Bilionário Desconhecido: Blake

J. S. Scott · Capítulo 19 de 28

Páginas do PDF

Bilionário Desconhecido: Blake

Capítulo 18

Ficamos deitados juntos, sem conseguir falar enquanto nos esforçávamos para recuperar o fôlego.

Tive que morder a língua para me impedir de dizer a ele exatamente como me sentia enquanto Blake me segurava sobre seu corpo, sem querer me soltar enquanto nossos corações voltavam ao ritmo normal.

Eu queria dizer a ele que me sentia maravilhosa.

Eu queria dizer a ele que o que acabara de acontecer fora mágico. Mas, principalmente, eu queria dizer a ele que me sentia... amada.

No fim, eu não disse nada porque sabia que aquilo tudo não duraria. Eu o abracei e deixei as palavras sem serem ditas.

 

Harper

Tive notícias de Dani no dia seguinte. Ela telefonou enquanto eu preparava o café da manhã. Blake estava no andar de cima tomando banho.

Rapidamente abaixei o fogo da comida e corri para pegar meu celular que estava sobre o balcão. Torci para ser minha irmã e eu poder finalmente ouvir a voz dela.

Eu me atrapalhei para atender à ligação e estava quase sem fôlego ao dizer: — Alô.

— Ei, mana — disse Dani em tom casual. — Parece que você acabou de chegar de uma maratona.

— Ai, meu Deus. Dani? Por favor, diga que está bem — implorei. —

Estou ok, Harper. Pare de se preocupar.

— Parar de me preocupar? — exclamei. — Você foi sequestrada por um bando de terroristas e quer que eu pare de me preocupar? Até mesmo Mason, Jett e Carter estavam morrendo de preocupação.

Meus três irmãos raramente perdiam a calma por alguma coisa, portanto, o medo que tinham demonstrado desde o sequestro de Dani fora muito incomum.

— Eu estou bem. Só quero dar o fora daqui — reclamou ela.

— Quando você vai sair do hospital? — perguntei ansiosa. — Assim que Marcus, o Imbecil, achar que estou bem o suficiente para fazer a viagem de volta — disse Dani em tom hostil. — Ele é um controlador do inferno.

— Ele resgatou você — relembrei.

— Ele traiu você — retrucou ela.

— Dani, ele não contou a você? — Marcus estivera na companhia de Dani por tempo suficiente para ter contado a ela a confusão.

— Contou o quê?

Ela soou tão confusa que rapidamente relatei o que acontecera e a verdade sobre Blake ser o irmão com quem eu dormira.

— Então, ninguém traiu ninguém — concluí.

Dani suspirou no telefone. — Ok. Então acho que ele é inocente de ter tirado a virgindade da minha irmã e de ter transado com outra mulher logo depois. Mas, ainda assim, ele é um escroto. Fica me dando ordens como se fosse a porra do meu chefe.

— Tenho que admitir que ele é um pouco... intenso — admiti.

— Intenso? Eu nunca vi o cara abrir um sorriso. E ele age como um maldito ditador.

Sorri porque o temperamento de Dani conseguia ser bem feroz quando ela estava furiosa. — Dê um tempo a ele. Ele arriscou a própria vida para salvar você. — Sim. E ele não me deixa esquecer disso nem por um segundo — respondeu ela secamente.

Encostei o quadril no balcão, abrindo um sorriso mais largo ao imaginar Marcus e Dani juntos. Conhecendo minha irmã como eu conhecia, e tendo conhecido Marcus, concluí que não iriam ser simpáticos um com o outro. —— Pretendo encontrar você em Washington quando voltar para os EUA.

— Não! — respondeu ela apressadamente. — Só ficarei lá um dia.

Prefiro encontrar você em Boston. Marcus disse que você irá para lá em breve.

— Por que tenho a sensação de que você quer ficar longe de Marcus?

— brinquei, supondo que Marcus ouvira dizer que eu iria para Boston durante o jantar em família, quando comentei sobre o assunto com Aileen.

— Provavelmente porque eu quero ficar longe dele. Desesperadamente.

— E Tate? — perguntei, tentando fazer com que Dani parasse de falar de Marcus.

— Ele é legal — respondeu ela, com a voz um pouco mais leve. —

Infelizmente, ele concorda com Marcus em quase tudo.

Soltei um suspiro exasperado. — Dani, você foi sequestrada, confinada, abusada e passou fome. Não há como estar bem depois de uma experiência dessas. Dê uma folga a você e a eles.

— Eu nunca disse que estava perfeitamente bem — respondeu ela baixinho. — Mas estou ok. — Foi muito ruim?

— Conversarei com você sobre isso depois que eu voltar aos Estados Unidos. Não agora, ok?

Senti que havia coisas que ela ainda não estava pronta para discutir. —

Só estou feliz por você estar segura. Eu amo você.

— Também amo você, mana — respondeu ela com a voz mais emotiva.

— Então, quando você estará em Boston?

Conversamos um pouco mais e dei a ela as informações das minhas hospedagens temporárias em Massachusetts.

— Tem certeza de que não quer que eu vá para Washington? —

perguntei. — Absolutamente não. Responderei às perguntas dos federais e depois vou dar o fora de lá. — Ela hesitou antes de perguntar: — Como foram as coisas com o senador? Não acredito que pensamos que seu primeiro amor sempre fosse Marcus.

— Eu não diria que ele foi meu primeiro amor. Foi apenas uma noite.

— Ora, vamos, Harper. Eu estava lá, lembra? Vi a expressão de coração partido no seu rosto quando você viu Marcus com outra mulher. Ok, sim, não era o cara com quem você tinha ido para a cama, mas vi a dor em seus olhos porque achou que era. Ele foi mais do que apenas um cara que você tolerou na cama. E eu sei como você ficou magoada depois. Sou eu, Dani, sua irmã que sabe de tudo sobre você.

— Foi só uma paquera — insisti.

— É, ok. Chame do que quiser, mas ele significou algo para você.

— Ele significou muito — admiti finalmente. — Mas se passaram anos. Ele é um homem bacana e fico feliz por saber disso agora.

— Você dormiu com ele? — perguntou Dani em tom direto.

— Eu diria que isso não é da sua conta — repreendi.

— Aha! Então dormiu — retrucou ela. — Consigo perceber pela sua resposta.

— Não vou conversar sobre isso — adverti.

— Não precisamos. Sei dizer pelo som de sua voz que aconteceu de novo. Mas isso não é ruim, certo? Quero dizer, você agora é mais velha e

mais experiente. Sabe que ele é um cara bacana. Pode dar certo.

— Sou uma arquiteta que viaja pelo mundo fazendo trabalhos históricos. Blake é um senador dos EUA que viaja entre Washington e o Colorado. Seria impossível ter um relacionamento, mesmo se quiséssemos.

Mas não queremos.

— Você não quer ou ele não quer?

Suspirei. — Nenhum de nós queria que algo acontecesse. Não me arrependo, mas Blake não estava procurando algo permanente e nem eu.

Você conhece a minha situação. Não posso ter nada em longo prazo. —

Algumas vezes, a gente só precisa descobrir como fazer as coisas —

observou Dani de forma pensativa.

— Já descobrimos. Vou para o meu trabalho em Boston, ele volta para o congresso — retruquei na defensiva. Blake nunca falara sobre o futuro e a última coisa que eu queria era ter meu coração partido pelo mesmo cara...

de novo. Mas, considerando o que eu sentia por ele, seria impossível escapar da dor quando fosse embora.

— Veremos — disse Dani com um toque de humor na voz.

— Cuide-se e não se force a se sentir normal logo. Parece que você precisa recuperar o peso e a força.

— Ai, meu Deus. Agora você está parecendo Marcus.

Revirei os olhos. — Pareço sua irmã mais velha que a ama. —

Desculpe. Eu sei. É só que... realmente preciso de um pouco de distância disto tudo.

Eu tinha certeza de que ela precisava de muitas coisas. Tive vontade de abraçá-la pessoalmente. — Verei você em Boston na sexta-feira à noite.

— Estarei lá. Eu queria dar o fora daqui mais cedo, mas juro, Marcus e Tate têm olhos até nas paredes.

— Então tenha paciência — aconselhei. — São só mais alguns dias.

Dani resmungou, sem prometer que pelo menos não tentaria fugir. Mas eu estava confiante de que Marcus e Tate não a deixariam ir a lugar algum.

Antes que ela desligasse, tive que perguntar: — Por que exatamente você cruzou aquela fronteira? Os rumores sobre você ajudar aqueles garotos são verdadeiros?

Dani ficou em silêncio por um momento antes de confessar: — Os relatos são bem precisos, mas isso não me torna nenhuma heroína. Que adulto poderia deixar aquelas crianças acabarem mortas?

Eu queria dizer a ela que provavelmente muitos deles se isso significasse que poderiam morrer se ajudassem os adolescentes. Ela soubera que seria pega, mas, mesmo assim, rendera-se para salvar alguns garotos.

Dani devia ter ficado aterrorizada, mas ainda os salvara.

— Venha para casa em segurança — disse eu com súplica na voz.

— Eu vou. Prometo. Ficaremos juntas em Boston por algum tempo.