Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 25 de 28

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Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 24

Fui buscar a carteira, sabendo que o pobre rapaz merecia uma gorjeta bem gorda.

 

Blake

Pela primeira vez desde que eu me tornara senador, sabia que estivera distraído durante a sessão mais cedo naquele dia.

Eu me odiei por isso.

Eu tinha um trabalho a fazer, mas não parecia conseguir me concentrar.

Desde o momento em que acordara e descobrira que Harper partira para Boston, eu não fora mais eu mesmo.

Eu passara de estar deprimido para períodos de raiva, sem ter certeza se queria gritar com Harper ou implorar para que ela voltasse.

Meu orgulho não importava mais. Algumas coisas valiam mais do que evitar a humilhação.

— Consegui — disse Marcus ao entrar na minha casa histórica em Georgetown, minha residência quando eu trabalhava em Washington.

Eu provavelmente poderia morar mais perto de Capitol Hill, mas preferia o charme de uma residência histórica em vez de um apartamento contemporâneo. Eu me sentia mais em casa nela.

Eu estava servindo uma bebida, mas virei-me para olhar para ele. — Conseguiu o quê?

Voltando ao que eu estava fazendo, servi uma para Marcus também.

— Consegui o endereço de Harper em Boston. Você sabe que irá para lá assim que essa sessão terminar — respondeu Marcus, soando como se estivesse desafiando-me a negar que iria atrás dela de novo. Eu assenti. —

Ótimo. Fico feliz por ter conseguido o endereço dela. Isso me poupará

algum tempo. — Foda-se o meu orgulho. Eu não me importava mais se fizesse papel de idiota. De alguma forma, eu teria Harper de volta. Não importavam os problemas que ela tinha com compromissos, eu os resolveria. A última coisa que eu queria era segurá-la. Tudo o que eu queria era amá-la e ter o amor dela.

Marcus sorriu e soltou o pedaço de papel sobre uma mesinha. — Não podia ter simplesmente pedido a ela? Você tem o número do celular dela, certo? Eu tinha o número atual dela, mas não conseguira me forçar a ligar para ela. Se ela pretendia terminar tudo, eu a obrigaria a fazer isso pessoalmente. — Telefonemas nunca funcionaram muito bem para nós no passado — respondi ao entregar um copo de uísque a Marcus. — E duvido que ela me daria o endereço, caso atendesse.

— Tem certeza de que quer perseguir essa mulher? — perguntou Marcus em dúvida.

— Sim — respondi bruscamente.

— E por que diabos ela chutou você?

— Bem que eu queria saber — respondi com um suspiro pesado. —

Mas alguma coisa não está certa e preciso descobrir o que está acontecendo.

Harper não é do tipo de simplesmente fugir. Se ela não me quisesse, não teria problema algum em dizer isso na minha cara. Alguma coisa a está segurando. Alguma coisa a perturba. Só não sei qual é o problema.

— Quer que eu tente descobrir alguma coisa? — sugeriu Marcus. —

Sim... Não... — Eu queria saber? Claro que sim. Mas queria ouvir diretamente de Harper. — Não. Preciso que ela mesma me conte. Chega de mal-entendido.

— Ok. Mas telefone se precisar de mais alguma coisa — disse Marcus.

— Vou voltar para Rocky Springs.

— Voltarei para o Colorado em breve. As coisas irão bem em Boston ou não. — Eu ficaria em Washington por quase duas semanas e depois teríamos um recesso.

— Boa sorte — disse Marcus em tom sombrio ao terminar de beber o uísque e andar em direção à porta.

— Vou precisar. — Eu o segui até o carro com motorista e observei enquanto a limusine descia a rua e desaparecia.

Na manhã seguinte, eu iria para Boston e estava determinado a arrancar informações de Harper... principalmente o motivo de ter ido embora e por

 

que não estava disposta nem mesmo a tentar fazer nosso relacionamento dar certo.

A cada dia, eu a queria mais e essa necessidade estava devorando-me por dentro. Harper sempre fora a parte de mim que faltava. Eu só precisara vê-la de novo para perceber isso.

Terminando meu uísque, coloquei o copo na pia do bar e virei-me para subir a escada. Eu precisava colocar algumas coisas na mala para partir cedo no dia seguinte.

Subi a escada correndo, torcendo para finalmente conseguir quebrar as defesas de Harper e fazê-la me dar as informações de que eu precisava.

Harper

Dani ficou comigo por uma semana antes de partir para visitar nossos irmãos. Depois que ela se foi, tudo o que eu tinha era a própria companhia, o que odiei.

Não demorou muito para que eu decidisse que precisava parar de fugir de Blake. Eu tinha que contar a ele e lidar com o resultado emocional dessa decisão.

Minha irmã tinha razão. A vida era curta demais para aquele tipo de bobagem. Eu estava evitando.

Eu estava fugindo de algo bom.

Sim, poderia acabar rejeitada ou até mesmo ressentida em algum momento, mas pelo menos não haveria mais confusão para Blake sobre os meus sentimentos.

Eu o amava. Ele fora o único cara para mim desde a primeira vez em que estivéramos juntos. Ele obviamente se sentia do mesmo jeito, já que afastara todas as mulheres que olharam em sua direção ou tentaram atrair sua atenção nos doze anos anteriores.

Eu meditara por vários dias sobre o que exatamente faria. Finalmente, decidi que precisava vê-lo pessoalmente.

Eu iria para Washington. Meu irmão, Jett, tinha conseguido o endereço de Blake em Georgetown e enviara o próprio jatinho particular para me levar até lá.

No fim do dia, Blake seria meu ou eu estaria com o coração partido.

Mas isso seria muito melhor do que não saber o que teria acontecido se eu

tivesse contado a ele.

Dani tivera razão ao dizer que eu merecia ser feliz e que o que acontecera anos antes estivera fora do meu controle. Eu não precisava me sentir tão afetada, o que só acontecera quando me tornara tão vulnerável. Eu aceitara o que seria a minha vida... mas vira Blake de novo e tudo que eu sentira me deixara de ponta cabeça de novo.

Mas eu estava pronta agora. Minha irmã estava em segurança e eu não vivia em um constante estado de medo. Finalmente conseguira botar a cabeça no lugar para saber o que eu queria e o que precisava fazer para conseguir.

Eu tinha que correr um grande risco com o coração, mas Blake valia a pena.

Fiquei inquieta enquanto esperava o jatinho de Jett decolar. A aeronave era luxuosa, com bancos de couro cor de creme e um quarto no fundo, mas mal notei. Só o que eu queria era encontrar Blake e despejar os segredos que estivera mantendo.

Suspirei quando o jatinho decolou.

E se ele não quiser falar comigo? E se ele não me quiser depois de saber?

Por que os pensamentos negativos têm que surgir quando uma pessoa decide colocar o coração em risco?

Grande parte daquela decisão resultara de ouvir Dani falar durante a semana anterior, discutindo os encontros dela com os sequestradores e por que ela nunca queria arrependimentos. Percebi como eu não aproveitava direito a vida. Eu estava feliz com as coisas que fazia, mas meu coração e minha alma estavam vazios. E eu não queria continuar assim.

Não se não precisasse ficar sozinha.

Não se Blake gostasse de mim o suficiente.

Recusei comida e bebida que a comissária de bordo me ofereceu, pois havia um nó no meu estômago. Jett enviara um carro para me esperar no aeroporto e tentei respirar fundo para me acalmar a caminho da casa de Blake.

Quando chegamos, peguei minha malinha e agradeci o motorista com uma gorjeta gorda. Em seguida, fui até a porta. Eu estava aterrorizada, mas não deixei de notar a fileira de casas históricas, cada uma mais impressionantemente preservada que as outras.

Adorei o fato de Blake ter escolhido aquela casa em vez de um apartamento perto do trabalho. A arquiteta em mim quis dar uma volta e conferir as conservações que tinham sido feitas em todas as casas, mas eu tinha questões mais urgentes com que lidar no momento.

Toquei a campainha e esperei até que alguém atendesse.

Infelizmente, não foi o rosto que eu queria ver.

A mulher era de meia idade e segurava um espanador. — Estou procurando Blake Colter — disse eu em tom hesitante.

— Ele não está aqui, senhora. — A mulher foi educada e bem direta.

Merda! — Ele voltou para o Colorado?

Meu celular começou a tocar e vasculhei minha bolsa em busca dele.

Atendi com a voz ofegante por causa do medo e da decepção de não ter encontrado Blake.

— Alô.

— Onde diabos está você? — perguntou Blake em tom exigente. —

Georgetown — respondi com sinceridade. — Vim procurar você. —

Merda! — xingou ele. — Estou em Boston. Eu precisava ver você.

Demorei um momento para perceber que ainda estávamos em cidades diferentes, apesar de termos tido a mesma ideia de estarmos no mesmo lugar.

Comecei a rir. A mulher, que devia ser a governanta de Blake, me encarou como se eu fosse louca.

No outro lado da linha, percebi que ele também ria. — Inacreditável.

Tentamos encontrar um ao outro e acabamos em lugares diferentes — disse Blake com humor na voz.

Eu ri. — Se você tivesse ficado aqui...

— Ou se você tivesse ficado em Boston. Não vá a lugar nenhum.

Estarei aí em poucas horas — exigiu ele. — Minha governanta está aí?

— Sim. — Entreguei o celular à mulher espantada que ainda estava à porta.

Ela falou com Blake por vários minutos, dando respostas monossilábicas. Quando finalmente desligou e devolveu meu telefone, ela deu um passo atrás. — Por favor, entre. O senador Colter gostaria que você se sentisse em casa.

Entrei, admirando a decoração enquanto analisava como a arquitetura original fora bem preservada. Era uma casa adorável. Não era pretensiosa,

mas certamente decorada com antiguidades para corresponder ao período da construção. Ela me levou até uma sala de estar que tinha mobílias mais novas, um espaço que provavelmente era o mais usado. — Obrigada —

murmurei.

— Quer comer alguma coisa? Alguma bebida?

Apesar de querer muito manter a minha compulsão por comida e aceitar, acabei dizendo: — Não, estou bem, obrigada.

A mulher saiu da sala e fechou a porta atrás de si. Tirei o casaco e as botas pesadas que usava e sentei no sofá de couro confortável, ainda atônita com o fato de Blake ter ido atrás de mim em Boston.

Aquilo me deu esperança.

Deixou meu coração mais leve.