Bilionário Desconhecido: Blake
Capítulo 2
Era um alívio completo o fato de Marcus Colter não me afetar mais emocionalmente.
O cara que tirara minha virgindade era agora como um estranho para mim. E eu estava estranhamente bem com isso.
Marcus
Não era necessário nenhum cientista para descobrir a suposta conexão entre eu e Harper. Ou, melhor... algum outro cara e Harper, pois eu obviamente não dormira com ela. Eu não quisera fazer muitas perguntas, mas tinha certeza de que quem tirara a virgindade de Harper fora, na verdade, meu irmão gêmeo, Blake. Quem mais teria feito isso?
Talvez devesse ter contado a verdade para Harper imediatamente, mas eu não era o tipo de homem que tomava decisões apressadas. Blake obviamente tivera seus motivos para fazer o que fizera.
Obviamente, anos antes, meu irmão senador se passara por mim. A pergunta era... por quê?
Meu irmão odiava ser eu. Ora, eu não podia culpá-lo. Algumas vezes, eu também odiava. Blake sempre fora o cara legal, o que fazia todo o possível para ajudar qualquer pessoa. Eu? Eu era um idiota egoísta e sabia disso. Já aceitara. Mas nem sempre gostava disso.
De muitas formas, viajar o mundo me deixara mais duro, menos empático. Se eu tivesse deixado cada situação triste que via me atingir, nunca teria sobrevivido. Se eu fosse como Blake, teria morrido com o coração sangrando anos antes. Portanto, eu parara de me preocupar com coisas que não podia controlar e começara a trabalhar em projetos em que poderia fazer alguma diferença. Se isso me tornava um idiota... que fosse.
Se isso me tornava frio, era algo com que eu conseguiria lidar. O que eu não podia fazer era deixar que as coisas horríveis que vira me destruíssem.
Saí do escritório e subi a escada correndo, mais do que pronto para tirar a roupa de trabalho. Eu mal chegara de uma viagem de negócios ao Japão quando Harper Lawson aparecera, obviamente chateada e frenética.
Enquanto trocava de roupa e vestia calça jeans e um suéter pesado, repassei nossa conversa. Eu aprendera a guardar informações na memória e lembrava de cada palavra. Talvez eu tivesse dado a impressão de que estava hesitante em resgatar Dani. Porém, na verdade, eu teria ido atrás da correspondente maluca de qualquer forma.
Eu não exagerara quando dissera a Harper que vira a irmã dela em quase todos os locais perigosos que visitara.
Não é surpresa o fato de Danica sempre ter me odiado. Ela acha que tirei a virgindade da irmã dela e, logo depois, pulei na cama com outra mulher.
Não que eu alguma vez tivesse sido agradável com alguém, mas nunca fora excepcionalmente rude com a irmã de Harper... até que ela me dissera alguns insultos indevidos nas primeiras vezes em que a vira. Depois disso, passáramos a insultar um ao outro com a maior frequência possível. Eu tinha que admitir que ver Danica Lawson sem palavras ou furiosa se tornara um prazer para mim. Brigar com ela era quase tão bom quanto fazer sexo.
Bem, talvez não tão bom, mas era muito divertido. E pouquíssimas coisas ainda me divertiam.
Ela me chamara de escroto arrogante... um insulto que provavelmente continha uma pontinha de verdade.
Eu dissera a ela que era perigosa e sem cérebro, pois sabia que isso a deixaria furiosa.
Sinceramente, ela provavelmente era uma das mulheres mais astutas que eu já conhecera. Porém, ela me irritava insanamente por estar em todos os lugares dos quais deveria fugir como louca.
Eu não poderia dizer a Harper que era um agente especial da CIA.
Ninguém sabia disso, exceto minha família. Eu nunca me considerara um espião... não exatamente. Eu preferia pensar em mim mesmo como coletor de informações que, por coincidência, ia a muitos locais no exterior e tinha uma tonelada de informantes nesses mesmos destinos.
Eu não era nenhum James Bond. Eu realmente tinha negócios praticamente em todos os locais para onde ia. Mas eu fazia o que fazia para a CIA porque estava cansado de ver meus amigos no exterior morrerem em
países destroçados pelas guerras simplesmente por morarem ou trabalharem nesses locais. Meu grupo OPR, agora desfeito, fora criado porque eu tivera amigos no passado que tinham precisado ser resgatados, vários homens de negócios ricos que tinham sido sequestrados por um grupo de rebeldes. Eu reunira um grupo inusitado, mas perfeito, de ex-agentes da CIA, fuzileiros navais e agentes do FBI com todas as especialidades necessárias para a missão de resgate dos meus amigos. Eles tinham sobrevivido e, depois disso, fora solicitado que resgatássemos outros em diversos países.
Tínhamos operado pelo máximo de tempo possível até que nossos disfarces foram expostos em uma missão fracassada que nunca deveria ter acontecido.
O irmão de Harper, Jett, fora gravemente ferido. Outro membro também quase perdera a vida. Nossa única opção fora acabar com as operações. Com nossas identidades conhecidas e o grupo deixando de ser secreto, era perigoso demais para seus membros. Além do mais, eu sabia que, se não conseguíssemos operar silenciosamente, não seríamos tão efetivos.
Agora, eu teria que tentar mais uma vez ir a um lugar no qual poucas pessoas queriam estar.
O que diabos Dani estava fazendo na Síria?
Ela podia ser corajosa e destemida, mas não era burra. Eu sabia que a base dela era a Turquia, mas nunca achara que ela cruzaria aquela fronteira.
Nem mesmo que consideraria a ideia.
Ah, sim, eu ia levá-la para casa. Mas agora, mais do que nunca, precisava da ajuda de Blake mais uma vez. Por sorte, ele estava em casa em um recesso longo de inverno e eu teria que pedir que me desse cobertura.
Ninguém poderia saber que eu partira. Estar longe em um destino desconhecido seria uma grande indicação de que eu estava em um resgate.
Enquanto estivesse em Rocky Springs, ou enquanto as pessoas pensassem que estava lá, eu não poderia estar fora do país.
Balancei a cabeça ao calçar os sapatos, peguei a carteira que estava no bolso da calça do terno e guardei-a no bolso traseiro da calça jeans.
Eu precisava falar com Blake e tinha que ser imediatamente.
Quanto mais cedo conseguisse organizar tudo, mais cedo eu conseguiria trazer aquela doida de volta ao país.
Fiquei imaginando se, de alguma forma, eu conseguiria cassar o passaporte dela permanentemente. Passei a mão pelos cabelos com frustração, mais preocupado do que provavelmente deveria com uma mulher que prontamente arriscava a vida para fazer seu trabalho.
Sim, ela soubera dos riscos do trabalho. Eu nunca duvidara disso. Mas pensar nela nas mãos de rebeldes que não teriam um pingo de remorso se a matassem fez com que eu me mexesse um pouco mais depressa. Eu estava no carro a caminho do rancho de Blake em questão de minutos.
— Quando foi que você trepou com Harper Lawson? — perguntei ao meu irmão enquanto preparava um drinque na sala de estar da casa dele.
Eu chegara ao rancho de Blake em tempo recorde. Eu adorava veículos velozes e escolhera um dos mais velozes que tinha.
— O quê? — Blake olhou para mim com a testa franzida ao se sentar em um sofá.
Percebi que meu irmão gêmeo estivera andando pelo rancho. A calça jeans era velha e desbotada e ele vestia um suéter velho que deveria ter sido jogado no lixo no final da faculdade.
Eu realmente não conseguia entender o que ele achava tão fascinante nas vacas.
— Você me ouviu — disse eu calmamente, sentando-me em uma cadeira reclinável à frente dele. — Ela me procurou hoje em busca de ajuda.
A irmã dela, Dani, foi... detida. Por algum motivo, Harper tem a impressão de que tirei a virgindade dela em algum momento. E, por isso, ela me odeia.
O que diabos você fez? — Blake não era conhecido por ser encrenqueiro nem mulherengo.
Na verdade, eu não conseguia me lembrar da última vez em que ele tivera uma namorada.
Se não estivesse em Washington cuidando de suas responsabilidades como senador, ele estava ali no rancho, tentando criar linhagens novas e aprimoradas de gado.
— Anos atrás — resmungou ele. — Ela mal tinha chegado à idade adulta.
Ergui uma sobrancelha ao ouvir o tom irritado dele. Meu irmão não era do tipo que transava com uma virgem e fugia. — O que aconteceu?
— Lembra-se do ano em que ela fugiu de casa?
Eu assenti. Sim, eu lembrava. Eu tivera uma namorada nova na época e a última coisa que quisera era ir embora para Denver no meio de uma tempestade e deixar a bela mulher para trás. A namorada não durara muito tempo. Ora, eu nem me lembrava do nome dela. Por outro lado, nenhuma delas naquela época durava mais do que um ou dois meses. Blake se mexeu de forma desconfortável. — Tivemos que passar a noite juntos depois que a encontrei em Denver por causa da tempestade. Fizemos sexo. Fim da história.
Interessante. Ele não quer falar sobre o que aconteceu com Harper.
Balancei a cabeça negativamente. — Não é bem o fim da história. —
Por que ela acha que fui eu?
— Não fingi ser você. Ela simplesmente supôs que eu era você.
Quando fui vê-la antes de voltar para o campus, ela tinha ido embora.
Nunca tive a oportunidade de dizer a verdade a ela.
— Você nunca mais a encontrou?
— Não — respondeu Blake em tom amargo. — Tentei telefonar durante meses, mas ela nunca atendeu. Acho que ela finalmente trocou de número ou de telefone, pois depois de algum tempo a mensagem era de que estava desligado.
— A irmã dela me odeia. Harper me odeia. Suponho que isso tudo tenha a ver com você brincando com Harper.
— Eu não estava brincando com ela. Ela partiu. Não se despediu.
Nunca entrou em contato comigo. Como eu deveria contar a ela?
— Bem, você está prestes a ter outra chance. Tenho que ir nesta missão, Blake. Ninguém pode saber que saí do país.
— Ah, não, nem pensar. Depois da sua última missão com a OPR, achei que tivesse parado.
— Então quer que eu deixe Dani na Síria à mercê de rebeldes? — perguntei em tom casual, surpreso ao perceber quanta emoção via em Blake, mesmo sendo algo negativo. Falar sobre mulheres normalmente era a última coisa que ele queria fazer. E eu certamente nunca vira meu irmão gêmeo tão abalado por causa de uma mulher.
Ele balançou a cabeça lentamente. — Se alguma coisa acontecer com Dani, isso provavelmente mataria Harper. Mas você nem tem mais uma equipe.
— Encontrarei uma — respondi em tom confiante. Eu já tinha uma boa ideia de quem poderia usar para substituir os dois membros que faltavam da equipe e sabia que os rapazes iriam em mais uma missão, especialmente considerando que iríamos procurar Danica Lawson. A maioria deles pelo menos sabia da existência dela, mas eu tinha certeza de que quase todos a conheciam pessoalmente, como acontecia comigo. Ela era conhecida pelas reportagens em áreas perigosas e não havia exatamente uma tonelada de correspondentes estrangeiras mulheres. Ela era uma das poucas que existia.
— Como diabos vai conseguir entrar no país? Jesus, Marcus... será muito perigoso.
Lancei um meio sorriso ao meu irmão gêmeo. — Já estive em situações piores. Primeiro, preciso localizar Danica.
— Ajudarei você de todas as formas que puder — concordou Blake relutantemente. — Como estava Harper? O toque de vulnerabilidade na voz dele me vez estudar meu irmão cuidadosamente. Percebi como ele estava nervoso. — Furiosa. Preocupada. Só o fato de ter trazido à tona o fato de eu ter roubado a inocência dela há mais de uma década me mostrou que está desesperada.
— Não foi você — resmungou Blake. — Fui eu.
Hmmm... ele estava mais do que só um pouco irritado sobre aquele assunto. — Eu sei. Teria me lembrado daquele incidente se realmente tivesse sido eu. Ela é uma bela mulher. — Sim, eu sabia que estava provocando Blake, mas a reação irritada dele depois de todos aqueles anos me deixou atônito. Ora, ele agia como se tudo tivesse acontecido no dia anterior.
— Você encostou nela? — perguntou ele em voz grave.
— Não. Mas e se tivesse? Vocês dois não estão exatamente juntos.
Blake me lançou um olhar mortal. — Não. Não mexa com ela.
Reprimi a vontade de sorrir para ele. — Não vou fazer isso. Mas eu agradeceria se limpasse meu nome.
— Lamento — respondeu Blake em tom grave. — Não achei que ela voltaria aqui porque os pais dela morreram ou que eu teria que encontrá-la novamente. Nem achei que você a encontraria. — Ele fez uma pausa antes de perguntar: — Por que você simplesmente não disse a verdade a ela?
Você devia saber que tinha sido eu.
Dei de ombros. — Não é responsabilidade minha. Eu não tinha todos os fatos e não queria deixá-la ainda mais furiosa. Só para que você saiba...
não sei exatamente o que aconteceu, mas parece que ela me viu com a minha namorada da época logo depois que vocês dormiram juntos. Ela acha que você a usou por uma noite e depois voltou para a sua namorada.
— Merda — explodiu Blake. — Não é de surpreender que ela não falasse comigo nem atendesse o telefone. Eu deveria ter ido atrás dela e contado a verdade. Mas só supus que ela estava arrependida do que aconteceu ou só não estava interessada em falar comigo. Eu não sabia que ela tinha visto você com outra mulher.
— Se faz com que se sinta melhor, ela superou você. Além do mais, eu não estava com outra mulher. Eu só estava trepando com a minha namorada naquela época.
Blake levantou o copo que estivera segurando e engoliu o uísque inteiro em um só gole. — Não importa. Eu a esqueci há muito tempo. Foi só uma noite.
Eu achava que devia ter sido uma noite incrível para que meu irmão ainda reagisse como se o incidente tivesse acontecido recentemente. Blake era meu irmão gêmeo idêntico e, às vezes, sentíamos as emoções um do outro. Por muito tempo, quase perdêramos aquela ligação. Mas minhas entranhas se contorceram quando vi sua expressão atormentada, conectando-me com ele em um nível que não acontecia havia muito tempo.
— Você nunca a esqueceu.
Ele deu de ombros. — Não havia muito a fazer a não ser esquecê-la.
Blake nunca esquecera Harper. Eu estava convencido disso. — Ela está muito bem e faz uns trabalhos incríveis.
Eu não sabia muito sobre Harper Lawson, mas não era segredo que ela dedicara a vida para projetar prédios exclusivos. Além do mais, ela era mais conhecida pelas contribuições na luta a favor dos sem-teto. — Eu sei. Vi algumas coisas sobre ela no decorrer dos anos — disse Blake em tom direto.
Aposto como ele seguiu a carreira dela. Eu não me importava com o que meu irmão dizia... ele ainda sentia alguma coisa por causa do breve caso que tivera com Harper, não importava quanto tempo atrás isso tivesse acontecido.
Eu me levantei ansioso, pois ainda tinha muito a fazer. — Esteja pronto para fazer a troca amanhã.
Blake se levantou e sua voz estava rouca ao me chamar: — Marcus? —
Sim?
— Tenha cuidado. Não será uma missão fácil. Eu sorri. — Já tentei coisas piores.
— Isso não faz com que eu me sinta melhor — resmungou ele.
Eu só ri, secretamente contente por meu irmão gêmeo se preocupar comigo. Ele era o único que sabia sobre a OPR e apenas porque eu lhe pedira que tomasse o meu lugar algumas vezes durante as últimas missões.