casa de Aileen.
Eu só não esperara que um fosse o outro, bagunçando meu cérebro.
Ele continuava falando enquanto minha mente tentava acompanhar. —
Você falou primeiro com Marcus. Ele não está aqui, foi procurar sua irmã.
Ele montou uma equipe e teve que contar ao meu irmão, Tate, sobre a OPR
porque precisava de um piloto muito bom. Tate ocupou a vaga e é o melhor que existe para pilotar qualquer coisa que voe. Porém, a especialidade dele são helicópteros, que é o que Marcus precisa agora. Eles já estão do outro lado do oceano.
Balancei a cabeça. — Não entendi. Por que você não negou que era Marcus?
Ele tomou outro gole. — Porque eu sou um disfarce. Os inimigos de Marcus sabem da existência da OPR e ele é frequentemente observado para ver se reuniu a equipe de novo. Ele precisava de tempo para sair do país.
Ainda precisa. Eu o ajudei antes e estou ajudando novamente porque quero que ele tenha todas as vantagens que conseguir para resgatar sua irmã. Eu não quis dizer nada lá embaixo. Não sabia como você reagiria.
A ficha finalmente caiu e eu o encarei chocada. — Você e Marcus trocam de lugar? Então eu pedi ajuda ao verdadeiro Marcus?
— Sim.
— Eu dormi com você? — Eu tinha que perguntar aquilo, mas, de alguma forma, já sabia qual seria a resposta dele.
— Sim. Você só me chamou de Colter naquela noite doze anos atrás.
Eu não sabia que você não sabia que eu era Blake até que saiu correndo do carro na casa dos seus pais. Pensei em segui-la, mas também sabia que você precisava de tempo para resolver as coisas com seu pai e sua mãe. Portanto, esperei que me telefonasse. — Ele fez uma pausa para beber o resto do uísque. — Mas você nunca telefonou.
Ai, meu Deus, então isso significava...
— Eu vi o verdadeiro Marcus com a namorada dele?
Ele assentiu. — Eu provavelmente estava em casa, ainda esperando que você entrasse em contato comigo.
Minhas mãos tremiam quando eu as contorci nervosamente.
Fazia sentido... agora. Mas eu reagira de forma tão intensa quando vira Marcus tantos anos antes que nunca considerara o irmão gêmeo dele. —
Você poderia ter me telefonado. Tinha o meu número.
— Eu telefonei. Muitas vezes, como tenho certeza de que você se lembra. Antes de voltar para a universidade doze anos atrás, fui até sua casa. Não me lembro de toda a conversa, mas Dani basicamente me disse que você me odiava porque menti. Eu achei que você sabia na época que eu era, na verdade, o irmão gêmeo de Marcus e que estava furiosa. Ela bateu a porta na minha cara antes que eu conseguisse entender a história toda. Sua irmã disse que você tinha ido embora.
Suspirei. — Eu tinha. Fui embora para a Califórnia. Eu decidira o que queria fazer da vida e quis conferir o programa de arquitetura de Berkeley.
Dani sabe o que aconteceu e estava comigo quando vi sua mãe, Marcus e a namorada dele.
— Foi o que imaginei — respondeu ele estoicamente, colocando o copo vazio sobre a mesinha à sua frente.
Tudo o que eu achara ser real subitamente mudara e eu me senti enjoada ao ouvir a verdade. — Achei que você só estivesse brincando comigo. Éramos muito jovens.
Ele me lançou um olhar decepcionado que me deixou ainda mais enjoada. — Eu nunca faria isso, Harper. Aquela noite significou muito para mim.
Meus olhos ficaram úmidos com lágrimas quando percebi como o julgara mal quando ele não tinha culpa de nada, exceto de um mal entendido. E, sinceramente, não atender ao telefone quando ele ligara tantas vezes fora culpa minha. — Desculpe — disse eu em uma voz que mal passava de um sussurro. — Não se desculpe. Éramos garotos bobos. Eu deveria ter falado com você pessoalmente.
Abri um sorriso fraco. — Fiz com que fosse difícil me encontrar. —
Você não atendeu ao telefone — resmungou ele.
— Eu não podia. Estava... magoada.
— Achei que não queria falar comigo.
— Eu não sabia que você não estava saindo com uma morena linda logo depois que nos separamos — respondi fracamente.
— Não sei como não percebeu que eu era louco por você — respondeu ele, com a voz soando ligeiramente magoada.
— Eu não sabia — confessou ela.
Se eu tivesse sabido na época o que sabia agora, teria procurado Blake.
Só eu sabia como demorara para parar de reviver aquela noite com ele, todos os dias, por anos.
Finalmente, absorvi a verdade. Eu dormira com o senador dos EUA, Blake Colter, não com o irmão dele, Marcus. Havia tantas perguntas que eu queria fazer agora que não tinha nenhum motivo real para odiá-lo. Ele tentara entrar em contato comigo e meus sentimentos tinham sido bem radicais na época. Durante anos, eu tentara não me lembrar de como me sentira traída pelo primeiro homem a me mostrar um prazer sensual e uma intimidade que nunca mais tivera.
— Blake — murmurei, só para ouvir o nome dele saindo dos meus lábios, testando qual era a sensação de dizê-lo.
— É a primeira vez que você diz meu nome desde que éramos crianças
— respondeu ele com um sorriso.
— Eu fui má com você — admiti relutantemente.
— Sim. Eu gostava mais de Dani naquela época. Ela era mais simpática.
Sorri de volta para ele. — Ela sempre foi. Fugir sempre era uma experiência esclarecedora para mim. Fui uma garota mimada.
— Não espere que eu discuta — retrucou ele com voz divertida.
— Não espero. — Eu sabia exatamente como fora escrota antes de descobrir que o mundo não girava em torno de mim aos dezoito anos. Tudo era sobre mim. Pensar em como eu me comportara quando criança, e depois na adolescência, fez com que eu estremecesse de terror. — Eu cresci —
assegurei a ele.
— Lindamente — disse ele em tom suave.
Meu rosto ficou vermelho quando os olhos dele me estudaram de cima abaixo. Eu não passara muito tempo na última década preocupada com a aparência nem tentando fisgar um cara. Meu foco fora inteiramente na minha carreira e na minha causa para ajudar os sem-teto.
— Então, o que faremos agora? — perguntei, sentindo-me perdida. —
Passei doze anos odiando você. Bem, odiando Marcus, acho. E, subitamente, tudo o que achei que era certo estava errado. Na verdade, Marcus mal me conhece. E tenho certeza de que você também me odiou, já que nunca fez nada de errado.
— Eu nunca odiei você, Harper.
— Por quê? Para você, eu o dispensei.
Ele balançou a cabeça negativamente. — Achei que estava furiosa ou decepcionada por eu não ser Marcus. Acho que tinha o direito de se sentir assim. Eu nunca lhe disse a verdade. Mas nunca me ocorreu duvidar de que você sabia quem eu era até me chamar de Marcus logo antes de entrar correndo em casa no dia em que voltamos de Denver. — Ele fez uma pausa e acrescentou: — Acho que estive... esperando.
— Por...? — Eu queria saber a resposta dele. — Por você. Por outra chance.
A resposta dele me deixou desnorteada. Eu não sabia o que dizer nem no que acreditar. — Já se passaram doze anos, Blake. Foi apenas uma noite.
— Talvez, para mim, tenha sido o suficiente. Eu lhe disse que aquela noite foi especial para mim. Talvez eu não estivesse conscientemente esperando que você voltasse, mas acho que uma parte de mim sempre teve a esperança de que a veria de novo.
Uma única lágrima correu pelo meu rosto e fiquei triste pelo que poderia ter acontecido se eu não tivesse tirado conclusões precipitadas ou se
tivesse atendido apenas a um telefonema dele. Eu sabia que não poderia ter um relacionamento sério com ele, mas talvez tivéssemos virado amigos.
Talvez a amargura entre nós pudesse ter sido resolvida anos antes. — Não sei o que dizer.
— Não peça desculpas novamente — pediu ele. — Não tem nada do que se desculpar. Não percebi o que tinha acontecido até que Marcus me contou o que você disse a ele, que o vira com outra mulher. Eu teria ficado magoado na época e tenho certeza de que foi doloroso para você.
Assenti ao limpar a lágrima do rosto. — Foi, sim. Acho que foi porque você foi meu primeiro.
— Você nunca entenderá como isso foi importante para mim nem o quanto fiquei destroçado por não querer mais falar comigo — respondeu ele com voz rouca. — Eu queria que fosse você — disse eu em voz muito baixa. — Eu sabia que os sentimentos eram certos. Nunca me arrependi, Blake.
— Mesmo quando achou que eu estava brincando com você? —
perguntou ele.
— Não tanto pelo que aconteceu, mas por quê — admiti. — Talvez eu tenha ficado destruída quando achei que não era o homem que imaginei que fosse. E achei que meu julgamento fora péssimo, mas nunca me arrependi do que aconteceu. Estava tudo lá. O prazer. As emoções. A pura alegria da intimidade com você.
— Para mim também — disse Blake com voz rouca. — Bem no fundo, você tinha que saber disso.
Dei de ombros. — Não acho que tive vontade de cavar mais fundo depois de ficar tão magoada por ver você com outra mulher. Mas fico feliz por saber disso agora. Nunca me arrependerei de você ter sido o meu primeiro. Você foi perfeito.
Ficamos em silêncio e observei quando Blake serviu outra bebida, tomou um gole e colocou o copo sobre a mesinha.
Finalmente, ele perguntou: — Então, diga-me por que decidiu tentar salvar prédios históricos e incorporá-los em projetos de instalações novas?
O que, diga-se de passagem, é algo brilhante.
Logo depois de me formar em arquitetura, meu nome aparecera quando eu fizera um projeto que salvara o charme de um prédio histórico, mas
ainda permitindo construções em volta dele para completar uma estrutura necessária para o progresso da empresa.
História versus progresso.
Como a empresa era internacionalmente grande, meu projeto ficara bem conhecido. De forma não intencional, eu passara a ser a arquiteta a ser procurada por grandes empresas que queriam manter parte de sua história, ao mesmo tempo em que adicionavam as novas instalações necessárias.
Expliquei o início da minha história enquanto ele escutava atentamente.
— Você sabe que seu trabalho de caridade também é bem conhecido —
comentou Blake depois que terminei de contar a ele sobre minha carreira como arquiteta.
— São só prédios. — Eu construía abrigos para os sem-teto e apoiava-os sempre que podia. — Não é como se eu precisasse do dinheiro e não preciso de muito para me sentir feliz. Deixei aquela adolescente mimada para trás há muito tempo.
Sinceramente, eu me sentia mais satisfeita em saber que ajudara algumas pessoas a passarem a noite secas e aquecidas do que por ter todo aquele dinheiro no banco. Meus pais tinham sido ricos como os Colters e tinham deixado tudo para mim, Danica e nossos três irmãos.
Nossos irmãos tinham usado o dinheiro deles para iniciar carreiras rentáveis, enquanto que eu e Danica tínhamos escolhido trabalhos que nos deixavam felizes.
— Não faça de conta que não é nada — insistiu Blake. — A maioria das pessoas ricas não se importa nem um pouco com os miseráveis.
Eu sabia que o que ele dizia era verdade. Algumas se importavam.
Outras não. Eu só era uma pessoa rica que se importava. — A maioria das pessoas ricas também não se importa com o serviço do governo, a não ser que as beneficie — destaquei. — Você também faz coisas boas, Blake.
Ele sorriu para mim. — Talvez. Quando não estou com vontade de esmagar algumas cabeças. É frustrante.
Considerando o clima político, eu tinha certeza de que a atmosfera em Washington podia ser tudo, menos agradável. — Eu teria ficado feliz se você tivesse conseguido convencer os membros do congresso que não aprovaram os fundos para atendimento psiquiátrico para os sem-teto —
comentei em tom leve.
— Eu tentei — respondeu ele irritado. — A maioria das pessoas tem outras prioridades.
Infelizmente, ele fazia parte da minoria que não se opusera àqueles fundos. — Continuaremos tentando fazer com que sejam aprovados —
disse eu, fingindo um tom de advertência.
— Ajudarei você no que eu puder — prometeu ele.
Fiquei surpresa ao perceber como nossa conversa ficara confortável, como dois amigos que se conheciam novamente.
O problema era que nunca tínhamos sido amigos de verdade. Éramos apenas duas pessoas que tinham recebido prazer uma da outra quando éramos jovens e cheios de hormônios.
Agora, eu era adulta e estava com muito medo de que minha irmã nunca voltasse para casa. Incapaz de evitar o assunto por mais temo, perguntei em tom ansioso: — Acha que Marcus e Tate conseguirão mesmo ajudar Dani?
Percebi o medo na minha voz, uma incerteza que não era natural em mim.
Os olhos cinzentos dele ficaram mais escuros. — Eles tentarão tudo o que puderem para tirá-la de lá se ainda estiver viva.
Aquela era a verdade possível que eu não queria ouvir, a única que não conseguia aceitar. — Ela não pode estar morta.
Eu disse aquelas palavras porque queria desesperadamente que fossem verdade.